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as Olimpíadas, as Vargens e Lucio Costa /
O Ministério Público entrou com uma ação pedindo a suspensão da nova legislação urbanística que abrange uma extensa área na zona oeste da cidade, incluída no Plano Piloto de Lucio Costa (ao lado). O chamado PEU (Projeto de Estruturação Urbana) das Vargens compreende Vargem Grande, Vargem Pequena, Camorim, parte da Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Jacarepaguá - ou seja, uma área dotada de um riquíssimo ecossistema, já agredido pela urbanização acelerada e desordenada das últimas décadas, onde agora estão previstas várias instalações olímpicas.


O questionamento das normas em questão foi iniciado há mais de um ano, como se pode ver aqui:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/10.112/1825
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.116/3385



Vale a pena também ler (e reler) o Plano Piloto de Lucio Costa:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/10.116/3375

O texto (que é de 1969) começa com uma frase que soa ainda mais grave hoje: "O problema do aproveitamento da enorme área que se estende dos Campos e do Pontal de Sernambetiba até a Barra da Tijuca, abrangendo em profundidade a vasta baixada de Jacarepaguá, não é de fácil equacionamento."

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Parque Olímpico / Boa: o Comitê organizador das Olimpíadas no Rio voltou atrás e cancelou o edital do processo seletivo para o desenvolvimento dos projetos para o Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, depois que entidades como o IAB e o CREA se manifestaram publicamente contra a falta de transparência na condução do edital (divulgado apenas no site do Comitê) e o prazo apertado (8 semanas) definido para entrega dos projetos. O Comitê alega que o edital gerou uma "interpretação equivocada", e promete lançar novo edital em breve (atenção, candidatos!).

Eis a íntegra da nota do Comitê, postada ontem em seu site oficial:

"O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016 busca a transparência em todas as suas ações. Por isso, optou por divulgar os editais de processos seletivos em seu site oficial, que é consultado diariamente pela imprensa e pelo público em geral. Seguindo esta política de transparência, o Comitê Rio 2016 divulgou o edital do processo de seleção 014/2010 em seu site oficial em prazo compatível com a documentação exigida - portfólio, habilitação jurídica e qualificação econômico-financeira. Como já foi amplamente divulgado, o Comitê Rio 2016 não é responsável pela construção de instalações esportivas e, consequentemente, pela condução do processo de elaboração do projeto executivo das instalações esportivas. Ao Comitê Rio 2016 cabe apenas a elaboração do Manual Descritivo e do conceito do projeto, para garantir que todos os clientes dos Jogos (atletas, COI, Federações Internacionais, patrocinadores, serviços de saúde, alimentação estacionamento etc.) sejam devidamente contemplados no projeto executivo. Na página 4 do edital 014/2010 (item 2, letra D) está explícito que os seguintes itens estão excluídos do escopo: projeto básico (anteprojeto) de arquitetura; projeto legal, executivo, detalhamento, entre outros; projeto de paisagismo; e projetos complementares. Porém, por concluir que o texto do edital 014/2010 poderia induzir os leitores à interpretação equivocada de que o serviço solicitado seria a elaboração do projeto executivo das instalações esportivas, o Comitê Rio 2016 decidiu nesta quarta-feira, dia 8, CANCELAR o referido edital. Oportunamente, será lançado novo processo seletivo no site oficial do Rio 2016. Os participantes do processo cancelado deverão retirar seus envelopes B e C na sede do Comitê Organizador em horário comercial até o dia 17 de setembro de 2010".

A foto acima também foi extraída do site do Comitê, ao qual falta uma informação fundamental: o projeto original do Parque Olímpico é do escritório mineiro BCMF (dos arquitetos Bruno Campos, Marcelo Fontes e Silvio Todeschi). Aliás, o escritório foi recentemente premiado com Medalha de Ouro pela IAKS (International Association for Sports and Leisure Facilities) com o projeto para o Complexo Esportivo de Deodoro, construído para os Jogos Panamericanos no Rio, em 2007.
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A cara do Rio / A prefeitura, o Comitê Organizador da Rio 2016 e o Instituto de Arquitetos do Brasil assinaram convênio hoje para a escolha do "Marco Olímpico do Rio", que deve ser objeto de concurso internacional a ser lançado até o final do ano. O júri será composto por membros do IAB e da prefeitura e deve escolher o símbolo "que melhor representa o espírito olímpico e que tenha a cara do Rio". É o primeiro e único concurso anunciado pela prefeitura até agora.
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Olimpíadas sim, mas onde? / Faz sentido pulverizar as instalações olímpicas pela cidade e implantar boa parte delas na zona oeste, enquanto a própria prefeitura anuncia como prioritária a revitalização da área portuária? A discussão vem ganhando fôlego nos últimos dias, desde que o arquiteto Sergio Magalhães publicou um artigo (Folha de S. Paulo), seguido de uma entrevista (O Globo), propondo a concentração dos investimentos na área central. Ele argumenta que, sob vários aspectos, é mais apropriado concentrar os investimentos numa área só do que espalhar equipamentos pela cidade, como prevê a proposta apresenta ao COI. E lembra que quando a proposta olímpica foi apresentada não havia como garantir o aproveitamento dos terrenos públicos ociosos localizados na área portuária, o que se tornou possível agora com o alinhamento - inédito, para o Rio - entre as três esferas de governo. É um argumento forte, a ser considerado com a seriedade que o momento exige. Em todo caso, a área portuária pode e deve ser mais do que apenas um cais para navios-hotéis flutuantes (com 8.500 quartos), conforme prevê o projeto olímpico original.

