Posto 1 / jan 10

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Feliz Ano Novo / O ano mal começou e a Câmara dos Vereadores já aprovou, esta semana, a alteração da legislação que deu origem ao Corredor Cultural, no centro da cidade, para permitir a construção de uma torre de escritórios, com 44 pavimentos, junto aos Arcos da Lapa.

Apresso-me a dizer que não tenho nada contra as torres, e até penso, às vezes, que o Rio carece um pouco de edifícios altos. Mas não na Lapa, cuja paisagem arquitetônica mantém uma rara unidade.

Em todo caso, como ainda não disponho de informações mais precisas sobre o assunto, limito-me a transcrever aqui o alerta do arquiteto Roberto Anderson Magalhães, que recebi via IAB.

Devo dizer que não chego a lamentar - como muitos - a demolição, nos anos 70, do Palácio Monroe, pavilhão eclético instalado na Cinelândia no início do século XX.
Mas o texto contém argumentos a serem ouvidos:

"A licença para a construção da torre Cândido Mendes em pleno pátio do Convento do Carmo, na Praça XV, constituiu, no início da década de 1980, um terrível crime contra o Patrimônio Histórico de nossa cidade. Tal fato se seguiu à também traumática demolição do Palácio Monroe. A enorme indignação suscitada por tais fatos levou o IPHAN a criar uma área de proteção da arquitetura remanescente da Praça XV e gerou o clima favorável à aprovação da Lei do Corredor Cultural. Este último transformou-se numa das iniciativas mais bem sucedidas de proteção de nossa história urbana, tendo preservado centenas de sobrados na Praça XV, no Saara e na Lapa. A aprovação desta Lei na Câmara de Vereadores foi um belo momento de sintonia entre o interesse dos habitantes da cidade e a ação dos seus representantes e dirigentes.

No entanto, sem que o distinto público fosse chamado a opinar, a atual legislatura acaba de aprovar um projeto do executivo que, pela primeira vez, altera a Lei do Corredor Cultural. Esta previa para a Rua dos Arcos, na Lapa, uma altura máxima correspondente a seis pavimentos. Mas a alteração aprovada irá permitir a construção de um espigão da Eletrobrás no eixo de visada dos Arcos da Lapa. São diversos os interesses envolvidos. A empresa estatal passa uma mensagem de que se o projeto não fosse aprovado iria deixar a cidade. O instituto de previdência dono dos terrenos quer ver suas possibilidades de lucro maximizadas. As dívidas contraídas pelos gestores culturais ali presentes poderão ser redimidas pelo projeto. E os representantes da nova geração de administradores públicos adeptos da gestão de cunho empresarial se lixam para o dano à imagem da Lapa.

Naquela região, prédios altos só existem na Av. Chile, à direita dos Arcos, de quem os vê do Largo da Lapa. A torre proposta pela Eletrobrás poderá trazer para o meio da visão dos Arcos da Lapa um imenso elemento vertical, de 133 metros, com 44 pavimentos, que interferirá muitíssimo naquela paisagem. É impensável que algum órgão de proteção ao patrimônio tenha aprovado tal coisa. Na ocasião da construção da torre Cândido Mendes e da demolição do Palácio Monroe, o Instituto de Arquitetos – IAB foi muito ativo na luta pela preservação de nossa cidade. Seria muito desejável que novamente ele voltasse a defender esta causa tão ameaçada."

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2010 / Há muito tempo sinto um certo fastio nessas datas, mas este ano o Natal e o Reveillon serão diferentes. Vou atravessar estes dias preparando o meu presente para o cinquentenário de Brasília e os primeiros 10 anos da Casa de Lucio Costa. E que venha 2010.




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+ Lelé / O site ENTRE fecha o ano com um presente de Natal: uma excelente entrevista com Lelé, em que são discutidos a fundo os temas e problemas fundamentais envolvidos na sua prática projetual: racionalização, pré-fabricação, industrialização, tecnologia, mas também instinto e até sustentabilidade. Para Lelé, "não adianta discutir sustentabilidade da construção se não queremos trabalhar. É preciso enfrentar o problema da construção."

A entrevista - que é inédita - foi realizada por um então aluno e hoje professor do Curso de Arquitetura da PUC-Rio, Adriano Carneiro de Mendonça (autor também da foto acima, do canteiro de obras do hospital Sarah-Rio, inaugurado há poucos meses na Barra da Tijuca).

E tem ainda o projeto completo dos estudantes que venceram o concurso da Bienal de São Paulo. Entre aqui: http://www.entre.arq.br/


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2009 / O ano vai chegando ao fim, e os balanços se multiplicam. Eu vejo e leio tudo, até retrospectiva da Record. E também vou montando os meus próprios balanços.

Foi um ano difícil, de muitos enfrentamentos. Mas também fiz boas leituras. Foram estes os livros que mais me falaram:

Inteligência Brasileira, de Max Bense (Cosac Naify);
Um Século em Nova York. Espetáculos em Times Square, de Marshall Berman (Companhia das Letras);
Hélio Oiticica (Azougue, coleção "Encontros");
Estado Crítico. À deriva nas Cidades, de Guilherme Wisnik (Publifolha);
Los Angeles. The Architecture of Four Ecologies, de Reyner Banham (University of California Press);
Cartas Persas, de Montesquieu (com apresentação de Jean Starobinski, Martins Fontes).

O último, na verdade, ainda nem terminei, mas já tenho razões suficientes para inclui-lo aqui.

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Anarquitetura / Provavelmente esta não vem ao Rio. Em todo caso, São Paulo é logo ali. Entre 25 de fevereiro e 4 de abril, o Museu de Arte Moderna de São Paulo vai abrigar a exposição "Gordon Matta-Clark. Undoing Spaces". A exposição - a primeira retrospectiva do artista na América Latina - foi organizada pelo Museu de Arte de Lima, em colaboração com o Museu Nacional de Belas Artes do Chile e o Estate of Gordon Matta-Clark.

Composta de filmes, fotografias, croquis e anotações do artista, a mostra abre uma possibilidade imperdível de aproximação de obras geradas por uma confrontação direta com a arquitetura, como a W-Hole House (1973), Splitting (1974), Bingo (1974), Day’s End (1975), Conical Intersect (1978), Office Baroque (1977), Circus (1978), Garbage Wall (1970), Counter-Biennial (1971), Fresh Air (1972), Fake Estates (1973) e The Wall (1976) - esta, uma intervenção no Muro de Berlim.

Um pouco de Matta-Clark, afinal, há de fazer bem ao otimismo que embala hoje a arte e a arquitetura no Rio, ameaçando-nos de paralisia.
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Esquinas / Desde que os romanos espalharam a grid pelo mundo, é nas esquinas que boa parte da vida urbana, no seu sentido mais tradicional, se concentra. É aí que costumamos encontrar a padaria, o bar, a farmácia, a banca de jornal. Amigos combinam encontros, adolescentes se amontoam. Há toda uma rede de contatos triviais que parece mais palpável nas esquinas. E que bairro do Rio tem mais esquinas que o Leblon? Claro, foi numa delas que eu cruzei com ele outro dia.

