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A cara do Rio / A prefeitura, o Comitê Organizador da Rio 2016 e o Instituto de Arquitetos do Brasil assinaram convênio hoje para a escolha do "Marco Olímpico do Rio", que deve ser objeto de concurso internacional a ser lançado até o final do ano. O júri será composto por membros do IAB e da prefeitura e deve escolher o símbolo "que melhor representa o espírito olímpico e que tenha a cara do Rio". É o primeiro e único concurso anunciado pela prefeitura até agora.
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Porto, Pós, Para onde? / Ele diz que eu sou modernista, eu digo que ele é pós-modernista. Nosso ponto de discórdia fundamental está na leitura que fazemos da arquitetura moderna. Mas a verdade é que conheço poucos arquitetos, no Rio, que têm um olhar para a cidade como Flavio Ferreira. E que são abertos ao debate como ele. Sua crítica ao atual projeto de revitalização da área portuária foi uma contribuição importante para o seminário "Porto do Rio: Para Onde?", realizado no Curso de Arquitetura da PUC na terça passada, em que se discutiu o projeto "Porto Maravilha" (apresentado pelo arquiteto Antonio Correia, da Secretaria de Urbanismo, depois de um histórico da área feito pelo arq. Augusto Ivan Freitas Pinheiro). Passados dois dias, recebo o texto abaixo, que resume o teor das críticas de Flavio ao projeto. Penso que ele tem razão sobretudo no que diz respeito à defesa da preservação da paisagem natural, tão emblemática do Rio.

"PORTO DO RIO: O PESADO E O LEVE / Flavio Ferreira

Dos anos vinte aos anos setenta do século passado prevaleceu entre os urbanistas o entendimento de que as cidades existentes eram todas erradas e consequentemente, deveriam ser gradativamente demolidas e reconstruídas a partir do zero, seguindo as prescrições da época do que seria uma boa cidade: um grande gramado sobre o qual pairavam, sobre pilotis, edifícios altos, brancos como a neve...

O projeto de Le Corbusier para o centro de Paris, o Plan Voisin de 1925, felizmente não construído, é um dos primeiros exemplos desta atitude. A segunda melhor solução era abandonar a cidade existente ao léu e construir expansões gigantescas com os edifícios altos sobre o verde. O projeto de Lucio Costa para Barra da Tijuca, dos anos 60, é um bom exemplo desta atitude.

No mundo inteiro “a cidade alta no parque” mostrou-se desagregadora, sem lugares de convívio, favorecendo a exclusão e não a inclusão, a alienação e a delinqüência e não a cultura, a monotonia e não a diversidade.
Além disso, era cara de se construir e difícil de se manter.
As cidades dos Estados Unidos, que tem recursos para corrigir grandes erros, tem demolidos seus trechos de “cidade alta no parque”. A partir dos anos 70, em todo o mundo, este paradigma foi refutado.

Descobre-se que a cidade existente, embora cheia de problemas, tem suas qualidades e suas grandezas e os urbanistas voltam-se para ela e, delicadamente, a reformam, a restauram, dão-lhe mais vida. Retoma-se a pequena escala.

São exemplos no Rio dessa atitude frente às cidades, a de intervenção de pequena escala: o Corredor Cultural de Augusto Ivan e seus companheiros; a melhoria das ruas tradicionais que no Rio se denominaram Projetos Rio-Cidade, desencadeados por Luiz Paulo Conde; as melhorias em áreas carentes aqui designadas Projetos Favela-Bairro, liderados por Sergio Magalhães; a adaptação de edifícios antigos como o Centro Cultural Banco do Brasil e a sede dos Correios; o retrofit de diversos grandes edifícios de escritório no centro da cidade como a antiga sede da Sul América na Rua da Quitanda, de Fernando Monte e da antiga sede da Esso na Avenida Presidente Wilson de Davino Pontual e Paulo Pires; o cuidadoso restauro de diversos palácios, como o da antiga sede da Casa da Moeda para o Arquivo Nacional de Alfredo Britto, o último sendo o restauro do Palácio Imperial na Quinta da Boa Vista. Esses exemplos indicam o muito que se pode fazer seguindo essa vertente predominante do urbanismo e da arquitetura contemporânea.

Não é que agora, em 2009, o projeto “Porto Maravilha” da Prefeitura volta atrás 40 anos e propõe para a área do Porto um plano que leva à destruição da maioria do volume edificado na área e sua reposição por edifícios e altos?

Faz isso ao legislar, quarteirão a quarteirão, a construção de edifícios enormes, os maiores podendo ter 12 vezes a área do terreno, e com altura de até 50 andares. Com esta legislação esses terrenos serão vendidos em hasta pública para a iniciativa privada.

Alem de destruir a maior parte das construções existentes no Porto, os novos edifícios escondem o perfil dos pequenos morros que separam o Porto da Avenida Presidente Vargas e, mais grave, a bela paisagem da grande cordilheira da qual o Corcovado é o elemento mais importante.

Quando viemos da Zona Norte, do interior ou do Galeão, nos sentimos no coração do Rio quando, junto ao Gasômetro, contemplamos de perto o Cristo e o perfil de toda a sua cordilheira. Com o “Porto Maravilha” esta experiência visual maravilhosa estará perdida para sempre.

Legislar muito denso e muito alto tem um outro grave inconveniente: atrasa a consolidação da área. Não há economia urbana suficiente para construir os edifícios grandes de pronto. Terá que haver especulação os terrenos ficarão desocupados por décadas e enquanto isso o Porto continuará vazio.

O projeto deveria enfatizar a reforma, o retrofit, o restauro do existente. Com um olhar contemporâneo lá se vê uma infinidade de oportunidades para este tipo de aproveitamento. O Porto se consolidaria rapidamente e ficaria, já agora, muito mais interessante e vivo. Os melhores exemplos de projetos bem sucedidos hoje são os que enfatizam a preservação e não a demolição e construção de edifícios altos, principalmente nas áreas portuárias.

