8
Pantufas /
Primeiro foi o Rodrigo. Depois a Cecilia. E agora o Francesco. Todos que tem visitado a Villa La Roche, em Paris, perdem a fala. A casa, que é uma das obras-primas de Le Corbusier, foi restaurada e reaberta recentemente, e o cuidado com ela é tamanho que para entrar é preciso calçar pantufas. Fico pensando onde mais, além do Museu Imperial, em Petrópolis, se exige algo assim por aqui. Que eu saiba, em nenhuma obra modernista. E é difícil, improvável até, mas bem que eu gostaria de entrar na Casa das Canoas, ou no Ministério da Educação, de pantufas.


(As fotos são do Francesco. E tem mais aqui: http://www.35ruedelille.fot.br/)


7
Hoje na Gávea.





























6
Burle Marx / Por coincidência, dois dias antes da publicação do decreto que estabeleceu a paisagem como "o mais valioso bem" do Rio, a exposição "La ville fertile et Roberto Burle Marx: la permanence de l'instable", em Paris, ganhou destaque no jornal Le Monde, em matéria assinada por Frédéric Edelmann, um dos mais prestigiados críticos de arquitetura da França.

A exposição, que é organizada por Lauro Cavalcanti e já foi vista no Rio e em Berlim, fica até 24 de julho na "Cité de l'architecture et du patrimoine", na Place du Trocadéro.
5
Paisagem / Uma série de reportagens publicadas nas últimas semanas pelo jornalista Rogério Daflon n' O Globo abriu uma discussão sem precedentes sobre o papel dos órgãos públicos na preservação da paisagem natural da cidade. A discussão - da qual participei, na primeira matéria publicada no jornal ("Monumentos ao mau gosto", 20 de março) - motivou um editorial do jornal ("O Rio e os monumentos ao mau gosto", 23 de março) e, apesar de alguns desvios e equívocos, causou um desconcerto que se mostrou particularmente oportuno neste momento em que a cidade se candidata ao título de "Patrimônio Mundial da Humanidade" pela Unesco, justamente na categoria "paisagem".


Ontem, o prefeito buscou responder à pressão com a publicação, no Diário Oficial do município, do decreto aqui reproduzido. "Considerando que a paisagem da Cidade do Rio de Janeiro representa o mais valioso bem da Cidade, conforme dispõe o Plano Diretor" (aprovado em dezembro passado), e "a necessidade de valorização dos espaços públicos", o decreto estabelece que a partir de agora, todos os projetos de edifícios e equipamentos públicos devem ser encaminhados à avaliação da Secretaria de Urbanismo, e passam a depender da sua aprovação.


Não há indicação ainda de quem será responsável pela avaliação, nem que critérios poderão vir a embasar tal juízo. Por ora, o Secretário de Urbanismo, Sergio Dias, disse apenas que "poderá pedir a ajuda de especialistas para decidir se autoriza ou não os projetos" (cf O Globo de hoje). São boas intenções. Mas a discussão não é nada simples, e vai exigir bem mais que isso.
4

Faire Rio / Está ficando difícil acompanhar tanta coisa por aqui. Depois da palestra transbordante de Bjarke Ingels ontem na PUC, esta semana o arquiteto Djamel Klouche, de Paris, faz palestra no recém-aberto Studio X, na Praça Tiradentes.


Klouche, que é argelino e um dos arquitetos responsáveis pelo projeto da Grand Paris, está também neste ótimo site:




3
Reidy / "Reidy, a construção da utopia", segundo documentário de Ana Maria Magalhães sobre o arquiteto Affonso Eduardo Reidy, passa no Festival É Tudo Verdade sexta, dia 8, às 18 horas, no Auditório do BNDES (Av. Chile, 100).

2
FAU, 65 / Há 65 anos, o ensino de arquitetura foi separado da Escola Nacional de Belas Artes. A data será marcada com a exposição FAU 65 - [RE] CONEXÃO E FUTURO, que abre na próxima terça, às 19 horas, no Centro de Arquitetura e Urbanismo da Prefeitura. A mostra é composta de painéis com reproduções de material de arquivo do Núcleo de Pesquisa e Documentação (NPD) e do Núcleo de Estudos de Arquitetura Colonial Sandra Alvim (NEAC), além de exemplares de publicações editadas em várias épocas pela escola e um vídeo com depoimentos de ex-alunos, colhidos especialmente para a ocasião.


Inauguração: 05 de abril, terça-feira, às 19h

Exposição: 06 de abril a 03 de junho, de segunda a sexta, das 11 às 19h. Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro: Rua São Clemente, 117 - Botafogo.

Posto 4 / abr 2011

1
Alguma notícia? / Em São Paulo, duas perguntas me perseguiram: e o concurso do Porto Olímpico, alguma notícia? e o concurso da Marina, alguma notícia? E eu, sem resposta.







