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"Choque de ordem" / Era um bar como tantos outros por aqui. Só entrei lá umas duas vezes, mas talvez voltasse um dia. Agora não volto mais. Em uma hora, se tanto, ele foi ao chão, bloqueando a principal via da Gávea em plena manhã de quinta-feira. Soube, pouco depois, que foi vítima da operação “Choque de Ordem” da prefeitura carioca. Para dizer a verdade, talvez merecesse. Afinal, como tantos outros bares e restaurantes cariocas, ele também avançava uns bons metros sobre a calçada, com simpáticas mesinhas e cadeiras que muitas vezes começam a ser instaladas nos finais de semana e logo são cercadas por paredes, cobertas por telhado, enfim... Não consegui muitos esclarecimentos com o proprietário (tinha alvará em dia? foi notificado previamente?). E desconfio de que a truculência dessas ações da prefeitura tenha mais a ver com interesses políticos do que com o desejo efetivo de ordenar o espaço urbano carioca. Mas nada justifica o argumento que ouvi do proprietário, enquanto ele tentava mobilizar os passantes, hoje de manhã: “ a senhora conhece alguma varanda regular no Rio?”

4 comentários:

  1. helia nacif xavier11/3/09 17:41

    penso que esta licenciosidade de ocupar o espaço de circulação dos pedrestes - a calçada tem que ser enfrentada. mas tb entendo q como toda ação q parte do governo é cercada de desconfianças e descréditos. o certo é q alguem e logo tem q ter coragem de mostrar q calçada não é pra plantar 'puxadinhos´' e que isso valha para todos. penso q o olhar vigilante dos moradores de cada área da cidade é o unico fiscal com capacidade dedenuciar abusos por parte dos infratores e acobertamentos por parte dos ordensdores urbanos oficiais

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  2. Roberto Anderson Magalhaes12/3/09 22:58

    Sobre choque de ordem, me preocupa a avalanche de noticias relativas às medidas de ordem urbana em nossa cidade, propostas pelo novo prefeito, e que não são acompanhadas do necessário espirito critico por parte da imprensa. Foi noticiado, por exemplo, que a Prefeitura ira instalar divisórias nos bancos de praça do Rio de Janeiro, a começar pelos da Praça Paris. O motivo alegado é impedir que mendigos durmam nos bancos. Ora, esse fato sempre existiu e nada melhor do que o guarda do local chamar a atenção do cidadão. Se bem que isto como regra rouba a todos o prazer de deitar num banco de praça (logicamente que esteja vazio e não esteja sendo necessário a outras pessoas num determinado momento).
    Mas essa instalação de divisórias nos bancos como foi proposta é mutiladora de um patrimônio da cidade. Esses bancos da Praça Paris, por isso mesmo chamados de bancos Paris e que se encontram em diversos pontos da cidade, foram instalados na época das reformas da cidade no inicio do século XX. Não devem ser alterados, não devem ser mutilados! Alias, esses bancos são os mais resistentes e belos da cidade.

    O Rio anda talvez excessivamente bagunçado. Mas se errarem na mão (veja a tentativa exagerada de ordenar e limitar os blocos de carnaval) podem atingir aquilo que nos caracteriza como cariocas: o prazer de conviver no espaço publico.

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  3. Roberto Anderson Magalhaes13/3/09 17:55

    Na demolição da varanda do Espelunca Chic, foi realizada uma prisão de um passante, fato noticiado na imprensa. Recebi um e-mail com o depoimento desta pessoa: Michel Bercovitch.

    Do Direito de Ir e Vir

    Na manhã da última quinta-feira, dia 5 de março, recebi voz de prisão por desacato a autoridade. O fato foi amplamente divulgado pela imprensa e escrevo para dar meu depoimento pessoal a respeito do que aconteceu.