O primeiro projeto de renovação portuária, no Haymarket em Boston e o Porto Madero em Buenos Aires são disso um bom precedente. No Rio já há alguns exemplos de projetos desse tipo: o pioneiro uso de armazéns do Porto para sede de uma empresa, a Xerox, um retrofit feito nos anos 70 por Pontual Associados; o Parque das Ruínas em Santa Teresa, elegante conjunção entre o velho e o novo, do impecável veterano Ernani Freire; o Museu do Telefone no Flamengo, que preserva seu exterior e revoluciona os seus interiores, do jovem arquiteto Gustavo Martins e seus sócios; a Galeria Progetti na Travessa do Comércio, que cria, com maestria, um pequeno espaço em planta mas altíssimo, do jovem arquiteto Pedro Rivera, são pequenas amostras do que pode ser feito em grande no Porto.

O Porto necessita do talento desses e de outros arquitetos cariocas. Tanto dos muito jovens já com experiência, quanto dos poucos veteranos que compreendem a contemporaneidade.

Com a corretíssima transferência dos principais equipamentos olímpicos para a área do porto como a Vila Olímpica, o “Porto Maravilha” terá que ser reformulado. É um bom momento para refazê-lo leve, coerente com a contemporaneidade e não como um pesado Brucutu do meio do século passado.

Para induzir o retrofit basta que o volume legislado seja igual ao volume já construído e preservados os alinhamentos de fachada existentes. Pode e deve haver exceções, como torres finas e altas, mas de forma que não interfiram na bela paisagem. O Urbanismo é tridimensional: é necessário que se façam planos de massa e simulações tridimensionais do novo e do todo. Em seguida vendem-se os imóveis em hasta pública. Nisso o “Porto Maravilha” está certo: a venda dos imóveis e a conseqüente e indispensável participação da iniciativa privada."
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Olimpíadas sim, mas onde? / Faz sentido pulverizar as instalações olímpicas pela cidade e implantar boa parte delas na zona oeste, enquanto a própria prefeitura anuncia como prioritária a revitalização da área portuária? A discussão vem ganhando fôlego nos últimos dias, desde que o arquiteto Sergio Magalhães publicou um artigo (Folha de S. Paulo), seguido de uma entrevista (O Globo), propondo a concentração dos investimentos na área central. Ele argumenta que, sob vários aspectos, é mais apropriado concentrar os investimentos numa área só do que espalhar equipamentos pela cidade, como prevê a proposta apresenta ao COI. E lembra que quando a proposta olímpica foi apresentada não havia como garantir o aproveitamento dos terrenos públicos ociosos localizados na área portuária, o que se tornou possível agora com o alinhamento - inédito, para o Rio - entre as três esferas de governo. É um argumento forte, a ser considerado com a seriedade que o momento exige. Em todo caso, a área portuária pode e deve ser mais do que apenas um cais para navios-hotéis flutuantes (com 8.500 quartos), conforme prevê o projeto olímpico original.

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Uma oportunidade, muitos desafios / Será a primeira Olimpíada a ser realizada na América do Sul, o que para muitos já é motivo suficiente para comemoração. Mas o Rio também sediará a abertura dos jogos da Copa do Mundo, em 2014, o que explica a onda de otimismo - e mesmo euforia - que vem tomando a cidade desde sexta-feira passada.

Somados a outros projetos urbanísticos propostos ou já em andamento – como a revitalização da zona portuária, numa área central que compreende cerca de 5 milhões de m2 – a realização quase simultânea dos dois eventos esportivos deverá de fato definir uma transformação profunda da cidade nos próximos anos, capaz de reverter a enorme degradação que o Rio vem sofrendo nos últimos 50 anos, desde que a capital foi transferida para Brasília.

Não resta dúvida, portanto, de que estamos diante de uma oportunidade única. O que dizer, no entanto, do modo como projetos de tamanho impacto – em termos urbanísticos, econômicos, sociais e ambientais – vem sendo tratados? Por que motivo todas essas operações tem se caracterizado, por ora, tanto pela imposição de projetos altamente questionáveis, do ponto de vista da sua contribuição arquitetônica e urbanística, quanto pela ausência de diálogo com a maior parte da população direta ou indiretamente afetada? Com relação às Olimpíadas, mais uma vez não foi anunciado, nem sequer cogitado qualquer concurso público de projetos. Pelo contrário. As imagens que seguem enchendo as páginas dos jornais só mostram propostas medíocres, feitas claramente a toque de caixa, quase sempre anônimas ou assinadas por arquitetos cujo currículo sequer justifica o encargo. De acordo com o dossiê apresentado a imprensa pelo Comitê de Candidatura do Rio às Olimpíadas, quem assina o projeto da Vila Olímpica, por exemplo, é uma das maiores construtoras cariocas. Ora, como é que uma cidade marcada por tantos exemplares arquitetônicos reconhecidos internacionalmente permite que grandes projetos como esse sejam apócrifos? E pior: entregues a grandes empresas do ramo imobiliário que surgiram e se firmaram nas últimas décadas multiplicando empreendimentos de nenhuma qualidade arquitetônica e urbanística pela cidade?

