06
Docs / Estão em fase de produção, para a SESC TV (canal 3 da Sky ou 137 da Net), documentários sobre Lucio Costa, Affonso Eduardo Reidy e Sergio Bernardes.

Dentro da mesma série (Programa Coleções), vai ao ar
hoje, quinta, às 21:30, um documentário sobre as Ruínas de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, cujo sítio arqueológico inclui as ruínas da igreja setecentista de São Miguel Arcanjo, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, e o Museu das Missões, projetado por Lucio Costa na década de 1930. O programa será reprisado sex e sáb às 15:30, e dom às 13:30.

(A foto acima - com a igreja em primeiro plano e o museu ao fundo - foi extraída daqui: http://www.panoramio.com/photo/9367222)
05
Reidy /
Felizmente, há outras boas notícias em torno do "mais civilizado dos nossos arquitetos", no dizer de Lucio Costa: estará nos cinemas no segundo semestre o filme "Reidy, a construção da utopia", segundo documentário de Ana Maria Magalhães sobre a obra do arquiteto. O filme, que tem 77 minutos de duração e foi premiado no Festival do Rio (2009) e no Cine Eco Seia (2010), em Portugal, tem foco no urbanismo e inclui entrevistas exclusivas com Lucio Costa, Carmen Portinho, Paulo Mendes da Rocha e Roland Castro.

A propósito, Ana Maria, que é sobrinha de Carmen Portinho, confirma que a casa projetada por Reidy no Vale do Cuiabá não foi atingida pela recente tragédia na região serrana do Rio; apenas o acesso ficou mais difícil por conta da queda de uma ponte.
04
Snohetta in Rio /
E na próxima quarta, dia 16, tem palestra do arq Ole Gustavsen, do premiado escritório norueguês Snohetta, cujo currículo inclui a Nova Biblioteca de Alexandria (Egito), a Ópera de Oslo (Noruega, Prêmio Mies van der Rohe 2009), o Memorial às Vítimas do 11/09 (Nova York) e a expansão do Museu de Arte Moderna de São Francisco. Às 19 h no Centro de Arquitetura e Urbanismo da Prefeitura (Rua São Clemente 117, Botafogo).
A palestra será em inglês.

03
Arte e Arquitetura / Acaba de chegar às minhas mãos o livro Arte e Arquitetura. Balanço e Novas Direções (editora UnB, 2010, 234 p.), que resulta de 4 dias de debates promovidos pela Fundação Athos Bulcão em Brasília, em outubro de 2009.

Livro e seminário foram organizados por Agnaldo Farias e Fernanda Fernandes, ambos professores da FAU-USP, que reuniram 21 autores ligados às áreas de arte e arquitetura com o objetivo de refletir sobre "as interseções, contaminações e coincidências entre as duas disciplinas, que em vários momentos compartilham princípios e incertezas."

Os textos são de Cecilia Cotrim, João Masao Kamita, Guilherme Wisnik, Claudia Cabral, Carlos Eduardo Dias Comas, Milton Machado, Rodrigo Queiroz, Marta Bogéa, Fernanda Fernandes, Agnaldo Farias, Daniel Acosta e outros (dentre os quais me incluo) , sobre temas distintos que passam por Van Doesburg, Archigram, Peter Eisenman, Oiticica, Barrio, John Cage, Lelé, Matta-Clark, Koolhaas e claro, Athos Bulcão.

Há ainda um trabalho de Carmela Gross - "1:" - que escapa do formato mais acadêmico da publicação e explora a relação entre escala e dimensão, espaço gráfico e espaço geográfico, pensamento e representação.

Meu texto foca especificamente no projeto de Sergio Bernardes para o "Rio do Futuro", publicado na revista Manchete em 1965 (acima). O projeto, aliás, desencadeou uma discussão acalorada no seminário - o que, no meu entender, contribuiu justamente para dar a dimensão do problema central tocado pelo encontro: as tensões entre arte e arquitetura no pensamento e na prática contemporânea.
02
Porto urgente / Ainda não será amanhã. Informe do IAB comunica que "por decisão da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, promotora do Concurso Porto Olímpico, a divulgação do resultado foi postergada para data a ser determinada."

Posto 02 / fev 11

01
Porto Olímpico / Sai na próxima terça, dia 8, o esperado resultado do concurso de projetos para instalações olímpicas no Porto. Quatro equipes serão selecionadas dentre 87 participantes de todo o Brasil (com alguns escritórios estrangeiros como associados).

O concurso prevê a construção das Vilas de Mídia e Árbitros (totalizando pelo menos 10.600 quartos), um Centro de Convenções, um hotel cinco estrelas com 500 quartos e um edifício corporativo, totalizando 850 mil m². Essas edificações ocuparão duas áreas localizadas na região da Avenida Francisco Bicalho: a Praia Formosa (Pça Marechal Hermes, 63) e a Usina de Asfalto (Av. Francisco Bicalho, 146, e terrenos contíguos), e a
pós as Olimpíadas serão usadas como moradia, apart-hotel, comércio e escritórios.

Nove arquitetos compõem a Comissão julgadora: Gisele Raymundo, Miriam D’Avila Cavalcanti, Washington Fajardo, Gustavo Nascimento, Ivan Mizoguchi, Alder Catunda, Marcio Tomassini, Ricardo Villar e Sergio Magalhães.

O anúncio será às 19h, na sede do IAB (Rua do Pinheiro, 10, Flamengo), onde todos os projetos participantes do concurso estarão em exposição até 11 de março.



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Central do Brasil 2030 / Assim poderia (ou poderá?) ficar a região da Central do Brasil, na av Presidente Vargas, segundo o projeto dos escritórios Campo e Fábrica, que estará a partir de terça no Centro Cultural dos Correios, dentro da exposição "As Cidades somos nós" (realizada com a consultoria dos arquitetos Hélia Nacif Xavier e Roberto Adler).


O projeto redesenha a malha urbana do entorno da Estação Central do Brasil, valorizando as esquinas das quadras, e tem como elemento forte uma grande marquise que dá continuidade ao saguão da estação, expandindo-o para a rua. O objetivo é fazer da Central uma estação intermodal adequada às necessidades contemporâneas, com a promoção do uso da bicicleta e do transporte público de alto desempenho. Prevê-se que as 16 pistas atuais da av Presidente Vargas serão substituídas por linhas de BRT e ciclovias, as pistas para carro reduzidas e o terminal de ônibus existente removido. Um parque linear e um elevador também estão previstos, conectando a estação com o Morro da Providência, ao fundo.
14
A cidade sou eu / Em 2030, 60% da população mundial estará morando em cidades. Com base nessa projeção, o ITDP - Institute for Transportation and Development Policy (Instituto de Políticas de Transportes e Desenvolvimento), convocou arquitetos de várias partes do mundo para imaginar um futuro sustentável para as suas cidades.