16
Mar e Eros / Isso foi ontem, no MAM. Mais, hoje e amanhã. Mas não sei se tenho coragem.










15
Bola pra Frente / Nem sei ainda como faço pra chegar lá. Mas quero visitar logo este centro comunitário recém-inaugurado em Santa Cruz. O projeto de Nanda Eskes e Lompreta Nolte Arquitetos venceu um concurso internacional realizado no ano passado pelas ONGs Homeless World Cup, Architecture for Humanity e Bola pra Frente, junto com a Nike Game Changers. A segunda fase do projeto, que inclui o Centro Pedagógico Bola pra Frente, com 3000 m2, está em fase de elaboração e aguarda financiamento.
14
BIG / Depois do "Less is more" (Mies), e "Less is a bore" (Venturi), a última é o "Yes is more", do arquiteto dinamarquês Bjarke Ingels (do escritório BIG). Ingels - que tem mostrado grande interesse pelo Brasil - faz palestra dia 4, segunda, às 19 hs na PUC (auditório Padre Anchieta, ed. Leme). O título da palestra também é provocativo: "Sustentabilidade hedonística". Haverá tradução simultânea.

13
JogoRio / "Como um evento de muitos milhões de dólares pode fazer uma diferença duradoura para as crianças que vivem na rua?" A partir dessa interrogação, estudantes de Arquitetura da Universidade de Harvard produziram dois curtas encantadores sobre o Rio, que estão aqui:
http://vimeo.com/17980023
http://vimeo.com/18961188

































12

Penha / "Mais que nunca, a cidade é tudo o que temos." (R.Koolhaas)
11
Miyako, Japão /
No meu atlas, esta cidade nunca existiu antes.

















10

Rogers in Rio / No sábado, dia seguinte da sua palestra nos Correios, Richard Rogers fez um tour arquitetônico pelo Rio, acompanhado por Alfredo Britto, João Pedro Backheuser, Fabiana Izaga e mais três arquitetos do seu escritório (Simon Smithson, Klaus Bode e Sandro Tubertini). Foi ao Pedregulho e Cantagalo/Pavão-Pavãozinho.

Alfredo gentilmente me mandou as fotos, junto com um relato do passeio: "no Pedregulho (Rogers) percorreu o Bloco A, a Escola e entrou em apartamento. Visitou tudo com vivo interesse, excelente humor, debateu detalhes com base no livro do Nabil (Bonduki), e ao final, profundamente agradecido, comentou o grande prazer de ver e confirmar pessoalmente 'uma das mais notáveis realizações arquitetônicas do século XX; pelas soluções espaciais tão criativas, detalhes depurados, beleza e significado social'. No Pavão, subimos no novo elevador e depois atravessamos transversalmente toda a favela até a UPP, a Biblioteca e os espaços do Criança-Esperança. Com a maior disposição, (Rogers) indagou, comentou e interagiu com os locais. " O tour terminou com um almoço no Arpoador - de onde voltar pra Londres não deve ser nada fácil.
9
Performance / Chama-se "Performance Arte Brasil" e acontece no MAM, entre 22 e 27 de março, o primeiro encontro nacional destinado a discutir a performance como prática artística e seus desdobramentos estéticos no campo das artes visuais no país. O evento, organizado por Daniela Labra, inclui performances, instalações, mostra de vídeos e filmes e debates (sempre de 12 às 20 hs, com entrada franca). A programação completa está aqui: http://www.mamrio.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=264&Itemid=36

E aí vem o Coletivo Empreza, de Goiânia: serão 3 ações na sexta, dia 25, às 19 hs.















8

Museu do Açude / A casa está fechada, o chão coberto de folhas. Havia mais quatro ou cinco carros estacionados lá fora, mas não vejo muitas pessoas aqui.
Deve ser o carnaval (ainda). Ou a dificuldade de acesso (a cidade está longe).
Mas é sábado, é manhã, e seguimos mata adentro.
Na ausência de mapas, ficamos mais atentos aos sinais.
Logo, toda a infância volta: árvore é pra subir, rio é pra atravessar, pedra é pra pular ou sentar.
Assim vamos descobrindo Oiticica, Edu Coimbra, Nuno Ramos, Lygia Pape.
José Resende demora mais. Os cabos de aço romperam, a lâmina de mármore partiu e talvez tenha sido arrastada pela água. Resta a treliça metálica, quase soterrada no fundo do vale. E alguns fragmentos da pedra um dia branca, hoje tomada por musgo. A placa coberta de terra diz que a obra está em recuperação. Espero que esteja mesmo. Mas não deixo de gostar dela assim, em estado de colapso. As margens são instáveis, afinal. E mesmo os açudes beiram o desequilíbrio, eu sei.


(A única foto que encontrei da instalação original de José Resende está aqui://www.ceramicanorio.com/conhecernorio/museudoacude/museudoacude.html. As outras - dos trabalhos de Oiticica, Coimbra e Resende hoje - devo à Cecilia Cotrim).
7
Fazendo a cidade / "Making City" é o tema da 5a Bienal de Arquitetura de Rotterdam, que acontece no ano que vem no NAI/Netherlands Architecture Institute, em Rotterdam, Holanda, com eventos paralelos em São Paulo e Istambul. Esta edição conta com uma equipe internacional de curadores que inclui os arquitetos Fernando de Mello Franco, Marta Moreira e Milton Braga (MMBB, São Paulo), premiados em edição anterior da Bienal com um projeto para São Paulo.