Intrigada primeiro pelo som, ritmado e seco, estacionei o carro, peguei a câmera e arrisquei uma filmagem rápida, que depois coloquei no Youtube. E não é que o Leonardo Sandoval foi parar no programa do Jô Soares? Na entrevista, que foi ao ar ontem, ele contou que chega a ganhar até 360 Reais por dia, sapateando nas esquinas do Rio. Mas precisa carregar o tablado no ônibus, ou na cabeça, desde Copacabana. Quem quiser encontrá-lo, basta passar numa tarde de sol, no final de semana, pela Ataulfo de Paiva. Ele deve estar ali, em frente ao Rio Design.


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Talvez seja a primeira publicação dedicada a Lelé na França (e mesmo no exterior). Ele é o objeto principal do último número da revista "Le Visiteur", publicação semestral da Sociedade Francesa de Arquitetos. A edição, que é bilíngue (francês-inglês), compreende vários artigos sobre sua obra, por Laurent Salomon, Hugo Segawa, Claudia Estrela Porto, Maria Elisa Costa e outros - eu, inclusive. E também um texto sobre Sergio Bernardes, por Lauro Cavalcanti. Mais aqui: http://www.levisiteur.com/revue.php
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Na premiação da 8. Bienal de Arquitetura de São Paulo, ganhou destaque o edifício IMA, no campus da PUC-Rio, projetado pelos professores Marcos Fávero, Diego Portas e Andrés Passaro (Menção Honrosa na categoria Obras Construídas). Ver aqui:http://estilo.uol.com.br/album/bienal_internacional_arquitetura_2009_premiados_album.jhtm#fotoNav=10

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E não é que o Beni Barzellai, o Guilherme Lozinsky, a Mariana Magalhães e a Patrícia Tinoco - meus ex-alunos na PUC - superaram todas as dificuldades e venceram o concurso para estudantes da Bienal de Arquitetura de São Paulo? O objeto do concurso era o projeto de "um quiosque de serviços urbanos para usuários de parques públicos em São Paulo". Mais aqui:http://www.iabsp.org.br/concurso.asp?ID=126

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A imagem ao lado saiu n'O Globo de hoje. É o quanto se conhece, até agora, do projeto vencedor do concurso para a nova sede - a ser construída no Estácio - do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Sim, aquele concurso fechado, cujos critérios, participantes e comissão julgadora jamais foram divulgados, e que foi vencido pelo escritório do próprio Secretário Municipal de Urbanismo, eng. Sergio Dias. Será que só eu estranho?

Posto 12 / dez 09

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Sete perguntas para Sergio Dias / Se Obama respondeu a Yoani, por que não? Eis as perguntas que enviei hoje, por email, ao Secretário de Urbanismo do Rio de Janeiro:

1. Como o senhor vê as críticas que têm sido feitas a projetos de lei recentemente aprovados para o Rio de Janeiro, como o Porto Maravilha e o PEU das Vargens?

2. Como o senhor avalia o atraso de sete anos no processo de revisão do Plano Diretor do Rio de Janeiro?

3. Qual a sua posição com relação à discussão sobre a necessidade de revisão do projeto original para as Olimpíadas de 2016, em face do investimento já canalizado para a zona portuária?

4. Que espécie de formação o senhor considera mais adequada a um jovem que almeje um dia vir a ser Secretário de Urbanismo do Rio de Janeiro?

5. Quais, dentre os seus projetos urbanísticos - executados ou não - o senhor considera mais relevantes? Por que?

6. Quais têm sido os critérios utilizados pela Secretaria de Urbanismo na escolha de projetos arquitetônicos e/ou urbanísticos para o Rio de Janeiro?

7. O senhor estaria disposto a discutir suas propostas e projetos para o Rio de Janeiro com os arquitetos e urbanistas cariocas? Quais seriam suas condições para iniciar tal diálogo?

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Havana-Rio / "Barack Obama responde a bloggeira cubana". Instigada pela notícia, fui atrás do blog de Yoani Sánchez, onde encontrei um comovente retrato do cotidiano hoje em Havana, do ponto de vista de uma jovem que tem a coragem de resistir:
http://www.desdecuba.com/generaciony/


Felizmente moro no Rio e não em Havana, pensei. Mas quem sabe se eu enviar algumas perguntas ao Secretário Municipal de Urbanismo.... Já que ele não responde à imprensa, quem sabe responderá a uma bloggeira, como Yoani e eu.

Minha ideia é enviar-lhe 7 perguntas. Tantas quantas Yoani fez a Obama. E desde já aceito sugestões.
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Metrô / O metrô de Ipanema está prestes a ser inaugurado. Ótimo. Mas por que a nova estação vai se chamar "Estação Tom Jobim"? Salvo engano, será a única estação de metrô a ganhar nome próprio. Por que subtrair a referência ao bairro - e que bairro! - num sistema de transporte como esse, de massa, a ser usado também por tantos turistas?

Para a mesma estação, o governo do estado encomendou alguns painéis a artistas plásticos. Que critérios foram adotados para a escolha desses artistas e trabalhos?

São perguntas tolas que muitas pessoas, como eu, estão se fazendo neste momento, em fóruns como o Twitter e o Facebook.

A propósito: a última visita às obras acontece neste domingo, dia 29, das 9h às 11h. Mas é preciso fazer reserva pelo telefone (2227-0337) ou inscrever-se previamente no acesso Jangadeiros, em frente à praça General Osório.

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Vargens, antes e depois / A tabela ao lado (clique sobre ela para ampliá-la) foi elaborada pela arquiteta Andrea Redondo e apresenta uma comparação valiosa entre os índices urbanísticos do PEU das Vargens, recentemente aprovado, e a legislação anterior para a área. E há mais aqui (inclusive um comentário de Cesar Maia - mas será ele mesmo? - no pé da página): http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc284/mc284.asp

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Nas eleições de amanhã do IAB-RJ, a chapa - única - é fruto de um movimento iniciado por alguns arquitetos particularmente preocupados com o futuro do Rio.

A chapa, intitulada "Arquitetura: Cidade Metrópole", tem a seguinte composição:
Presidente: Sérgio Ferraz Magalhães; Vice‐Presidentes: Carlos Feferman, Ceça Guimaraens, Pedro da Luz e Ricardo Villar; Conselho Deliberativo: Adriana Sansão, Alder Catunda Timbó, André Luiz Pinto, Célio Diniz, Cláudia Escarlate, Cláudia Miranda, Fabiana Izaga, Gustavo Martins, Isabel Tostes, Jean Pierre Janot, João Pedro Backheuser, Mauro Santos, Pedro Évora, Pedro Rivera e Rogério Cardeman; Conselho Fiscal: Andréa Queiroz Rego, Flávio Teixeira, José Miguez, Luiz Flórido, Márcio Tomassini e Sonia Lopes; Conselho Superior: Adir Ben Kauss, Alfredo Britto, Almir Fernandes, Eduardo Barra, Eduardo Horta, Flávio Ferreira, Jerômino de Moraes, Luiz Eduardo Índio da Costa, Luiz Fernando Janot, Marlice de Azevedo, Mauro Neves Nogueira, Norma Taulois, Oswaldo Nazareth, Otávio Leonídio, Pablo Benetti, Pedro Cascon, Ricardo Villar e Sydnei Dias Menezes; Representantes junto ao CREA: Eduardo Cotrim e Norma Taulois.