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Uma oportunidade, muitos desafios / Será a primeira Olimpíada a ser realizada na América do Sul, o que para muitos já é motivo suficiente para comemoração. Mas o Rio também sediará a abertura dos jogos da Copa do Mundo, em 2014, o que explica a onda de otimismo - e mesmo euforia - que vem tomando a cidade desde sexta-feira passada.

Somados a outros projetos urbanísticos propostos ou já em andamento – como a revitalização da zona portuária, numa área central que compreende cerca de 5 milhões de m2 – a realização quase simultânea dos dois eventos esportivos deverá de fato definir uma transformação profunda da cidade nos próximos anos, capaz de reverter a enorme degradação que o Rio vem sofrendo nos últimos 50 anos, desde que a capital foi transferida para Brasília.

Não resta dúvida, portanto, de que estamos diante de uma oportunidade única. O que dizer, no entanto, do modo como projetos de tamanho impacto – em termos urbanísticos, econômicos, sociais e ambientais – vem sendo tratados? Por que motivo todas essas operações tem se caracterizado, por ora, tanto pela imposição de projetos altamente questionáveis, do ponto de vista da sua contribuição arquitetônica e urbanística, quanto pela ausência de diálogo com a maior parte da população direta ou indiretamente afetada? Com relação às Olimpíadas, mais uma vez não foi anunciado, nem sequer cogitado qualquer concurso público de projetos. Pelo contrário. As imagens que seguem enchendo as páginas dos jornais só mostram propostas medíocres, feitas claramente a toque de caixa, quase sempre anônimas ou assinadas por arquitetos cujo currículo sequer justifica o encargo. De acordo com o dossiê apresentado a imprensa pelo Comitê de Candidatura do Rio às Olimpíadas, quem assina o projeto da Vila Olímpica, por exemplo, é uma das maiores construtoras cariocas. Ora, como é que uma cidade marcada por tantos exemplares arquitetônicos reconhecidos internacionalmente permite que grandes projetos como esse sejam apócrifos? E pior: entregues a grandes empresas do ramo imobiliário que surgiram e se firmaram nas últimas décadas multiplicando empreendimentos de nenhuma qualidade arquitetônica e urbanística pela cidade?

Que venham as Olimpíadas, então. E com elas a reativação econômica da cidade, a reversão do esvaziamento do centro, a despoluição da Baía de Guanabara, o freio no desmatamento da Mata Atlântica e no crescimento das favelas, o equacionamento dos problemas de transporte, lixo e violência urbana. Mas também a valorização e a recuperação da arquitetura e do urbanismo de qualidade. Não pode ser muito esperar que as Olimpíadas deixem como legado, afinal, também a revitalização da arquitetura carioca, que já foi tão vigorosa – com Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Sergio Bernardes e muitos outros - mas hoje encontra-se em estado terminal.
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Chicagoans for Rio / Faltam menos de dois dias. Na sexta, finalmente será decidido onde serão realizadas as Olimpíadas de 2016: Rio, Chicago, Tóquio ou Madri? No Rio será ponto facultativo, e a Prefeitura organiza uma grande festa na Praia de Copacabana. Já em Chicago cresce um movimento contrário à candidatura da cidade. Preocupados com as consequências negativas dos jogos, muitos torcem...pelo Rio! Para provar a superioridade do Rio em relação a Chicago foi criado um site (http://www.chicagoansforrio.com/ ), e há vários vídeos circulando no Youtube. Será que ainda dá tempo de retribuir, com os "Cariocas por Chicago"?


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7 years from now / Tenho encontrado várias pessoas otimistas com relação ao futuro do Rio. O argumento é mais ou menos o mesmo: "ah, mas depois do Cesar Maia..."
Essas pessoas se surpreendem com a minha aflição, tanto quanto eu me surpreendo com o seu otimismo. Por isso comecei a me esforçar para pensar positivo. Afinal, de fato há muitas possibilidades em vista (até mesmo a conclusão das obras da Cidade da Música, anunciada esta semana pelo prefeito).
Mas aí alguém me mandou este vídeo. Então vocês me desculpem, mas eu vou voltar para o meu pessimismo. O contrário agora só pode ser conivência, ingenuidade ou ignorância.