Até 1 de Abril, órgãos públicos, organizações culturais, pesquisadores, arquitetos e urbanistas do mundo todo podem submeter projetos em qualquer cidade que "repensem as relações existentes entre políticas urbanas, planejamento e projeto." O objetivo é criar uma plataforma internacional capaz de fomentar a análise e discussão de projetos que apresentem ao mesmo tempo inovações espaciais e políticas (como o concurso "Morar Carioca", talvez?)

Mais informações aqui: http://www.iabr.nl/EN/ ou com Vivian Zuidhof, por email: vivian@iabr.nl.

A propósito, o Ministério da Cultura da Holanda vem mapeando o Brasil há uns 4 anos, e o primeiro resultado - uma espécie de levantamento da "cena cultural" brasileira em 11 áreas, como arquitetura, design, literatura, dança, moda e música - pode ser visto aqui: http://www.culturalexchange-br.nl/mappings. Vale a pena sondar a área de arquitetura, que foi "mapeada" por Helio Herbst, arquiteto e professor da Universidade Rural do Rio de Janeiro.

6
Inútil paisagem / Mas pra que tanto céu, pra que tanto mar? Choro a perda de Fernando Chacel. Já sinto a falta que sua inteligência, integridade e coragem farão a mim e a minha cidade, justamente no momento em que nossa paisagem está em vias de ser tão transformada. E só o que consigo fazer, de imediato, é recuperar a conversa que Andres Passaro e eu tivemos com ele, alguns anos atrás:

"Andres Passaro: Como seria a cidade dos seus sonhos?

Fernando Chacel: Sou muito urbano. Jamais moraria num lugar bucólico, fora da cidade... Creio que não mesmo. Então a cidade dos meus sonhos teria que estar de acordo com o conceito de sustentabilidade, em que a natureza pudesse participar da área urbana de uma maneira efetiva e que essa urbanização fosse feita em cima da capacidade de suporte da natureza. Penso numa cidade equilibrada, harmoniosa, saudável, e para isso tem que haver um intercurso amoroso entre reurbanização, conservação e preservação dos recursos naturais.

AP: Essa cidade já foi projetada? Ela existe?

FC: Não. Talvez alguns focos...

Ana Luiza Nobre: O Central Park, em Nova York, não seria um pouco isso?

FC: O Central Park é um parque dentro de uma cidade. Mas vai além de um parque, do gerenciamento de um recurso natural. Vai além de uma postura ética.

ALN: Como você vê Brasília?

FC: Brasília foi um experimento extraordinário. Para mim, há duas grandes figuras do século XX nas artes do paisagismo, da arquitetura e urbanismo: Oscar Niemeyer e Roberto Burle Marx. As poucas coisas que eles fizeram juntos são muito bonitas. Agora, o paisagismo de Brasília, tirando a obra de Burle Marx, é um grande equívoco. Nunca se trabalhou com a paisagem do cerrado. O grande problema é esse. O crescimento das plantas exóticas no Brasil é muito rápido e muito mais visível do que o cerrado. E isso é complicado, porque no imaginário das pessoas cria um certo imediatismo. As pessoas querem ter uma árvore secular em casa. Mas o grande problema de Brasília em relação à paisagem é que o cerrado tem possibilidades fantásticas. O problema é a dificuldade de aceitação da estética da ecologia.

AP: Você gostaria de morar em Brasília?

FC: Não, a minha experiência de cidade é outra. Mas muitas pessoas gostam de morar lá.

ALN: Lucio Costa dizia que Brasília deveria ter técnica viária e técnica paisagística. A técnica paisagística falhou, então?

FC: Falhou. Nunca foi dado ao Burle Marx, por exemplo, a possibilidade de fazer um parque.

ALN: Na Novacap não havia nenhum paisagista?

FC: Não. Ou tinha, mas, não da estatura do Burle Marx.

AP: Eu moro no Flamengo e uso muito o Parque do Flamengo. E acho o Parque muito interessante como flora, mas uma paisagem vazia como fauna. Acho que o desenho de Burle Marx excluiu a Mata Atlântica, por exemplo, ao trazer aquele exótico...

FC: Mas ainda tem muita coisa de Mata Atlântica ali dentro. Agora, quanto à fauna, realmente, você tem razão. Talvez por falta de nichos florestais, não é? Mas ele é tipicamente um parque urbano.Tem uma coisa que eu acho muito interessante no Parque do Flamengo: ele não concorre com a paisagem extraordinária que tem aqui, mas é digno, muito digno dentro dessa paisagem. Porque era muito difícil fazer alguma coisa nessa paisagem com todos esses ícones.

AP: É um mundo, uma natureza constantemente pressionada, não é? Eu vejo o arquiteto-urbanista ou paisagista desenhando e fazendo suas opções. Ou seja, deixando de lado umas coisas e incorporando outras. Isso significa que o que não está no desenho vai ser extinto?

