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Lucio Costa /
Sexta, dia 3, tem lançamento do livro "Lucio Costa - Arquiteto", que reúne os trabalhos apresentados no seminário homônimo realizado em Brasília no ano passado, sob a coordenação de Fares El-Dahdah. Há textos de Carlos Eduardo Comas, Guilherme Wisnik, Eduardo Rosetti, Andrey Schlee, Lauro Cavalcanti e outros.


Meu texto trata da relação entre Lucio Costa e Max Bill. E tenho orgulho de dizer que o evento marca também os 11 anos da Casa de Lucio Costa, completados no último dia 13. No Espaço Tom Jobim, que fica dentro do Jardim Botânico, às 19 horas.





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Park Hotel / Esta é para quem, como eu, insiste em querer saber como está o pequeno hotel de Lucio Costa em Friburgo: felizmente ele resistiu às chuvas que devastaram a Serra. Mas continua em estado precário, fechado e carecendo de obras de recuperação. As fotos foram feitas esta semana pela Selma, que vê o hotel da sua janela.



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Lucio Costa, presente / O Rio também tem notícias boas, e como: acaba de ser disponibilizado no site da Casa de Lucio Costa o acervo do arquiteto. É um conjunto riquíssimo de documentos, reunindo cartas, pareceres, desenhos e fotos, muitos dos quais totalmente inéditos até hoje, que foi organizado e digitalizado pacientemente nos últimos anos pela Casa de Lucio Costa, com patrocínio da Petrobrás.

Numa pesquisa muito rápida encontrei, por exemplo, uma carta afetuosa de Peter e Alison Smithson, datada de 1965, agradecendo pelo jantar na casa de Lucio Costa e fazendo comentários sobre um museu visitado à beira-mar em Salvador (seria o Solar do Unhão, de Lina Bo Bardi?). Outra carta, também assinada pelos Smithson, convida Lucio Costa para uma das reuniões do Team 10, a ser realizado em Toulouse em 1971.

Mas há muito, muito mais: de pareceres e atas de reuniões relativos a Barra da Tijuca a detalhamento de esquadrias... afinal, são 871 projetos, 1365 cartas...tudo identificado em fichas com todas as informações necessárias e pronto para ser acessado por qualquer um (em versão em PDF ou Word). Basta entrar no site da Casa (http://www.casadeluciocosta.org) , depois entrar em "acervo", e em seguida em "Dspace". O que vai se abrir então é um presente para todos os pesquisadores, estudantes e interessados em Lucio Costa, arte, arquitetura, urbanismo, patrimônio, cidade, modernidade, Brasil, Brasília, Rio de Janeiro...
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Surpreendente dádiva
Lucio Costa

“Como resultado de uma feliz conjugação de circunstâncias, "sans en avoir l'air" - como diria Marques dos Santos, antigo diretor do Museu Imperial de Petrópolis - a administração do Estado do Rio de Janeiro vai presentear a cidade com novas perspectivas urbanas que darão o devido destaque a mais quatro preciosos testemunhos do nosso passado colonial.

1º - A necessidade de nova articulação viária por causa do próximo bloqueio da rua Uruguaiana pelas obras do Metrô acelerou a demolição dos prédios remanescentes na área da Lapa, liberando assim, de ponta a ponta, o aqueduto da Carioca, os Arcos, como são conhecidos – monumento cujo patrono no IPHAN é José de Sousa Reis - o que levou à limitação do gabarito na encosta do morro a fim de incorporar para sempre ao logradouro a serena presença do convento de Santa Tereza.

2º - A feliz deliberação de deixar livre o triângulo contido entre a rua S. José e o edifício De Paoli, criou, com a praça também triangular fronteira ao BEG, novo eixo visual urbano, perpendicular à Avenida Rio Branco, que terá como remate contra o sol poente a extensa e rica silhueta do convento franciscano e respectiva ordem terceira. Esse conjunto será também valorizado pelo desafogo do Largo da Carioca, resultante igualmente das obras do Metrô, e pela iniciativa complementar de liberar a vista lateral, sobre a rua do mesmo nome, com os belos janelões da sacristia.

3º - O prolongamento do Elevado da Perimetral dará ensejo a que se descortinem as fachadas leste e norte do imponente mosteiro de São Bento com o seu famoso botaréu.

4 º - Finalmente, a necessidade da construção de uma passarela na Praça XV levou a administração a restituir aos pedestres o antigo Terreiro do Paço, procurando-se bloquear a vista, tanto do viaduto como do monumento ao General Osório, com um reforço adequado da arborização.

Esse aflorar de perspectivas coloniais que pareciam definitivamente sepultadas pelo indiscriminado adensamento urbano da massa edificada vai ser uma agradável surpresa para
todos os cariocas, pois com esta não contavam. "Il ne faut jamais désespérer".

Lucio Costa, 25/8/74

[Este texto foi entregue por Lucio Costa ao eng. Emilio Ibrahim, então secretário de Obras do Estado, em reunião do Conselho Superior de Planejamento Urbano do Estado da Guanabara - integrado, entre outros, também pelos arquitetos Paulo Santos e Jorge Machado Moreira. O original pertence ao arquivo pessoal do eng. Ibrahim, a quem agradeço. http://emilioibrahim.eng.br/]

Posto 6 / jun 09






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Querem acabar com ela / Junto com a reinvenção dos projetos de revitalização da zona portuária, volta à baila a proposta de demolir a Perimetral (Avenida Presidente Kubitschek), no centro da cidade. O viaduto de cerca de 6 km de extensão, cuja construção foi iniciada heroicamente, em paralelo à construção de Brasília, passou a ser visto, nos últimos anos, como um dos maiores responsáveis pela degradação da frente marítima carioca e já foi objeto de várias propostas de intervenção. Há fortes razões para considerá-lo um fardo a ser eliminado, uma vez que sua construção apartou ainda mais a cidade da água e vitimou parte expressiva da memória carioca, como o Mercado Municipal (do qual hoje só resta o torreão solitário e meio decadente do Albamar). Mas por outro lado, a Perimetral comporta atualmente um fluxo diário de veículos cujo escoamento, na sua ausência, exigirá obras colossais, extremamente penosas e custosas para a cidade.

A Perimetral segue o modelo dos corredores viários elevados construídos no pós-guerra em grandes centros urbanos do mundo todo, visando a criação de alternativas para o crescente tráfego motorizado e particular. Dentro desse modelo, os exemplares mais emblemáticos são, provavelmente, as “expressways” erguidas por Robert Moses em Nova York, que devastaram comunidades inteiras da cidade, nos anos 50, e só foram freadas graças à mobilização comunitária encabeçada por Jane Jacobs na década seguinte.

No caso em questão, no entanto, é preciso levar em conta que, depois da criação do “mergulhão” da Praça XV, na década de 90, uma vida floresceu bem ali, ao abrigo do viaduto, da qual dá testemunho a fervilhante feira de artigos usados onde aos sábados ainda se pode comprar um disco de vinil a dois Reais, um ex-celular a três ou uma máquina de escrever a trinta. E não deixa de ser curioso que as precárias barracas se concentrem exatamente ao longo dos apoios do viaduto, e não, como gostariam muitos bem-intencionados arquitetos, na praça adjacente, que aos sábados resta deserta. Fica evidente que existe uma forte identificação entre o caráter meio marginal da feira e o espaço meio abandonado sob o viaduto, ambos tão próximos de espaços urbanos centrais e ao mesmo tempo tão apartados da cidade à sua volta.

Além do mais, é inegável que, se a Perimetral bloqueou a vista de alguns monumentos notáveis – vários deles tombados, como o chafariz do Mestre Valentim e o Paço Imperial -, ela também acabou presenteando o Rio com novas perspectivas urbanas. E essa "surpreendente dádiva", salvo engano, quem primeiro percebeu foi Lucio Costa.

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Alfabarra / Já não é mais verão, e tão cedo não terei outro pôr-do-sol assim. Mas guardei numa foto aquele anoitecer flamejante na Barra da Tijuca. À esquerda, a silhueta das torres do Alfabarra, conjunto residencial projetado por Luiz Paulo Conde no começo dos anos 80. Não é um projeto que mereça destaque. Mas sem ele, o que seria essa paisagem? Olho para ela e me vem à lembrança algo que ouvi há tempos de Antonio Carlos de Almeida Braga, investidor responsável pelo empreendimento. Segundo ele, Lucio Costa não só aprovou sem hesitação o projeto como revelou sentir mesmo a falta de algumas torres ali, para dar equilíbrio à paisagem. O encontro foi confirmado recentemente por Conde, que ainda acrescentou uma informação crucial: o projeto original era predominantemente horizontal. A verticalização teria sido sugerida pelo próprio autor do Plano Piloto da Barra, que considerou o primeiro projeto de Conde “pouco urbano”.
Fiquei pensando nisso depois de ler o artigo de Sergio Magalhães, publicado há poucas semanas no jornal "O Globo", que define a ocupação da Barra como “um erro urbanístico”.

(ver o artigo de Sergio Magalhães em http://cidadeinteira.blogspot.com/2009/02/favela-e-sombra-do-alvo.html)

Posto 3 / mar 09

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Achados e perdidos / Foi aberta sexta passada e vai até 15 de abril, no Espaço Tom Jobim, no Jardim Botânico, uma exposição dos últimos “achados” do acervo de Lucio Costa, que vem sendo organizado pela Casa de Lucio Costa com patrocínio da Petrobrás. Maria Elisa, que é filha de Lucio, atual presidente da Casa e também curadora da exposição, apresenta um enxuto mas precioso conjunto de desenhos, fotos e documentos de época, além de duas maquetes de casas projetadas pelo arquiteto (Thiago de Mello e Casa sem Dono). Algumas coisas foram expostas antes, outras vêm à luz agora pela primeira vez. Dentre elas, imagens de família que se misturam a registros de cidades como Nova York, Paris e Brasília, vistas através da super-8 comprada por Lucio nos anos 30, em Nova York, enquanto projetava o Pavilhão do Brasil com Niemeyer. As imagens passam depressa – num instante o Central Park, noutro, a Villa Savoye - mas às vezes tem-se a impressão de ouvir, ao fundo, o riso das crianças, a voz de Leleta, o motor das máquinas que constróem a nova capital. Raros acervos de arquitetos cariocas tiveram a mesma sorte.

Posto 1 / jan 09

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Final da praia do Leblon, quase Dois Irmãos. Do outro lado da rua, a janela sobre o mar de Lucio Costa. Mais adiante, o Vidigal. E a duas quadras, o melhor suco do Rio. Que não se espere uma água como a de Ipanema, onde o sol também é mais exibido. Mas quando o mar está de ressaca, o espetáculo é aqui. Este é o Posto 12, onde começa a minha cidade. Daqui a observo e reinvento.