Rio Cidade-Paisagem / Abriu esta semana a exposição “Rio Cidade-Paisagem”, na Biblioteca Nacional.
A mostra abre no momento em que os olhos do mundo estão voltados para o Rio de Janeiro - sede da conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável e candidata a Patrimônio da Humanidade pela Unesco, na categoria de Paisagem Cultural - visando celebrar, e ao mesmo tempo colocar em discussão uma das características que melhor definem esta cidade: a relação única que aqui se estabeleceu entre construção e natureza.
Cerca de 150 peças foram garimpadas do valioso acervo da Biblioteca Nacional: desenhos, gravuras, aquarelas, fotos, documentos, partituras, livros e periódicos de períodos diversos, compondo um mosaico que cobre os quase 500 anos do Rio.
Dentre os destaques, desenhos de Thomas Ender, fotos de Alair Gomes, registros do reflorestamento da Floresta da Tijuca, e duas propostas de arrasamento do Morro do Castelo, ainda do século XIX. Uma seção de filmes também permite ver, dentre outras coisas, um raro registro da Praia do Leblon e do Vidigal na década de 1930, as grandes ressacas anteriores aos aterros que se sucederam à beira-mar, culminando no Aterro/Parque do Flamengo, e a implosão recente do Hospital Universitário, na Ilha do Fundão.
A estrutura da mostra é dada por seis pontos focais, selecionados em função da sua importância para a definição da paisagem carioca, entendida do ponto de vista dos aspectos materiais e imateriais que a compõem: Baía de Guanabara, Floresta da Tijuca, Avenida Central - Morro do Castelo, Aterros, Subúrbios e Orla.
Longe de ser exaustiva, a mostra recupera e ilumina, assim, pontos e momentos significativos da história da construção/destruição da paisagem carioca desde a fundação da cidade, no séc XVI.
A curadoria é assinada por Joaquim Marçal Ferreira de Andrade, Sergio Besserman Vianna e eu. E a exposição pode ser visitada até 05 de agosto, no Espaço Eliseu Visconti da Biblioteca Nacional (com entrada pela rua México). De 3ª a 6ª, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados das 12h às 17h.
Rio +20 / O que eu sei da programação aberta ao público nos andaimes montados no Forte de Copacabana, a partir desta semana: dia 17, às 17hrs, tem José Resende e Miguel Rio Branco, e mais: dia 12 - Sergio Besserman 17hrs; dia 14 - Luiz Alberto Oliveira 19hrs; dia 15 - Pedro Duarte 20hrs; dia18 - Luiz Eduardo Soares 15hrs; dia 20 - José Carlos Avelar e Erick Rocha. E shows (com distribuição de senha às 15hrs): dia 11 - Bateria da Portela 18hrs; dia 12 - Maria Bethania 19hrs; dia 13 - Caetano Veloso 19hrs; dia 14 - Ivor Lancelotti 16hrs; dia 15 - Leo Tomassini e Dany Roland 17hrs; dia 16 - Os Ritmistas 16hrs; dia 17 - Astronautas - teatro musical 18hrs; dia18 - Chelpa Ferro16hrs; dia 20 - Jorge Mautner e Rubinho Jacobina 16hrs; dia 22 - Bloco Boitatá 18hrs. E ainda Luis Inácio Lula da Silva e Regina Casé, dia 21. É isso. E chove.
E aqui, a programação do Green Nation Fest, que acontece na Quinta da Boa Vista: www.greennationfest.com.br
PUC-Rio+20 / As discussões relacionadas à Rio+20 começam hoje na PUC. Aqui, a programação dos eventos que acontecem no campus da universidade a partir desta semana: www.puc-rio.br/puc-rio20.
Posto 6 / jun 12
Postes / Lota de Macedo Soares lutou para dotar o Parque do Flamengo de uma luz digna do projeto urbanístico de Affonso Eduardo Reidy e do paisagismo de Burle Marx. A luz enluarada que causou tanta polêmica ao ser implantada, na década de 1960, é obra do arquiteto americano Richard Kelly – autor de projetos de iluminação de obras como a Glass House, de Phillip Johnson, o Seagram Building, de Mies van der Rohe, e o Lincoln Center, de Wallace Harrison, em Nova York. Kelly foi indicado pelo próprio Phillip Johnson, a quem Reidy escreveu pedindo uma sugestão.