FC: É. Você tem uma idéia do que vai acontecer, mas não tem uma garantia de que aquilo que está projetando vai acontecer daquela maneira. Tem sempre um desenho paisagístico dentro disso, mas talvez ele não forme um estilo de desejo. Ele é mais um gesto em relação à paisagem do que propriamente uma afirmação sua em relação à paisagem. Talvez caminhe um pouco por aí.

ALN: Como você lida com os problemas de manutenção e preservação do seu projeto? O Parque Dois Irmãos, por exemplo, no Leblon, foi muito violentado pela escultura colocada lá.

FC: Realmente fiz um trabalho muito cuidadoso ali, preocupado com o monumento que é o Morro dos Dois Irmãos. Depois veio aquela escultura... Fiz esse trabalho como contratado da Engenharia Ambiental. A firma ganhou o contrato e começou a ter alguma dificuldade de projetar, então me chamaram. Fiz um estudo e levei-o para a Secretaria de Meio Ambiente, onde o Alfredo Sirkis era secretário. Eu tinha feito uma perspectiva aérea para ele poder ver o parque, aí ele perguntou: - Chacel, o que eu vou poder ver da Delfim Moreira? E eu disse: - Você não vai ver absolutamente nada! Mas o Rio é muito infeliz nessas coisas...O paisagista Luiz Emygdio (de Mello Filho) dizia que nós vamos acabar fazendo do Rio o museu dos erros humanos. "

(A entrevista foi realizada em 2007 e publicada, na íntegra, no primeiro número da Fresta, periódico de curta duração que Andres e eu editamos no Curso de Arquitetura da PUC-Rio, entre 2007 e 2008. A foto me foi enviada na época pelo próprio Chacel - e se não sou eu, bem poderia ser. Ao menos hoje).
5
Carpe Diem / É o que de melhor encontrei sobre o carnaval de rua no Rio:
Mesmo assim, quando procuro informações sobre os blocos que circulam no meu bairro (onde estão um dos maiores hospitais públicos do Rio e uma clínica médica), encontro-as incompletas ou desatualizadas. Mas já não me importo mais; amanhã caio na folia também, e o resto, como diz Niemeyer, que seja como Deus quiser.

4
Folia /
Você gosta de Carnaval? Taí uma pergunta para a qual hoje não tenho resposta. Gosto das fantasias, da batida da bateria, de samba no pé. Mas não gosto de nada que é compulsório, e sobretudo não gosto de me sentir refém da festa dos outros. Então o carnaval no Rio, que era uma opção, está se tornando um problema pra mim. Tenho medo de sair de casa pra comprar um pão e não conseguir voltar nunca mais. Um taxista de São Paulo me disse outro dia que tem um pesadelo frequente, em que acorda, pega o carro e não consegue sair da garagem o dia todo por causa do engarrafamento. Pois eu já me imagino, inversamente, com uma bisnaga na mão em plena Marquês de São Vicente, sem conseguir voltar pra casa por causa de algum bloco.

Sem dúvida os blocos tem um lado divertido, são alegres, animam as ruas e praças da cidade. Mas ninguém sabe dizer ao certo quantos são, de onde vem, para onde vão. Já não saio de casa por medo de topar com um deles e não conseguir voltar tão cedo. E não consigo deixar de pensar nas pessoas doentes, nas ambulâncias, nas mulheres por parir...

Eu sei, é carnaval, mas os blocos no Rio - que, oficialmente, são 424 este ano - começam mais um menos um mês antes e terminam semanas depois. Muitos levam dezenas de milhares de pessoas às ruas e bloqueiam vias importantes de circulação (e que são às vezes também vias únicas de acesso a hospitais e clínicas), provocando reflexo em muitas outras ruas e bairros. Nem falo do lixo que deixam para trás (até agora, foram 130 toneladas), dos banheiros que nunca bastam...Mas eu me sentiria mais segura se a lista completa dos blocos, com informações precisas e atualizadas - incluindo o seu percurso, claro - fosse amplamente divulgada. O problema é que procuro no site da prefeitura e não encontro. Procuro no jornal e não encontro. Procuro no google e não encontro. E aí volta aquele pesadelo, a bisnaga na mão...
3
Porto: e agora? / Custou, mas o prefeito justificou o adiamento da divulgação do resultado do concurso em ofício enviado ao presidente do IAB e reproduzido ao lado. Com isso, o mistério chega ao fim. Mas vamos ter que esperar mais um mês, pelo menos, para saber o resultado do concurso. Enquanto isso, algumas perguntas são inevitáveis: por que o comunicado demorou tanto? E por que então o concurso foi realizado no período já atribulado de final de ano, com prazo apertado, e tão em cima do Morar Carioca? Não teria sido mais adequado esperar um pouco mais para lançá-lo, ou mesmo adiar a entrega dos trabalhos?
2
Porto: e agora? / Suspensão da divulgação do resultado do concurso do Porto Olímpico completa hoje 17 dias.