O resultado estará a partir de terça próxima, dia 02, na exposição "As cidades somos nós - desenhando a mobilidade do futuro", no Centro Cultural dos Correios (Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro).

O Rio é uma das 10 cidades estudadas. O projeto desenvolvido pelos escritórios CAMPO e Fábrica destina-se à região da Central do Brasil. As demais cidades, e os escritórios de arquitetura responsáveis pelos projetos são: Nova York - Terreform e Michael Sorkin Studio; Cidade do México - Arquitectura 911sc, Buenos Aires - PALO Arquitectura Urbana; Ahmedabad, Índia - HCP Design and Project Management; Jacarta, Indonésia - Budi Pradono Architects; Joanesburgo, África do Sul - Osmond Lange Architects e Ikemeleng Architects; Guangzhou, China - Urbanus Architecture and Design; Dar Es Salaam, Tanzânia - Adjaye Associates; Budapeste, Hungria - Varos-Teampannon and Kozlekedes.

Em paralelo à mostra, um seminário internacional que se estenderá até o início de março promete trazer ao Rio os arquitetos Richard Rogers e Michael Sorkin - ambos imperdíveis -, entre outros:

10/02 "Renovação Urbana". Palestrante: Oren Tatcher - arquiteto residente em Hong Kong, tem vários projetos de renovação urbana, com ênfase em estações de transporte multimodais.

24/02 "Nossas Cidades - Visões para 2030". Palestrantes: Michael Sorkin - arquiteto baseado em Nova York, ex-crítico de arquitetura do "Village Voice" e autor do projeto para a Brooklyn Bridge, apresentado na exposição; David Sim - arquiteto do escritório Jan Gehl Architects e Gabriel Duarte - professor da PUC-Rio e representante dos escritórios CAMPO e Fábrica, responsáveis pelo projeto para a Central do Brasil apresentado na exposição.

03/03
"Investimento Sustentável: transporte urbano como uma questão essencial". Palestrante: Tim Tompkins - diretor da Times Square Alliance, responsável pela criação de espaços públicos na Broadway, junto com a Prefeitura de NY.

11/03 "A forma das cidades e a linguagem da arquitetura". Palestrante: Richard Rogers - arquiteto premiado com o Pritzker de 2007, autor de projetos como o Centro Pompidou em Paris (com Renzo Piano), o aeroporto de Barajas em Madri, o Plano Diretor de Shangai, o Lloyd’s Bank, o Millenium Dome e o condomínio One Hyde Park em Londres. É autor, entre outras publicações, de "Cidades para um pequeno planeta" (Gustavo Gili, 2005), livro que resume alguns dos princípios básicos do assim chamado "ecourbanismo".
13
Silêncio e Tensão / Passadas duas semanas desde as chuvas na Serra, a situação de muitas obras preciosas que ficam naquela região continua sendo objeto de muita especulação. A começar pelo Park Hotel, de Lucio Costa: foi totalmente destruído? Qual é seu real estado atual? Poderá ser restaurado? E o Centro Histórico de Petrópolis, está inteiramente salvo?

É verdade que o acesso a muitas obras continua difícil, e que nada pode ser mais urgente que a assistência ao drama humano vivido ali. Mas seria um grande alívio se os órgãos públicos de preservação (a nível federal, estadual e municipal) viessem a público fazer um esclarecimento sobre a situação dessas e outras obras que têm a missão de preservar. Até para evitar mais tensão num momento de tanta dor.

12
No IAB / As propostas vencedoras do concurso "Morar Carioca" - destinado a urbanização de favelas cariocas - poderão ser vistas a partir de amanhã, quarta, no Instituto de Arquitetos do Brasil. A abertura da exposição antecede cerimônia destinada a comemorar também os 90 anos da instituição, a recente criação do CAU/Conselho de Arquitetura e Urbanismo e o centenário do arquiteto Henrique Mindlin (autor de projetos como o edifício Av Central, no Rio e o Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza, e também do livro "Arquitetura Moderna no Brasil", lançado na década de 1950 e até hoje referência fundamental para qualquer interessado no assunto). Às 18:30, na sede do IAB (Rua do Pinheiro, 10, Flamengo).



11
Boa notícia / Após anos de abandono, está sendo iniciada a recuperação do conjunto habitacional do Pedregulho, projetado por Affonso Eduardo Reidy na década de 1940 e localizado em Benfica. O projeto de recuperação é do arquiteto Alfredo Britto e a construtora é a Concrejato, vencedora de licitação realizada em dezembro passado pela CEHAB, responsável pelo conjunto. As obras emergenciais já aprovadas compreendem recuperação estrutural, esgoto sanitário e pluvial, abastecimento d´água e pavimentação do bloco A (o maior, que se destaca à distância por seu perfil curvilíneo). Esta etapa foi orçada em 10,5 milhões de Reais e deve durar 12 meses. O restante das obras poderá vir em breve, após avaliação da Secretaria de Habitação, em conjunto com o arquiteto e a Associação de Moradores local.

10
Um pouco de esperança / Movo-me, como se de repente tivesse vivido um século, entre os muitos textos e relatos que circulam sobre a tragédia na Serra. Mas nada me toca tanto quanto este email que recebo de uma ex-aluna, que é de Friburgo:

"Oi Ana Luiza,

Obrigada pela lembrança.

Só na semana passada eu achei que estava perdendo meu pai 2 vezes! Em outra, achei que tinha perdido minha melhor amiga. Mas graças a Deus está tudo bem com todos da minha família e amigos mais próximos. Perdemos um carro, mas isso não chega nem perto do que nossos amigos e conhecidos perderam.

A cidade foi muito afetada. Muitas das áreas com desmoronamentos não eram regiões desmatadas ou ocupadas indevidamente. Eram zonas de mata nativa, sem qualquer intervenção!

Eu estou no Rio, funcionando como base operacional para minha família. Recolhi muitos donativos que já foram entregues a pessoas que perderam tudo, tudo mesmo.

A antiga Fábrica Ypu virou ponto estratégico para distribuição de donativos. Todos os caminhões deixam as cargas lá e veículos menores são carregados para fazerem a distribuição aos pontos de difícil acesso.

Apesar de áreas mais afastadas estarem recebendo socorro só agora, o centro já começa a se restabelecer, ou ao menos tenta. Muitas confecções acabaram, as fábricas estão fechadas. Friburgo cresceu com a criação de 3 grandes fábricas do ramo têxtil. A Ypu já estava fechada, agora a Rendas Arp e a Filó (atual Triumph) já anunciaram seu fechamento. Já temos indício de uma “tragédia social”. O comércio voltou a abrir ontem, porém por uma questão muito mais psicológica do que econômica. Minha mãe tem uma perfumaria, mas quem vai comprar perfumes? Roupas de marca? A FIRJAN fez um levantamento que mostra que 80% do comércio foi atingido, direta ou indiretamente. O turismo ecológico também está acabado. A economia da cidade está sem rumo traçado.