O que Caetano Veloso viu como um “frio palmeiral de concreto”, e Lucio Costa como “lanças num quadro de batalha de Paolo Ucello”, é, portanto, um projeto altamente sofisticado e inovador de luz e mobiliário urbano, visando garantir um nível de iluminância adequado a um parque público à beira-mar com 6 km de extensão, e ao mesmo tempo interferir minimante na paisagem urbana então em construção, com postes extremamente delgados e elegantes, da maior altura possível, no menor número possível. Isto é, 112 postes com 45 metros, no lugar dos 1800 postes convencionais previstos inicialmente.
É claro que isso envolveu uma solução dispendiosa, já que os postes desenhados por Kelly tiveram que ser fabricados especialmente, as lâmpadas de vapor de mercúrio foram importadas dos Estados Unidos, e até a fundação das torres exigiu um projeto especial de estrutura, num longo processo em que até o escritório do engenheiro Emilio Baumgart (um dos maiores calculistas do Brasil) foi ouvido.
O que foi feito dos postes está aí, na foto colhida do Google pelo arquiteto Rogério Cardeman: como tantos outros na cidade, os postes de Kelly são hoje considerados meros suportes para instalação de uma porção de caixinhas (câmeras, visores, caixas e medidores de luz) que vão sendo fixadas ali, de acordo com as necessidades que também vão surgindo. Isso vale para a Lagoa e Copacabana também. E supostamente, é até um avanço em relação às gambiarras que dominam os postes da orla de Ipanema-Leblon, por exemplo – e isso, só pra ficar em algumas das áreas mais valorizadas da cidade, do ponto de vista ambiental e paisagístico. Mas quem vai ligar pra poste, numa cidade tão bonita quanto o Rio?
Porto Olímpico / E esta, agora: "A juíza Maria Teresa Pontes Gazineu, da 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital, acolheu os pedidos do Ministério Público estadual e anulou o resultado do concurso público “Porto Olímpico” relativamente ao primeiro e ao segundo colocados. O pedido liminar feito pelo MP deve-se ao fato de João Pedro Backheuser e Flavio Oliveira Ferreira, respectivamente primeiro e segundo colocados na licitação, serem membros do Conselho Deliberativo do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) que foi a entidade responsável pela organização e realização da licitação." (do site do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro: http://portaltj.tjrj.jus.br/web/guest/home/-/noticias/visualizar/76403)
Rio +20 / Entre 11 e 15 de junho, a PUC hospeda o "Fórum de Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Sustentável", como parte dos eventos preparatórios para a Rio+20: http://www.icsu.org/rio20/science-and-technology-forum/about
As sessões principais serão fechadas - e exibidas em telões espalhados pelo campus - mas os eventos paralelos serão abertos ao público em geral.
Forte de Copacabana / Quem não vai querer entrar numa dessas caixas suspensas sobre o mar? Pra garantir acesso à estrutura projetada por Carla Juaçaba em colaboração com Bia Lessa, em todo caso, é bom se inscrever logo no Fórum de Empreendedorismo Social, que acontece lá durante a Rio+20, com várias atividades abertas ao público: http://www.empreendedorismosocial.org.br/index.php?lang=br
Os organizadores estão prevendo um público diário de 10.000 pessoas e avisam que não haverá estacionamento no local. Mas o metrô da Praça Gal.Osório fica bem próximo, e uma caminhada pela praia, saindo do Posto 12, ou do Leme, também não é má idéia.

Legado / Shohei Shigematsu (OMA, NY) abriu sua palestra na PUC, sexta passada, com a imagem de uma carta enviada por “some angry people from Rio” a seu sócio, Rem Koolhaas, no ano passado. Custei um pouco a perceber que se tratava do protesto que assinei com um pequeno grupo de alunos e professores, após sua última passagem pela cidade.
Segundo Shohei, a carta foi recebida com surpresa, mas foi também o motivo pelo qual ele decidiu apresentar-se na PUC agora, em sua primeira passagem por uma escola de arquitetura no Rio. Depois da palestra, entre (muitas) caipirinhas no Baixo Gávea, discutimos se o legado dos grandes eventos para os quais a cidade se prepara pode não ser um projeto ou uma edificação, propriamente, mas uma mudança de pensamento e de postura no meio da arquitetura local, a começar pelas escolas de arquitetura.