A eleição é de 9 às 20 hs. Espera-se uma votação expressiva, capaz de sinalizar um momento de mudança no IAB carioca.
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Amanhã, quinta, é dia de eleição no IAB-RJ. Um dos últimos atos da atual presidente, arquiteta Dayse Góes, foi encaminhar ao prefeito uma carta condenando a aprovação do PEU das Vargens, que pode ser lida aqui: http://www.iabrj.org.br/wp-content/uploads/2009/11/iab-rj-231-prefeito_peu_vargen.pdf
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Repito aqui o que me contaram: o Rio não vai sediar só a Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, em 2016. Vem aí também os Jogos Mundiais Militares, em 2011, a Copa das Confederações, em 2013, e ainda uma Olimpíada Gay.
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Carrego sempre um canivete dentro da bolsa. Foi João Cabral que me ensinou. Mas agora preciso também de uma lanterna e de um radinho de pilha. Só assim poderei voltar a caminhar tranquilamente pelas ruas de Ipanema e do Leblon, que hoje estão nas trevas de novo.

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O chão da minha rua amanheceu cor-de-rosa. São os jambos, em seu instante de beleza.







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"Que perspectivas vocês vêem para a cidade do Rio de Janeiro e sua arquitetura?" Essa foi uma das perguntas que os jovens editores do site ENTRE fizeram a Guilherme Wisnik e a mim, numa entrevista dupla realizada no começo de novembro, via Skype. Para ouvir as duas respostas, entre aqui: http://www.entre.arq.br/?p=1020
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Ainda Berlim / Por que voltar a falar dessa cidade? Não sei. Eu sempre acho que vou conseguir dizer alguma coisa sobre Berlim. Mas dessa vez foi a Bárbara que me provocou. Ela me passou um link para a publicação resultante de seminário realizado na semana passada na Escola da Cidade, em São Paulo. E como não costuma ser fácil encontrar material atualizado e em português sobre Berlim... http://www.escoladacidade.edu.br/download/Berlin_em_sao_paulo.pdf.











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Eis o Pier Mauá, por onde estão começando as obras do Porto Maravilha. As fotos foram feitas ontem pelo Valmir, um dos editores do ENTRE, a quem agradeço.
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Berlim / Passei a semana inteira comemorando os 20 anos da queda do Muro de Berlim. Não consegui pensar noutra coisa. Cidades como Londres, Nova York, Paris, São Paulo e Rio são singulares e excitantes. Mas nenhuma é mais fascinante, para mim, do que Berlim. E fascinante porque inconcebível. Como pode uma cidade sobreviver a tanto?

Acompanhando a celebração ao vivo pela DW-TV, cheguei a me emocionar em vários momentos - sobretudo quando vi a chanceler Angela Merkel, acompanhada de Lech Walesa e Mikhail Gorbachev, atravessando a ponte de Bornholmerstrasse envolvida por uma multidão de anônimos que pareciam saídos de um filme de Fassbinder. Só dias depois, quando comecei a me perguntar pelo lado B dessa festa, lembrei-me dos Wagenburg.

Formados no contexto da queda do Muro e da Reunificação da Alemanha, essas "aldeias moventes", semelhantes a acampamentos precários, se multiplicaram por Berlim nos últimos 20 anos, ocupando áreas vazias e degradadas da cidade numa resistência pacífica contra as convenções sociais e a voracidade do capital financeiro que domina desde então as operações urbanas da atual capital da Alemanha. Hoje eles somam 12 Wagenburg, que guardam muito do espírito libertário das comunidades hippies dos anos 60 e destoam por completo do espetáculo arquitetônico em que Berlim se transformou. Há mais de 300 pessoas - entre adultos e crianças - morando nos Wagenburg berlinenses. A comunidade mais conhecida e atuante é a que ocupa uma área junto a uma fábrica desativada às margens do Schwarzer Kanal. Os moradores instalaram seus trailers e caminhonetes aí depois de terem sido despejados de uma outra área, e no mês passado receberam um ultimato para deixar o terreno hoje ocupado, que é propriedade de uma construtora. Negaram-se a fazê-lo, e agora preparam-se para uma evacuação forçada pela polícia, a qualquer momento.

"Wir haben ganz schlechte Laune". Nós estamos muito mal-humorados, exclamam os moradores do Schwarzer Kanal, em sua espantosa doçura.

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O Governo do Estado realizou um concurso - restrito a convidados - para o projeto arquitetônico da nova sede do Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro e do futuro Memorial do Estado do Rio de Janeiro. O resultado saiu ontem. O escolhido foi o projeto apresentado por "Sérgio Moreira Dias Engenharia Projetos e Consultoria Ltda". Sim, o escritório do Secretário de Urbanismo. E por que não?
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O principal projeto da Zona Portuária está aprovado, mas não implantado. Isso significa que a discussão não terminou. Pelo contrário. Agora é preciso traçar estratégias de acompanhamento do projeto e discutir seu impacto sobre a cidade. Por isso, várias entidades civis ligadas à área convocam para um debate sobre os "IMPACTOS DO PROJETO PORTO MARAVILHA: na próxima segunda, dia 16 de novembro, às 18 horas, no Espaço Cultural CEDIM Heloneida Studart (Rua Camerino 51, Saúde).

Também na Zona Portuária, realiza-se no dia 02 de dezembro (Dia Nacional do Samba) o tradicional ritual de lavagem da Pedra do Sal, monumento natural ligado à história do samba e à presença africana no Brasil. No Largo João da Baiana, a partir das 6:30 da manhã. Para ver o sol amanhecer.
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Alguém tem uma lanterna?
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Revistas / Boa notícia: será nesta segunda, dia 9, no Parque Lage, o lançamento do edital de revistas culturais do Programa Cultura e Pensamento, do Ministério da Cultura (http://www.culturaepensamento.net.br/). Às 19 horas haverá uma mesa-redonda sobre arte urbana da qual participam o Ministro da Cultura, Juca Ferreira, além de Fred Coelho, Daniela Labra, Lucas Santtana e eu. O edital - que selecionará quatro projetos editoriais visando a produção de revistas de periodicidade bimestral, a serem distribuídas gratuitamente - estará disponível no dia seguinte ao evento, e as inscrições estarão abertas até 15 de janeiro. O financiamento é da Petrobrás, e a gestão do edital é do editor Sergio Cohn (Azougue).
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De repente chega um email com duas sugestões:
1. acionar o Ministério Publico do Estado do Rio de Janeiro, pelo site www.mp.rj.gov.br (via Ouvidoria).
2. enviar uma mensagem ao prefeito (pelo e-mail eduardopaes@pcrj.rj.gov.br), pedindo que ele vete o projeto do PEU das Vargens.
Faço ambas as coisas. Qualquer um pode fazê-lo também.
Eu sei, não é muito. Mas também não é nada.
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Estou intrigada. Por que será que a presidente da Comissão do Plano Diretor, vereadora Aspásia Camargo, não compareceu a nenhuma das duas votações do PEU das Vargens? Não deveria ser ela a primeira a votar contra um projeto que desrespeita tão gravemente o Plano Diretor e o Estatuto das Cidades?
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Também o PEU das Vargens foi aprovado ontem, em regime de urgência: http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/11/02/camara-de-vereadores-aprova-peu-das-vargens-914575545.asp
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É uma manhã de sol e estou sozinha em casa, pensando que nesse momento o Pier Mauá já pode estar em obras, os CEPACs negociados, o PEU das Vargens aprovado. Tenho vontade de gritar, não sei, fazer qualquer coisa capaz de sustar, por um instante que seja, essa irrealidade cotidiana que ameaça minha cidade. Num ímpeto quiçá juvenil, lanço então meu manifesto solitário pelo Rio. Escrevi-o no plural, imaginando adesões que talvez nunca venham. Ou por milagre virão, e não tarde demais.

