Posto 05 /12


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Compartilhe Felicidade / Fui, com chuva e tudo. E foi bem mais fácil do que eu pensava. Bastou pegar um trem na Central, descer quatro estações depois e pegar o teleférico ali mesmo. Não precisei comprar outro bilhete, nem abrir o guarda-chuva. O que veio em seguida é que estou até agora digerindo. Um vôo rasante de cerca de 40 minutos sobre o Complexo do Alemão, num teleférico vermelho suspenso por cabos de aço, com a Baía de Guanabara e o Porto Maravilha ao fundo.

Os carrinhos vão e vem, sem parar. Dá uma certa tensão entrar e sair, mas a velocidade é tal que não há grande dificuldade. A não ser para uma senhora com compras, ou uma mãe com carrinho de bebê, penso. Mas também não sei, porque todos no meu carrinho eram turistas, com câmeras em punho, como eu.


Lembrei logo da Disney: lá também pulávamos dentro de um carrinho que nos levava num giro por uma realidade fantástica (e muitas vezes ameaçadora), da qual não raro me senti uma mera espectadora - e enquanto durou o percurso, confesso, também refém. Até as dimensões são mais ou menos as mesmas; aqui o carrinho tem 6 lugares. Parece um nada diante do fluxo de massa que imagino diante daquele mar de casas? A julgar pelo que vi, não: no meu carrinho, éramos 4 na ida e 3 na volta, e muitos outros estavam vazios (por volta do meio-dia de uma segunda-feira).

Mas que bobagem, o Alemão não tem nada a ver com a Disney. Nem mesmo com todos aqueles corações colados aos carrinhos, e todas aquelas mensagens otimistas (“compartilhe felicidade”, “aqui a alegria é contagiante”). E o quiosque da Kibon que me espera na estação mais alta - onde o que posso fazer senão tomar um picolé?

Na volta, penso de novo na senhora que sobe com as compras, na mãe com carrinho de bebê...Ok, o teleférico não é pra elas, é pra mim. E pra quem trabalha, não? No centro da cidade, imagino. Porque como o percurso é em linha – começa e termina em Bonsucesso -, imagino que num ou noutro sentido possa ser tão ou mais fácil subir e descer de van, de moto, ou mesmo a pé (da Fazendinha para o Engenhão, por exemplo, ou para Jacarepaguá).

Vou descendo e contando as estações, conforme elas vão despontando sobre os pontos mais altos da região e contracenando com a igrejinha da Penha, que antes dominava esta paisagem. Todas seguem um mesmo padrão, com variações de cores fortes: um bloco compacto, de alvenaria, encimado por uma cobertura tensionada branca - num esquema curiosamente análogo ao do New York City Center, shopping que trouxe a Estátua da Liberdade para a Barra da Tijuca. Mas não é isso o que me incomoda. Talvez a limpeza excessiva, que contrasta com as montanhas de lixo que vejo por todo lado lá de cima. Talvez a ausência completa dos expedientes de sobrevivência que lotam os trens da Central (onde foram parar os ambulantes ruidosos, com suas promoções incríveis?). Talvez os vasos de planta, cuidadosamente dispostos nos patamares das escadas largas e vazias. Não chega a ser o desvario do Elevador do Cantagalo, em Ipanema, mas tudo aqui soa meio artificial. Até a bela égua que pula na minha frente, de repente, em contraste com os vira-latas que vagam em torno da estação Palmeiras.

Talvez meu maior problema seja com a simetria e o sentido de composição que rege a arquitetura das estações. Num contexto como este, marcado por uma dinâmica tão acelerada, a imagem de equilíbrio que a estação promove pode ter sido deliberadamente buscada para contrastar com o caos do entorno, oferecendo-lhe alguma estruturação. Mas o arranjo absolutamente simétrico da fachada mostra, ao contrário, um discutível alheamento ao contexto e uma forte resistência à instabilidade e ao movimento contínuo que o define. Obediência a eixos e frontalidade, num campo tão altamente tensionado, embaralhado e dominado pelo improviso? Espaços fechados, rigidamente delimitados e compartimentados, que dificultam qualquer adaptação ou uso imprevisto, agora ou no futuro? A questão, mais uma vez, está na dificuldade de lidar com situações urbanas entrópicas e modos de ocupação que escapam a qualquer formalização, no sentido tradicional, engendrando continuamente configurações fluidas, complexas e mutantes.

Evidentemente, o custo de instalação e operação de todo o sistema não deve ser baixo - e pode-se discutir até que ponto se justifica, em função do número de pessoas efetivamente transportadas e da dependência de investimentos permanentes em manutenção, dificilmente sustentáveis a longo prazo. Mesmo assim, entendo que o teleférico é uma tentativa válida de encontrar solução para os graves problemas de acessibilidade das favelas cariocas, buscar a aproximação entre diferentes formas de ocupação da cidade e aumentar a presença do poder público em áreas críticas. Mas enquanto miro minha lente para baixo, num voyeurismo quase infantil, não tenho como não pensar também no efeito inverso: não há ninguém sobre as lajes, essas lajes que parecem ser justamente o espaço de maior liberdade do Alemão, por oferecer - até aqui, pelo menos - um território protegido de privacidade e sociabilidade de que suas casas e ruas não dispõem. Mas pode ser só porque chove, claro.

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Calatrava / O arquiteto espanhol Santiago Calatrava, autor do projeto do Museu do Amanhã - em construção no Pier Mauá - faz palestra sexta, dia 4 de maio, às 17 hs, no Parque Lage. A palestra é gratuita mas é necessário inscrever-se com antecedência pelo telefone 3221 7551 ou pelo email eventos@frm.org.br.
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Salve, Jorge
Salve, Delacroix



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Eu nem vi o livro ainda, mas gostei do título e da abordagem: "O RIO QUE O RIO NÃO VÊ – os símbolos e seus significados na arquitetura civil do centro da cidade do Rio de Janeiro" (ed. Aori) é um estudo iconográfico de ornamentos simbólicos presentes nas fachadas do centro carioca, produzido por Luiz Eugênio Teixeira Leite (fotos), e Nelson Pôrto Ribeiro (texto). O livro foi lançado esta semana na Livraria da Travessa. E pode ser uma boa companhia pro Dia de São Jorge, santo guerreiro que luta contra todos os dragões para proteger esta cidade.






(aqui, o blog do Nelson, que é arquiteto e professor da Universidade Federal do Espírito Santo: http://www.nelsonporto.blogspot.com.br/)
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Mais Hadid e Schumaker, por Roberto Segre:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.055/4312


(e Zaha parte hoje, depois de 2 semanas no Rio, e um piquenique na Casa das Canoas).
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Bernardes e Robertos / Sergio Bernardes é tema do programa Coleções, que será exibido nesta quinta, dia 05, às 21:30, no canal SESC TV (com reprise sexta e sábado às 15h30, domingo às 13:30 e segunda às 9:30).

E no domingo de Páscoa deve sair matéria sobre os Roberto no jornal O Globo.










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Hadid e Schumaker no Fundão / Sinceramente, não me lembro de ter visto nada assim antes. Quando estudei na FAU-UFRJ, lá pelos anos 80, o sábado costumava ser um dia ainda mais morto do que os outros, em que a gente evitava a todo custo sequer passar por lá. Mas desta vez, uns 40 minutos antes da hora marcada a fila já atravessava o pilotis, o jardim e ia até a rua.