Parece óbvio, mas é bom não esquecer o quanto o papel das escolas, neste momento, é fundamental. E se muitos projetos que temos visto para o Rio não tem a qualidade que gostaríamos que tivessem, e talvez não sejam capazes de provocar uma mudança efetiva na cultura arquitetônica local, quem sabe a presença cada vez mais freqüente de tantos arquitetos estrangeiros, em palestras e workshops com estudantes, possa produzir o legado pelo qual devemos – e podemos, de fato - trabalhar neste momento.
A palestra de Shohei, aliás, foi brilhante - e abriu um abismo em relação à maioria das apresentações de arquitetos estrangeiros que temos visto por aqui. Em vez de imagens espetaculares e de um discurso pronto e acabado em defesa de uma arquitetura da qual nunca se vêem os problemas, o que vimos foram muitos mapas, diagramas e maquetes toscas e sem acabamento refinado, que falam muito mais de um exercício aberto - pensamento-obra -, que de uma obra concluída. Nenhuma frase de efeito, nenhuma instrução. Muito mais problemas e desafios que soluções, enfim, e um delicioso tom irônico e provocativo em tudo - culminante no Instituto Marina Abramovic, em Nova York, projetado para abrigar suas delirantes performances de longa duração.
Concursos / Depois de um ano e meio, saiu o primeiro lote de contratações do Morar Carioca, concurso público realizado pelo IAB-RJ em 2010, em parceria com a prefeitura do Rio, visando a urbanização de mais de 200 favelas até 2020. A assinatura dos contratos entre a Secretaria Municipal de Habitação e dez escritórios de arquitetura foi feita dia 27 passado, e permite que pelo menos uma parte dos projetos seja iniciada.
Os escritórios que assinaram contratos são: Insite Arquitetos; Hector Vigliecca e Associados; Agrar Consultoria e Estudos Técnicos; Humberto Kzure-Cerquera; Arqhos Consultoria e Projetos; Flávio Ferreira Arquitetura e Urbanismo; Corcovado Arquitetura e Urbanismo; Napp – Claudia Brandão de Serpa, Atelier Metropolitano e LVA Estrutura e Desenvolvimento Empreendimentos Urbanos. Somados ao escritório Heitor Derbli Arquitetos Associados, que já tinha sido contratado, são 11 dos 40 selecionados no concurso.
Por coincidência, a assinatura dos contratos ocorreu no mesmo dia do anúncio da ação movida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para anulação do concurso do Porto Olímpico ( http://concursosdeprojeto.org/2012/04/28/ministerio-publico-pede-anulacao-do-concurso-do-porto-olimpico-no-rio/ ), à qual o IAB respondeu esta semana com um comunicado que pode ser lido aqui: http://www.iabrj.org.br/nota-publica-do-iab-rj-sobre-o-concurso-porto-olimpico
Agenda / Duas palestras movimentam o campus da PUC esta semana, abrindo as comemorações pelos 10 anos do Curso de Arquitetura: amanhã, terça, tem o arquiteto e designer italiano Piero Missoni (às 10:30, no auditório Padre Anchieta), e sexta, o arquiteto Shohei Shigematsu (sócio de Rem Koolhaas e diretor do OMA-Office for Metropolitan Architecture em Nova York), às 19:00, no auditório do RDC.
Posto 05 /12

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Compartilhe Felicidade / Fui, com chuva e tudo. E foi bem mais fácil do que eu pensava. Bastou pegar um trem na Central, descer quatro estações depois e pegar o teleférico ali mesmo. Não precisei comprar outro bilhete, nem abrir o guarda-chuva. O que veio em seguida é que estou até agora digerindo. Um vôo rasante de cerca de 40 minutos sobre o Complexo do Alemão, num teleférico vermelho suspenso por cabos de aço, com a Baía de Guanabara e o Porto Maravilha ao fundo.
Os carrinhos vão e vem, sem parar. Dá uma certa tensão entrar e sair, mas a velocidade é tal que não há grande dificuldade. A não ser para uma senhora com compras, ou uma mãe com carrinho de bebê, penso. Mas também não sei, porque todos no meu carrinho eram turistas, com câmeras em punho, como eu.
Lembrei logo da Disney: lá também pulávamos dentro de um carrinho que nos levava num giro por uma realidade fantástica (e muitas vezes ameaçadora), da qual não raro me senti uma mera espectadora - e enquanto durou o percurso, confesso, também refém. Até as dimensões são mais ou menos as mesmas; aqui o carrinho tem 6 lugares. Parece um nada diante do fluxo de massa que imagino diante daquele mar de casas? A julgar pelo que vi, não: no meu carrinho, éramos 4 na ida e 3 na volta, e muitos outros estavam vazios (por volta do meio-dia de uma segunda-feira).