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Vila Olímpica / Finalmente descobri quem assina o projeto da Vila Olímpica: não um arquiteto qualquer, como eu temia, mas a Carvalho Hosken, uma das maiores construtoras cariocas. Isso mesmo. Numa cidade que reúne tantos exemplares arquitetônicos reconhecidos internacionalmente, hoje, grandes projetos são apócrifos. E pior: entregues a grandes empresas do ramo imobiliário que surgiram e se firmaram nas últimas décadas multiplicando empreendimentos de nenhuma qualidade arquitetônica e urbanística pela cidade.

Os dados gerais sobre a Vila Olímpica – a ser construída com financiamento do governo federal - constam do dossiê apresentado a imprensa pelo Comitê de Candidatura do Rio de Janeiro à sede das Olimpíadas de 2016, cuja versão digital está disponível desde ontem no site http://www.rio2016.org.br. Ali estão várias perspectivas do conjunto, implantação, corte e plantas das unidades. Nenhum crédito a arquitetos, porém. O projeto é simplesmente atribuído à construtora carioca, que é destacada no dossiê por ter recebido prêmio “Hors concours” em desenvolvimento urbano por seu projeto para a área da Península, também na Barra da Tijuca.

Será então que estou desinformada? Sei que Fernando Chacel dedicou-se muito ao projeto paisagístico da Península, mas sei também que ele sofreu (e sofre) muito com o rumo que o projeto tomou. Mesmo assim sinto-me na obrigação de buscar esclarecimento e consulto o site da Carvalho Hosken (http://www.carvalhohosken.com.br), onde verifico que a honraria em questão é o “Prêmio Master Imobiliário 2006”, atribuído pela Federação Internacional das Profissões Imobiliárias (FIABCI/Brasil) e o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo (SECOVI/SP) e tido como “um verdadeiro Oscar do mercado imobiliário nacional”.

Não satisfeita, procuro informações sobre outro dos grandes empreendimentos da empresa (também na Barra, onde se concentram suas obras): o Rio2, anunciado no site da construtora como “o primeiro bairro verdadeiramente planejado da Barra”. Fico sabendo então que o Rio2 “mudou completamente os conceitos de qualidade de vida da época”, e “lançou todos os grandes diferenciais existentes hoje nos empreendimentos imobiliários da Barra - Salas VIP, hoje conceituadas por Espaços Lounge, Espaços Infantis Temáticos, hoje os chamados Espaços Kids e as imensas áreas verdes, hoje tão fundamentais no mercado imobiliário”.

Com franqueza, não me animo a avançar mais.
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Olimpíadas / Não leio os jornais do Rio. Perco alguns filmes, custo a descobrir um ou outro restaurante novo. Mas pelo menos resisto, como posso, ao assédio da Globo, e não me entrego ao saudosismo diante do finado Jornal do Brasil. Além disso, gosto da idéia de ver a minha cidade por meio de outras, sobretudo quando a outra é São Paulo. Só que a distribuição dos jornais paulistas por aqui é tão ruim que muitas vezes só os leio no dia seguinte. Foi assim que fiquei sabendo, hoje cedo, que o "Rio ganhará centro olímpico mesmo sem Olimpíada" (Folha de São Paulo, caderno Esporte, p. 5). A matéria tem um tom denunciatório: “O novo complexo será construído em cima do antigo autódromo de Jacarepaguá. Mesmo local que já abriga três instalações construídas para o Pan e pouco usadas para desenvolver o esporte desde então.” Segundo o jornal, caso o Rio vença a disputa com Tóquio, Madrid e Chicago e venha a sediar as Olimpíadas de 2016, sequer o Parque Aquático Maria Lenk, “que custou R$ 75 milhões aos cofres públicos”, será aproveitado. Leio a matéria até o final, mas fico sem resposta para o que mais me interessa: quem vai projetar (ou está projetando) o centro olímpico? Gostaria de pensar que o prefeito recém-empossado terá a decência e a coragem de lançar um concurso público de projetos, o qual será conduzido de maneira exemplar pelo Instituto de Arquitetos local. Mas ninguém que tenha confiado a Secretaria de Urbanismo de uma cidade como o Rio ao engenheiro Sergio Dias (cujo currículo inclui o projeto da Vila Olímpica do Pan, aliás), poderá me fazer crer que os problemas arquitetônicos e urbanísticos desta cidade serão levados a sério. Pelo jeito, não só não haverá concurso (mais uma vez) como já temos um arquiteto escolhido, pelo menos para as novas arenas que devem começar a ser erguidas no meio do ano. Seria Carlos Porto, que assinou o projeto do “Engenhão”, também construído para o Pan? Ou Anibal Coutinho, que já investiu tanto no estudo das arenas esportivas? Ou quem sabe a própria equipe de Sergio Dias? “O valor e os detalhes do projeto serão divulgados no dia 13”, diz a Folha, "um dia após o Rio entregar seu dossiê de candidatura ao Comitê Olímpico Internacional." OK, esperarei até lá. Mas porque tanto sigilo? Será que a divulgação de um bom projeto (e/ou de um bom arquiteto) contaria contra a candidatura carioca? Erraram os japoneses, que se apressaram em declarar que pelo menos um de seus novos estádios deverá ser projetado por Tadao Ando?