    Fui à rua passear com meu cão, um inofensivo filhote de setter irlandês e, ao sair da portaria do prédio onde resido na Rua Marquês de São Vicente, fui surpreendido pelo que parecia ser mais uma das operações “Choque de Ordem” da nova administração da Prefeitura do Rio de Janeiro. De fato, uma retro escavadeira, caminhões, viaturas e dezenas de guardas municipais haviam sido mobilizados para se fazer cumprir uma decisão judicial de demolição do Bar e Restaurante “Espelunca Chic”. Moradores do bairro da Gávea, trabalhadores, homens e mulheres, senhoras, crianças e também cachorros tentavam se locomover em meio a um verdadeiro caos.

    Naturalmente, perguntei a um dos guardas municipais por onde eu poderia passar com o meu cão, pois não havia nenhum cordão de isolamento, sinalização ou orientação para que a população pudesse circular em segurança. Ele, de forma rude, me respondeu que passasse pela rua, vale dizer, na contramão do fluxo de automóveis. Tentei seguir a orientação do guarda mas alguns passos depois vi que era impossível seguir adiante pois havia um caminhão no meio da passagem e outros pedestres vindo na direção contrária. Quando me virei para voltar, meu cachorro começou a brincar com o outro cão. Para eles, não existe “Choque de Ordem”, democracia ou ditadura, e todas as pessoas são pessoas, fardadas ou não.

    Neste momento um soldado da Guarda Municipal apanhou o cassetete de um companheiro e disse: “me dá isso aqui, porque se esse cachorro pular em mim eu vou bater nele”.

    Perguntei qual o motivo da ameaça de agressão, já que meu cão e eu não havíamos feito nada errado, imoral ou contra a lei.Minha pergunta não foi respondida com palavras pela autoridade, mas com uma truculenta agressão física. Fui jogado ao chão e surrado por vários guardas municipais. Meu cão foi arrancado de minhas mãos e abandonado na calçada em meio ao caos, sendo generosamente levado por um desconhecido, a quem pude com muito sacrifício dizer o número do prédio em que moro, pois logo fui jogado numa viatura e conduzido a 15ª DP da Gávea.

    Me causa indignação saber que fui vítima de ação truculenta, resultado da incompetência, por parte do poder público, na condução de uma operação que se deve planejar pensando, acima de tudo, no respeito aos direitos cidadão.

    Quero agradecer a todas as pessoas que se solidarizaram comigo e que também se indignaram com a ação irresponsável e desastrosa que levou ainda o gerente do estabelecimento destruído a sofrer uma isquemia cerebral que o mantém hospitalizado no Miguel Couto em estado grave. Solidarizo-me com sua família e com de todos os funcionários que, de uma hora para outra, perderam o local de trabalho que lhes garantia o sustento.

    Que a nossa cidade apresenta irregularidades de toda ordem, concordamos todos, que inúmeros estabelecimentos comerciais, ou não, invadem espaço público e áreas de preservação ambiental, estamos também de acordo.

    O que não podemos aceitar são os métodos utilizados em nome do bem público. Métodos esses que, salvo engano, trazem à memória dos mais velhos o longo período de arbítrio, quando então, na defesa da alardeada segurança nacional, os fins justificavam os meios.

    Quero ainda deixar claro que não incitei meu cão a atacar ninguém e que em momento algum pretendi impedir a ação da justiça.

    --
    Michel Bercovitch

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  4. Oi ana!
    Eu não concordei com essa demolição. Acho uma total falta de critério.
    Por 2 motivos:
    1)A construção ao lado, a vila 90, avança quase até o meio fio, e a demoliçao do espelunca não melhora em nada o tráfego de pedestres nessa calçada! A vontade que eu tenho é passar a faca nessa vila 90! Deve ser mais um caso de tombamento absurdo também.
    2)E o restaurante Garota da Gávea, como AQUILO não foi demolido ainda?
    Isso não tem explicação!
    É o pior caso de todos. Passo no meio das mesas todos os dias trombando com os garçons! Absurdo.

    Felipe Botelho (ex-aluno seu!)
    visite meu blog tbm!!! bjos
    http://oitocentoseoito.blogspot.com/

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