MANIFESTO PELO RIO

Nós, arquitetos, urbanistas, cidadãos e amantes do Rio de Janeiro, repudiamos a maneira espúria como essa cidade tem sido tratada pelo poder municipal.

Queremos, sim, que o Rio de Janeiro seja capaz de reverter o enorme processo de degradação que vem sofrendo nos últimos 50 anos. Que a área portuária seja revitalizada, a baía de Guanabara despoluída, o desmatamento da Mata Altântica freado, os problemas de habitação, transporte, lixo e violência urbana equacionados.

Mas queremos também que todo esse processo seja conduzido com transparência, seriedade e senso público, e não de maneira obscura, por meio de projetos feitos às pressas, sem qualquer conexão entre si e à revelia até mesmo do Plano Diretor.

Queremos uma cidade democrática, humana e viva, em que os técnicos e especialistas sejam ouvidos e as demandas da população direta ou indiretamente envolvida possam ser atendidas. Queremos concursos públicos de projetos, abertos a todos, que contribuam para ativar uma discussão pública cada vez mais necessária sobre a cidade. Queremos arquitetura e urbanismo de qualidade.

Ofende-nos a postura da Secretaria de Urbanismo, que em vez de apresentar e discutir suas propostas abertamente, tem se limitado a responder, através de sua assessoria de imprensa, que os esclarecimentos à opinião pública só serão dados após a aprovação dos projetos. Isso é um autoritarismo inaceitável, que fere o estado democrático de direito, desrespeita o Estatuto da Cidade e levanta muitas dúvidas sobre as motivações e interesses aí envolvidos.

A cidade do Rio de Janeiro, que é marcada por tantos exemplares arquitetônicos consagrados internacionalmente, não pode ser condenada agora a engolir projetos apócrifos, altamente questionáveis do ponto de vista de seu impacto ambiental e social e da sua contribuição arquitetônica e urbanística. Se novas perspectivas se abrem, e grandes eventos esportivos como a Copa e as Olimpíadas são uma oportunidade, que eles deixem como legado também a revitalização da arquitetura e do urbanismo carioca, e não uma miséria ainda mais assombrosa do que aquela que já vivemos.

Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2009

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Antes do próximo / O incêndio do acervo de Oiticica vai aos poucos se apagando. Já se fala até que não foi tão grave assim. Mas o fogo volta a arder amanhã e depois (dias 3 e 4) num debate que promete reacender o MAM. Reproduzo aqui, em parte, a convocação dos organizadores, Frederico Coelho e Sergio Cohn:


"Outubro de 1968: Rogério Duarte e Hélio Oiticica organizam no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro o encontro batizado de Cultura e Loucura. Na montagem da mesa para o debate sobre os limites entre arte e contra cultura, além dos organizadores, participam Caetano Veloso, Nuno Veloso e Luis Carlos Saldanha. A idéia de Rogério e Hélio era ter também Chacrinha e Glauber Rocha, mas não foi possível. Tempos depois, Antonio Manuel lançaria um curta-metragem com os principais trechos do debate.

Outubro de 2009: o incêndio no acervo do Projeto HO desencadeia no meio das artes visuais uma série de documentos, textos pessoais, emails, cartas abertas, testemunhos e manifestos sobre a questão dos acervos de artistas e instituições. O debate gira maciçamente ao redor das condições de preservação e manutenção, das políticas públicas e privadas de financiamento, da repercussão pública do incêndio em contraponto ao descaso diário em relação a outros acervos importantes que se deterioram em nosso cotidiano. Ao mesmo tempo, passa ao largo das mídias as propostas culturais que se encontravam em gestação em torno do Projeto HO, entre elas redes digitais de artistas e criação de espaços de disponibilização ao público das reservas técnicas dos artistas contemporâneos. (...)

Reivindicando a retomada do MAM-RJ como um espaço não só de exposição de obras, mas principalmente de exposição de ideais, questões, diálogos e conflitos, convocamos a todos (...) para participarem nos dias 3 e 4 de novembro do debate Políticas da Arte – Diálogos da Arte.

Na terça-feira, dia 3, teremos duas mesas – uma na parte da manhã (11:00) e outra na parte da tarde(14:00) – com a participação dos coordenadores do evento (Frederico Coelho e Sergio Cohn) e de representantes de acervos (Cesar Oiticica Filho e João Vergara, com mediação da crítica Daniela Name). Também será lançado nesse dia o projeto Rede Arte Brasil, uma rede digital de artes plásticas organizada pelo Projeto HO, com explicação pública de seus objetivos e metas.

Na quarta-feira, dia 4, a intenção é promover durante a tarde (das 14:00 às 18:00 horas) um balanço das conversas do dia anterior e uma convocatória geral para todos os interessados no debate sobre os temas propostos pelo encontro. Uma assembléia geral em que a participação de todos será fundamental para ampliarmos a capacidade de ressonância do evento. Os artistas e críticos Marcio Botner, Ernesto Neto, Felipe Scovino e o curador do MAM-RJ, Luiz Camillo Osório, conduzirão o debate desse dia.

Políticas da Arte – Diálogos da Arte não é somente um encontro, não é somente um seminário e vai além do velho debate entre os mesmos. É uma convocação do MAM para que todos seus parceiros e colaboradores (seja o público e a sociedade, sejam os artistas e os que se relacionam com as artes) tenham novamente voz ativa na proposição e condução das políticas que atravessam o dia a dia das artes visuais contemporâneas. (...)

A hora é essa. Antes do próximo incêndio. "

Posto 11 / nov 09

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Estética Central / Até 13 de novembro, a Central do Brasil torna-se um núcleo de produção de curta metragens feitos com celular ou câmera digital. Uma equipe de monitores encontra-se a postos de segunda a sábado, das 8 às 20 horas, no estande do festival "Estética Central", montado dentro da estação para ensinar os recursos básicos para a produção de um vídeo digital, desde a captação até a edição de imagens.

Os melhores filmes serão exibidos em janeiro no site do festival e em projeções no Oi Futuro, Parque Lage e na própria Central do Brasil. Podem participar do festival jovens entre 16 e 24 anos, cadastrados no site (http://www.esteticacentral.com.br/v2/index.php) ou no próprio estande. Os vídeos devem ter entre 15 e 90 segundos e versar sobre a região da Central do Brasil.