Calculo que deviam ter umas 2000 pessoas, entre alunos (de várias escolas) e professores (de várias escolas, áreas e gerações), esperando por Zaha Hadid e Patrick Schumaker ontem de manhã. E isso em pleno sábado de sol, na Ilha do Fundão. Um emocionante e inesquecível sinal de recuperação da escola onde estudei, e com ela, da própria arquitetura no Rio de Janeiro.

No telão instalado no hall, as formas maleáveis da “arquitetura paramétrica” de Hadid e Schumaker contrastavam com as linhas rigorosas da arquitetura de Jorge Machado Moreira, justamente num de seus edifícios mais emblemáticos (que finalmente e felizmente, começa também a ser recuperado).

Schumaker montou um breve esquema histórico para definir o “Parametricismo” como o “estilo do século XXI”, sucessor do Modernismo e do que ele chamou de “episódios intermediários” do Pós-modernismo e do Deconstrutivismo. Num percurso retilíneo, sempre acompanhado de imagens vistosas, e em boa parte já bem conhecidas, traçou um panorama que partiu de primitivas colônias africanas e passou à cidade medieval (ilustrada com Arles e Siena), ao Renascimento (o “Big Bang da Arquitetura”, ilustrado com Palmanova) e ao Barroco (Versalhes e o Palácio Carignano, de Guarini), e por fim ao Modernismo (o edifício da Bauhaus, de Gropius, e a Ville Radieuse, de Le Corbusier), o Pós-Modernismo (Venturi e Charles Jencks) e o Deconstrutivismo (Tschumi), e daí ao Parametricismo – ou seja, o seu próprio trabalho, em conjunto com Hadid.

Com um discurso enfático e assertivo, apoiado por sua partner (que se sentou ao seu lado e preferiu falar menos, mas mostrou-se igualmente disponível e bem-humorada), o confiante Schumaker defendeu, assim, sua tese central: a de que a arquitetura precisa reconstruir sua especificidade e poética própria, desligando-se de outras disciplinas (listadas num peculiar quadro comparativo que procurou relacionar a arquitetura à arte, ciência, medicina, educação, política e economia). E para isso, os arquitetos precisam “criar um impacto, como o Modernismo fez”. Mas sem repetir seus princípios (resumidos na tríade “separação, especialização e repetição”), e sim buscando outros: a saber, a variação, a diferenciação e a correlação, potencializados pelo uso das ferramentas oferecidas pelas novas tecnologias (modelagem e simulação digital, basicamente).

Isto é o que Schumaker denomina de "Parametricismo": uma “teoria unificada”, supostamente capaz de resumir e superar todas as outras teorias contemporâneas, e basicamente definido em termos de superfícies não planares e formas maleáveis, em vez de formas ideais e sólidos geométricos; e de sistemas interconectados e correlacionados, em vez de unidades autônomas e autosuficientes.

Foram indicadas rapidamente algumas referências, como os sistemas da natureza e as tensoestruturas de Frei Otto. E embora os edifícios ministeriais de Niemeyer em Brasília tenham surgido como exemplo da repetição e monotonia que se quer deixar para trás, o mesmo Niemeyer foi valorizado, num momento seguinte, por sua maneira muito peculiar de “manipular o solo”. Junto com Artigas, por seus “espaços profundos” e suas grandes coberturas.

Depois de duas horas, a dupla Schumaker+Hadid deixou no ar um otimismo contagiante, sobretudo para os mais jovens. Mas não avançou muito além do esquematismo, e assim não chegamos nem perto de uma reflexão sobre as complexas relações entre as redes digitais e a cidade contemporânea, nem ficamos sabendo minimamente como aquelas deliciosas formas se constroem, com que materiais e por que meios. E se a vertiginosa cascata de imagens com que Schumaker encerrou sua fala mostrou que a sua pesquisa tem dado muitos frutos notáveis (do qual o MAXXI, em Roma, é um dos exemplos mais recentes, e certamente um dos mais polêmicos), também indicou o risco de que essa mesma pesquisa venha a se esgotar numa especulação formal leviana, passível de servir indistintamente a um museu ou a uma sandália.
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+ Robertos / O jornalista Rogerio Daflon está fazendo uma matéria sobre os Irmãos Roberto, que sai domingo no jornal O Globo. Será que agora sai também pelo menos um livro sobre eles?
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Parametrismo ? / Zaha Hadid faz uma apresentação aberta ao público no sábado, dia 31, ao lado de seu partner, Patrik Schumacher, no salão azul da FAU-UFRJ, às 11 da manhã. Schumacher tem se dedicado a explorar os novos sistemas paramétricos e ferramentas digitais surgidos nos últimos anos, e tem diversos livros e artigos publicados sobre o assunto, reunidos aqui: http://www.patrikschumacher.com/
















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Blow-up Robin Hood / Talvez tenha sido o nome, antes de tudo, o que me tocou. Robin Hood, o lendário herói fora-da-lei, que roubava dos ricos para dar aos pobres. Usava uma cômica roupa verde, manejava o arco e flecha como ninguém e morava clandestinamente, rodeado de amigos, numa floresta. Numa floresta ou num jardim? Jardins de Robin Hood, que nome para um conjunto habitacional. Este ainda tem uma rua no ar e um monte no coração, onde crianças brincam sem medo. Fica em algum lugar de Londres e foi projetado pelos Smithson, Alison e Peter, nos anos 60, não muito depois do vazio que protagoniza a estranha cena de abertura de Blow-Up.

Blow-Up Robin Hood. Quero dizer que estou mortificada com a sua condenação, e não me conformo porque não terei sequer como visitá-lo a tempo. Bem que tentei juntar minha voz distante a firmas de prestígio como as de Zaha Hadid, Norman Foster e Richard Rogers. Mas amanhã, no lugar do Robin Hood Gardens, haverá uma derrota que nenhum de nós pôde evitar. Só eu o verei ainda daqui, jardim de concreto meio decadente, habitado por um herói meio ultrapassado e um casal meio fora-da-lei de arquitetos. While my eyes go looking for flying saucers in the sky.





(a primeira foto é de Sandra Lousada, e a segunda, daqui: http://www.sublimephotography.co.uk/eastendphotos/isleofdogs/pages/robin.htm)

Posto 12 / mar 12

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Robertos / Como é que eu vou deixar de anunciar o filme sobre os Irmãos Roberto que passa semana que vem na mostra competitiva do festival "É tudo verdade"? A realização é da Tríplice Produções, que já realizou um documentário sobre o Pedregulho, e a direção é de Ivana Mendes e Tiago Arakilian. No Rio, o filme passa dias 24, sáb, às 21 h, e 25 de março, domingo, às 13 h, no Espaço Itaú, na Praia de Botafogo. E em São Paulo, dias 26, seg, às 21 h, e 27, terça, às 15 h, no Cinesesc, na Rua Augusta. Só vi o trailer, por enquanto, mas estou torcendo.







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Que venha 2012.
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Clarice / Não gastei mais que dez reais numa coletânea recém-lançada de crônicas de Clarice Lispector sobre o Rio, que encontrei estes dias na feira de livros do Leblon. Não são os melhores textos da autora, nem as melhores crônicas sobre a cidade. Talvez a seleção também não seja a mais adequada. Mas ganhei este:



"Eu vi uma coisa. Coisa mesmo. Eram dez horas da noite na Praça Tiradentes e o táxi corria. Então eu vi uma rua que nunca mais vou esquecer. Não vou descrevê-la: ela é minha. Só posso dizer que estava vazia e eram dez horas da noite. Nada mais. Fui porém germinada."