Que venham as Olimpíadas, então. E com elas a reativação econômica da cidade, a reversão do esvaziamento do centro, a despoluição da Baía de Guanabara, o freio no desmatamento da Mata Atlântica e no crescimento das favelas, o equacionamento dos problemas de transporte, lixo e violência urbana. Mas também a valorização e a recuperação da arquitetura e do urbanismo de qualidade. Não pode ser muito esperar que as Olimpíadas deixem como legado, afinal, também a revitalização da arquitetura carioca, que já foi tão vigorosa – com Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Sergio Bernardes e muitos outros - mas hoje encontra-se em estado terminal.
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Experiência / "Um dos expoentes da arquitetura brasileira" e um "dos melhores arquitetos deste século, segundo enquete realizada pelo Jornal Gazeta do Povo do Paraná." Assim o arquiteto Paulo Casé se apresenta em seu site, em texto intitulado "Experiência" (http://paulocase.com.br/). E eu ainda me pergunto porquê ele assina tantos projetos importantes para a cidade, inclusive a reurbanização da Praça Mauá, na área portuária.


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Olimpíadas / Ganhamos! E agora? Que Rio teremos, daqui a 7 anos? Que Rio queremos, daqui a 7 anos?

Posto 10 / out 09

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Porto urgente 9 / Parece que os vereadores estão acordando. A segunda votação dos 3 projetos de lei do "Porto Maravilha", que deveria ter ocorrido na terça, foi adiada por falta de quórum. E no dia seguinte (ontem) surgiu uma enxurrada de novas emendas ao projeto (mais de 50!). O vereador Paulo Messina (PV), propôs, por exemplo, a criação de um "Circuito Histórico Cultural", que inclui, entre outras coisas, a recuperação dos pontos históricos da região e a construção de um espaço físico para atividades culturais diversas, com recursos da ordem de 3% dos CEPACs.

Tudo continua um tanto obscuro, mas com um pouco de paciência é possível acompanhar o calendário da tramitação dos projetos:



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Chicagoans for Rio / Faltam menos de dois dias. Na sexta, finalmente será decidido onde serão realizadas as Olimpíadas de 2016: Rio, Chicago, Tóquio ou Madri? No Rio será ponto facultativo, e a Prefeitura organiza uma grande festa na Praia de Copacabana. Já em Chicago cresce um movimento contrário à candidatura da cidade. Preocupados com as consequências negativas dos jogos, muitos torcem...pelo Rio! Para provar a superioridade do Rio em relação a Chicago foi criado um site (http://www.chicagoansforrio.com/ ), e há vários vídeos circulando no Youtube. Será que ainda dá tempo de retribuir, com os "Cariocas por Chicago"?




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Bossa Nova / Em resposta ao movimento em defesa do painel de Aluísio Carvão, o arquiteto Alfredo Brito, parceiro de Jaime Lerner no projeto do Parque da Bossa Nova, enviou-me informações esclarecedoras sobre o destino a ser dado à obra. Segundo os arquitetos, "o painel será objeto de restauração e ficará localizado na parte interna do Parque, na base dos muros de arrimo existentes, servindo como pano de fundo do conjunto arquitetônico" projetado. As imagens estão aí.

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Porto urgente 8 / Enfim está disponível na Internet o PowerPoint sobre a revitalização da zona portuária, apresentado recentemente em audiências públicas pelos técnicos da Prefeitura:

O material foi disponibilizado dentro do excelente site do Plano Diretor que acaba de ser criado pela Câmara Municipal, onde é possível acessar documentos, seguir a tramitação e manter-se informado sobre o calendário das audiências públicas relativas ao Plano Diretor:


Quem quiser pode até manter-se conectado via Twitter: planodiretor_rj
É um avanço e tanto, sem dúvida. O que ainda não dá para entender é porque o material sobre o Porto - que não detalha nada, mas ajuda a entender a dimensão do projeto - foi disponibilizado, por ora, apenas dentro do site do Plano Diretor, se justamente está sendo tocado à sua revelia. E por que os sites da Prefeitura (sobretudo da Secretaria de Urbanismo e do Instituto Pereira Passos) permanecem tão silenciosos, vagos e defasados com relação a um projeto que é sua cria?

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Porto urgente 7 / Eu até que me esforço, mas não consigo escrever sobre outra coisa. Soube há pouco que os 3 projetos de lei relativos à zona portuária foram aprovados hoje, em primeira discussão, pela Câmara dos Vereadores. De acordo com o calendário divulgado pela própria Câmara, o prazo regimental para emissão dos pareceres das diferentes Comissões à emenda n. 1 se estenderia por quase 3 meses, até o início de dezembro. Mas em menos de 10 dias todas as Comissões - ágeis como nunca - emitiram pareceres contrários à emenda e o projeto voltou à votação, tendo sido aprovado imediatamente.

E ainda há quem diga que isso não sai do papel.



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Porto, NY / Assim como o Rio, Nova York sofreu com o esvaziamento do seu porto a partir dos anos 60-70. Lá, no entanto, o poder público tem investido muito nos últimos anos na revitalização da zona portuária. Sexta, dia 25, às 17 horas, o arquiteto Gregg Pasquarelli (SHoP architects), apresenta seu projeto para revitalização de uma área próxima a Brooklyn Bridge, na margem do East River. A palestra será no recém-reaberto CAU/Centro de Arquitetura e Urbanismo (Rua São Clemente, 117 - Botafogo), e pode ser uma boa oportunidade para discutir intervenções contemporâneas em áreas portuárias.




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Meninos que voam / Nem tudo é degradação e abandono nos galpões e instalações industriais da área portuária. No final de semana passado um grupo de estudantes de arquitetura, artes e design ocupou as antigas instalações da Fábrica Bhering (leia-se balas Toffee), em Santo Cristo, com uma exposição dos seus trabalhos que ficou na memória de quem esteve lá.
Mais perto da rodoviária, o Galpão Aplauso vem abrigando eventos e ações ligadas ao teatro, ao cinema e ao esporte. Voando alto e bonito, os meninos fazem uma versão carioca da série "Men in the cities", de Robert Longo.