Um deles é este, feito pela Cintia.



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Alguma coisa acontece no Pedregulho, obra-prima do centenário Reidy: http://pedregulhoresidenciaartistica.wordpress.com/2009/10/21/sobre-o-projeto/

(A foto foi colhida da bela galeria de Kymtyr, no flickr).
29
Um minuto de silêncio, por favor. Acaba de ser aprovado na Câmara dos Vereadores o principal projeto de lei do "Porto Maravilha" (PLC 25), que modifica o Plano Diretor e os parâmetros urbanísticos da área portuária e autoriza a Operação Urbana Consorciada.
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Está aí, agora, o projeto de lei do PEU das Vargens:
http://spl.camara.rj.gov.br/spl/spl_tramit_proj_assunto.jsp?tipo=Lei+Complementar&numero=33&ano=2009
Soube que a segunda votação está prevista para ocorrer ainda hoje, no final do dia.
27
Parece mentira, mas a tramitação na Câmara do PEU das Vargens (Projeto de Lei Complementar 33/2009) está sendo ainda mais meteórica que a do "Porto Maravilha". O projeto foi criado na quinta passada, dia 22, apresentado no dia 23, publicado no Diário Oficial no dia 27 e votado no mesmo dia. A partir daí, deve voltar em segunda discussão após um intervalo de 48 horas. Sim, amanhã. Curiosamente, o texto do projeto de lei não está disponibilizado no Sistema do Processamento Legislativo, onde todas as leis em tramitação na Câmara deveriam encontrar-se acessíveis publicamente.
26
Mais um projeto goela abaixo? Com relação ao projeto de lei complementar que cria um novo PEU das Vargens - alterando vários parâmetros urbanísticos da região - a Secretaria de Urbanismo informou, através de sua assessoria de imprensa, que "os esclarecimentos à opinião pública só serão dados após a aprovação do projeto" (cf O Globo de hoje).
E o Secretário de Urbanismo? Agora nem a O Globo ele atende mais.

25
O jornalista da Folha de S.Paulo me liga no meio da tarde para saber minha posição sobre o projeto para Vargem Grande, votado ontem em sessão extraordinária na Câmara dos Vereadores e publicado hoje n' O Globo. Também só conheço o pouco que saiu no jornal, respondo. E lamento dizê-lo, mas isso tem sido o Rio. São dezenas, centenas de projetos que pipocam a cada dia na imprensa, sem autoria, sem qualquer conexão entre si e sem nenhuma concepção de cidade como fundamento.

Este altera o chamado PEU/Projeto de Estruturação Urbana das Vargens, redefinido os parâmetros urbanísticos de boa parte da Zona Oeste (Vargem Grande, Vargem Pequena, Recreio dos Bandeirantes, Camorim e parte de Jacarepaguá), onde devem ser instaladas a futura sede da CBF, o Museu do Futebol e a Vila Olímpica, entre outros equipamentos ligados à Copa e às Olimpíadas.

Depois de tanta gritaria, parece que alguns vereadores estão mais atentos. Mesmo assim o projeto foi aprovado em primeira discussão, por 36 votos a 8.


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Então, de repente, no meio desse turbilhão, alguém me dá uma boa notícia: a eleição do IAB carioca tem chapa única, composta por um grupo de arquitetos que se mobilizou nos últimos 5 dias com o objetivo de revitalizar a instituição neste momento de tantos embates e tão crucial para a cidade.

A chapa é presidida por Sergio Magalhães (ex-Secretário Municipal de Habitação) e inclui nomes como Flavio Ferreira, Otavio Leonidio, João Pedro Backheuser, Alfredo Britto, Ceça Guimaraes, Pedro da Luz, Fabiana Izaga, Gustavo Martins, Celio Diniz, Pedro Rivera e outros. A votação será no próximo mês. Até eu, que estou afastada do IAB há uns 20 anos, vou votar.
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O boletim de outubro do CEDES/ Centro de Estudos Direito e Sociedade, associado ao IUPERJ, traz um bom relato do debate público sobre a área portuária realizado na PUC na semana passada, junto com um artigo meu e outro de Maria Alice Rezende de Carvalho, professora do Departamento de Sociologia e Política da PUC: http://cedes.iuperj.br/
22
Isto é o Secretário de Urbanismo do Rio de Janeiro: http://www.sergiomdias.com.br/
21
Virada / Estou acompanhando, a quilômetros de distância, a movimentação em curso pelo lançamento de uma chapa de renovação do IAB carioca. O candidato a presidente é Sergio Magalhães. O clima é tenso, pelo que sei. Mas o apoio é grande. Meu também, como não poderia deixar de ser.

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Foi um final de semana doloroso, em que a euforia olímpica se viu forçada a confrontar-se com o luto coletivo provocado pela violência e pela ignorância. Mas o debate de ontem na PUC deu novo fôlego à discussão sobre a cidade, e de certo modo contribuiu para espantar a depressão que assola o urbanismo carioca, como tem dito Helia Nacif. De novo, um auditório lotado abrigou mais de 4 horas ininterruptas de discussão, encerradas mais por conta do horário do que por falta de ânimo.

Muitas questões foram levantadas: Por que os projetos da área portuária estão sendo votados antes - e à revelia - do Plano Diretor? Por que os arquitetos, e a sociedade civil como um todo, mal tem sido ouvidos? Por que a Prefeitura não apresentou ainda um plano de massas da área portuária? Por que o Rio não é capaz de aprender com os erros e acertos das experiências já realizadas noutras cidades brasileiras, com relação às Operações Urbanas Consorciadas? A localização das Olimpíadas pode ou não ser mudada? O Rio deve aceitar o argumento - supostamente definido pelo COI - de que o projeto aprovado não pode ser alterado, mesmo que em benefício da cidade? O Rio é uma cidade monocêntrica ou policêntrica? Qual o papel de cada um de nós nesse processo?

Só é lamentável que em meio a um público tão amplo (arquitetos, urbanistas, sociólogos, políticos, historiadores, artistas plásticos, professores e estudantes), não houvesse nenhum representante da Secretaria de Urbanismo. Nem do IAB.

Em breve a cobertura do evento estará no site do IUPERJ. E já há um comentário abaixo, da Helia Nacif.
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Vão participar do debate público sobre a revitalização da área portuária amanhã (segunda, dia 19), na PUC, os arquitetos-urbanistas Sergio Magalhães e Nina Rabha, e os vereadores Aspásia Camargo e Eliomar Coelho. Às 15 horas, no auditório do RDC (R. Marquês de S. Vicente, 225).