(Clarice Lispector. "Do Rio de Janeiro e seus personagens", Rocco, 2011)




Bom Natal.
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Marina / Está n'O Globo de hoje: Eike Batista desistiu do projeto de Índio da Costa para a Marina da Glória. Disse que o projeto - ao qual se referiu como "um devaneio" e "uma vergonha" - "já está na lata do lixo", e que vai buscar outro, porque o prazo para início das obras - 2012 - está mantido. Sobre o polêmico estacionamento subterrâneo, com 1500 vagas, disse que "nunca" o construiria: "Nós queremos um projeto minimalista, e não algo como essa proposta, que é uma vergonha". Ora, mas como assim? "Nós" quem? Não custa lembrar que o projeto em questão foi escolhido num concurso fechado e disputado por arquitetos renomados do mundo todo, selecionados e convidados pela própria EBX, empresa de Eike Batista, num processo envolto no mais alto sigilo, cujo resultado até hoje não foi apresentado publicamente. É difícil acreditar que um empresário como Eike Batista, que tem demonstrado tanto interesse pela cidade, e certamente dispõe de consultores do mais alto gabarito nos mais variados setores em que atua, não conte com o apoio de assessores minimamente qualificados na área de arquitetura. Assim como é difícil acreditar que ele desconhecesse o projeto escolhido por sua própria empresa há mais de um ano. Talvez ele tenha mudado de idéia depois da pressão pública que começou a se armar nos últimos tempos em defesa do Parque do Flamengo. Em todo caso, desqualificar publicamente o projeto dessa maneira revela um enorme desrespeito não só pelo vencedor como por todos os arquitetos envolvidos no concurso, e mais, pela própria arquitetura.



PS: Não vou comentar os projetos premiados pelo IAB-RJ este ano. Mas não deixo de recomendar que eles sejam vistos na sede do IAB, ou aqui: http://www.piniweb.com.br/construcao/arquitetura/iab-rj-elege-melhores-projetos-do-rio-de-janeiro-em-cinco-243192-1.asp

Posto 12 / dez 11







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Pompidou / Saindo da biblioteca da Esdi - o principal centro de irradiação do design ulmiano no Brasil - bato os olhos no edifício vizinho: um Pompidou às avessas, num miolo de quadra na Lapa. E ninguém precisa acreditar, mas tenho em mãos o "Inteligência Brasileira", de Max Bense.








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Niemeyer / Voltei a Pampulha sábado passado, depois de anos, para uma discussão sobre arquitetura moderna e paisagem motivada pela bonita exposição de Eduardo Coimbra no MAP. E me vi impressionada, mais uma vez, com a delicadeza balsâmica daquela arquitetura, que soube construir com os jardins de Burle Marx uma paisagem quase mágica, de tão única.






No mesmo dia, a imprensa carioca publicava um dos últimos projetos divulgados por Niemeyer - que está em vias de completar 104 anos: um teatro no Parque do Flamengo (que tem projeto urbanístico de Affonso Eduardo Reidy e paisagismo de Burle Marx, e é tombado pelo IPHAN), a ser erguido junto à churrascaria Porcão (cuja estrutura original é projeto do arquiteto Marcos Konder Neto).


Confesso que não cheguei a tomar o projeto muito a sério, como deveria, nem segui as reações publicadas na imprensa ao longo da semana. Então não faço muito, senão reproduzir aqui o artigo do jornalista Elio Gaspari, publicado hoje n' O Globo e na Folha:





"A poeta americana Elisabeth Bishop disse que "o Rio não é uma cidade maravilhosa, é apenas um cenário maravilhoso para uma cidade". Quis o destino que sua namorada, Lota Macedo Soares, desse ao Rio uma de suas maravilhas: o aterro do Flamengo. Sem Lota, ele poderia ter se transformado num relicário de feiura semelhante às áreas contíguas às avenidas marginais de São Paulo. Seu maior mérito foi blindar a obra paisagística, tombando-a. De tempos em tempos mãos invisíveis do mercado tentam tungar as terras do parque. Construíram um mafuá na marina e, por pouco, não tomaram espaço para um centro de convenções. (Para essa área o empresário Eike Batista tem um projeto.) Agora apareceu a proposta de construção de uma casa de espetáculos com 3.000 lugares, anexa aos interesses da churrascaria Porcão existente no aterro. Dourando a pílula, o projeto vem assinado por Oscar Niemeyer. A grife Niemeyer torna agradáveis até as caldeiras do inferno, mas o projeto da Porcão é apenas uma tentativa de avanço sobre o patrimônio da cidade. O parque do aterro, como o Central Park de Nova York, não comporta o movimento rotineiro de 3.000 pessoas em direção a um só ponto. (A menos que elas venham pelo mar, deixando seus carros dentro d'água.) Dona Lota blindou o aterro da mesma forma que Niemeyer blindou suas construções de Brasília. Lá, não se pode trocar um sofá do Alvorada sem licença de seu escritório de arquitetura. Em 2009, o governador José Roberto Arruda atraiu a grife Niemeyer para a construção de uma "praça da Soberania" numa ponta da Esplanada dos Ministérios. Nela seria erguido um obelisco de 100 metros. Felizmente o projeto foi ao arquivo. Para que se construa uma casa de shows ao lado da churrascaria do aterro será necessária autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e seu superintendente já disse que isso é "impossível". A lei é clara, mas os interessados não entrariam no jogo se não contassem com alguns apoios estranhos à paisagem. No caso da Marina, por pouco não chegaram lá. Ficará tudo muito bem se o projeto for transferido para outro lugar. Afinal, toda cidade precisa de mais uma casa de espetáculos. O aterro é que não precisa." (Elio Gaspari, "Niemeyer, o aríete para arrombar o aterro").





As imagens acima - curiosamente destituídas de qualquer referência ao entorno e à paisagem carioca - foram extraídas de matéria publicada esta semana na Folha: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/1010485-niemeyer-projeta-casa-de-shows-no-rio.shtml
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Chapa única / Hoje é dia de eleição no IAB-RJ. A chapa, novamente, é única e mantém basicamente a mesma constituição, com Sergio Magalhães como presidente. Os demais componentes são: Vice-Presidentes: Norma Taulois, Pedro da Luz, Ceça Guimaraens, Fabiana lzaga; Conselho Deliberativo: Alder Catunda Timbó, João Pedro Backheuser, lsabel Tostes, Carlos Feferman, Claudia Miranda, Luiz Flórido, José Canosa Miguez, Eduardo Cotrim, Rogério Cardeman, Rubens Biotto, Gabriel Duarte, Pedro Rivera, Pedro Évora, Marat Troina, Marta Alencar; Conselho Fiscal: Márcio Tomassini, Martha Allemand, Luciano Pereira Medeiros, Flávio Teixeira, Jean Pierre Janot, Manuel Fiaschi; Conselho Superior: Adir Ben Kauss, Carlos Fernando Andrade, Flávio Ferreira, Fernando Alencar, Jeronimo de Moraes Neto, Luiz Eduardo Índio da Costa, Luiz Fernando Janot, Otávio Leonídio, Pablo Benetti, Alfredo Britto, Eduardo Horta, Geronimo Leitão, Ceça Guimarães, Margareth Pereira, Norma Taulois, Pedro Cascon, Pedro da Luz e Ricardo Villar.
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MMBB /
"Rugosidades, persistências e estratégias de projeto" é o título da palestra que o arquiteto Fernando de Mello Franco fará na próxima sexta, dia 25, na PUC. Fernando é sócio do MMBB, escritório sediado em São Paulo, e um dos curadores da próxima edição da Bienal Internacional de Arquitetura de Rotterdam. Em sua apresentação, ele deverá expor a metodologia de leitura territorial e urbana desenvolvida em sua tese de doutorado, com foco no processo de desenvolvimento da região metropolitana de São Paulo e em alguns projetos do MMBB que enfrentam essa escala, como os Vazios de água e o Córrego do Antonico. A palestra será às 19 hs na sala 3 do IMA (R Marquês de S. Vicente, 225, Gávea), e é aberta a todos.
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Alumínio / Desde que a Noemi me falou dessa cidade, ela não me sai da cabeça. Alumínio. Pode uma cidade ser chamada assim? Como serão suas casas, ruas, pessoas? De que serão feitas suas portas e janelas? Que formas terão suas praças, que cheiro terá sua terra, que cores terão seus amores? E quem nasce lá, como se chama?

A probabilidade de que essa cidade seja fruto da imaginação da Noemi é grande. Mas ela me atingiu de tal maneira que desenvolvi olhos novos para tudo à minha volta: a janela do meu banheiro, o papel com que levo as berinjelas ao forno, a lata de cerveja que guardo para uma visita inesperada (ou será para mim mesma?), o carrinho que ganhei do meu sobrinho, o avião que me leva e traz. Será que essas coisas todas saem de Alumínio? E se saem, por que caminhos chegam até mim?

Se quiserem acreditar, Alumínio é um município do estado de São Paulo, com cerca de 15.000 habitantes, que guarda em sua memória uma estação de trem e uma fábrica de cimento, construídas no séc. XIX, e hoje vive agarrada a uma fábrica de alumínio (uma das maiores do país).

Dito isto, devo acrescentar que não muito longe existe uma outra cidade, igualmente próspera, chamada Votorantim - a qual, como o nome indica, vive agarrada a uma fábrica de cimento (uma das maiores do país, também, e por sinal pertencente ao mesmo grupo). Motivo suficiente para ir até lá já tenho, então. Mas partir do Rio rumo a Alumínio, ou Votorantim, já me parece inverossímil demais. Acho que preciso daquela cerveja.
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Urutu /
Bom, então veio o domingo, a segunda, o feriado, e hoje está tudo em paz por aqui. Mas ainda tenho helicópteros sobrevoando a minha cama, e um urutu bem grande subindo pela minha rua, minha escada, minha cabeça.
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Sobre ontem à noite / De Luiz Eduardo Soares, no Facebook: “Patética a cobertura da operação na Rocinha como se fosse guerra. É óbvio que não haverá confronto. O medo da classe média virou moeda política. Porque blindados da Marinha? Vai se prender um ou outro suspeito e exibir dinheiro, droga e pseudo-luxo de Ném&Cia. Mais uma batalha de Itararé. Essa ridícula espetacularização acende o medo da classe média, aumenta audiência, garante votos e desloca o foco da aliança policiais-crime. Ruas vazias; cinemas e restaurantes em São Conrado fechados. O medo está no ar. A noite pulsa em suspense. Mas não há guerra. Há mídia e política. Imagens da Rocinha encherão de júbilo pratos do almoço dominical. “Vitória do Bem” serão palavras de ordem, embora Ném fosse sócio de policiais. Moro em São Conrado. Circulei pelo bairro deserto. Clima é de suspense. Será que alguém acha mesmo que haverá confronto? Aparato bélico+mídia=medo&voto.”

Também moro perto da Rocinha. E tive muito medo esta noite.

Posto 11 / nov 11



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Reidy /
Esta quinta, dia 10, às 19:30, tem pré-estréia do filme "Reidy, a construção da utopia" - segundo documentário sobre o arquiteto, dirigido por Ana Maria Magalhães - no Instituto Moreira Salles. A sessão será seguida de debate com João Masao Kamita, a diretora do filme e eu.


Dois dias antes, o filme passa em São Paulo, numa sessão seguida de debate com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha e a diretora do filme (dia 8, às 20h, no Espaço Unibanco de Cinema Augusta). E dia 7, às 21h30, tem também uma sessão simples no Unibanco Arteplex, no Rio.


Todas essas sessões são gratuitas. E a partir de 11 de novembro o filme entra em cartaz no Rio, São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Juiz de Fora e Fortaleza.

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Operação interligada / "A aplicação da operação interligada na cidade do Rio de Janeiro (1997-2000) como instrumento de ordenamento territorial" é o título da aguardada tese de doutorado da arquiteta Helia Nacif Xavier, que apresenta e discute este polêmico instrumento da política urbana - fundado na negociação entre poder público e interesse privado - com base na experiência da autora como Secretária municipal de Urbanismo na gestão do prefeito Luis Paulo Conde. A defesa será esta quinta, dia 3 de novembro, às 13:30 no PROURB, FAU-UFRJ (quinto andar do edifício da Faculdade de Arquitetura, na Cidade Universitária). Para todos que se interessam pela cidade, em sua dinâmica contemporânea - ou como diz Helia, em seu "aqui e agora".


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Sergio Bernardes, Futuro próximo / Boa notícia: finalmente o acervo de Sergio Bernardes será catalogado para fins de pesquisa. Todo o material - desenhos, fotos, maquetes, filmes, documentos - foi transferido esta semana para o NPD/Núcleo de Pesquisa e Documentação da FAU-UFRJ, sob a coordenação da profa. Elizabeth Martins.

Entre as preciosidades do acervo há vários projetos de grande escala para o Rio, compreendendo áreas e problemas que hoje estão justamente no centro do processo de transformação da cidade. Entre eles, a Arena Quinta da Boa Vista - um projeto de requalificação urbana de uma vasta área, abrangendo do Maracanã ao Cais do Porto, estruturado a partir da proposta de transformação do Pavilhão de São Cristovão (também projetado por Bernardes, na década de 1950) em uma arena multiuso com capacidade para 20.000 espectadores.

O projeto - encomendado na década de 1990, pelo então prefeito Luis Paulo Conde - foi desenvolvido em parceria com o arquiteto Rolf Hüther e o escritório Millet, Biosca & Associats, de Barcelona (encabeçado pelo arquiteto Lluís Millet e responsável pelo anteprojeto da candidatura de Barcelona para os jogos olímpicos de 1992, e do Rio, para 2004). O estudo de viabilidade indicava claramente o propósito do projeto: "não parece ser um prognóstico temerário afirmar que o Rio será uma cidade olímpica em um futuro próximo. A construção de uma nova Arena representa uma aposta nesse sentido".



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Blogsfera / Começei o Posto 12 em 2009, pensando nos meus alunos e prevendo uma duração de 12 meses. Mas a blogsfera foi se mostrando um espaço deflagrador de debate, resistência e reivindicação cada vez mais imprescindível, que só vem se expandindo e ganhando sentido diante da aceleração do processo de transformações urbanas que vamos vivendo em várias partes no Brasil, e da nossa visível incapacidade de acompanhá-lo (seja como críticos, arquitetos, alunos, jornalistas ou cidadãos, simplesmente). Evidentemente a opção pelo blog não é excludente; não exclui nem reduz o texto crítico, de um lado, nem o trabalho jornalístico, de outro, mas abre possibilidades para o alargamento e aprofundamento de uma reflexão coletiva que já não pode esperar, nem ficar restrita a uma esfera local.


Chega como uma ótima notícia, portanto, a criação recente de um blog por Renato Anelli, arquiteto e professor da USP-São Carlos, para acompanhar especificamente os problemas de infraestrutura e desenvolvimento urbano relacionados com a Copa em São Paulo: http://copasaopaulo.wordpress.com/


E tem outro blog que descobri recentemente, feito por Christopher Gaffney, professor visitante do programa de pós-graduação em arquitetura e urbanismo da UFF, que foca nos impactos sociais e urbanos da Copa e das Olimpíadas no Brasil: http://www.geostadia.com/

Bem-vindos.

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HU / Estréia amanhã, sábado, o documentário 'HU', dirigido por Pedro Urano em parceria com a artista visual Joana Traub Csekö. O filme de 75 min foi realizado no então apenas parcialmente ocupado edifício modernista do Hospital Universitário da UFRJ, projetado por Jorge Machado Moreira na década de 1950, e cuja chamada "perna seca" foi finalmente implodida em dezembro passado (ver posts anteriores: http://posto12.blogspot.com/search?q=implos%C3%A3o+hospital).


É um belíssimo ensaio audiovisual, que estréia a tempo de contribuir para a discussão que vem se alargando sobre os grandes investimentos em infra-estrutura realizados em todo o país por conta da Copa e das Olimpíadas.




O filme passa às 18h, no Arteplex Botafogo, com uma conversa com os diretores após a sessão. O trailer está aqui: http://vimeo.com/29902358

E tem mais informações no blog do filme: http://www.enigmahu.blogspot.com/

(A foto acima é da Yasmin Martins, aluna do Curso de Arquitetura da PUC-Rio, que também filmou o impressionante momento da implosão do hospital: http://www.youtube.com/watch?v=w7bzF3dDaAE )

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Novo Maracanã / Nova cobertura, novas arquibancadas, novos camarotes, quatro novos conjuntos de rampas, lounges e torcedores engravatados: é isso?





"Dá até uma dor no peito", foi o comentário de Romário em visita ao canteiro esta semana. Ver aqui: http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2011/10/quarto-artilheiro-romario-lamenta-aspecto-do-maracana-dor-no-peito.html





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Maraca /
"Mas o Maracanã não é o estádio mais importante do Brasil"? Ele me olha incrédulo, na mesa do simpático "El Rincón", onde sentamos para tomar um vinho depois da minha apresentação em Buenos Aires. Para alguém que não está seguindo de perto o acelerado processo de transformação pelo qual o Rio está passando, custa a crer que o Maracanã - sim, o estádio mais importante do Brasil, e também o único tombado a nível federal - esteja sendo completamente desfigurado, segundo um projeto que ninguém sabe bem como é, nem quanto vai custar.


E se a Copa fosse na Argentina, será que alguém ousaria "modernizar" o La Bombonera (foto), o inacreditável estádio/caixa de bombons do Boca Juniors - por mais que suas arquibancadas, empilhadas verticalmente, sejam obviamente inadequadas para os padrões atuais da Fifa, e ele esteja visivelmente apertado ali, "como um peru num pires"? Ou será que sua imperfeição seria ainda considerada o ponto culminante das atrações daquela região já bem folclórica e cheia de souvernirs mas ainda carregada das imprecisões e qualidades que fazem do bairro portuário de La Boca o reverso do ambiente fashion de Puerto Madero? Penso nisso no avião de volta pro Rio, enquanto acompanho Beatriz Sarlo em seu trânsito por Buenos Aires, sobre o fundo das transformações culturais e urbanas que marcaram a Argentina nos últimos anos ("La Ciudad vista, mercancias y cultura urbana", 2009).


E quando chego em casa encontro uma petição pública exigindo transparência nas obras do Maracanã. É que o movimento "MeuRio" está colhendo assinaturas para cobrar do poder público a divulgação de vários documentos relativos à obra, entre eles os projetos básico e executivo, o estudo de impacto da vizinhança, laudos técnicos e alternativas para a derrubada da marquise. A idéia é entregar a petição, com pelo menos 2000 assinaturas, nas mãos do governador durante o SoccerEx, megaevento de negócios de futebol que acontece no Rio agora em novembro.


1324 pessoas já assinaram:



O assunto também está em pauta no jornal "O Dia" de hoje. "Quem passa por ali fica até com medo de olhar direito: praticamente não sobrou pedra sobre pedra e poucos têm idéia do que vai surgir ali." diz o economista André Urani. Ficções de Borges?


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RioNow / Levo 23 projetos comigo para a Bienal de Buenos Aires, que começa amanhã. Todos concebidos nos útimos 10 anos para o Rio, por arquitetos de várias gerações e partes do mundo. Alguns já construídos, outros em obras, um não desenvolvido, e vários concursos. Minha apresentação - "RioNow. Notes on a changing city" - abre com a Cidade da Música, de Christian de Portzamparc, e inclui, entre outras coisas, uma série de museus (como o MIS, de Diller Scofidio + Renfro), um hospital (Sarah-Rio, de Lelé), algumas instalações esportivas (como o Centro Nacional de Tiro Esportivo, BCMF - na foto acima) e obras de infra-estrutura (como o teleférico do Complexo do Alemão, de Jorge Mario Jauregui). Com exceção da casa em Santa Teresa, de Angelo Bucci, todos são projetos públicos ou de uso público. E enquanto organizava a apresentação, me dei conta de que é a primeira vez que falo de arquitetura contemporânea...no Rio. É um dado e tanto, sem dúvida. Mas o melhor é que o trabalho de seleção no qual me envolvi nas últimas semanas também me colocou diante de um material farto para discussão - que inclui alguns projetos de grande qualidade (agradeço a todos que coloboraram de algum modo com o envio de imagens e informações).



PS: Minha leitura de bordo inclui a entrevista de Rem Koolhaas em S.Paulo, publicada na edição de outubro da revista Bamboo (que encontrei hoje na banca Piauí, no Leblon).
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Maracanã, Marina, Brahma, Ministério... / O que será do Maracanã e da Marina da Glória depois da Copa e das Olimpíadas? Ambos são tombados a nível federal e guardam uma relação indiscutivelmente forte com a paisagem, a cultura e a história da cidade. Mas as informações disponíveis sobre os projetos de reestruturação dos dois espaços, até agora, são tão vagas que quase nada se sabe além do pouco que tem sido noticiado na imprensa. Daí a importância dos dois estudos produzidos recentemente pela arquiteta Claudia Girão, do IPHAN, que foi atrás dos projetos e dedicou-se a examiná-los em profundidade.

Segundo ela, as reformas em andamento (do Maracanã, segundo projeto do arquiteto paulista Daniel Fernandes), ou em vias de serem iniciadas (da Marina, segundo projeto do arquiteto Luis Eduardo Índio da Costa) desconsideram claramente os critérios de tombamento vigentes e envolvem sérios riscos de uma descaracterização irreversível.

Alguém dirá que é alarmismo. Mas a marquise do Maracanã, por exemplo, já está sendo demolida para ser substituída por um cobertura de lona supostamente exigida pela FIFA - e isso, apesar dos protestos públicos dos arquitetos Nestor Goulart Reis Filho e Italo Campofiorito, que participaram do processo de tombamento deste que é o único estádio brasileiro tombado pelo IPHAN.

Já no caso da Marina - cujo anteprojeto recebeu uma autorização preliminar do Conselho Consultivo do IPHAN em maio deste ano – há, segundo Claudia, a previsão de um imenso estacionamento de quase 60 mil m2, que não só vai gerar um enorme movimento de terra no parque projetado por Burle Marx como também um movimento de veículos indiscutivelmente perturbador para o parque.

No entanto, essa informação, aparentemente, não foi comunicada ao Conselho do IPHAN, que sequer recebeu qualquer parecer técnico ou pranchas do anteprojeto; apenas um dossiê A4 encadernado, sem plantas, cortes e fachadas, e áreas construídas. Assim, ao que tudo indica, algumas informações básicas ainda não foram passadas ao Conselho, como a indicação do deck de 12 mil metros quadrados que se pretende cravar sobre estacas na enseada da Glória, e deverá ser encimado por uma construção de 5,50m de altura. É verdade que o projeto executivo ainda deve ser submetido ao Conselho (que, por ora, exigiu da EBX um Termo de Compromisso garantindo o acesso público ao espaço). Mas motivos de apreensão não faltam.

Basta lembrar o caso recente da fábrica da Brahma, no Catumbi, que foi destombada pelo próprio governador do Rio, Sérgio Cabral. E para que? Para permitir obras de ampliação do Sambódromo visando a construção de equipamentos olímpicos no local, que envolveram a negociação, com uma empresa privada, de índices de construção ampliados para o terreno da antiga cervejaria - implodida em junho deste ano. (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/search?q=%C3%A1ureo)

Também convém lembrar o alerta insistente da arquiteta Maria Elisa Costa sobre as obras de “retrofit” que ameaçam o Palácio Gustavo Capanema (antigo Ministério da Educação), monumento máximo da arquitetura moderna no Brasil, também tombado pelo IPHAN. (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/2011/07/posto-07-jul-11.html)

Enfim, eu gostaria que os dois estudos da arquiteta Claudia Girão estivessem errados. Mas eles resultam da análise mais cuidadosa que vi até agora dos projetos em questão, incluindo um precioso histórico de projetos anteriores e dos respectivos processos de tombamento, sem deixar muita margem para dúvida. É só ver aqui:














Posto 10 / out 11

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Rem in Rio / A carta para Koolhaas conta até agora com cerca de duas dezenas de assinaturas. Até segunda, quando ela será enviada, ainda é possível subscrevê-la. Mas será inútil esperar por resposta. Simplesmente há alguma coisa a dizer e ela está sendo dita – do modo como é possível neste momento, numa ação singela, mas minimamente estruturada coletivamente, contra a inércia e o conformismo.

E nisso há qualquer coisa que me faz lembrar Torquato Neto: “o principal mandamento de quem quer estar vivo é não morrer de jeito nenhum, e servir pra alguma coisa.”
(sobre o papel cumprido pelo MAM, nos anos 70)

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Dear Mr Rem Koolhaas, /

Está aí a carta. Para assiná-la, basta mandar um email com nome completo e ocupação (arquiteto, estudante, professor etc) para: lettertokoolhaas@gmail.com. A carta deve ser enviada no dia 1 de outubro.

Quanto mais assinaturas, melhor.
Eu já assinei.

E ainda sobre RK: a revista mdc, de Minas Gerais, disponibilizou um vídeo da palestra dele, junto com Petra Blasse, na UnB, em Brasília: http://mdc.arq.br/2011/09/23/rem-koolhaas-fala-em-brasilia/
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Urgente / A palestra de Daniel Libeskind hoje, no Midrash, foi cancelada.
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Dear Mr Koolhaas / O desconforto com o silêncio em torno da visita de RK ao Brasil - e sobretudo ao Rio - está gerando uma carta aberta ao arquiteto. A carta deve ser enviada a ele semana que vem, mas antes disso estará circulando na Internet para quem quiser assiná-la.

A propósito: sim, RK - e Petra Blaisse - estiveram no Pedregulho, acompanhados pelo arquiteto Israel Nunes. Mais aqui, em breve.
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Libeskind /
Na proxima quinta, 22, o arquiteto Daniel Libeskind dará uma palestra no Centro Cultural Midrash, no Leblon. Libeskind é autor do projeto da extensão do Museu Judaico em Berlim e da Freedom Tower, em construção no Ground Zero, em Nova York, e tem um projeto em andamento para um edifício residencial de alto luxo em São Paulo (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/search?q=daniel+libeskind).

Entre seus projetos recentes está também o Sheba Medical Center, em Israel, dedicado ao tratamento do stress pós-traumático. O Midrash - projetado pelo arquiteto paulistano Isay Weinfeld - fica na Rua Gal. Venâncio Flores, 184, no Leblon. A palestra será às 20:30. Mais infs aqui:
http://www.midrash.org.br/programacao/palestra-o-arquiteto-do-ground-zero-daniel-libeskind/485
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Parece delírio / Ainda não digeri a estranha visita de RK ao Brasil, e continuo tentando juntar as informações que me chegam, daqui e dali. Soube esta semana que ele também deu uma palestra na UnB. E logo hoje, 11 de Setembro, me chega um link com um relato de uma entrevista feita em São Paulo.

A entrevista foi feita por Gabriel Kogan para a revista Bamboo, que não conheço (pelo título, me sugere algo a ver com sustentabilidade; mas será?). O entrevistador revela, entre outras coisas, que RK e Obrist visitaram a Casa Bola, de Eduardo Longo, e se impressionaram o que viram: Obrist sugeriu fazer um livro, e RK resumiu a visita como "a sua experiência arquitetônica mais forte dos últimos 10 anos".

Mas ainda mais espantoso foi saber que foi "bem no Pedregulho" que o tal amigo - e sócio - de RK foi assassinado no Brasil (ver S,M,L,XL). Ainda assim, o entrevistador insistiu para que RK conhecesse a obra. E ele deve ter ouvido a sugestão, porque soube por outra fonte, agora do Rio, que pelo menos uma pessoa foi contatada para levá-lo até lá. Mas o contato foi feito em cima da hora e esta pessoa não pôde ir. Então ainda não sei se RK esteve lá.

Parece delírio.

Ver aqui: http://cosmopista.wordpress.com/2011/08/23/um-dia-com-rem-koolhaas/





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Roadtrip to Rem



"Terça-Feira, 23, estava fazendo minha inspeção diária aos posts sobre arquitetura e, por acaso, li em algum lugar, em que não me lembro de ter entrado antes, que Koolhaas daria uma palestra no Sesc Pompéia no dia seguinte. Umas semanas atrás, estava procurando intensamente alguma noticia sobre a “maratona” em que Hans Ulrich entrevistaria Rem Koolhaas, Vik Muniz e Hebe Camargo, entre outros, no Rio. Sem conseguir qualquer notícia muito concreta, e após conversar com amigos, concluí que o evento tinha sido cancelado. A notícia sobre São Paulo veio então substituir minha frustração. Desse momento em diante estava disposto a fazer o que fosse necessário para ouvir Koolhaas em São Paulo.

Liguei pro Sesc, e após ser redirecionado para todos os ramais internos, me perguntaram se eu tinha recebido um convite, sem o qual não seria possível entrar. Perguntei como tinha sido feita a distribuição dos convites e não souberam me informar, mas disseram que o Instituto Bardi havia organizado o evento. Liguei pro Instituto e fui de novo redirecionado algumas vezes, até chegar a uma moça simpática que explicou que o convite havia sido oferecido a poucas pessoas mas havia a possibilidade de enviar um e-mail solicitando uma vaga. Ela me passou o endereço, já dizendo que seria difícil, porém deixando alguma esperança. Liguei pra uns amigos, um deles disse da possibilidade de ficarmos na casa de uma amiga em SP, consegui o carro com meu pai e coloquei uma escova de dentes e um par de roupas na mochila. Mas até quarta-feira, às onze horas, não tive resposta. Liguei então novamente pro Instituto e fiquei sabendo da possibilidade de retirar ingressos na entrada, pois os convites que não fossem utilizados seriam distribuídos por ordem de chegada. Fiquei um tempo explicando que sairia do Rio de Janeiro especialmente pra isso, e como a palestra era importante pra mim, mas a moça simpática disse que não era possível garantir mais convites, e só. Saímos do Rio às 15h, sem convite e sem nunca ter andado de carro em São Paulo, mas confiantes no desempenho de um pequeno GPS que levávamos conosco. Na primeira hora de viagem o celular de uma amiga vibrou, com a confirmação dos nossos convites recebida por e-mail. Pelo visto a moça simpática se sensibilizou com o nosso caso, agora a viagem seria menos tensa.

Acredito que o episódio reflete dois problemas atuais da arquitetura no Brasil:

1) seu isolamento em relação às demais áreas do conhecimento. Um autismo que parece vir de uma tentativa (febril) de proteção ou auto valorização, culminando em uma especialização que impede a troca com outras disciplinas. É o arquiteto que só consegue conversar com arquiteto e desmerece qualquer comentário vindo de outra área, num processo de auto-exclusão que dá no que deu: um dos maiores arquitetos do mundo vem ao país e o que era pra ser do interesse de todos acaba passando quase em branco.

2) a ausência de um ambiente transparente de discussão critica sobre nossa profissão. O fato de uma palestra dessa importância ser fechada, ou tão restrita, mostra que ainda não estamos preparados para este tipo de debate. Acredito que isto tem a ver com a base do nosso sistema de ensino, ainda beaux-artiano, em que o arquiteto é ensinado a “fazer arquitetura”, e o debate e a critica são marginalizados.

RK começa sua fala definindo um herói: alguém sem defeito e admirado. Diz que o que fizemos até agora foi a construção e mitificação dos nossos próprios heróis. E propõe o processo inverso, de desmitificação, como alternativa para começar a construir um ambiente mais fértil à discussão e produção intelectual. Sempre cético, Koolhaas estrutura sua palestra com base num diagrama de sua trajetória pessoal. Um gráfico com dois componentes principais variando ao longo do tempo: a economia de seu escritório e a economia mundial. E dividido em 5 fases: “Starving artist, Start up, Take off, Star architect, Retreat”. O diagrama já tinha sido apresentado dois meses antes numa palestra no Berlage Institute em Rotterdam (ver “Three in one” aqui:
http://vimeo.com/25071414). Desta vez, porém, RK opta por uma explicação mais detalhada da sua trajetória, volta e meia pautada por uma referência ao universo brasileiro – como quando citou os prédios da Esplanada dos ministérios em Brasília como um dos motivos de ter se tornado arquiteto.

Pessoalmente, achei a palestra fantástica. Gosto de como RK responde às perguntas, mesmo quando elas são péssimas. Parece que nunca descansa, está sempre contestando a posição em que ele mesmo se encontra. Ao ser perguntado sobre seu sentimento em relação à cidade de São Paulo, por exemplo, respondeu que era necessário distinguir sentimento de impressões, e disse que como intelectual não deveria passar impressões.

Vejo sua vinda como um marco do momento que nossa arquitetura está vivendo, uma fase de reajuste de valores e escolhas de novas direções. Fico feliz de ter feito este esforço pra ir assisti-lo e de ter feito parte do público jovem que estava lá. Mas espero que com isso coloquemos em debate a maneira como discutimos arquitetura e quais os meios que utilizamos para fazê-lo.

Aliás, filmaram a palestra, só falta divulgar.
"


(por Gabriel Kozlowski Maia, aluno do Curso de Arquitetura da PUC-Rio)


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Have you seen Koolhaas?


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Koolhaas / Por um telefonema recebido no meio da tarde de quarta, fiquei sabendo que Rem Koolhaas estava no Brasil. Se eu tivesse sabido antes, provavelmente teria ido ouvi-lo no SESC Pompéia, em S.Paulo, no dia seguinte. E acredito que muitas outras pessoas também. Mesmo que a informação - também incerta - fosse de que era necessário apresentar um convite, concedido não sei por quem, a um público bem restrito.


Bom, mas então estou aqui juntando as notícias que me chegam, daqui e dali: que ele contou que um de seus interesses pela arquitetura nasceu quando viu fotos de Brasília na revista Time, aos 15 anos. Que comparou São Paulo a Jacarta e Lagos. E que também transitou pelo Rio (pela segunda vez, pelo menos), onde visitou o MAM. Mas não é pouco para um arquiteto tão grande?


A foto acima é de Paulo Liebert e foi extraída de matéria publicada no Estado de São Paulo: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sp-parece-jacarta-e-lagos-diz-koolhaas,763931,0.htm


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Parque Olímpico / Então é isto: o concurso foi vencido pelo escritório inglês AECOM, também responsável pelo plano geral urbanístico do Parque Olímpico de Londres. A equipe foi coordenada por um arquiteto americano, Bill Hanway, em parceira com o brasileiro Daniel Gusmão.


Sobre este, só o que sei, por ora, é o que o Google me diz: que é formado pela UFRJ e fez mestrado na Universidade da Pensylvania, onde trabalhou por oito anos no escritório KMD – Kaplan McLaughlin Diaz Architects. E desde 2004, tem escritório no Rio: http://www.dg-arq.com/


O segundo lugar ficou com o projeto do arquiteto americano Ron Turner, que trabalhou em associação com os escritórios cariocas Coutinho, Diegues & Cordeiro e Miguel Pinto Guimarães. E o terceiro foi dado a um arquiteto português, Tomás Almeida Fernandes Salgado.
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Parque Olímpico / Sexta agora, dia 19, às 9:30, sai a divulgação do resultado do concurso internacional de projetos para o Parque Olímpico. A cerimônia, aberta a todos, será no Parque Aquático Maria Lenk, na Av. Embaixador Abelardo Bueno, s/n° - Portão 4 (Complexo Esportivo do Autódromo, Barra da Tijuca). Todos os projetos concorrentes (60, no total) estarão em exposição lá mesmo na sexta, e a partir de terça-feira na sede do IAB.

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Dutão / Os viadutos são, em geral, deplorados como um dos piores legados do urbanismo modernista. Seu traçado, quase sempre alheio ao tecido urbano existente e justificado por argumentos estritamente técnicos (sobretudo do ponto de vista da eficácia do tráfego automobilístico), gerou, de fato, muitas cicatrizes e feridas que permanecem abertas no espaço urbano.

Mas o viaduto é também uma grande cobertura. Uma espécie de gigantesca marquise que aos poucos a cidade, bem ou mal, incorpora – como tudo ou quase tudo, parece - e passa a abrigar uma série de atividades imprevistas e surpreendentes: uma feira de usados (sob a Perimetral, na Praça XV), uma academia de boxe improvisada (sob o viaduto do Café, em São Paulo). Ou o Baile Charme em Madureira, subúrbio do Rio. O baile já completou vinte anos e transformou o Viaduto Negrão de Lima em “Dutão”, numa clara demonstração da relação afetiva que também pode surgir entre uma agressiva obra viária e a comunidade local.


Difícil descrever o baile. O espaço é formado basicamente por dois recintos contíguos, definidos pela estrutura do viaduto e suas alças de acesso. Um cercado em chapa metálica envolve uma área onde há duas ou três barraquinhas de bebida e salgadinhos (o ingresso é pago: 3 Reais a dama e 5 o cavalheiro) e banheiros na extremidade oposta (sem água, mas com papel higiênico à vontade). Há também mesas e cadeiras de plástico vermelho, onde poucos se sentam, e só. O DJ fica diante de três pilares coloridos (um deles é rosa). E os freqüentadores são homens e mulheres – mais homens que mulheres, e em sua maioria negros – que se vestem com capricho para ir dançar sob o viaduto, ao som de uma versão eletrônica da black music dos anos 70, numa coreografia coletiva cujos passos a maioria conhece, intui ou pelo menos segue (a quem? difícil saber).

As fotos são da Cecilia e foram feitas ontem, por volta da meia-noite. Uma hora antes, quando chegamos, pensamos que não havia nada ali.


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Desconexão / Podia ser Matta-Clark. Mas é o estado atual da minha cozinha, depois que pisei outro dia numa misteriosa poça d'água, junto do fogão. Sou arquiteta e moro num edifício de classe média alta num dos bairros mais valorizados desta cidade que se transforma em ritmo cada vez mais acelerado para sediar os megaeventos que vem por aí. Mas se de repente aparece uma poça d'água no chão da minha cozinha, é isto: corro desesperadamente atrás de alguém cujo nome mal sei, mas a quem dou o direito de entrar na minha casa, cheio de ferramentas toscas, e sair quebrando a minha parede diante dos meus olhos incrédulos, até encontrar, sob o azulejo, um inofensivo - aparentemente - joelho de plástico. Rachado. Então basta dar um pulo na esquina, comprar uma nova conexão, idêntica à anterior, e colar ali, numa junção de materiais e elementos díspares que francamente não pode durar muito. Depois de uns dias, se eu tiver sorte e a água não voltar a jorrar noutro ponto da casa, o bom moço volta, corta uns azulejos, aplica-os de volta na parede e fecha tudo (usando, com enorme destreza, um pedaço gasto de sandália havaiana para nivelar a superfície). E então eu não vejo mais nada, só um pequeno remendo ali a me lembrar que haverá sempre uma infiltração qualquer, em estado de latência, em algum ponto cego da casa. Agora tenho uma cozinha semi-destruída diante de mim, mas agradeço ao bom-moço, acerto as contas com ele e rezo para que isso nunca mais me aconteça. Deus do céu, quando é que a arquitetura vai acertar o passo com a tecnologia?

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Bienal Buenos Aires /
"RioNow" deve ser o título da minha apresentação na XIII Bienal de Arquitetura de Buenos Aires, que acontece entre 10 e 14 de outubro
. E do que mais eu poderia falar, senão de como vejo minha cidade agora? A programação está aqui: http://www.bienalba.com/
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Parque Olímpico / Sexta que vem, dia 19, sai o resultado do concurso do Parque Olímpico. 60 equipes do mundo inteiro estão disputando o projeto. Ouvi dizer que há equipes fortes concorrendo, como as de Zaha Hadid, Rafael Vinoly e Paulo Mendes da Rocha. Mas a confirmação só virá mesmo quando o resultado sair e os projetos forem identificados. A divulgação do resultado será no Parque Maria Lenk, em Jacarepaguá.


Em tempo: a coordenação do concurso nesta reta final ficou a cargo do arq Alder Catunda (que substituiu o arq João Pedro Backeuser, vencedor do concurso do Porto Olímpico).



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Metrô / As obras do metrô na Barra da Tijuca seguem em ritmo acelerado. Mas sua conexão com o sistema metroviário existente continua gerando polêmica. Amanhã, segunda, o movimento "O Metrô que o Rio precisa" promove uma discussão sobre o assunto no pilotis da PUC. O movimento é formado por 30 associações de moradores e representantes da sociedade civil e defende o traçado original da Linha 4 (Jardim Oceânico-Centro), passando pela Gávea, Jardim Botânico, Humaitá e Laranjeiras (conforme o mapa ao lado, e não como um prolongamento da já saturada linha 1, passando por Ipanema e Leblon, conforme opção anunciada pelo Governo do Estado). A mesa será composta por vereadores e especialistas em transportes. No pilotis, das 12 às 14 horas.









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"A Cidade como logomarca" /
É, acho que não vai dar pra passar sem o jornal. Todo o caderno Prosa & Verso d'O Globo de hoje é dedicado à arquitetura e à cidade, e alimenta a discussão sobre os megaeventos que estão transformando o Rio. Tem entrevistas e artigos de Carlos Vainer, Raquel Rolnik, Jean Comaroff, Beatriz Jaguaribe, Margareth Pereira, Sergio Bruno Martins, Paulo Thiago de Mello, além da minha resenha do catálogo do concurso Morar Carioca.
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Jornal sem Beiras / Cansei de ler jornal. Mas não consigo suspender a minha assinatura. Nas últimas duas semanas, pelo menos uma vez por dia me liga uma moça muito gentil oferecendo descontos e vantagens cada vez maiores e mais tentadoras. Já tentei de tudo: disse a ela que estou de mudança pro exterior, que não tenho dinheiro, que morri. Já estou quase lhe dizendo a verdade: que não quero mais ler jornal. Procuro notícias que não estão nas bancas. E encontro: na minha calçada cotidiana, me deparo esta manhã com o "jornal de artigos não lidos". São notícias de favelas, pregadas aos tapumes da Gávea. O texto é longo e eu tenho pressa, mas paro diante do fusca-dinossauro, leio e gosto. Depois, já em casa, descubro que o jornal é projeto de uma designer de Bruxelas, Annelies Vaneycken, e integra o Europalia, festival bienal de arte que acontece em outubro na Bélgica, e este ano é dedicado ao Brasil (incluindo exposições de Paulo Mendes da Rocha, Lelé, Sergio Bernardes, Volpi, Neoconcretismo e mais) . Está aqui: http://www.reporter-sem-beiras.info/. Ou por aí, pela cidade.

Posto 8 / ago 10





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Art Déco /
Entre os dias 14 e 21, o Rio vai sediar o 11º Congresso Mundial de Art Déco. Os "World Congress on Art Déco" são organizados pela International Coalition of Art Déco Societies (ICADS) e acontecem bienalmente desde 1991. Os três últimos congressos foram realizados em Nova York, Melbourne e Montreal. No Rio, o encontro vai se realizar no Hotel Windsor Atlântica, mas a programação inclui visitas a coleções particulares e até ao Cristo Redentor. Ver aqui: http://www.congressoartdecorio.com/index.html