Li no seu blog sobre os monumentos de Friburgo. A Igreja de Santo Antônio realmente foi destruída. Os tratores estavam tirando hoje a terra da Praça do Suspiro e encontraram uma árvore e um carro dentro dela. Tinha lama até no teto. Só o santo se salvou. Não tenho notícias do Park Hotel, nem do Parque São Clemente. Geralmente o Parque São Clemente é atingido pela chuva, os lagos são destruídos, mas a perda não é muito grande. Eu moro em frente a eles e vou ver se consigo algum acesso assim que for para lá. A Igreja de Nossa Senhora das Graças está bem, entrou água da chuva mas não foi muito atingida (na verdade quem “destruiu” a Igreja foi um padre que a encheu de imagens adesivadas). Apenas o prédio da escola que fica por trás sofreu alguns danos. O prédio principal, e histórico, do colégio Anchieta está bem. O que caiu foi a parte nova, mais próxima à rua.

Nosso atual prefeito (o prefeito antigo faleceu e o vice assumiu em novembro) admitiu ao governador que não tem capacidade de tomar a frente em uma situação como essa. Passou então o comando das ações para o vice-governador, que está à frente de todas as ações na cidade. Muita ajuda tem chegado, de todos os cantos do mundo. Isso me traz um pouco de esperança.

Eu espero agora que as verbas liberadas realmente cheguem ao seu destino final, que a cidade possa aproveitar toda tecnologia que está disponível no momento para se reerguer de forma racional e quem sabe, ainda melhor.

Bjs

Viviane"
9
Perdas em Friburgo / Não quero acreditar, mas segundo levantamento feito pelo jornal O Globo, o Park Hotel, de Lucio Costa, não se salvou. Nem o conjunto do Parque São Clemente, seu vizinho, com projeto paisagístico de Glaziou. A dolorosa lista de obras perdidas saiu hoje no site do jornal (http://oglobo.globo.com/rio/mat/2011/01/17/patrimonios-historicos-culturais-de-nova-friburgo-afetados-pela-chuva-923527606.asp) e diz respeito, por ora, só a Nova Friburgo:

Obras tombadas pelo Patrimônio Nacional (IPHAN):

"1. Praça Getúlio Vargas - Projeto do renomado paisagista e botânico francês Glaziou, executado pelo engenheiro Carlos Engert, em 1880 e financiado pelo Barão de Nova Friburgo: parcialmente destruído
2. Conjunto arquitetônico do Parque São Clemente - Constituído pelo Chalet do Barão de Nova Friburgo e parque botânico, projetado pelo paisagista Glaziou, em 1861: ambos destruídos
3. Conjunto arquitetônico, em estilo moderno, do Parque Hotel, projeto de Lucio Costa, em 1950, conhecido como "jóia da arquitetura moderna": destruído pelas chuvas

Tombados pelo INEPAC - Patrimônio do Estado:
1. Igreja Matriz de São João Batista - Construção iniciada em 1851 com recursos do Barão de Nova Friburgo: parcialmente afetado
2. Prédio do IENF - Colégio Estadual Ribeiro de Almeida, erguido a partir de 1819 e recentemente foi restaurado: preservado pela chuva
3. Residência do Barão de Nova Friburgo, erguido em 1842, primeira construção em pedra e cal, marco da arquitetura de Nova Friburgo -em 1920, sede da Câmara Municipal, atual Oficina Escola de Arte: seriamente afetado
4. Capela de Santo Antônio, erguida em 1885 pelo músico Samuel Antônio dos Santos. Seu Campanário é projetado e construído pelo arquiteto Lucio Costa, em 1948: destruído pelas chuvas
5. Cúria Metropolitana de Nova Friburgo, erguido em 1870, para residência da família Campbell, atual residência do Bispo da Diocese de Nova Friburgo: parcialmente afetado pelas chuvas
6. Colégio Nossa Senhora das Dores, erguido em 1841, para ser sede do Colégio Freeze que funcionou no período de 1841 a 1850 - importante educandário da então Província do Rio de Janeiro: parcialmente afetado pelas chuvas
7. Conjunto da Estação Ferroviária de Rio Grandina - Composta de: Casa do Administrador, Plataforma de embarque, depósitos e ponte treliçada, construída em 1875: destruído pelas chuvas
8. Conjunto da Estação Ferroviária de Nova Friburgo, hoje denominado Palácio Barão de Nova Friburgo, sede da Prefeitura Municipal, construído a partir de 1873, para ser sede do ramal ferroviário da Estrada de Ferro Cantagalo: parcialmente afetado pelas chuvas
9. Colégio Anchieta, pertencente a ordem jesuíta, erguido em 1901, para sediar o primeiro colégio católico do interior da Província do Rio de Janeiro: seriamente afetado
10. Complexo arquitetônico do Sanatório Naval, erguido a partir de 1890 para ser residência de caça do Barão de Nova Friburgo: preservado
11. Residência do Barão de Sumidouro, erguido em 1890, depois sede da antiga LBA e hoje sede da Secretaria de Assistência Social: afetado pelas chuvas
12. Antiga residência do Barão de Duas Barras, erguido em 1890, atual sede da Faculdade de Odontologia, da Universidade Federal Fluminense: seriamente afetado pelas chuvas

Tombados pelo INEPAC - Patrimônio Municipal:
1. Residência do Deputado Federal Galdino do Valle Filho, autor do projeto que instituiu o Dia da Criança, erguida em 1917: afetado pelas chuvas

Patrimônio Imaterial de Nova Friburgo (Não Tombados)* :
1. Memorial da Colonização Suíça, situado no Distrito de Conquista, no complexo da Queijaria Escola e Casa Suíça: afetado pelas chuvas
2. Arquivo Pró-Memória de Nova Friburgo, patrimônio da Fundação D. João VI de Nova Friburgo, instituída nos termos de Lei Municipal, sob a forma e personalidade jurídica de Fundação Pública de Direito Público, é uma entidade sem fins lucrativos, com objetivo de preservar a História de Nova Friburgo, suas memórias. O arquivo guarda, aproximadamente, 1,5 milhão de itens, entre documentos impressos, manuscritos, datados a partir de 1817, consta ainda de um imenso acervo iconográfico da cidade, datado a partir de 1825: Não afetado diretamente pela tragédia, no entanto incapaz de permanecer nas instalações atuais, tal as exigências necessárias para preservá-lo

*Não tombados, existem inúmeros outros patrimônios, assim como monumentos de valor histórico agregado, seriamente danificados em virtude da tragédia que se abateu sobre a cidade. Exemplos: Praça do Suspiro e a sua fonte de água, erguidos em 1840.
"

Chega também a primeira notícia da casa de Reidy: parece que foi preservada, embora esteja ilhada.