Posto 03 / mar 11

1
Porto: e agora? / Suspensão da divulgação do resultado do concurso do Porto Olímpico completa hoje 16 dias.

18

Noite sem estrelas / A notícia me deixou abalada: "em Brasília, número de estrelas observáveis a olho nu caiu de 2000 para 150 em 20 anos." (Folha de S.Paulo, 20.fev). A causa é a poluição luminosa, causada por iluminação inadequada, que ofusca os astros, provoca danos ambientais e desperdício de recursos.

O arquiteto José Canosa Miguez já tinha me alertado para o problema, não faz muito tempo. Ele critica a iluminação recentemente instalada pela prefeitura no Morro Dona Marta, em Botafogo, com "luminárias esféricas translúcidas que,embora equipadas com lâmpadas de baixo consumo, lançam para o alto metade da luz produzida".

No Brasil, ainda não há uma legislação destinada a proteger o céu. Mas na República Tcheca, que foi o primeiro país do mundo a aprovar uma lei contra a poluição luminosa, várias estrelas foram "devolvidas" às cidades. E a Nova Zelândia vem, desde 2007, reivindicando o reconhecimento como patrimônio mundial, pela UNESCO, do 'Parque das Estrelas', primeiro parque nacional celeste do mundo.

Então fiquei imaginando um parque noturno na Barra da Tijuca ou Vargem Grande, próximo ao parque olímpico...um lugar para ver as estrelas, que naquela região, desde a minha infância, sempre foram mais luminosas.

Miguez diz que a possibilidade de observarmos um céu noturno despoluído é muito remota no Rio hoje. Mas seu artigo, publicado na revista Vivercidades, pode ser um começo:
http://www.vivercidades.org.br/publique_222/web/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1488&query=simple&search%5Fby%5Fauthorname=all&search%5Fby%5Ffield=tax&search%5Fby%5Fheadline=false&search%5Fby%5Fkeywords=any&search%5Fby%5Fpriority=all&search%5Fby%5Fsection=all&search%5Fby%5Fstate=all&search%5Ftext%5Foptions=all&sid=5&text=a+hora+da+terra&x=9&y=10



17
Porto: e agora? / Centenas de arquitetos brasileiros - e vários estrangeiros, associados a equipes locais - investiram enorme quantidade de trabalho e dinheiro no concurso para as instalações olímpicas no Porto, o primeiro concurso público para a área portuária do Rio, e também o primeiro relacionado aos grandes eventos esportivos que a cidade sediará nos próximos anos.

O anúncio do concurso representou uma grande vitória para o IAB, que conseguiu, num diálogo nada fácil com a prefeitura, fazer convergir dois projetos antes tratados totalmente em separado: o Porto Maravilha e as Olimpíadas de 2016. E ainda garantiu a realização de um concurso público nacional, numa escala nunca vista antes no Rio.

A enorme expectativa, no entanto, deu lugar à perplexidade geral que só vem aumentando nos últimos 15 dias, diante da decisão da prefeitura de suspender, sine die, a divulgação do resultado do concurso (na véspera da data prevista) e dos informes lacônicos do IAB que se seguiram. O ponto a que chegamos mostra, mais uma vez, um desrespeito enorme não só para com aqueles que participaram do concurso, mas também com a profissão, o IAB e a própria cidade. Afirma-se que o resultado foi definido dentro do prazo e a ata está pronta e assinada pelos membros do júri desde então. O que falta, então, para a divulgação? Será que o resultado só será conhecido depois que algum dos concorrentes entrar com um mandado de segurança contra o poder público?

16
João / João Gilberto está sendo despejado do apartamento onde mora há 15 anos, no Leblon. A proprietária - uma condessa que vive em Paris e é uma das herdeiras da Fiat - tem todo o direito legal de fazê-lo, mas dado o perfil do inquilino, e a explosão do mercado imobiliário por aqui em função das Olimpíadas etc, será que isso é mesmo tudo?

Não estou sugerindo que, por ser quem é, João Gilberto esteja acima da lei. Tampouco posso acreditar que um músico como ele não tenha condições de alugar outro apartamento, ou ter um apartamento próprio. De todo modo, é claro que, felizmente, ele jamais será um desabrigado como tantos outros que vivem, ou sobrevivem, pelas ruas da cidade.
A questão é que o caso expõe, de modo agudo e alarmante, a pressão imobiliária que tem forçado muitos outros Joãos a sair de casa de uma hora para outra. E faz pensar no papel que a cidade tem também para com seus habitantes mais ilustres.

Em todo caso, se eu fosse a condessa, eu dormiria todo dia sorrindo só por dar abrigo ao João Gilberto. E se eu fosse o prefeito desta cidade, eu cuidaria dele como de um bem público, e faria de tudo para que nada, nada mesmo, lhe roubasse o sono, a música e o gosto de viver aqui.
15
Geografia histórica do Rio / A Travessa do Leblon estava lotada, na segunda, para o lançamento do último livro de Mauricio de Abreu: "Geografia Histórica do Rio de Janeiro (1502-1700)" (editora Andrea Jakobsson, 2011). O autor, que é professor titular do Departamento de Geografia da UFRJ e amplamente conhecido de todos os que se interessam pela história da cidade por seu "Evolução urbana do Rio de Janeiro" - já em sua quinta edição - apresenta agora, em dois volumes de mais de 400 páginas cada, o resultado de uma minuciosa pesquisa histórica focada nos dois primeiros séculos de existência da cidade, que envolveu 15 anos de levantamento de documentos em arquivos de instituições brasileiras, portuguesas, francesas e no Vaticano.