Mas que bobagem, o Alemão não tem nada a ver com a Disney. Nem mesmo com todos aqueles corações colados aos carrinhos, e todas aquelas mensagens otimistas (“compartilhe felicidade”, “aqui a alegria é contagiante”). E o quiosque da Kibon que me espera na estação mais alta - onde o que posso fazer senão tomar um picolé?
Na volta, penso de novo na senhora que sobe com as compras, na mãe com carrinho de bebê...Ok, o teleférico não é pra elas, é pra mim. E pra quem trabalha, não? No centro da cidade, imagino. Porque como o percurso é em linha – começa e termina em Bonsucesso -, imagino que num ou noutro sentido possa ser tão ou mais fácil subir e descer de van, de moto, ou mesmo a pé (da Fazendinha para o Engenhão, por exemplo, ou para Jacarepaguá).
Vou descendo e contando as estações, conforme elas vão despontando sobre os pontos mais altos da região e contracenando com a igrejinha da Penha, que antes dominava esta paisagem. Todas seguem um mesmo padrão, com variações de cores fortes: um bloco compacto, de alvenaria, encimado por uma cobertura tensionada branca - num esquema curiosamente análogo ao do New York City Center, shopping que trouxe a Estátua da Liberdade para a Barra da Tijuca. Mas não é isso o que me incomoda. Talvez a limpeza excessiva, que contrasta com as montanhas de lixo que vejo por todo lado lá de cima. Talvez a ausência completa dos expedientes de sobrevivência que lotam os trens da Central (onde foram parar os ambulantes ruidosos, com suas promoções incríveis?). Talvez os vasos de planta, cuidadosamente dispostos nos patamares das escadas largas e vazias. Não chega a ser o desvario do Elevador do Cantagalo, em Ipanema, mas tudo aqui soa meio artificial. Até a bela égua que pula na minha frente, de repente, em contraste com os vira-latas que vagam em torno da estação Palmeiras.
Talvez meu maior problema seja com a simetria e o sentido de composição que rege a arquitetura das estações. Num contexto como este, marcado por uma dinâmica tão acelerada, a imagem de equilíbrio que a estação promove pode ter sido deliberadamente buscada para contrastar com o caos do entorno, oferecendo-lhe alguma estruturação. Mas o arranjo absolutamente simétrico da fachada mostra, ao contrário, um discutível alheamento ao contexto e uma forte resistência à instabilidade e ao movimento contínuo que o define. Obediência a eixos e frontalidade, num campo tão altamente tensionado, embaralhado e dominado pelo improviso? Espaços fechados, rigidamente delimitados e compartimentados, que dificultam qualquer adaptação ou uso imprevisto, agora ou no futuro? A questão, mais uma vez, está na dificuldade de lidar com situações urbanas entrópicas e modos de ocupação que escapam a qualquer formalização, no sentido tradicional, engendrando continuamente configurações fluidas, complexas e mutantes.
Calatrava / O arquiteto espanhol Santiago Calatrava, autor do projeto do Museu do Amanhã - em construção no Pier Mauá - faz palestra sexta, dia 4 de maio, às 17 hs, no Parque Lage. A palestra é gratuita mas é necessário inscrever-se com antecedência pelo telefone 3221 7551 ou pelo email eventos@frm.org.br.

Mais Hadid e Schumaker, por Roberto Segre:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.055/4312
Calculo que deviam ter umas 2000 pessoas, entre alunos (de várias escolas) e professores (de várias escolas, áreas e gerações), esperando por Zaha Hadid e Patrick Schumaker ontem de manhã. E isso em pleno sábado de sol, na Ilha do Fundão. Um emocionante e inesquecível sinal de recuperação da escola onde estudei, e com ela, da própria arquitetura no Rio de Janeiro.
No telão instalado no hall, as formas maleáveis da “arquitetura paramétrica” de Hadid e Schumaker contrastavam com as linhas rigorosas da arquitetura de Jorge Machado Moreira, justamente num de seus edifícios mais emblemáticos (que finalmente e felizmente, começa também a ser recuperado).
Schumaker montou um breve esquema histórico para definir o “Parametricismo” como o “estilo do século XXI”, sucessor do Modernismo e do que ele chamou de “episódios intermediários” do Pós-modernismo e do Deconstrutivismo. Num percurso retilíneo, sempre acompanhado de imagens vistosas, e em boa parte já bem conhecidas, traçou um panorama que partiu de primitivas colônias africanas e passou à cidade medieval (ilustrada com Arles e Siena), ao Renascimento (o “Big Bang da Arquitetura”, ilustrado com Palmanova) e ao Barroco (Versalhes e o Palácio Carignano, de Guarini), e por fim ao Modernismo (o edifício da Bauhaus, de Gropius, e a Ville Radieuse, de Le Corbusier), o Pós-Modernismo (Venturi e Charles Jencks) e o Deconstrutivismo (Tschumi), e daí ao Parametricismo – ou seja, o seu próprio trabalho, em conjunto com Hadid.
Com um discurso enfático e assertivo, apoiado por sua partner (que se sentou ao seu lado e preferiu falar menos, mas mostrou-se igualmente disponível e bem-humorada), o confiante Schumaker defendeu, assim, sua tese central: a de que a arquitetura precisa reconstruir sua especificidade e poética própria, desligando-se de outras disciplinas (listadas num peculiar quadro comparativo que procurou relacionar a arquitetura à arte, ciência, medicina, educação, política e economia). E para isso, os arquitetos precisam “criar um impacto, como o Modernismo fez”. Mas sem repetir seus princípios (resumidos na tríade “separação, especialização e repetição”), e sim buscando outros: a saber, a variação, a diferenciação e a correlação, potencializados pelo uso das ferramentas oferecidas pelas novas tecnologias (modelagem e simulação digital, basicamente).
Isto é o que Schumaker denomina de "Parametricismo": uma “teoria unificada”, supostamente capaz de resumir e superar todas as outras teorias contemporâneas, e basicamente definido em termos de superfícies não planares e formas maleáveis, em vez de formas ideais e sólidos geométricos; e de sistemas interconectados e correlacionados, em vez de unidades autônomas e autosuficientes.
Foram indicadas rapidamente algumas referências, como os sistemas da natureza e as tensoestruturas de Frei Otto. E embora os edifícios ministeriais de Niemeyer em Brasília tenham surgido como exemplo da repetição e monotonia que se quer deixar para trás, o mesmo Niemeyer foi valorizado, num momento seguinte, por sua maneira muito peculiar de “manipular o solo”. Junto com Artigas, por seus “espaços profundos” e suas grandes coberturas.
Depois de duas horas, a dupla Schumaker+Hadid deixou no ar um otimismo contagiante, sobretudo para os mais jovens. Mas não avançou muito além do esquematismo, e assim não chegamos nem perto de uma reflexão sobre as complexas relações entre as redes digitais e a cidade contemporânea, nem ficamos sabendo minimamente como aquelas deliciosas formas se constroem, com que materiais e por que meios. E se a vertiginosa cascata de imagens com que Schumaker encerrou sua fala mostrou que a sua pesquisa tem dado muitos frutos notáveis (do qual o MAXXI, em Roma, é um dos exemplos mais recentes, e certamente um dos mais polêmicos), também indicou o risco de que essa mesma pesquisa venha a se esgotar numa especulação formal leviana, passível de servir indistintamente a um museu ou a uma sandália.

Blow-Up Robin Hood. Quero dizer que estou mortificada com a sua condenação, e não me conformo porque não terei sequer como visitá-lo a tempo. Bem que tentei juntar minha voz distante a firmas de prestígio como as de Zaha Hadid, Norman Foster e Richard Rogers. Mas amanhã, no lugar do Robin Hood Gardens, haverá uma derrota que nenhum de nós pôde evitar. Só eu o verei ainda daqui, jardim de concreto meio decadente, habitado por um herói meio ultrapassado e um casal meio fora-da-lei de arquitetos. While my eyes go looking for flying saucers in the sky.
Posto 12 / mar 12
Posto 12 / dez 11

MMBB / "Rugosidades, persistências e estratégias de projeto" é o título da palestra que o arquiteto Fernando de Mello Franco fará na próxima sexta, dia 25, na PUC. Fernando é sócio do MMBB, escritório sediado em São Paulo, e um dos curadores da próxima edição da Bienal Internacional de Arquitetura de Rotterdam. Em sua apresentação, ele deverá expor a metodologia de leitura territorial e urbana desenvolvida em sua tese de doutorado, com foco no processo de desenvolvimento da região metropolitana de São Paulo e em alguns projetos do MMBB que enfrentam essa escala, como os Vazios de água e o Córrego do Antonico. A palestra será às 19 hs na sala 3 do IMA (R Marquês de S. Vicente, 225, Gávea), e é aberta a todos.
A probabilidade de que essa cidade seja fruto da imaginação da Noemi é grande. Mas ela me atingiu de tal maneira que desenvolvi olhos novos para tudo à minha volta: a janela do meu banheiro, o papel com que levo as berinjelas ao forno, a lata de cerveja que guardo para uma visita inesperada (ou será para mim mesma?), o carrinho que ganhei do meu sobrinho, o avião que me leva e traz. Será que essas coisas todas saem de Alumínio? E se saem, por que caminhos chegam até mim?
Se quiserem acreditar, Alumínio é um município do estado de São Paulo, com cerca de 15.000 habitantes, que guarda em sua memória uma estação de trem e uma fábrica de cimento, construídas no séc. XIX, e hoje vive agarrada a uma fábrica de alumínio (uma das maiores do país).
Dito isto, devo acrescentar que não muito longe existe uma outra cidade, igualmente próspera, chamada Votorantim - a qual, como o nome indica, vive agarrada a uma fábrica de cimento (uma das maiores do país, também, e por sinal pertencente ao mesmo grupo). Motivo suficiente para ir até lá já tenho, então. Mas partir do Rio rumo a Alumínio, ou Votorantim, já me parece inverossímil demais. Acho que preciso daquela cerveja.
Posto 11 / nov 11

Reidy / Esta quinta, dia 10, às 19:30, tem pré-estréia do filme "Reidy, a construção da utopia" - segundo documentário sobre o arquiteto, dirigido por Ana Maria Magalhães - no Instituto Moreira Salles. A sessão será seguida de debate com João Masao Kamita, a diretora do filme e eu.
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Operação interligada / "A aplicação da operação interligada na cidade do Rio de Janeiro (1997-2000) como instrumento de ordenamento territorial" é o título da aguardada tese de doutorado da arquiteta Helia Nacif Xavier, que apresenta e discute este polêmico instrumento da política urbana - fundado na negociação entre poder público e interesse privado - com base na experiência da autora como Secretária municipal de Urbanismo na gestão do prefeito Luis Paulo Conde. A defesa será esta quinta, dia 3 de novembro, às 13:30 no PROURB, FAU-UFRJ (quinto andar do edifício da Faculdade de Arquitetura, na Cidade Universitária). Para todos que se interessam pela cidade, em sua dinâmica contemporânea - ou como diz Helia, em seu "aqui e agora".



É um belíssimo ensaio audiovisual, que estréia a tempo de contribuir para a discussão que vem se alargando sobre os grandes investimentos em infra-estrutura realizados em todo o país por conta da Copa e das Olimpíadas.
(A foto acima é da Yasmin Martins, aluna do Curso de Arquitetura da PUC-Rio, que também filmou o impressionante momento da implosão do hospital: http://www.youtube.com/watch?v=w7bzF3dDaAE )


Maraca / "Mas o Maracanã não é o estádio mais importante do Brasil"? Ele me olha incrédulo, na mesa do simpático "El Rincón", onde sentamos para tomar um vinho depois da minha apresentação em Buenos Aires. Para alguém que não está seguindo de perto o acelerado processo de transformação pelo qual o Rio está passando, custa a crer que o Maracanã - sim, o estádio mais importante do Brasil, e também o único tombado a nível federal - esteja sendo completamente desfigurado, segundo um projeto que ninguém sabe bem como é, nem quanto vai custar.

Maracanã, Marina, Brahma, Ministério... / O que será do Maracanã e da Marina da Glória depois da Copa e das Olimpíadas? Ambos são tombados a nível federal e guardam uma relação indiscutivelmente forte com a paisagem, a cultura e a história da cidade. Mas as informações disponíveis sobre os projetos de reestruturação dos dois espaços, até agora, são tão vagas que quase nada se sabe além do pouco que tem sido noticiado na imprensa. Daí a importância dos dois estudos produzidos recentemente pela arquiteta Claudia Girão, do IPHAN, que foi atrás dos projetos e dedicou-se a examiná-los em profundidade.
Segundo ela, as reformas em andamento (do Maracanã, segundo projeto do arquiteto paulista Daniel Fernandes), ou em vias de serem iniciadas (da Marina, segundo projeto do arquiteto Luis Eduardo Índio da Costa) desconsideram claramente os critérios de tombamento vigentes e envolvem sérios riscos de uma descaracterização irreversível.
Alguém dirá que é alarmismo. Mas a marquise do Maracanã, por exemplo, já está sendo demolida para ser substituída por um cobertura de lona supostamente exigida pela FIFA - e isso, apesar dos protestos públicos dos arquitetos Nestor Goulart Reis Filho e Italo Campofiorito, que participaram do processo de tombamento deste que é o único estádio brasileiro tombado pelo IPHAN.
Já no caso da Marina - cujo anteprojeto recebeu uma autorização preliminar do Conselho Consultivo do IPHAN em maio deste ano – há, segundo Claudia, a previsão de um imenso estacionamento de quase 60 mil m2, que não só vai gerar um enorme movimento de terra no parque projetado por Burle Marx como também um movimento de veículos indiscutivelmente perturbador para o parque.
No entanto, essa informação, aparentemente, não foi comunicada ao Conselho do IPHAN, que sequer recebeu qualquer parecer técnico ou pranchas do anteprojeto; apenas um dossiê A4 encadernado, sem plantas, cortes e fachadas, e áreas construídas. Assim, ao que tudo indica, algumas informações básicas ainda não foram passadas ao Conselho, como a indicação do deck de 12 mil metros quadrados que se pretende cravar sobre estacas na enseada da Glória, e deverá ser encimado por uma construção de 5,50m de altura. É verdade que o projeto executivo ainda deve ser submetido ao Conselho (que, por ora, exigiu da EBX um Termo de Compromisso garantindo o acesso público ao espaço). Mas motivos de apreensão não faltam.
Basta lembrar o caso recente da fábrica da Brahma, no Catumbi, que foi destombada pelo próprio governador do Rio, Sérgio Cabral. E para que? Para permitir obras de ampliação do Sambódromo visando a construção de equipamentos olímpicos no local, que envolveram a negociação, com uma empresa privada, de índices de construção ampliados para o terreno da antiga cervejaria - implodida em junho deste ano. (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/search?q=%C3%A1ureo)
Também convém lembrar o alerta insistente da arquiteta Maria Elisa Costa sobre as obras de “retrofit” que ameaçam o Palácio Gustavo Capanema (antigo Ministério da Educação), monumento máximo da arquitetura moderna no Brasil, também tombado pelo IPHAN. (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/2011/07/posto-07-jul-11.html)
Enfim, eu gostaria que os dois estudos da arquiteta Claudia Girão estivessem errados. Mas eles resultam da análise mais cuidadosa que vi até agora dos projetos em questão, incluindo um precioso histórico de projetos anteriores e dos respectivos processos de tombamento, sem deixar muita margem para dúvida. É só ver aqui:
(a senha de visitação é posto12).
Posto 10 / out 11
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Rem in Rio / A carta para Koolhaas conta até agora com cerca de duas dezenas de assinaturas. Até segunda, quando ela será enviada, ainda é possível subscrevê-la. Mas será inútil esperar por resposta. Simplesmente há alguma coisa a dizer e ela está sendo dita – do modo como é possível neste momento, numa ação singela, mas minimamente estruturada coletivamente, contra a inércia e o conformismo.
E nisso há qualquer coisa que me faz lembrar Torquato Neto: “o principal mandamento de quem quer estar vivo é não morrer de jeito nenhum, e servir pra alguma coisa.” (sobre o papel cumprido pelo MAM, nos anos 70)
Eu já assinei.
Libeskind / Na proxima quinta, 22, o arquiteto Daniel Libeskind dará uma palestra no Centro Cultural Midrash, no Leblon. Libeskind é autor do projeto da extensão do Museu Judaico em Berlim e da Freedom Tower, em construção no Ground Zero, em Nova York, e tem um projeto em andamento para um edifício residencial de alto luxo em São Paulo (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/search?q=daniel+libeskind).
http://www.midrash.org.br/programacao/palestra-o-arquiteto-do-ground-zero-daniel-libeskind/485
Ver aqui: http://cosmopista.wordpress.com/2011/08/23/um-dia-com-rem-koolhaas/