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Acervo Helio Oiticica, 17 de outubro de 2009





















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Oiticica em chamas / A casa fica na rua Eng. Alfredo Duarte, no alto do Jardim Botânico. Vamos, agora.
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Oiticica incendiado / Grito de dor. Um incêndio ontem à noite destruiu quase toda a obra de Helio Oiticica. "Sinto que fracassei porque minha missão era cuidar da obra dele", disse César Oiticica, irmão do artista plástico, que mantinha o acervo em sua casa no Jardim Botânico e se negava a conceder a guarda ao Centro de Arte Helio Oiticica, criado pela Prefeitura nos anos 90 para abrigar a obra do artista brasileiro.
Segundo a Folha online, o fogo destruiu 90% da obra de Oiticica. As perdas são inestimáveis e incluem documentos, telas, filmes e obras como Bólides e Parangolés.
Não bastou o incêndio do MAM, nos anos 70, para proteger a arte brasileira do fogo e da miséria.
Neste momento, mais do que nunca, vale a pena reler a discussão pública entre Luiz Camillo Osório (atual curador do MAM) e Cesar Oiticica, em 2007: http://www.canalcontemporaneo.art.br/brasa/archives/001502.html

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O debate no IAB ontem lotou o auditório e se estendeu até a meia-noite. Foram quase 5 horas ininterruptas de discussão sobre o Porto, as Olimpíadas etc. Arquitetos e urbanistas questionaram a ausência de concursos públicos, a postura do IAB e sobretudo a maneira fragmentada e desarticulada como a cidade está sendo pensada. Representantes da Prefeitura disseram que o projeto aprovado pelo Comitê Olímpico Internacional não pode ser modificado, e portanto a concentração das instalações na área portuária é inviável. Também foi anunciado para hoje o início das obras do Pier Mauá (pela OAS, empresa vencedora da licitação).
A discussão deve ser ampliada no debate de segunda na PUC, do qual participarão o arquiteto Sergio Magalhães e os vereadores Aspásia Camargo e Eliomar Coelho. Às 15 horas, no auditório do RDC (R. Marquês de S. Vicente, 225, Gávea).
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Em tempo: do debate de hoje à noite, no IAB, participam também os arquitetos Flavio Ferreira (UFRJ), Ricardo Villar e Washington Fajardo (Prefeitura).

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Porto em Debate / O Curso de Arquitetura e Urbanismo, o Departamento de Sociologia e Política e o Departamento de Serviço Social organizam um debate público sobre o Projeto de Revitalização da Área Portuária na PUC, na próxima segunda, dia 19, às 15 horas (Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea, auditório do RDC). A mesa será composta por dois vereadores - Aspásia Camargo (socióloga e presidente da Comissão do Plano Diretor) e Eliomar Coelho (engenheiro) - e um representante da Prefeitura (cujo nome ainda não foi confirmado).

É uma oportunidade única para ampliar o fórum de discussão sobre a cidade, e em particular discutir o projeto do Porto - e sua relação com o Plano Diretor, também em tramitação na Câmara - com dois dos representantes do Poder Legislativo mais envolvidos com o assunto, cujas visões são, em muitos aspectos, bem distintas.

O debate na PUC será precedido da apresentação amanhã, dia 15, às 19 horas, no IAB (R. do Pinheiro, 10, Flamengo), do projeto "Porto Maravilha" pelo arquiteto Antonio Correa, da Secretaria Municipal de Urbanismo.
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Alguns comentários que recebi depois da última postagem merecem ser destacados:

João Pedro Backheuser diz que erro ao vincular a licitação por técnica e preço a uma dependência ou submissão dos projetistas às construtoras. E esclarece: "Se a licitação for para projeto executivo, quando a construtora entra o projeto está pronto e só será alterado com o aval da fiscalização, o que muitas vezes acontece. O melhor seria os arquitetos serem contratados para a fiscalização. O que tem acontecido muito, não sei se é o caso do Porto, é da contratação pela prefeitura ser apenas para projeto básico, ficando o executivo por conta da construtora. Aí sim o projeto sofre riscos."

Ele também indica o site dos arquitetos - mineiros - responsáveis pelos projetos das Olimpíadas:
http://www.bcmfarquitetos.com/dinamico/index.html.

Já a Adriana Sansão diz que o projeto da Cidade do Samba não é do Paulo Casé, mas "de um indivíduo que se chama Victor Wanderley".
Waaal! Isso é que é quebra-cabeça!

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Projeto, Técnica e Preço / Pelo que pude apurar até aqui, são estes os autores dos principais projetos aprovados para a área portuária:

. Pier Mauá: eng. Sergio Dias (Secretário Municipal de Urbanismo)
. Restauração do Palacete D.Pedro II, na Praça Mauá: arq. Alcides Horácio Azevedo
. AquaRio: arq. Alcides Horácio Azevedo
. Reurbanização da Praça Mauá: arq. Paulo Casé e Ambiental
. Reurbanização do Morro da Conceição: arq. Flávio Ferreira
. Ciclovia MAM/Praça Mauá: Archi 5
. Reurbanização ruas Sacadura Cabral e Livramento: Fábrica Arquitetura
. Ligação viária Porto/Presidente Vargas e urbanização Santo Cristo/Gamboa: Mayerhofer & Toledo
. Nova Estação de Passageiros e reconversão dos Armazéns 4, 3, 2 , 1, atual prédio da ESMAPA e prédio do Touring: Toledo & Associados
. Reurbanização dos Morros da Saúde, Gamboa, Livramento e Morro do Pinto: Mayerhofer & Toledo (Livramento), Archi 5 (Saúde e Gamboa) e Arquitraço (Pinto).
. Reurbanização das ruas Senador Pompeu, Barão de São Felix, Acre e Leandro Martins: Fábrica Arquitetura (Senador Pompeu e Barão de São Felix) e Lopes Santos e Ferreira Gomes Arquitetos ( Rua do Acre e Leandro Martins)

Além disso, já encontram-se em funcionamento:
. a reconversão do Armazém Pedro II, ocupado pela Ação da Cidadania: arq. Hélio Pellegrino.
. a Cidade do Samba, no antigo Pátio da Estação Marítima da RFFSA (um dos maiores terrenos da região, adquirido pela Prefeitura em 2002): arq. Paulo Casé.

Há ainda projetos desenvolvidos pela equipe do Instituto Pereira Passos e obras já inauguradas cujos autores desconheço, como a Vila Olímpica da Gamboa. E é possível também que eu tenha esquecido qualquer coisa.

Até onde eu sei, à parte o primeiro, os demais projetos foram herdados do tempo em que o atual vereador Alfredo Sirkis foi Secretário de Urbanismo, entre 2001 e 2005. Nenhum dos projetos de intervenção pública foi objeto de licitação dentro da modalidade de concurso público (aberto, no caso, a qualquer arquiteto e/ou escritório de arquitetura com registro profissional em dia). A maioria resultou de processo licitatório de tipo "técnica e preço" (também regulado pela lei federal n° 8.666/93, porém destinado a escolher a proposta mais "vantajosa" para a administração pública com base na maior média ponderada, considerando-se as notas obtidas nas propostas de preço e de técnica. O que, a rigor, não tem nada de ilegal nem de anti-ético, embora signifique, na prática, limitação da participação dos arquitetos e urbanistas e submissão de seus projetos à ordem das empreiteiras e construtoras.)

A única exceção, pelo que sei, foi um concurso de idéias realizado há cinco anos para o tratamento acústico e paisagístico da Perimetral, vencido por Ricardo Shiniti Kawamoto - e depois engavetado.