8
Boas notícias vão chegando, em meio a tanta tristeza: não foram afetadas as obras de Alcides Rocha Miranda nem a Casa Cavanellas. E tudo indica que as regiões do Park Hotel e da Casa Saaavedra também não foram as mais atingidas. Minha maior preocupação agora é a casa de Reidy, que fica justamente no vale do Cuiabá, uma das áreas mais devastadas. Das outras obras, também ainda nada sei.

Respiro fundo e percorro alguns dos pontos de recolhimento de donativos que se multiplicam pelas ruas, numa rede de solidariedade impressionante e provavelmente inédita por aqui, tanto em escala quanto em organização. Quando dou por mim, estou diante do Cristo que, de braços abertos, abençoa a cidade.

7
A lista vai aumentando, junto com a aflição: em Friburgo: a igreja Nossa Senhora das Graças, de Alcides Rocha Miranda; em Petrópolis: a casa de Celso Rocha Miranda, também de Alcides Rocha Miranda - e claro, toda a av Koeller e o Palácio de Cristal; a casa de Hilbebrando Accioly, de Francisco Bologna (na Fazenda Inglesa), a casa de George Hime, de Henrique Mindlin (em Bom Clima), e várias casas na Fazenda Samambaia, de Sergio Bernardes, Henrique Mindlin e outros. Em Correas: a Res. Saavedra, de Lucio Costa; em Itaipava: a res. Cavanellas, de Oscar Niemeyer, com um dos mais belos jardins de Burle Marx. Além de vários outros jardins do nosso maior paisagista, como os das casas de Odette Monteiro (Fazenda Marambaia) e Alberto Kronsfoth (em Teresópolis). Como estarão estas e outras obras que constituem um patrimônio arquitetônico inestimável? Procuro e não encontro nenhuma informação a respeito.

6
Em meio à tragédia que atinge a região serrana do Rio, como estará a casa de Affonso Eduardo Reidy e Carmen Portinho no Vale do Cuiabá? E o Park Hotel de Lucio Costa, em Friburgo? E as casas de Plácido da Rocha Miranda (de Alcides Rocha Miranda) e Lota Macedo Soares (de Sergio Bernardes) em Petrópolis? Quase peço desculpas, mas estremeço ao pensar que as chuvas, que já mataram mais de 500 pessoas, podem ter vitimado também essas e outras obras primas da arquitetura brasileira.

5
Plágio !? / Uma marca projetada para o Rio que ninguém esquece? Aquela concebida por Aloísio Magalhães para o IV Centenário de fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1965. O símbolo - uma formalização geométrica do número 4 - varou a cidade em jornais, embalagens, biquínis, muros. E ganhou a capa da edição alemã do livro de Max Bense, "Inteligência Brasileira". Mas como lembra João Leite, logo depois do resultado do concurso que selecionou o projeto, Aloísio Magalhães também foi acusado de plágio, por ter supostamente "copiado" a marca de uma ensacadora de batatas na Alemanha. (ao lado, o símbolo inscrito numa pedra em Paquetá. Foto feita em 2009 por Raul Lisboa: http://www.flickr.com/photos/65978346@N00/3235553856/).


4
Design !? / A marca das Olimpíadas gerou uma inacreditável polêmica no meio do design. A discussão, desencadeada nos últimos dias na Internet, colocou Frank Barral e Cláudio Portugal de um lado, sustentando a acusação de plágio, e outros, como João de Souza Leite, Gabriel Patrocínio e Agnaldo Farias, do lado oposto.

Em meio a tantos posts e emails (alguns reunidos aqui: http://www.designsimples.com.br/rio-2016-plagio-por-favor/), lembrei da discussão que tive recentemente, num seminário em Brasília, com o arquiteto Marcelo Suzuki, de São Paulo. Suzuki é excelente arquiteto. Além de ter sido colaborador e parceiro de Lina Bo Bardi, tem uma obra própria de grande interesse (veja-se o seu projeto premiado para o Fórum de Cuiabá). Por isso mesmo, fiquei perplexa quando ele acusou Max Bill de plágio, por ter tomado a fita de Möbius como base para conceber a sua "Unidade Tripartida" (ao lado), premiada na I Bienal de São Paulo.

Ora, a fita de Möbius vem sendo amplamente explorada, desde o século XIX, não só na matemática, mas também na arte, na arquitetura e no design. O próprio Max Bill explorou e referiu-se inúmeras vezes a este objeto topológico para defender sua concepção de projeto, baseada numa estreita relação com o pensamento matemático. No mais, a lista dos "plagiadores" seria tão infinita quanto a própria fita: Lygia Clark, M.C. Escher, Peter Eisenman, e até Lacan. Mais a Tátil, claro.



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Cidade "Cocriativa" /
Não posso perder o jornal Em Pauta de hoje (Globonews, 20:30), que vai receber o designer Fred Gelli, sócio da Tátil Design, agência criadora da marca dos Jogos Olímpicos no Rio. A marca - três figuras humanas ligadas por mãos e pés, numa espécie de ciranda que evoca as curvas do Pão de Açúcar - foi escolhida a partir de concorrência da qual participaram 139 agências de design e publicidade do Brasil todo.

A marca foi apresentada publicamente na festa de Reveillon em Copacabana, e salvo engano, ainda não foi objeto de uma análise mais séria, como mereceu o símbolo da Copa de 2014 (ver a crítica do designer João de Souza Leite: http://adg.org.br/blog/blog/copa-do-mundo-2014-oportunidade-desperdicada/).

Por ora, houve, no máximo, quem lembrasse "A Dança", de Matisse, e até uma matéria na Bandeirantes insinuando plágio, por conta da semelhança com a marca de uma ONG americana. Não vai tardar para aparecer uma referência à "Unidade Tripartida" de Max Bill, penso comigo, já meio aflita.

Então vou procurar o site da Tátil (http://www.tatil.com.br), e fico sabendo que a empresa é "uma consultoria de estratégia, construção e gestão de marcas que usa o design e o branding para criar conexões sustentáveis entre pessoas e marcas".