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Porto urgente 6 / Amanhã, às 20 horas, governador e prefeito estarão juntos na Bienal do Livro, falando sobre o "Rio que sonham". Certamente isso inclui o projeto "Porto Maravilha". O evento, que é organizado pela Light e pelo Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS) será realizado no stand da Light (corredor M6 do pavilhão verde do Riocentro). Tem também audiência pública sobre o projeto no Instituto Nacional de Tecnologia, às 18:30 (Av Venezuela, 82, auditório do quarto andar).
Cabe dizer que o projeto de lei que modifica o Plano Diretor e institui a operação urbana consorciada já entrou na pauta de votação da Câmara ontem, mas acabou saindo da ordem do dia em função de uma primeira emenda ao projeto, apresentada pelo Vereador Eliomar Coelho (PSOL).


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Porto urgente 5 / Paulo Casé é uma espécie de arquiteto oficial da prefeitura há anos. Por algum motivo que desconheço, ele atravessa diferentes administrações e continua a ser frequentemente encarregado de algum projeto público. Todos importantes, do ponto de vista da cidade. Todos infames, do ponto de vista da arquitetura. Basta ver, por exemplo, a Cidade do Samba, na Gamboa, e a Cidade da Criança, em Santa Cruz. Pois fiquei sabendo ontem que é dele também um dos projetos com os quais a prefeitura pretende revitalizar a área portuária. Deve ser porque seu currículo inclui ainda o obelisco de Ipanema, cuja "passarela" a própria prefeitura demoliu recentemente, sob aplausos (ver post 19, de 30.08.09).
Outros envolvidos em projetos públicos na área portuária, pelo que soube, são o arquiteto Flavio Ferreira e a Fábrica Arquitetura.
Nenhum concurso público foi anunciado até agora.
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Porto urgente 4 / A próxima audiência pública para apresentação do projeto de revitalização da zona portuária será dia 17, quinta próxima, às 18:30, no Instituto Nacional de Tecnologia (Av. Venezuela, 82, quarto andar). Antes disso (dias 14 e 15, amanhã e terça, de 8:00 às 13:00) haverá um seminário no auditório do BNDES (Av.Chile, 100), promovido pelo Jornal do Brasil e pela Prefeitura, com apresentações de Felipe Góes, Washington Fajardo, Verena Andreatta, Jorge Bittar, Alfredo Sirkis, Augusto Ivan Pinheiro, André Urani, Alcides Horácio, José Conde Caldas e outros. Informações e inscrições pelo tel: 21 39231200 ou pelo email: conferencia@jb.com.br.
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Porto urgente 3 /
Eis aí as principais imagens relativas à fase 2 do projeto de revitalização da zona portuária. Segundo os técnicos do IPP, essas imagens - bem como dados mais detalhados sobre o projeto - só estarão disponíveis publicamente depois que a legislação em tramitação na Câmara municipal tiver sido aprovada.
Ora, não deveria ser justamente o contrário? O projeto não deveria estar sendo divulgado ao máximo e exposto em detalhes agora, na iminência da sua votação pelos vereadores? Por que sua publicação - o ato de tornar público - não vai além do escasso material apresentado em exposições breves e mal divulgadas?













































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Porto urgente 2 /
As imagens não são boas, mas valem pelo conteúdo. Afinal, são os primeiros slides da apresentação do Projeto Porto Maravilha na Câmara dos vereadores ontem, e se referem à fase 1 do projeto, já em andamento. Como se pode ver, o projeto inclui várias edificações novas e/ou reformadas, como o Aquario (projeto do arq. Alcides Horácio Azevedo, bancado pela iniciativa privada), a Escola Técnica de Audiovisual e Restauro (em galpões ferroviários existentes), o Museu do Amanhã (nos armazéns 5 e 6), a Pinacoteca (no edifício D.João VI) - os dois últimos, em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Também já foi aprovado o projeto da nova sede do Banco Central, um "green building" ao lado da Cidade do Samba. (sobre a fase 1, ver também
http://www.rio.rj.gov.br/ipp/03_Fase1.html). A segunda sequência de slides - relativa à fase 2, que depende da aprovação de três projetos de lei em tramitação na Câmara - estará aqui em breve.












































































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Porto urgente / Realizou-se esta manhã, na Câmara dos Vereadores, uma audiência pública sobre o projeto de revitalização da zona portuária carioca. O projeto - intitulado "Porto Maravilha" - foi apresentado pelo secretário extraordinário de Desenvolvimento Econômico, que é também o atual presidente do Instituto Pereira Passos, Felipe de Faria Góes. O público era enxuto: no momento de pico, cerca de 80 pessoas, entre vereadores (poucos) e funcionários da Casa (muitos), mais alguns arquitetos, geógrafos, professores, alunos e um pequeno número de lideranças comunitárias.

Vi a apresentação oficial da prefeitura pela primeira vez. E fiquei assustada, como outros que estavam ao meu lado, sobretudo com o caráter emergencial reiterado, tanto por parte dos representantes da prefeitura quanto dos vereadores, como justificativa para a necessidade de aprovação a todo custo do projeto. "Nós temos pressa", disse a vereadora Aspásia Camargo logo na abertura. Depois, a vereadora Clarissa Garotinho (sim, a filha, que é também presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Revitalização da Zona Portuária) insistiria que é preciso aprovar o projeto, "mesmo que seja fora do Plano Diretor".

O projeto envolve uma área de 5 milhões de m2 e é estruturado em 2 fases.

A primeira fase - já em andamento - depende exclusivamente de investimentos públicos (200 milhões de reais da Prefeitura), e compreende, basicamente, uma garagem subterrânea sob a Praça Mauá para 900 carros, a reurbanização do Morro da Conceição, a revitalização da Praça Mauá, a urbanização do Pier Mauá, o novo acesso viário ao Porto no Caju e a criação de 500 unidades habitacionais (de acordo com o projeto "Novas Alternativas").

A segunda fase é justamente a mais delicada, pois depende da aprovação dos vereadores. Ela envolve não só a alteração do Plano diretor (que na verdade, sequer foi aprovado ainda), como a criação de uma sociedade de economia mista destinada a comandar toda a operação (a CDURP- Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro), e a instituição da Operação urbana consorciada, pela qual será possível negociar solo criado por meio da venda dos CEPACs(Certificados de Potencional Adicional Construtivo). Isso significa um "potencial de construção adicional" da ordem de 4 milhões de m2, ou seja, um negócio altamente lucrativo (uma vez que cada CEPAC será vendido ao valor máximo de 400 Reais). Além disso, essa fase (que abrange uma área bem maior, compreendendo até a Av pres. Vargas e São Cristóvão, incluindo-se aí a área do Gasômetro), prevê a derrubada da Perimetral desde o Mosteiro de São Bento até a Rodoviária Novo Rio, a criação de vias adicionais (a mais importante delas, chamada de "Binário do Porto", em paralelo à av. Rodrigues Alves), a abertura de túneis e a instalação de um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) na av. Rodrigues Alves.

Ainda assim, pelo que pude verificar, não há muita preocupação em esclarecer a sociedade sobre detalhes do projeto. Pelo contrário. É evidente que um projeto de tamanha complexidade e impacto - que prevê, por exemplo, uma enorme densificação da área, que passaria de 20.000 para 100.000 habitantes - não pode ser compreendido em profundidade em 30 minutos, ainda mais num PowerPoint projetado - com as luzes acesas - sobre duas telas de dimensões quase caseiras e mal localizadas. Seria de se esperar, portanto, que houvesse qualquer material adicional disponível, ou um site no qual o projeto completo estivesse acessível. Nada disso. Foi divulgado apenas um email (portomaravilha@pcrj.gov.br). E só o que consegui saber - através de contato pessoal com o arq. Antonio Correa, do IPP - é que o material relativo à fase 2 será disponibilizado no site do IPP "depois de aprovado". Porque não antes, ele não disse.

O máximo que consegui, por ora, foi localizar - não sem algum esforço - os 3 projetos de lei em andamento, cujos links estão abaixo (atenção aos anexos, que contém os mapas e tabelas). Logo mais estarão aqui também as imagens que consegui captar do PowerPoint apresentado.

Projeto de Lei Complementar n. 25/2009:
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Das palavras para a ação / Vito Acconci é um artista nova-iorquino cujo trabalho mantém muitas relações produtivas com a arquitetura. Dentre seus trabalhos mais recentes, há uma parceria com Steven Holl no projeto da galeria Storefront, em Manhattan, e uma estranha ponte-ilha em Graz, Áustria, claramente influenciada por Buckminster Fuller.
Acconci foi um dos destaques do “Arte/Cidade Zona Leste”, série de intervenções urbanas realizadas em São Paulo em 2002. Seu trabalho consistiu numa intervenção arquitetônica num espaço urbano altamente degradado (Largo do Glicério), por meio da construção de uma inusitada "vila" suspensa, destinada a dar abrigo termporário a moradores de rua (ver http://www.pucsp.br/artecidade/novo/vito_int.htm). O tema da habitação móvel, aliás, tem sido bastante explorado por Acconci, em projetos como House of Cars (1983) e Mobile Linear City (1991).
Pois amanhã, sexta, às 19:30, Acconci estará no Oi Futuro (R. Dois de Dezembro, 63). “Das palavras para a ação para a arquitetura” é o título da sua palestra. Imperdível.

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Calendário / Recebi da vereadora Aspásia Camargo o calendário das próximas audiências públicas na Câmara de Vereadores: nesta sexta, às 9:30, será discutido o Projeto de Revitalização da Zona Portuária. Já o Plano Diretor será discutido em sessões temáticas assim organizadas: 14/09, 18:30, Transporte; 15/09, 9:30, Macrozoneamento e Desenvolvimento Econômico; 21/09, 9:30, Meio Ambiente; 22/09, 9:30, Saúde; 24/09, 9:30, Educação e Assistência Social; 29/09, 9:30, Turismo e Cultura; 01/10, 9:30, Habitação; 06/10, 9:30, Urbanismo. As reuniões são abertas a todos. Eu vou.






















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Carvão / Não éramos muitos mas lá estávamos, nesta manhã chuvosa, colando quadrados negros e expondo a ameaça que paira sobre o painel de Aluísio Carvão, na Lagoa-Barra. Alguns passantes olhavam intrigados. Outros compreenderam logo tudo, e acenaram.
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para alcides rocha miranda, em seu centenário

preciso ver de novo a igreja
que só eu vi
no alto da serra
será que ela ainda?
tenho vontade de lhe contar
tanto
nem tudo
o rio que você amava
tanto
eu mesma



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Paineiras / É o seguinte o resultado do Concurso do Hotel Paineiras: 1º Lugar: Guilherme Lemke Motta (SP); 2º Lugar: Cesar Shundi Iwamizu (SP); 3º Lugar: Filipe Gebrim Doria (SP); Menções Honrosas: João Pedro Backheuser (RJ); João Paulo Ferreira Payar (SP) e Marcelo de Souza Leão Santos (PE). Não vi ainda os projetos. Mas não posso deixar de me perguntar porque, entre tantos concorrentes (cerca de 100 equipes), só um escritório carioca foi destacado. Ao lado, uma prancha do seu projeto.

Posto 9 / set 09

1
Movida / A semana começou com o anúncio do resultado do concurso do Hotel Paineiras (vencido por Guilherme Lemke Motta, de São Paulo). Seguem-se, por estes dias, vários eventos ligados à Universidade de Columbia (a começar pela exposição "Rio Faíscas", na Rua da Carioca, 85, também inaugurada na segunda) e o seminário do Docomomo (este, no Ministério da Educação, com uma programação intensa que inclui palestras de convidados estrangeiros como Beatriz Colomina, Barry Bergdoll e Philippe Pannerai, e termina no sábado com visitas guiadas a obras emblemáticas da arquitetura moderna carioca: http://www.klam.com.br/8docomomo_brasil/).


19
Visconde de Pirajá, 30.ago.2009 / Domingo de sol. Antes ou depois da praia, muitos pararam para ver (e aplaudir) a demolição da falsa passarela de Paulo Casé, que por tanto tempo ofendeu Ipanema. Resta o obelisco, ou o que quer que seja.

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Atenção com o vão / Costumo propor aos meus alunos de "História das Cidades" que realizem curtas sobre o Rio. Não ofereço nenhum tipo de apoio técnico ou financeiro. Mesmo assim, alguns trabalhos me surpreendem: "Em cartaz", na coluna à esquerda, o filme feito por Julia, Paola e Yasmin no semestre passado.
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7 years from now / Tenho encontrado várias pessoas otimistas com relação ao futuro do Rio. O argumento é mais ou menos o mesmo: "ah, mas depois do Cesar Maia..."
Essas pessoas se surpreendem com a minha aflição, tanto quanto eu me surpreendo com o seu otimismo. Por isso comecei a me esforçar para pensar positivo. Afinal, de fato há muitas possibilidades em vista (até mesmo a conclusão das obras da Cidade da Música, anunciada esta semana pelo prefeito).
Mas aí alguém me mandou este vídeo. Então vocês me desculpem, mas eu vou voltar para o meu pessimismo. O contrário agora só pode ser conivência, ingenuidade ou ignorância.


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ENTRE / Francesco, Gabriel, Mariana e Valmir são estudantes de arquitetura da PUC-Rio. Com a cabeça cheia de interrogações sobre a prática contemporânea da arquitetura no Brasil e no mundo, eles se juntaram há alguns meses em torno de um projeto comum: entrevistar arquitetos atuantes e considerados referenciais, com o objetivo de aproximar-se do pensamento, das práticas e rotinas que movem um escritório de arquitetura hoje.

Em meados do semestre passado, eles pegaram um ônibus para São Paulo, de onde voltaram com três ótimas entrevistas (João Walter Toscano, Vinícius Andrade e Marcelo Morettin; Lua e Pedro Nitsche), as quais, somadas e editadas, deram início ao site ENTRE, lançado sem muito alarde em junho.

Agora o ENTRE põe na rede a primeira entrevista com arquitetos cariocas. Otavio Leonídio e João Pedro Backheuser (BLAC Arquitetura e Cidade) falam bastante do Rio de Janeiro, e com muita franqueza: questionam a Vila do Pan (do atual Secretário Municipal de Urbanismo, eng. Sergio Dias) e o Museu da Bossa Nova (do ex-prefeito de Curitiba, arq. Jaime Lerner), por exemplo, além de vários outros projetos recentemente executados ou em vias de se concretizar na cidade. A produção atual dos arquitetos cariocas, aliás, é definida como “uma desgraça”, provocada tanto pelo vácuo do ensino quanto pela postura de instituições como o IAB. E os termos dirigidos aos urbanistas cariocas não são menos eloqüentes. A discussão está aberta:
www.entre.arq.br

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Sábado / Tarde chuvosa e fria no Rio. Voltei ao CCBB para me despedir de Tatlin e Malevich. Depois toquei para a Caixa, onde Le Corbusier me esperava. Amanhã é domingo, depois acaba.

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FAÍSCAS / "Em 2014 o Brasil sediará a Copa do Mundo. O Rio de Janeiro é cidade candidata para os Jogos Olímpicos de 2016. O projeto de revitalização da área portuária parece finalmente estar deslanchando. Recentemente foi anunciada a construção do novo Museu da Imagem e do Som, em Copacabana. O poder público está intervindo novamente nas favelas. Novas perspectivas se abrem para a cidade. Como podemos participar destas transformações? Que papel a arte e o desenho devem desempenhar para a qualidade dos espaços urbanos? Que agendas e interfaces arte e arquitetura podem compartilhar no desenho e na apropriação da cidade? "

Essa é a pauta do encontro que acontece em breve - só para convidados - na Galeria Progetti, reunindo artistas, arquitetos e designers. No encontro, Mark Wigley, diretor da Escola de Arquitetura da Columbia University, de Nova York, deverá apresentar também os planos da escola para abrir uma base de trabalho e pesquisa no Brasil - possivelmente no Rio - já chamada de "Studio-X".

Na verdade, o Rio já tem sido objeto de alguns trabalhos realizados pelos alunos de Columbia, cujos projetos para o Morro da Conceição poderão ser vistos também em breve na exposição "Rio Faíscas", que abre dia 31 (segunda-feira) no Espaço Maria Teresa Vieira (Rua da Carioca, 85).















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Midiateca PUC-Rio / Acaba de sair a edição "International 2009" da prestigiosa revista japonesa GA (Global Architecture). Os projetos publicados - quase todos de caráter público e destinação cultural - são assinados por Rem Koolhaas (Centro de Artes Performáticas de Taipei, Taiwan), Tadao Ando (Water Charnel/Cemetry, Taiwan), Alejandro Aravena (Vitra Children Workshop, Weil am Rhein, Alemanha), Renzo Piano (Torre em Turim, Itália), Frank O. Gehry (Fundação Louis Vuitton, Paris), Zaha Hadid (Porto de Antuérpia), Álvaro Siza (Fundação Nadir Afonso, Chaves, Portugal) e Sanaa (Pavilhão Serpentine, Londres), entre outros.

A arquitetura brasileira está representada pela Midiateca da PUC-Rio, projeto do escritório paulistano SPBR Arquitetos (Angelo Bucci e equipe), vencedor de concurso realizado em 2006 e laureado em 2008 com o Prêmio Holcim Awards. O projeto - que deverá custar em torno de 50 milhões de Reais - foi aprovado pelo Ministério da Cultura (Lei Rouanet de Incentivo a Cultura) no final do ano passado, e está em fase de captação de recursos.
























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Sinais /
Percorro quase diariamente, há anos, os 500 metros, se tanto, que separam a PUC do Shopping da Gávea.
À falta de alternativas, sigo quase sempre pela mesma calçada. Mas de uns tempos para cá passei a enxergar estes pequenos sinais, que agora tornam meu percurso muito mais prazeroso.
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Mais do MIS / Está no ar a segunda e última parte do relato de Vitor Garcez sobre as apresentações dos projetos do concurso do MIS: www.riodjanira.blogspot.com

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High Line /
Muitos cariocas estão se perguntando quem são, afinal, os autores do projeto vencedor do concurso do MIS. Estão aí, então, algumas imagens do High Line, parque público inaugurado há poucas semanas no West Side de Manhattan, que é também uma das realizações mais recentes do escritório nova-iorquino Diller Scofidio + Renfro.

Na verdade, neste projeto Elizabeth Diller, Ricardo Scofidio e Charles Renfro trabalharam em parceria com uma equipe conduzida por James Corner, landscape architect nascido em Manchester e que tem se destacado por atuar na revitalização de áreas industriais deterioradas, projetando parques que reinventam a paisagem da cidade pós-industrial (como o Fresh Kills Park, em Staten Island, também em vias de ser inaugurado).

Mas o High Line tem ainda uma característica especial: o projeto é conseqüência de uma longa mobilização comunitária em defesa de uma antiga via férrea elevada, construída na década de 1930 e desativada há cerca de 20 anos, que esteve para dar lugar a novos empreendimentos imobiliários.

Em 1999, moradores da região criaram uma associação (Friends of the High Line), dedicada a lutar pela preservação da via elevada e sua transformação em espaço público. Cinco anos depois foi realizado um concurso (disputado por Steven Holl e Zaha Hadid, entre outros), do qual resultou este belo parque suspenso, com cerca de 2 km de extensão, que hoje nos permite pairar sobre o Chelsea, tendo o rio Hudson de um lado e os galpões marrom-avermelhados do Meatpacking District, de outro.

Apenas o primeiro trecho (entre a Gansevoort Street e a West 20th Street) está aberto ao público. É o bastante, porém, para que experimentemos esta paisagem incomunicável, da qual participam o rio, as ruas, as flores, os trilhos. Além de alguns túneis, dentro dos quais podemos cruzar, de repente, com um trabalho como o de Spencer Finch, inspirado nas águas do Hudson (The River that flows both ways).










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Lucio Costa, presente / O Rio também tem notícias boas, e como: acaba de ser disponibilizado no site da Casa de Lucio Costa o acervo do arquiteto. É um conjunto riquíssimo de documentos, reunindo cartas, pareceres, desenhos e fotos, muitos dos quais totalmente inéditos até hoje, que foi organizado e digitalizado pacientemente nos últimos anos pela Casa de Lucio Costa, com patrocínio da Petrobrás.

Numa pesquisa muito rápida encontrei, por exemplo, uma carta afetuosa de Peter e Alison Smithson, datada de 1965, agradecendo pelo jantar na casa de Lucio Costa e fazendo comentários sobre um museu visitado à beira-mar em Salvador (seria o Solar do Unhão, de Lina Bo Bardi?). Outra carta, também assinada pelos Smithson, convida Lucio Costa para uma das reuniões do Team 10, a ser realizado em Toulouse em 1971.

Mas há muito, muito mais: de pareceres e atas de reuniões relativos a Barra da Tijuca a detalhamento de esquadrias... afinal, são 871 projetos, 1365 cartas...tudo identificado em fichas com todas as informações necessárias e pronto para ser acessado por qualquer um (em versão em PDF ou Word). Basta entrar no site da Casa (http://www.casadeluciocosta.org) , depois entrar em "acervo", e em seguida em "Dspace". O que vai se abrir então é um presente para todos os pesquisadores, estudantes e interessados em Lucio Costa, arte, arquitetura, urbanismo, patrimônio, cidade, modernidade, Brasil, Brasília, Rio de Janeiro...
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Gelo / MIS, porto, gripe suína...Chega. "Em cartaz", na coluna à esquerda, um outro Rio, por Raul Mourão.
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MIS.6 / Não deu outra: o vencedor do concurso do MIS foi o escritório nova-iorquino Diler Scofidio + Renfro. O projeto foi aquele ao qual um dos membros do júri - o secretário municipal de urbanismo, Sergio Dias - se referiu, durante o processo seletivo, como "uma apresentação à qual deveríamos assistir de joelhos". Pois é.
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MIS.5 / O testemunho de Vitor Garcez sobre as apresentações dos projetos finalistas do concurso do MIS merece ser lido: http://www.riodjanira.blogspot.com/. A segunda parte, relativa ao segundo dia de apresentações, deverá ser postada em breve. Boas imagens dos projetos podem ser encontradas em http://concursosdeprojeto.org/2009/08/07/concurso-mis-rj-finalistas/
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MIS.4 / As peças vão se juntando...no site do governo do Estado encontrei esclarecimentos fundamentais, inclusive quanto aos critérios do júri:

"O projeto é fruto de um trabalho conjunto entre a Secretaria de Estado de Cultura e a Fundação Roberto Marinho e tem como um de seus objetivos tornar o MIS um ícone arquitetônico, de projeção nacional e internacional, para a cidade do Rio de Janeiro. O Museu será construído em um dos endereços mais importantes da cidade – a Av. Atlântica, em Copacabana – e deve se tornar o Museu da identidade carioca, caracterizada pela produção artística.

O novo MIS será – além de um centro de memória, conservação e estudos já consagrado – um Museu de fato. Seu acervo será exibido de forma moderna, fazendo uso de novas mídias e da mais alta tecnologia, e interativa, com a intenção de encantar seus visitantes.

Os critérios utilizados para avaliar os projetos são: inovação e originalidade tecnológica e estética; adequação física e estética ao local; atendimento aos parâmetros estabelecidos no programa funcional; exequibilidade do projeto e atendimento aos parâmetros de sustentabilidade, tais como eficiência energética e do uso de água, e acessibilidade universal, ou seja, facilidade de acesso para todos os usuários e portadores de deficiência."

Os grifos são meus, claro.
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MIS.3 / Como não fui convidada a assistir as apresentações dos projetos para o novo MIS, só o que conheço até agora, além do relato do Vitor, são as matérias que saíram ontem na Folha e n’O Globo. Uma perspectiva de cada projeto, portanto, e nada mais. É claro que isso não é suficiente para avaliar um projeto de arquitetura, ainda mais quando se trata de um programa complexo como o de um museu, e de uma paisagem extraordinária como a da Av Atlântica. Mas como tenho recebido vários emails sobre o assunto, quero deixar claro que a minha primeira impressão também não é das melhores. Dentre os sete concorrentes, alguns têm grande prestígio internacional por projetos como o High Line, em Nova York (Diller & Scofidio, com James Corner), e a extensão do Museu Judaico de Berlim (Daniel Libeskind). Nenhuma das propostas apresentadas para o Rio, porém, parece estar à altura do seu próprio currículo. Pelas perspectivas apresentadas, é de se desconfiar mesmo que em alguns casos sequer o concurso tenha sido levado muito a sério. Pelo que foi divulgado até agora, pelo menos, não vejo porque qualquer uma das propostas mereceria tornar-se o mais novo “ícone arquitetônico do Rio, com projeção mundial”, conforme anunciado orgulhosamente ontem na primeira página do jornal O Globo. Um paralelepípedo inclinado...uma esfera metálica ligando o museu ao edifício vizinho...uma homenagem a Burle Marx...E o que dizer quando um arquiteto começa um projeto por um biquini? Seria ironia? Ou escárnio?
Desconheço (como todos) os critérios do júri, o programa arquitetônico e o histórico do processo que conduziu a esta etapa do concurso. Mas será que o resultado poderia ser diferente num concurso conduzido tal como este: cercado de silêncio e sem nenhuma transparência (embora envolva um investimento público da ordem de pelo menos R$ 13 milhões, relativos à desapropriação do terreno), com equipes que surgiram apenas na segunda etapa, e um júri (aparentemente formado por nada menos que 11 membros) cuja composição é, sob diversos aspectos, tão questionável?
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MIS.2 / A apresentação dos projetos concorrentes do concurso do MIS foi restrita a uma platéia de cerca de 30 pessoas, dentre os quais alguns estudantes de arquitetura. Vitor Garcez, aluno do Curso de Arquitetura da PUC e co-editor da Noz, estava lá e me passou a composição da banca, que supõe-se que seja a comissão julgadora: Bel Lobo (arquiteta), James Cathcart (membro do escritório norte-americano Ralph Appelbaum Associates), Lucia Bastos (arquiteta da Fundação Roberto Marinho), Jaime Lerner (urbanista), Rosa Maria Araujo (presidente do MIS), Adriana Rattes (secretária estadual de cultura), Hugo Barreto (secretário geral da Fundação Roberto Marinho), Sergio Dias (secretário municipal de urbanismo), Magali Cabral (diretora do Museu da República), Paulo Herkenhoff (crítico de arte) e Jordi Pardo (membro da Barcelona Mídia e consultor para o programa do museu). Ainda segundo Vitor, o primeiro slide de Shigeru Ban foi "uma série de croquis que desconstruia um biquini. Do biquini ele tirou a forma do pilotis do embasamento..."
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MIS / Abri o jornal esta manhã e encontrei, finalmente, as primeiras imagens dos projetos finalistas do concurso para o novo MIS. A manchete da Folha de S. Paulo é sintomática: "Paisagem e biquíni inspiram projetos de novo museu no RJ". O resultado deve ser anunciado na segunda por um júri "formado por arquitetos e museólogos, além de integrantes dos governos municipal e estadual e da Fundação Roberto Marinho". Mais em http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/08/06/sete-escritorios-de-arquitetura-do-pais-do-mundo-disputam-direito-de-projetar-novo-mis-757147623.asp

Posto 8 / ago 09


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Quinze dias e muito tempo depois, eis um breve resumo do que encontrei por aqui: a prefeitura anunciou que está negociando a realização de uma etapa da Fórmula Indy no Aterro do Flamengo, em 2010, ao mesmo tempo em que tombou 84 obras de Burle Marx, como “um gesto simbólico” em comemoração ao seu centenário; edifícios ecléticos foram divulgados como “novos prédios” do Tribunal de Justiça no conjunto já em construção do "Fórum da Capital", no centro da cidade, e o concurso da nova sede do MIS, em Copacabana, segue com apresentação exclusiva para convidados (ontem e hoje) dos projetos concorrentes (por arquitetos como Diller e Scofidio, Daniel Libeskind, Shigeru Ban, Bernardes & Jacobsen e Rodrigo Cerviño Lopez, entre outros). A boa notícia é que o nosso “Manifesto em defesa da exibição pública das obras de arte brasileiras” levou o Ministro da Cultura a propor uma reunião com alguns dos signatários que acontece, hoje, no IMS.