Por favor me corrijam (e me perdoem) se houver qualquer erro. Neste momento, é preciso recolher informações dispersas e juntar as peças pacientemente, como num quebra-cabeças de milhares e milhares de peças que parece nunca ter fim.

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Quem segue aos seus... / Lido hoje, parece um tanto premonitório o artigo que Otavio Leonidio escreveu em dezembro passado, pouco antes que o prefeito recém-eleito anunciasse o nome do novo Secretário de Urbanismo: http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc241/mc241.asp
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Não, não é do Paulo Casé o projeto do Pier Mauá, com seu arco triunfal e jeitão de pracinha do interior. O autor é o próprio Secretário Municipal de Urbanismo, engenheiro Sergio Dias, cujo currículo de projetos inclui a Vila do Pan e o shopping Via Parque, ambos na Barra da Tijuca, além do Rio Orla e do Parque da Xuxa.
A informação foi dada pelo arquiteto Antonio Correia, Coordenador Geral de Projetos Especiais da Secretaria Municipal de Urbanismo, no primeiro debate sobre o "Porto Maravilha" na PUC, terça-passada, diante de uma platéia atônita.
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Para quem ainda não viu, esta aí o filme oficial de apresentação do "Porto Maravilha".


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A cara do Rio / A prefeitura, o Comitê Organizador da Rio 2016 e o Instituto de Arquitetos do Brasil assinaram convênio hoje para a escolha do "Marco Olímpico do Rio", que deve ser objeto de concurso internacional a ser lançado até o final do ano. O júri será composto por membros do IAB e da prefeitura e deve escolher o símbolo "que melhor representa o espírito olímpico e que tenha a cara do Rio". É o primeiro e único concurso anunciado pela prefeitura até agora.
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Porto, Pós, Para onde? / Ele diz que eu sou modernista, eu digo que ele é pós-modernista. Nosso ponto de discórdia fundamental está na leitura que fazemos da arquitetura moderna. Mas a verdade é que conheço poucos arquitetos, no Rio, que têm um olhar para a cidade como Flavio Ferreira. E que são abertos ao debate como ele. Sua crítica ao atual projeto de revitalização da área portuária foi uma contribuição importante para o seminário "Porto do Rio: Para Onde?", realizado no Curso de Arquitetura da PUC na terça passada, em que se discutiu o projeto "Porto Maravilha" (apresentado pelo arquiteto Antonio Correia, da Secretaria de Urbanismo, depois de um histórico da área feito pelo arq. Augusto Ivan Freitas Pinheiro). Passados dois dias, recebo o texto abaixo, que resume o teor das críticas de Flavio ao projeto. Penso que ele tem razão sobretudo no que diz respeito à defesa da preservação da paisagem natural, tão emblemática do Rio.

"PORTO DO RIO: O PESADO E O LEVE / Flavio Ferreira

Dos anos vinte aos anos setenta do século passado prevaleceu entre os urbanistas o entendimento de que as cidades existentes eram todas erradas e consequentemente, deveriam ser gradativamente demolidas e reconstruídas a partir do zero, seguindo as prescrições da época do que seria uma boa cidade: um grande gramado sobre o qual pairavam, sobre pilotis, edifícios altos, brancos como a neve...

O projeto de Le Corbusier para o centro de Paris, o Plan Voisin de 1925, felizmente não construído, é um dos primeiros exemplos desta atitude. A segunda melhor solução era abandonar a cidade existente ao léu e construir expansões gigantescas com os edifícios altos sobre o verde. O projeto de Lucio Costa para Barra da Tijuca, dos anos 60, é um bom exemplo desta atitude.

No mundo inteiro “a cidade alta no parque” mostrou-se desagregadora, sem lugares de convívio, favorecendo a exclusão e não a inclusão, a alienação e a delinqüência e não a cultura, a monotonia e não a diversidade.
Além disso, era cara de se construir e difícil de se manter.
As cidades dos Estados Unidos, que tem recursos para corrigir grandes erros, tem demolidos seus trechos de “cidade alta no parque”. A partir dos anos 70, em todo o mundo, este paradigma foi refutado.

Descobre-se que a cidade existente, embora cheia de problemas, tem suas qualidades e suas grandezas e os urbanistas voltam-se para ela e, delicadamente, a reformam, a restauram, dão-lhe mais vida. Retoma-se a pequena escala.

São exemplos no Rio dessa atitude frente às cidades, a de intervenção de pequena escala: o Corredor Cultural de Augusto Ivan e seus companheiros; a melhoria das ruas tradicionais que no Rio se denominaram Projetos Rio-Cidade, desencadeados por Luiz Paulo Conde; as melhorias em áreas carentes aqui designadas Projetos Favela-Bairro, liderados por Sergio Magalhães; a adaptação de edifícios antigos como o Centro Cultural Banco do Brasil e a sede dos Correios; o retrofit de diversos grandes edifícios de escritório no centro da cidade como a antiga sede da Sul América na Rua da Quitanda, de Fernando Monte e da antiga sede da Esso na Avenida Presidente Wilson de Davino Pontual e Paulo Pires; o cuidadoso restauro de diversos palácios, como o da antiga sede da Casa da Moeda para o Arquivo Nacional de Alfredo Britto, o último sendo o restauro do Palácio Imperial na Quinta da Boa Vista. Esses exemplos indicam o muito que se pode fazer seguindo essa vertente predominante do urbanismo e da arquitetura contemporânea.

Não é que agora, em 2009, o projeto “Porto Maravilha” da Prefeitura volta atrás 40 anos e propõe para a área do Porto um plano que leva à destruição da maioria do volume edificado na área e sua reposição por edifícios e altos?

Faz isso ao legislar, quarteirão a quarteirão, a construção de edifícios enormes, os maiores podendo ter 12 vezes a área do terreno, e com altura de até 50 andares. Com esta legislação esses terrenos serão vendidos em hasta pública para a iniciativa privada.

Alem de destruir a maior parte das construções existentes no Porto, os novos edifícios escondem o perfil dos pequenos morros que separam o Porto da Avenida Presidente Vargas e, mais grave, a bela paisagem da grande cordilheira da qual o Corcovado é o elemento mais importante.

Quando viemos da Zona Norte, do interior ou do Galeão, nos sentimos no coração do Rio quando, junto ao Gasômetro, contemplamos de perto o Cristo e o perfil de toda a sua cordilheira. Com o “Porto Maravilha” esta experiência visual maravilhosa estará perdida para sempre.

Legislar muito denso e muito alto tem um outro grave inconveniente: atrasa a consolidação da área. Não há economia urbana suficiente para construir os edifícios grandes de pronto. Terá que haver especulação os terrenos ficarão desocupados por décadas e enquanto isso o Porto continuará vazio.

O projeto deveria enfatizar a reforma, o retrofit, o restauro do existente. Com um olhar contemporâneo lá se vê uma infinidade de oportunidades para este tipo de aproveitamento. O Porto se consolidaria rapidamente e ficaria, já agora, muito mais interessante e vivo. Os melhores exemplos de projetos bem sucedidos hoje são os que enfatizam a preservação e não a demolição e construção de edifícios altos, principalmente nas áreas portuárias.