Mas deixa pra lá, vamos ao texto sobre a marca. Assim é descrito o seu processo criativo:
"INVESTIGAÇÃO, BRAINSTORMS, COCRIAÇÃO.
Foi esse pensamento que nos guiou ao longo de todo o processo criativo.
Reunimos uma equipe multidisciplinar no Rio e em São Paulo.
Investigamos o universo da marca e suas edições anteriores, outras competições e eventos internacionais.
Fomos entender as estruturas latentes por trás de Paixão, Transformação e Carioca.
Criamos planetas Rio 2016 e polinizamos cada um deles com muitas referências, conceitos, tendências, artigos.
Fizemos brainstormings para descobrir sua essência, seu propósito e como criar expressões e experiências relevantes.
Mais de 100 pessoas participaram do processo, entre estrategistas, designers e redatores.
As melhores referências eram trocadas e trabalhadas de forma coletiva.
A marca final foi a mais cocriativa."

E agora, o que dizer?
2
Conselho é Lei / No apagar das luzes de 2010, um informe extraordinário do IAB-RJ trouxe a notícia que muitos arquitetos esperavam há anos: a menos de dois dias de passar o cargo à Dilma, o presidente Lula finalmente sancionou a lei que cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (vetada por ele mesmo em 2007). Na prática, isso significa que os profissionais da arquitetura, até então representados pelo Conselho Federal (Confea) e pelos Conselhos Estaduais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Creas), ganham autonomia, tendo, pela primeira vez, uma regulamentação própria, desvinculada da regulamentação profissional dos engenheiros e agrônomos - à qual estão vinculados desde 1933, quando a profissão de arquiteto foi regulamentada no Brasil.

Para exercer a profissão, o arquiteto agora deverá ter registro profissional não mais no CREA mas no CAU de seu estado, registro este que permitirá sua atuação em todo o país. Também deverão registrar-se no CAU as empresas de arquitetura e urbanismo.

A notícia não ganhou destaque na grande imprensa, mas merecia: afinal, o primeiro projeto de lei com esse objetivo foi apresentado ainda em 1958 ao presidente Juscelino Kubitschek, e coincide agora com um cenário particularmente favorável à requalificação e revalorização da arquitetura no Brasil. Mais aqui:
http://www.cau.org.br/index2.php

Posto 1 / jan 11



1

Ano Novo / Já não encontro mais aquele mar de crateras abertas na areia, nem a luz tremulante e mágica que emanavam. Mas as flores não faltam ao último dia do ano no Rio, para o gozo de Iemanjá. Estas, encontrei ao anoitecer, no Posto 12: são vestígios de desejos que alguém trouxe até a praia, como eu, e certamente também já se foram.

12
Olimpíadas / Alguns esclarecimentos, antes que o ano acabe: o edital do concurso internacional para o Parque Olímpico não saiu ainda. O que houve esta semana foi apenas a assinatura do convênio entre o IAB-RJ e a Prefeitura do Rio para realização do concurso. Daí porque até agora não há nenhuma informação sobre o concurso nem no site do IAB-RJ, nem no blog de seu presidente, arq. Sergio Magalhães, nem no site oficial das Olimpíadas no Rio (que aliás está fora do ar hoje).

Mas vamos ao que se sabe, por ora: o concurso será realizado em duas etapas, a partir de 15 de janeiro (a primeira selecionará 8 propostas que disputarão a segunda), e o resultado deve sair em junho próximo.

O Parque Olímpico ocupará o terreno do Autódromo de Jacarepaguá e ainda deve incluir a Arena da Barra e o Parque Aquático Maria Lenk, erguidos para os Jogos Pan-americanos de 2007. Aí deve ser concentrada a maioria das competições esportivas das Olimpíadas, como judô, vôlei, basquete, ciclismo, hóquei, tênis, natação, luta e handebol, além dos centros de imprensa e de transmissão dos jogos, totalizando 10 instalações permanentes e 9 temporárias, em uma área de 1,6 milhão de metros quadrados.

Na verdade, a equipe vencedora do concurso será responsável pelo desenvolvimento do projeto, com base no plano já existente e aprovado pelo COI - cuja autoria não tem sido divulgada e o próprio Sergio Magalhães há pouco tempo afirmou desconhecer, embora o projeto já esteja há algum tempo no site do escritório mineiro BCMF(http://www.bcmfarquitetos.com/dinamico/main.html).

Quanto à Vila Olímpica, cuja pedra fundamental também foi lançada esta semana, a previsão é de que sua construção tenha início em janeiro. Da autoria deste projeto, não tenho nenhuma pista (o máximo que sei é que a construtora é a Carvalho Hosken). Mas reproduzo o que tem sido divulgado: a Vila também ficará na Barra da Tijuca, em terreno de 1 milhão de metros quadrados, ao lado do Riocentro e próximo à Lagoa de Jacarepaguá. Terá 48 edifícios, de 12 andares cada, totalizando 2880 unidades (apartamentos de três e quatro quartos), além de equipamentos de apoio aos atletas.

E a logomarca das Olimpíadas? Finalmente será conhecida hoje, às 10 da noite, por meio de projeções nos palcos instalados na Praia de Copacabana para o Reveillon. Que não se repita a frustração da marca da Copa, eu ia dizer. Mas um tucano surgiu na minha janela, e me espera. Feliz 2011.



11
Boas Festas / Na véspera do Natal, O Globo publicou mais um artigo sobre arquitetura, assinado pelo arq. Luiz Fernando Janot.

O alerta, que reproduzo aqui com autorização do autor, antecedeu por pouco a notícia que fecha o ano com chave de ouro: o lançamento, hoje, do Concurso Internacional de Arquitetura para o Plano Geral do Parque Olímpico de 2016.

Salvo engano, é o primeiro concurso público e internacional de arquitetura realizado no Brasil nos últimos tempos - o que não é pouca coisa.

O objetivo é a construção do Parque Olímpico, a ser erguido em terreno com mais de 1 milhão de metros quadrados, onde hoje se localiza o Autódromo, na Barra da Tijuca. O Parque conterá equipamentos esportivos permanentes e temporários destinados aos Jogos Olímpicos de 2016, como Velódromo, Centro de Mídia, Centro de Treinamento e Complexos Esportivos para tênis, natação e outras modalidades.

O concurso é organizado pelo IAB-RJ e segue o regulamento da UIA/ União Internacional de Arquitetos. A cerimônia será às 11 horas na Arena da Barra (Avenida Embaixador Abelardo Bueno, 3401, Barra da Tijuca).

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Ó / Devo esta ao Antonio, que foi capaz de aproximar Jorge Moreira e Nuno Ramos:

"Prédios vazios podem ser chamados de orgânicos, pois tudo funciona numa uniformidade em fluxo, dobrada sobre si mesma. Quando o silêncio, o pó, as sombras quase sólidas desses edifícios, cortadas pelas quinas das paredes, impõem sua gravidade, então não há fala nem memória, não há lugar para se estar dentro, e a arquitetura, o que ainda há de arquitetura, se fecha em elementos genéricos, inabitáveis, como o chão de taco, a laje acima, o muro à frente. Não digo isto apenas de prédios antigos onde o tempo, por ser o verdadeiro morador, expulsa o que é presente agora. Não, mesmo em prédios novos há um desejo de solidão e de não-vida, de permanecer uma construção sem uso nem destino. Moradores perturbam a placidez de um espaço que sem eles é mais perfeito, não funcionando para nada e guardando, como um recém-nascido, suas possibilidades para si. A casa onde o amor entrou gastou a pedra, puiu o cortinado, engordurou o azulejo. Saturou a esquerda e a direita, o alto e o baixo com o ir e vir de sua herança, de seu lajedo, de seu pombal e ainda um dia – um dia claro, entre mãos crispadas e beijos sólidos. A casa onde o amor entrou encheu cada lugar com um destino, um sucesso ou um fracasso, que passam por ela, insetos breves, com se fossem durar mais que seus tijolos, colunas e lajes.

Por isso há talvez em cada construção vazia um fundo solene, intocado, esperando desvelamento, alguma coisa para sempre adiada. Por isso não deveriam ser inauguradas nunca, ou ainda: seria preciso inaugurá-las precisamente para que ficassem vazias, com cerimônia de cortar fita, orquestra sinfônica, fotógrafos de colunas sociais, prefeito, secretário de cultura, artistas, mas todos do lado de fora, olhando de longe um espaço que não os receberia. Isso talvez desse à arquitetura alguma coisa de verdadeiramente sua, inútil e despropositada, uma ambientação de paredes para paredes, aparentemente tão desumana quanto cheia de significados para os homens. E quando criticassem o investimento, o despropósito do gasto público, responderíamos com o silêncio do próprio prédio, até que todos entendessem.

Claro que há em mausoléus e túmulos um pouco destas características. Afinal, diversas áreas não são acessíveis a ninguém, nem mesmo ao morto, aprisionado em seu caixão, e fecham-se sobre si mesmas, enchendo de pedras o corredor que leva à múmia. Pirâmides querem glorificar seu rei com tamanho desperdício, mas esta finalidade é justamente o que macula a limpidez arquitetônica. É o poder de uma determinada época e de um punhado de homens o que nos olha do alto daquelas escadas enormes onde milhões de pedras carregam uma última, a mais alta delas, e as supertições e maldições subseqüentes parecem vingar anacronicamente esta violência. Não, eu falo de uma inutilidade feita de cal e argamassa, de uma inconseqüência sólida, edificada por nós mesmos, bem à nossa frente, que nos livre do que parece útil, de nossas intenções e propósitos, que tanto miséria já causaram. Falo de um muro que nem à lamentação se ofereça; de um telhado que nada cubra; de uma extensa fundação sem nada construído a partir dela. Falo de uma fronteira que não divida, de um monumento que não celebre, feito de um aço mole, de um mármore frágil como penugem.

Seria possível, é claro, circundar esse edifício, ter a noção de seu contorno, de sua imponência. Nada de vidro para que ninguém o visse por dentro. Tentativas de invasão de ONGs de sem-teto, pichações cobrindo o muro externo, jornais reproduzindo a opinião (contrária) das associações de bairro, talvez um enorme placar eletrônico, HOJE FAZ (XXX) DIAS QUE FOI INAUGURADO, se espalhariam pela cidade, mas aos poucos, e o tempo das paredes á tão maior que o nosso, todos se acostumariam e o crescimento urbano o envolveria com novas ruas e construções, novos letreiros e outdoors, e, como um trambolho de cuja origem ninguém se lembra mais, viraria um marco físico para os moradores locais – Está vendo aquele prédio? Vire na segunda à esquerda depois dele. Agora imagine, depois de tanto tempo fechado, a pureza de cada metro de seu interior, como um pórtico do sono, um museu do esquecimento. [...]

O monumento esquecido ganharia do próprio esquecimento seu atestado de autenticidade, e neste paradoxo se encerraria. Mas, aos poucos, quem sabe, sua história seria reconstituída por historiadores, parte da mídia se interessaria pelo caso e filas de pessoas circundariam o velho edifício, tateando-o por fora. Então ruiria por si mesmo, intocado, a começar pelo velho telhado, e subindo nos prédios mais altos verdadeiras multidões se aglomerariam para olhar a montanha de entulho. Predadores roubariam pedaços de concreto, vendendo-os como talismãs. Ao final de algumas décadas, quase nada restaria do edifício original. Então, uma nova etapa seria inaugurada, com o vão de uma quadra quase inteira vazia, obedecendo ao formato original do prédio, sem muros nem grades, mas onde ninguém entraria. Pois seria de péssimo alvitre ultrapassar a linha imaginária entre a calçada e o espaço onde o prédio estivera. Crianças seriam educadas, por gerações a fio, a não pisar além dessa linha, deixando aquele terreno vazio no coração da cidade superpovoada. Restaurantes com varandas, apartamentos de cobertura, mirantes com lunetas seriam construídos voltados para o solo de terra e de cimento, onde algumas colunas permaneceriam de pé. E desfeito, derrubado pelo tempo, vazio até mesmo de seu piso e de suas paredes, o antigo edifício ofereceria à cidade o patrimônio de uma pergunta. "

Ó, Nuno Ramos (Iluminuras, 2008)

A foto acima é de José Barki, que também assina com Roberto Segre texto sobre a implosão do HU:
http://www.piniweb.com.br/construcao/arquitetura/roberto-segre-e-jose-barki-questionam-valor-arquitetonico-do-hospital-194771-1.asp

E tem o filme, feito pela Yasmin, cujos sons me alucinam: http://planocidade.wordpress.com/





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Hospital Universitário, arq. Jorge Machado Moreira, 1957-2010 / Requiem aeternam dona eis.




















































































































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Porto / Este será lançado quarta.



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Oscar Niemeyer faz 103 anos hoje. O que eu diria a ele, se o encontrasse? Talvez apenas isto: que estive dias atrás levitando num hotel longilíneo à beira de um lago, numa cidade lunar.
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HU / Não vai levar mais que 15 segundos. Amanhã começam a ser instalados os explosivos, e no domingo, às 7 da manhã, metade do gigantesco hospital projetado na década de 1950 por Jorge Moreira - talvez o mais obstinado e rigoroso dos arquitetos brasileiros - vai dar lugar a 125 mil toneladas de entulho. A implosão da Ala Sul do Hospital Universitário será feita pela Fábio Bruno Construções (sic), que já foi responsável por duas implosões emblemáticas no Rio: do edifício Palace II e do presídio da Frei Caneca. O vídeo abaixo, produzido pela empresa, foi apresentado recentemente para a comunidade da UFRJ. O que me espantou é que na simulação da implosão simplesmente desconsidera-se o edifício como um todo. Aliás, como se vê, a ala a ser demolida está longe de ser um "anexo", como alguns a tem tratado. E eu tremo só de pensar que seu "apagamento" vai deixar o Fundão agora coxo.
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Agenda da semana: quarta, lançamento do livro sobre Sergio Bernardes (Livraria Argumento, Leblon, 20 hs) e abertura da exposição sobre o Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava (Centro de Arquitetura e Urbanismo, Rua São Clemente, Botafogo); quinta, Premiação Anual do IAB (Rua do Pinheiro, 10, Flamengo, 19 hs); domingo, implosão do Hospital Universitário, Ilha do Fundão, 7 da manhã (esta vai doer).



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Olhares sobre Lelé / Outra publicação recente - lançada quinta passada, em Brasília, é o livro "Olhares. Visões sobre a obra de João Filgueiras Lima". O livro foi organizado por Claudia Estrela Porto e publicado pela editora da UnB. Os textos - em sua maior parte publicados originalmente na revista francesa Le Visiteur - são assinados por vários autores: Hugo Segawa e Ana Gabriella Guimarães, Maria Elisa Costa, Claudia Porto, Yopanan Rebello e Maria Amélia Devitte, André Correa do Lago, Andrey Rosenthal Schlee e eu. O livro foi lançado na abertura do seminário sobre Lelé e Darcy Ribeiro, por ocasião da inauguração do Memorial Darcy Ribeiro, projetado por Lelé e inaugurado esta semana no campus da UnB, depois de apenas 5 meses de obra.

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MAM em Livro / Chegando de viagem, tenho a grata surpresa de encontrar em cima da mesa um envelope com o livro "Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Arquitetura e Construção", lançamento da editora Cobogó. O livro, organizado por Frederico Coelho, traz o memorial de Affonso Eduardo Reidy, um depoimento de Paulo Mendes da Rocha, um texto meu, um ensaio fotográfico de Vicente de Mello e muitas fotos da construção do museu. É uma edição caprichada, como o museu merece. O livro será lançado amanhã, sábado, dia 11, no foyer do MAM, às 16 horas, junto com o vernissage da mostra "Horizonte construído - Fotografia e arquitetura nas coleções do MAM", com curadoria de Luiz Camillo Osorio.


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Guerra e paz / Para quem não viu, está aí o meu artigo sobre o Mirante da Paz, publicado no jornal O Globo no último sábado. Por coincidência, o artigo acabou saindo às vésperas do anúncio das 40 equipes selecionadas pelo IAB no concurso Morar Carioca, destinado à urbanização de favelas na cidade. Dentre as equipes vencedoras há arquitetos do Rio, como Jorge Mario Jauregui, Flavio Ferrreira e Gabriel Duarte, e de São Paulo, como Ciro Pirondi e Hector Vigliecca. O desafio é grande, mas a oportunidade também. Ver o resultado do concurso aqui: http://concursomorarcarioca.com.br/website/

Posto 12 / dez 10



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Vazio / Nem todo vazio é vago. Nem todo vazio é ocioso. Nem todo vazio é para ser preenchido.
Esta lição - primária - de arquitetura vale uma visita ao Palácio Gustavo Capanema estes dias.
Enquanto o vazio do térreo foi grosseiramente obstruído por uma tenda da "Brasilidade" (!?), o do mezanino, com suas colunas soltas, foi trabalhado com enorme delicadeza por Eduardo Coimbra.
Ambos são estruturas provisórias.
A primeira entulha o vazio mais caro à arquitetura brasileira - sim, o pilotis do MEC - com uma barraca que poderia estar em qualquer lugar, menos ali.
Já a segunda é invisível mesmo para muitos arquitetos que circulam pelo edifício esta semana. Eu mesma só a encontrei depois de dar mil voltas, quem diria.




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Lucio Costa / Será nesta segunda, dia 29, às 20 horas, no Palácio Gustavo Capanema (Rua da Imprensa, 16), o lançamento do livro reunindo entrevistas de Lucio Costa que tive o prazer de organizar para a coleção "Encontros" da editora Azougue.

O lançamento será na abertura do Enanparq / Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, junto com o
utros livros, dentre os quais: "Arquitetura+Arte+Cidade: um debate internacional" (organizado por Roberto Segre, Marlice Azevedo, Renato Gama-Rosa Costa e Inês El-Jaick Andrade), "Brasil: Arquiteturas após 1950" (por Maria Alice Junqueira Bastos e Ruth Verde Zein), "Brasília - cidade moderna, cidade eterna" (por Frederico de Holanda), e "Leituras em Teoria da Arquitetura 2" (organizado por Guilherme Lassance, Gustavo Rocha-Peixoto, Laís Bronstein e Beatriz Oliveira).
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Guerra e Paz / A foto ao lado foi extraída do site da UPP - Unidades de Polícia Pacificadora (http://upprj.com/wp/?p=1230), programa de segurança pública que vem sendo implantado pelo Governo do Estado do Rio em favelas dominadas pelo tráfico, e cuja ação desencadeou a guerra a que estamos assistindo, mais uma vez atônitos.

A foto mostra o coral infantil do Morro do Borel, que se apresentou na sexta passada, dois dias antes do inícío dos violentos ataques que já fizeram dezenas de mortos. O texto - intitulado "O beco agora tem saída"- descreve o ambiente festivo da apresentação, realizada na sede do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar):

"Crianças corriam por todos os lados, brincavam e cantavam. Moradores e pais do Morro do Borel tomavam café, conversavam com professores e policiais, e esperavam por uma apresentação que iria emocionar quem estivesse presente.

Os responsáveis pela homenagem não têm mais de 8 anos. Foi em uma das aulas de música do Ciep Doutor Antoine Magarinos Torres Filho, da comunidade, que Augusto Henrique, de 6 anos, Carlos Eduardo e João Pedro Moreira, ambos com 7 anos, e Raquel Santiago, de 8, se inspiraram para compor uma música simples, mas sobre um contexto bem complexo.

Ao som da banda da PM, cerca de 20 crianças da comunidade, cantaram a música “Na Saída do Beco”, que fala sobre o dia-a-dia e o resgate de hábitos e características culturais na comunidade depois da entrada da UPP.

- A gente, hoje, pode fazer o que quiser, pode jogar bola na quadra, correr na rua. Antes não podia. Víamos até tiro passando na janela da escola – conta o ‘compositor’ Augusto.

O outro músico, Carlos Eduardo, já virou frequentador da UPP do Morro do Borel e amigo dos policiais.

- Quando vamos lá, escrevemos nosso nome e o da UPP na palma da mão, como se fosse autógrafo. Tentamos escrever os nomes dos policiais também, para não esquecer – conta Carlos, que já tem muito em comum com os soldados da unidade:

- Quando crescer quero ser militar do exército -, afirma.

Mãe de três alunos do Ciep, Tatiane Regina tem 30 anos, nasceu na comunidade, e conta que a mudança dos filhos, depois da UPP, foi para melhor.

- Posso dizer que foi da água para o vinho. A tranquilidade, a independência de poder ir e voltar sozinha da escola, tudo contribui para que a criança cresça com um temperamento mais tranquilo. "

Eu olho para a foto, no entanto, e vejo a enorme caveira ao fundo, as armas, e me pergunto como é que estas crianças podem ter um crescimento sadio.







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Libeskind / Procurando notícias na TV ontem à noite sobre o disparo da violência no Rio, dei com um sorridente Daniel Libeskind fazendo propaganda de um grande lançamento imobiliário no Brasil. Libeskind é autor do Museu Judaico, em Berlim, e do projeto que vai substituir as torres do World Trade Center, em Nova York. Logo pensei: este será na Barra. Mas o edifício de Libeskind - "um novo conceito de residência em condomínio", segundo o arquiteto, - ficará no bairro do Itaim-Bibi, em São Paulo. Ah, bom.


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Made in China / Há quem diga que ando desnecessariamente aflita com a urgência que vem conduzindo os processos de transformação urbana no Rio. De fato, se nos compararmos à China...

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Pesquisa em Arquitetura / Centenas de pesquisadores em arquitetura e urbanismo do Brasil inteiro vão se encontrar no Rio entre 29 de novembro e 3 de dezembro, durante o I Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo. Várias mesas redondas - tratando de temas como Arquitetura e Ambiente, Arquitetura e Saúde, Projetos Urbanos, Industrialização e Planejamento, Historiografia, Patrimônio e Museologia - serão realizadas no Clube de Engenharia, entre terça e quinta-feira. A programação está aqui: http://www.anparq.org.br/congressos/index.php/ENANPARQ/1ENANPARQ/schedConf/schedule#salas
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Anti-matéria / No jornal de hoje, o que me chamou a atenção não foi a notícia de que há nove hotéis em vias de serem construídos no Rio - número equivalente aos novos shoppings na cidade, divulgados há uns 15 dias. Também não foi a nota sobre o projeto do novo Hotel Paineiras - objeto de concurso recentemente organizado pelo IAB - que está sendo refeito, "porque não apareceu interessado em investir R$ 40 milhões no projeto de 40 quartos de luxo". O que não me sai da cabeça é uma notícia publicada sem maior destaque na página de Ciência: diz ela que cientistas trabalhando no LHC, maior acelerador de partículas do mundo, "conseguiram pela primeira vez criar e capturar anti-átomos", o que vai lhes permtir investigar a anti-matéria. Não tenho idéia do que isso pode significar para a arquitetura, mas fico imaginando coisas, sem parar: tudo o que o mundo não é.

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Perimetral / Já estive em Porto Alegre outras vezes, mas nunca junto ao rio. Eu o via de longe, ao fundo de uma ladeira, e só. Mas desta vez parti a pé a caminho do Museu Iberê, passei pelo edifício Santa Cruz e cheguei sem pressa à Usina do Gasômetro. Então alcançei o rio. Ele estava ali, do outro lado da avenida, esperando por mim há anos. Mas antes de ir ter com ele parei na praça, sob uma estrutura meio esquecida.

O viaduto bem podia ter sido demolido, mas por algum motivo ficou ali, interrompido no ar. Alguém pensou em deixar também o trem sobre os trilhos (o que me pareceu desnecessário). E vieram os pichadores, claro.

Logo lembrei da Perimetral, no Rio. Ela está condenada à demolição, e de certo modo justamente: é uma estrutura hostil, que se tornou símbolo dos danos causados à cidade pela febre viária dos anos 50. Mas um grupo da UFRJ estudou uma alternativa à demolição, que será apresentada amanhã (quinta), às 19 hs, no IAB. E quem sabe surja então um lugar para o esquecimento.


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Viva Bernardes / Chegando de Porto Alegre, onde estive apresentando o projeto de Sergio Bernardes para o Pavilhão do Brasil na Exposição Internacional de Bruxelas (1958), fico sabendo que o tão esperado livro sobre o arquiteto carioca está com lançamento marcado: será dia 15 de dezembro, às 20:00, na livraria Argumento do Leblon (Rua Dias Ferreira).

O livro, organizado por Lauro Cavalcanti, reúne uma grande quantidade de material sobre projetos executados e não-executados de Sergio Bernardes e textos de vários autores sobre a sua obra - dentre eles Alfredo Britto, Fares El-Dahdah, João Pedro Backheuser, Guilherme Wisnik, Rafael Cardoso Denis e eu. A edição é da Artviva.

Parece mentira, mas será o primeiro livro, de fato, sobre a obra de Bernardes, um dos maiores arquitetos brasileiros - responsável, entre outros projetos, pelo Pavilhão de São Cristóvão, no Rio, a Casa de Lota Macedo Soares, em Petrópolis, o Hotel Tambaú e o Centro de Conveções, em João Pessoa, o Mausoléu Castello Branco, em Fortaleza, e o polêmico mastro da Bandeira na Praça dos Três Poderes, em Brasília (na foto acima).
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Festa na Laje / Liguei a TV, meio à toa, e fui parar em cima de uma laje no Complexo do Alemão. "Depois rola o mocotó", ótimo documentário de Debora Herszenhut e Jefferson Oliveira, me fez ver diversos usos da laje, que de simples elemento de cobertura se tornou espaço protagonista de muitas favelas cariocas. E antes de traçar meu mocotó, quero dizer que concordo com Dona Vera: "quem tem laje tem tudo”.




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MIS / Depois do silêncio que se seguiu ao resultado do concurso fechado para a nova sede do MIS/Museu da Imagem e do Som, em Copacabana, chegou a hora de conhecer o projeto. Quinta-feira próxima a arquiteta Elizabeth Diller - titular do escritório nova-iorquino Diller Scofidio + Renfro, vencedor do concurso - apresenta o projeto: na PUC, às 19h, no Auditório Padre Anchieta.
Entre os projetos mais recentes do escritório há vários em Nova York, como a reforma do Lincoln Center, a ampliação da Juilliard School e a requalificação do High Line - este, realizado em parceria com o escritório de paisagismo Field Operations, de James Corner.
No projeto do MIS, o escritório de Elizabeth Diller conta com a colaboração local do escritório de Índio da Costa - vencedor do ainda misterioso concurso para a Marina da Glória.
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Porto Urgente / Não me perguntem por quê, mas foi adiado de novo o lançamento do concurso para instalações olímpicas no Porto: será dia 9, terça próxima, às 15 hs. Sempre no Palácio da Cidade, em Botafogo.