O caderno "Prosa e verso" do jornal O Globo publicou sábado passado uma entrevista com o autor. A íntegra da entrevista, publicada em versão editada no jornal, pode ser lida aqui: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/


14
Porto Olímpico: nada ainda / A preocupação vem crescendo nessas duas últimas semanas, desde que a divulgação do resultado do concurso do Porto Olímpico foi suspensa e adiada sine die. Novo informe do IAB, divulgado ontem, confirma que "o adiamento da divulgação do resultado do julgamento ocorre por razões da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, promotora do Concurso Porto Olímpico". Diz ainda que o IAB está "atento à preocupação dos concorrentes", e igualmente preocupado com o prolongamento do prazo. E só.

13

Rogers / Estou curiosa para ouvir Richard Rogers: será sexta-feira, dia 11 de março, às 15:00, no Centro Cultural dos Correios (no âmbito da exposição "As cidades somos nós"). Mas é preciso inscrever-se previamente aqui: http://ascidadessomosnos.org/. E logo, pois só há 130 lugares disponíveis. No mesmo seminário, esta quinta, dia 24, tem Michael Sorkin, David Sim e outros.






















12

Subo o morro sabendo o que me espera: uma casa já conhecida por imagens e relatos.
Mas lá no alto, o imprevisto.
Eu, que examinei com cuidado os desenhos e as palavras dessa casa, pensando conhecê-la intimamente,
sou atravessada por esse espaço que se dilata em todas as direções, ao sol branco do verão.
Logo vejo que tudo está em movimento, como eu: os planos, as massas, as coisas sobre a mesa, a mesa.
Menos o Pão de Açúcar, absoluto, ao fundo.
Mas quando me viro também ele gira.
Junto com os planos, as massas, as coisas sobre a mesa, a mesa, o mundo todo.
Aqui estou no que não tem nome, no que só em sonho.
Ave que pousa, e já bate asas.
Santa Teresa.

(Este e outros projetos de Angelo Bucci - inclusive a biblioteca da PUC-Rio - estão na "Monolito", revista monográfica cujo primeiro número será lançado na próxima quarta, na Livraria Travessa de Ipanema, às 19 horas).





11





Park Hotel / Esta é para quem, como eu, insiste em querer saber como está o pequeno hotel de Lucio Costa em Friburgo: felizmente ele resistiu às chuvas que devastaram a Serra. Mas continua em estado precário, fechado e carecendo de obras de recuperação. As fotos foram feitas esta semana pela Selma, que vê o hotel da sua janela.


10
Welcome to Rio / Alunos e professores do Curso de Arquitetura da Universidade de Harvard, dirigidos pelos profs. Jorge Silvetti e Paul Nakazawa, estão no Rio esta semana num workshop destinado a reunir elementos para um projeto em torno da área do Maracanã, a ser desenvolvido ao longo do semestre pelo grupo (com a participação do professor Gabriel Duarte, da PUC). Mas a programação inclui também algumas palestras, realizadas na PUC, e visitas a obras como o Parque do Flamengo, a Casa das Canoas, o Sítio Burle Marx e o Complexo do Alemão.

Ainda esta semana (sexta), o IAB sedia um seminário com arquitetos do Brasil e da Noruega. O objetivo é promover a a troca de idéias e o estabelecimento de agendas comuns aos arquitetos de ambos os países. Entre os norugueses estão Ole Gustavsen (do Snohetta, que faz palestra amanhã no CAU), Ole Wiig (Narud Stokke-Wiig) e Erlend Blakstad (Fantastic Norway). E entre os brasileiros, João Pedro Bakcheuser (Blac), Célio Diniz (DDG) e Pedro Rivera (Rua) (ver convite acima).

E tem mais: também começa a ser divulgado o workshop "Matéria Prima", que será realizado pela AA/Architecural Association, de Londres, em barracões de escola de samba, entre 5 e 14 de abril. O workshop tomará como referência os trabalhos de Ernesto Neto e dos irmãos Campana para explorar o reuso de material usado no carnaval, visando a criação de mobiliário urbano para a área portuária. Mais aqui: http://www.aaschool.ac.uk/STUDY/VISITING/rio.php

09
Paisagens críticas / Não foram mais que dez minutos de carro, saindo de Higienópolis, e logo estávamos na Mooca, debruçados sobre os trilhos que ligam o centro de São Paulo a São Caetano, entre galpões industriais e chaminés em desuso, vagões corroídos, montes informes de areia e sucata, torres de alta tensão e até uma pequena horta, com pés de milho, goiaba e manga - estranha dimensão doméstica diante da escala industrial da paisagem.

Meio tonta ainda, ouço Nelson Brissac Peixoto falar do que está para surgir aí: mais um desdobramento do projeto "Arte Cidade", que há duas décadas vem discutindo, pela arte, situações urbanas críticas. José Rezende, artista (com formação em arquitetura) que já suspendeu vagões de trem em edição passada do projeto em São Paulo, e no Rio instalou seu Passante no Largo da Carioca, enfrenta agora um sítio ainda mais complexo, afetado por grandes operações industriais e territoriais e situado no cruzamento entre diversos fluxos, que começa a interessar ao mercado imobiliário e mobilizar a população local.

O trabalho será realizado entre abril e maio, envolvendo também alunos e professores de Arquitetura da Escola da Cidade e da PUC-Rio num grande laboratório urbano dirigido à experimentação de problemas artísticos, técnicos, ambientais e urbanísticos.

Referências teóricas podem ser buscadas no estudo lançado recentemente pelo curador do projeto: Paisagens Críticas. Robert Smithson: arte, ciência e indústria (EDUC/SENAC, 2010). O livro é uma investigação rigorosa da obra do artista americano do ponto de vista da sua relação com a geofísica e a geofilosofia de Deleuze, os processos industriais e os sistemas dinâmicos e complexos estudados a partir dos anos 60 pela física.

Enquanto devoro um a um os seus capítulos ("Deslocamentos", "Dinâmicas da matéria", "Turbulências", "Curvaturas", "Movimentações de terra", "Avalanches", "Paisagens em desequilíbrio"), páro e penso em muitos processos urbanos pelos quais o Rio passa hoje, envolvendo questões prementes que no entanto, pelo que vejo, não tem sido elaboradas artisticamente por aqui.

Então salto para o cinema e mergulho na cidade em desmonte de Wang Bing (Tie Xi Qu, 2003, em cartaz no IMS): um mundo que agoniza lentamente junto com o trem, a fábrica, a paisagem, as casas e os homens.


08

Pelo fim da adolescência / Enquanto procuro entender o que é a ponte estaiada que o metrô quer construir na Barra (sim, mais esta), recebo o texto abaixo do arquiteto Washington Fajardo, que é subsecretário municipal de Patrimônio Cultural, Arquitetura e Design:


"manifesto pelo fim da adolescência na arquitetura ou pela calma

acredito na arquitetura.
acredito piamente na contribuição da arquitetura e dos arquitetos para com a paisagem natural.
acredito na engenharia e na técnica.
acredito que a instalação de elementos marcantes na paisagem podem ser decisivos na regeneração de contextos degradados ou depreciados. ou trazer adensamentos oportunos e revitalizadores.
acredito que elementos verticais na paisagem não são incompatíveis a priori com contextos históricos e ou naturais. podendo trazer boas soluções.
acredito no design.
mas quem tem pedra da gávea não precisa de ponte estaiada.
o que quer o metro com tais elementos? ponte treliçada, passarela metálica, ponte estaiada...
há algum complexo de inferioridade infra-estrutural?
seria o metrô um adolescente rebelde pela paisagem carioca?
calma...
precisar não precisa."

Guardadas as diferenças, o manifesto me faz lembrar a resposta de Lucio Costa ao ser indagado sobre o obelisco então recém-instalado por Paulo Casé em Ipanema: "E precisa?"

07
Na Glória / Há mais ou menos 10 dias, o chafariz da Glória - construído no século XVIII e tombado pelo IPHAN em 1938 - amanheceu mais uma vez queimado. A depredação da fonte colonial, que fica entre dois prédios na Rua da Glória e à noite costuma abrigar moradores de rua, tem sido frequente. Em outubro passado, depois de ter sido depredado e restaurado 4 vezes só em 2010, o IPHAN chegou a anunciar a instalação - inédita no Rio - de uma proteção em vidro blindado, com 16 mm de espessura e 2,40 m de largura.

Enquanto isso não se concretiza, o chafariz será "pixado" de novo: neste domingo, às 11 horas, em mais uma ação organizada pelo coletivo Líquida Ação. A idéia é fazer uma "restauração efêmera" com spray de espuma, para recuperar - por um instante que seja - a brancura original do chafariz, e chamar atenção para a urgência da sua preservação.

Baldes, água e espuma serão por conta da produção, que pede a quem quiser participar que leve toalha e telefones celulares para filmagem
coletiva. Em seguida, as águas vão rolar em direção à feira da Glória - que, dizem, é a melhor do Rio.

06
Docs / Estão em fase de produção, para a SESC TV (canal 3 da Sky ou 137 da Net), documentários sobre Lucio Costa, Affonso Eduardo Reidy e Sergio Bernardes.

Dentro da mesma série (Programa Coleções), vai ao ar
hoje, quinta, às 21:30, um documentário sobre as Ruínas de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, cujo sítio arqueológico inclui as ruínas da igreja setecentista de São Miguel Arcanjo, declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, e o Museu das Missões, projetado por Lucio Costa na década de 1930. O programa será reprisado sex e sáb às 15:30, e dom às 13:30.

(A foto acima - com a igreja em primeiro plano e o museu ao fundo - foi extraída daqui: http://www.panoramio.com/photo/9367222)
05
Reidy /
Felizmente, há outras boas notícias em torno do "mais civilizado dos nossos arquitetos", no dizer de Lucio Costa: estará nos cinemas no segundo semestre o filme "Reidy, a construção da utopia", segundo documentário de Ana Maria Magalhães sobre a obra do arquiteto. O filme, que tem 77 minutos de duração e foi premiado no Festival do Rio (2009) e no Cine Eco Seia (2010), em Portugal, tem foco no urbanismo e inclui entrevistas exclusivas com Lucio Costa, Carmen Portinho, Paulo Mendes da Rocha e Roland Castro.

A propósito, Ana Maria, que é sobrinha de Carmen Portinho, confirma que a casa projetada por Reidy no Vale do Cuiabá não foi atingida pela recente tragédia na região serrana do Rio; apenas o acesso ficou mais difícil por conta da queda de uma ponte.
04
Snohetta in Rio /
E na próxima quarta, dia 16, tem palestra do arq Ole Gustavsen, do premiado escritório norueguês Snohetta, cujo currículo inclui a Nova Biblioteca de Alexandria (Egito), a Ópera de Oslo (Noruega, Prêmio Mies van der Rohe 2009), o Memorial às Vítimas do 11/09 (Nova York) e a expansão do Museu de Arte Moderna de São Francisco. Às 19 h no Centro de Arquitetura e Urbanismo da Prefeitura (Rua São Clemente 117, Botafogo).
A palestra será em inglês.

03
Arte e Arquitetura / Acaba de chegar às minhas mãos o livro Arte e Arquitetura. Balanço e Novas Direções (editora UnB, 2010, 234 p.), que resulta de 4 dias de debates promovidos pela Fundação Athos Bulcão em Brasília, em outubro de 2009.

Livro e seminário foram organizados por Agnaldo Farias e Fernanda Fernandes, ambos professores da FAU-USP, que reuniram 21 autores ligados às áreas de arte e arquitetura com o objetivo de refletir sobre "as interseções, contaminações e coincidências entre as duas disciplinas, que em vários momentos compartilham princípios e incertezas."

Os textos são de Cecilia Cotrim, João Masao Kamita, Guilherme Wisnik, Claudia Cabral, Carlos Eduardo Dias Comas, Milton Machado, Rodrigo Queiroz, Marta Bogéa, Fernanda Fernandes, Agnaldo Farias, Daniel Acosta e outros (dentre os quais me incluo) , sobre temas distintos que passam por Van Doesburg, Archigram, Peter Eisenman, Oiticica, Barrio, John Cage, Lelé, Matta-Clark, Koolhaas e claro, Athos Bulcão.

Há ainda um trabalho de Carmela Gross - "1:" - que escapa do formato mais acadêmico da publicação e explora a relação entre escala e dimensão, espaço gráfico e espaço geográfico, pensamento e representação.

Meu texto foca especificamente no projeto de Sergio Bernardes para o "Rio do Futuro", publicado na revista Manchete em 1965 (acima). O projeto, aliás, desencadeou uma discussão acalorada no seminário - o que, no meu entender, contribuiu justamente para dar a dimensão do problema central tocado pelo encontro: as tensões entre arte e arquitetura no pensamento e na prática contemporânea.
02
Porto urgente / Ainda não será amanhã. Informe do IAB comunica que "por decisão da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, promotora do Concurso Porto Olímpico, a divulgação do resultado foi postergada para data a ser determinada."

Posto 02 / fev 11

01
Porto Olímpico / Sai na próxima terça, dia 8, o esperado resultado do concurso de projetos para instalações olímpicas no Porto. Quatro equipes serão selecionadas dentre 87 participantes de todo o Brasil (com alguns escritórios estrangeiros como associados).

O concurso prevê a construção das Vilas de Mídia e Árbitros (totalizando pelo menos 10.600 quartos), um Centro de Convenções, um hotel cinco estrelas com 500 quartos e um edifício corporativo, totalizando 850 mil m². Essas edificações ocuparão duas áreas localizadas na região da Avenida Francisco Bicalho: a Praia Formosa (Pça Marechal Hermes, 63) e a Usina de Asfalto (Av. Francisco Bicalho, 146, e terrenos contíguos), e a
pós as Olimpíadas serão usadas como moradia, apart-hotel, comércio e escritórios.

Nove arquitetos compõem a Comissão julgadora: Gisele Raymundo, Miriam D’Avila Cavalcanti, Washington Fajardo, Gustavo Nascimento, Ivan Mizoguchi, Alder Catunda, Marcio Tomassini, Ricardo Villar e Sergio Magalhães.

O anúncio será às 19h, na sede do IAB (Rua do Pinheiro, 10, Flamengo), onde todos os projetos participantes do concurso estarão em exposição até 11 de março.