O primeiro projeto de renovação portuária, no Haymarket em Boston e o Porto Madero em Buenos Aires são disso um bom precedente. No Rio já há alguns exemplos de projetos desse tipo: o pioneiro uso de armazéns do Porto para sede de uma empresa, a Xerox, um retrofit feito nos anos 70 por Pontual Associados; o Parque das Ruínas em Santa Teresa, elegante conjunção entre o velho e o novo, do impecável veterano Ernani Freire; o Museu do Telefone no Flamengo, que preserva seu exterior e revoluciona os seus interiores, do jovem arquiteto Gustavo Martins e seus sócios; a Galeria Progetti na Travessa do Comércio, que cria, com maestria, um pequeno espaço em planta mas altíssimo, do jovem arquiteto Pedro Rivera, são pequenas amostras do que pode ser feito em grande no Porto.

O Porto necessita do talento desses e de outros arquitetos cariocas. Tanto dos muito jovens já com experiência, quanto dos poucos veteranos que compreendem a contemporaneidade.

Com a corretíssima transferência dos principais equipamentos olímpicos para a área do porto como a Vila Olímpica, o “Porto Maravilha” terá que ser reformulado. É um bom momento para refazê-lo leve, coerente com a contemporaneidade e não como um pesado Brucutu do meio do século passado.

Para induzir o retrofit basta que o volume legislado seja igual ao volume já construído e preservados os alinhamentos de fachada existentes. Pode e deve haver exceções, como torres finas e altas, mas de forma que não interfiram na bela paisagem. O Urbanismo é tridimensional: é necessário que se façam planos de massa e simulações tridimensionais do novo e do todo. Em seguida vendem-se os imóveis em hasta pública. Nisso o “Porto Maravilha” está certo: a venda dos imóveis e a conseqüente e indispensável participação da iniciativa privada."
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Olimpíadas sim, mas onde? / Faz sentido pulverizar as instalações olímpicas pela cidade e implantar boa parte delas na zona oeste, enquanto a própria prefeitura anuncia como prioritária a revitalização da área portuária? A discussão vem ganhando fôlego nos últimos dias, desde que o arquiteto Sergio Magalhães publicou um artigo (Folha de S. Paulo), seguido de uma entrevista (O Globo), propondo a concentração dos investimentos na área central. Ele argumenta que, sob vários aspectos, é mais apropriado concentrar os investimentos numa área só do que espalhar equipamentos pela cidade, como prevê a proposta apresenta ao COI. E lembra que quando a proposta olímpica foi apresentada não havia como garantir o aproveitamento dos terrenos públicos ociosos localizados na área portuária, o que se tornou possível agora com o alinhamento - inédito, para o Rio - entre as três esferas de governo. É um argumento forte, a ser considerado com a seriedade que o momento exige. Em todo caso, a área portuária pode e deve ser mais do que apenas um cais para navios-hotéis flutuantes (com 8.500 quartos), conforme prevê o projeto olímpico original.

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Uma oportunidade, muitos desafios / Será a primeira Olimpíada a ser realizada na América do Sul, o que para muitos já é motivo suficiente para comemoração. Mas o Rio também sediará a abertura dos jogos da Copa do Mundo, em 2014, o que explica a onda de otimismo - e mesmo euforia - que vem tomando a cidade desde sexta-feira passada.

Somados a outros projetos urbanísticos propostos ou já em andamento – como a revitalização da zona portuária, numa área central que compreende cerca de 5 milhões de m2 – a realização quase simultânea dos dois eventos esportivos deverá de fato definir uma transformação profunda da cidade nos próximos anos, capaz de reverter a enorme degradação que o Rio vem sofrendo nos últimos 50 anos, desde que a capital foi transferida para Brasília.

Não resta dúvida, portanto, de que estamos diante de uma oportunidade única. O que dizer, no entanto, do modo como projetos de tamanho impacto – em termos urbanísticos, econômicos, sociais e ambientais – vem sendo tratados? Por que motivo todas essas operações tem se caracterizado, por ora, tanto pela imposição de projetos altamente questionáveis, do ponto de vista da sua contribuição arquitetônica e urbanística, quanto pela ausência de diálogo com a maior parte da população direta ou indiretamente afetada? Com relação às Olimpíadas, mais uma vez não foi anunciado, nem sequer cogitado qualquer concurso público de projetos. Pelo contrário. As imagens que seguem enchendo as páginas dos jornais só mostram propostas medíocres, feitas claramente a toque de caixa, quase sempre anônimas ou assinadas por arquitetos cujo currículo sequer justifica o encargo. De acordo com o dossiê apresentado a imprensa pelo Comitê de Candidatura do Rio às Olimpíadas, quem assina o projeto da Vila Olímpica, por exemplo, é uma das maiores construtoras cariocas. Ora, como é que uma cidade marcada por tantos exemplares arquitetônicos reconhecidos internacionalmente permite que grandes projetos como esse sejam apócrifos? E pior: entregues a grandes empresas do ramo imobiliário que surgiram e se firmaram nas últimas décadas multiplicando empreendimentos de nenhuma qualidade arquitetônica e urbanística pela cidade?

Que venham as Olimpíadas, então. E com elas a reativação econômica da cidade, a reversão do esvaziamento do centro, a despoluição da Baía de Guanabara, o freio no desmatamento da Mata Atlântica e no crescimento das favelas, o equacionamento dos problemas de transporte, lixo e violência urbana. Mas também a valorização e a recuperação da arquitetura e do urbanismo de qualidade. Não pode ser muito esperar que as Olimpíadas deixem como legado, afinal, também a revitalização da arquitetura carioca, que já foi tão vigorosa – com Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Sergio Bernardes e muitos outros - mas hoje encontra-se em estado terminal.
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Experiência / "Um dos expoentes da arquitetura brasileira" e um "dos melhores arquitetos deste século, segundo enquete realizada pelo Jornal Gazeta do Povo do Paraná." Assim o arquiteto Paulo Casé se apresenta em seu site, em texto intitulado "Experiência" (http://paulocase.com.br/). E eu ainda me pergunto porquê ele assina tantos projetos importantes para a cidade, inclusive a reurbanização da Praça Mauá, na área portuária.


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Olimpíadas / Ganhamos! E agora? Que Rio teremos, daqui a 7 anos? Que Rio queremos, daqui a 7 anos?

Posto 10 / out 09

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Porto urgente 9 / Parece que os vereadores estão acordando. A segunda votação dos 3 projetos de lei do "Porto Maravilha", que deveria ter ocorrido na terça, foi adiada por falta de quórum. E no dia seguinte (ontem) surgiu uma enxurrada de novas emendas ao projeto (mais de 50!). O vereador Paulo Messina (PV), propôs, por exemplo, a criação de um "Circuito Histórico Cultural", que inclui, entre outras coisas, a recuperação dos pontos históricos da região e a construção de um espaço físico para atividades culturais diversas, com recursos da ordem de 3% dos CEPACs.

Tudo continua um tanto obscuro, mas com um pouco de paciência é possível acompanhar o calendário da tramitação dos projetos: