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Dear Mr Rem Koolhaas, /

Está aí a carta. Para assiná-la, basta mandar um email com nome completo e ocupação (arquiteto, estudante, professor etc) para: lettertokoolhaas@gmail.com. A carta deve ser enviada no dia 1 de outubro.

Quanto mais assinaturas, melhor.
Eu já assinei.

E ainda sobre RK: a revista mdc, de Minas Gerais, disponibilizou um vídeo da palestra dele, junto com Petra Blasse, na UnB, em Brasília: http://mdc.arq.br/2011/09/23/rem-koolhaas-fala-em-brasilia/
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Dear Mr Koolhaas / O desconforto com o silêncio em torno da visita de RK ao Brasil - e sobretudo ao Rio - está gerando uma carta aberta ao arquiteto. A carta deve ser enviada a ele semana que vem, mas antes disso estará circulando na Internet para quem quiser assiná-la.

A propósito: sim, RK - e Petra Blaisse - estiveram no Pedregulho, acompanhados pelo arquiteto Israel Nunes. Mais aqui, em breve.
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Parece delírio / Ainda não digeri a estranha visita de RK ao Brasil, e continuo tentando juntar as informações que me chegam, daqui e dali. Soube esta semana que ele também deu uma palestra na UnB. E logo hoje, 11 de Setembro, me chega um link com um relato de uma entrevista feita em São Paulo.

A entrevista foi feita por Gabriel Kogan para a revista Bamboo, que não conheço (pelo título, me sugere algo a ver com sustentabilidade; mas será?). O entrevistador revela, entre outras coisas, que RK e Obrist visitaram a Casa Bola, de Eduardo Longo, e se impressionaram o que viram: Obrist sugeriu fazer um livro, e RK resumiu a visita como "a sua experiência arquitetônica mais forte dos últimos 10 anos".

Mas ainda mais espantoso foi saber que foi "bem no Pedregulho" que o tal amigo - e sócio - de RK foi assassinado no Brasil (ver S,M,L,XL). Ainda assim, o entrevistador insistiu para que RK conhecesse a obra. E ele deve ter ouvido a sugestão, porque soube por outra fonte, agora do Rio, que pelo menos uma pessoa foi contatada para levá-lo até lá. Mas o contato foi feito em cima da hora e esta pessoa não pôde ir. Então ainda não sei se RK esteve lá.

Parece delírio.

Ver aqui: http://cosmopista.wordpress.com/2011/08/23/um-dia-com-rem-koolhaas/





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Roadtrip to Rem



"Terça-Feira, 23, estava fazendo minha inspeção diária aos posts sobre arquitetura e, por acaso, li em algum lugar, em que não me lembro de ter entrado antes, que Koolhaas daria uma palestra no Sesc Pompéia no dia seguinte. Umas semanas atrás, estava procurando intensamente alguma noticia sobre a “maratona” em que Hans Ulrich entrevistaria Rem Koolhaas, Vik Muniz e Hebe Camargo, entre outros, no Rio. Sem conseguir qualquer notícia muito concreta, e após conversar com amigos, concluí que o evento tinha sido cancelado. A notícia sobre São Paulo veio então substituir minha frustração. Desse momento em diante estava disposto a fazer o que fosse necessário para ouvir Koolhaas em São Paulo.

Liguei pro Sesc, e após ser redirecionado para todos os ramais internos, me perguntaram se eu tinha recebido um convite, sem o qual não seria possível entrar. Perguntei como tinha sido feita a distribuição dos convites e não souberam me informar, mas disseram que o Instituto Bardi havia organizado o evento. Liguei pro Instituto e fui de novo redirecionado algumas vezes, até chegar a uma moça simpática que explicou que o convite havia sido oferecido a poucas pessoas mas havia a possibilidade de enviar um e-mail solicitando uma vaga. Ela me passou o endereço, já dizendo que seria difícil, porém deixando alguma esperança. Liguei pra uns amigos, um deles disse da possibilidade de ficarmos na casa de uma amiga em SP, consegui o carro com meu pai e coloquei uma escova de dentes e um par de roupas na mochila. Mas até quarta-feira, às onze horas, não tive resposta. Liguei então novamente pro Instituto e fiquei sabendo da possibilidade de retirar ingressos na entrada, pois os convites que não fossem utilizados seriam distribuídos por ordem de chegada. Fiquei um tempo explicando que sairia do Rio de Janeiro especialmente pra isso, e como a palestra era importante pra mim, mas a moça simpática disse que não era possível garantir mais convites, e só. Saímos do Rio às 15h, sem convite e sem nunca ter andado de carro em São Paulo, mas confiantes no desempenho de um pequeno GPS que levávamos conosco. Na primeira hora de viagem o celular de uma amiga vibrou, com a confirmação dos nossos convites recebida por e-mail. Pelo visto a moça simpática se sensibilizou com o nosso caso, agora a viagem seria menos tensa.

Acredito que o episódio reflete dois problemas atuais da arquitetura no Brasil:

1) seu isolamento em relação às demais áreas do conhecimento. Um autismo que parece vir de uma tentativa (febril) de proteção ou auto valorização, culminando em uma especialização que impede a troca com outras disciplinas. É o arquiteto que só consegue conversar com arquiteto e desmerece qualquer comentário vindo de outra área, num processo de auto-exclusão que dá no que deu: um dos maiores arquitetos do mundo vem ao país e o que era pra ser do interesse de todos acaba passando quase em branco.

2) a ausência de um ambiente transparente de discussão critica sobre nossa profissão. O fato de uma palestra dessa importância ser fechada, ou tão restrita, mostra que ainda não estamos preparados para este tipo de debate. Acredito que isto tem a ver com a base do nosso sistema de ensino, ainda beaux-artiano, em que o arquiteto é ensinado a “fazer arquitetura”, e o debate e a critica são marginalizados.

RK começa sua fala definindo um herói: alguém sem defeito e admirado. Diz que o que fizemos até agora foi a construção e mitificação dos nossos próprios heróis. E propõe o processo inverso, de desmitificação, como alternativa para começar a construir um ambiente mais fértil à discussão e produção intelectual. Sempre cético, Koolhaas estrutura sua palestra com base num diagrama de sua trajetória pessoal. Um gráfico com dois componentes principais variando ao longo do tempo: a economia de seu escritório e a economia mundial. E dividido em 5 fases: “Starving artist, Start up, Take off, Star architect, Retreat”. O diagrama já tinha sido apresentado dois meses antes numa palestra no Berlage Institute em Rotterdam (ver “Three in one” aqui:
http://vimeo.com/25071414). Desta vez, porém, RK opta por uma explicação mais detalhada da sua trajetória, volta e meia pautada por uma referência ao universo brasileiro – como quando citou os prédios da Esplanada dos ministérios em Brasília como um dos motivos de ter se tornado arquiteto.

Pessoalmente, achei a palestra fantástica. Gosto de como RK responde às perguntas, mesmo quando elas são péssimas. Parece que nunca descansa, está sempre contestando a posição em que ele mesmo se encontra. Ao ser perguntado sobre seu sentimento em relação à cidade de São Paulo, por exemplo, respondeu que era necessário distinguir sentimento de impressões, e disse que como intelectual não deveria passar impressões.

Vejo sua vinda como um marco do momento que nossa arquitetura está vivendo, uma fase de reajuste de valores e escolhas de novas direções. Fico feliz de ter feito este esforço pra ir assisti-lo e de ter feito parte do público jovem que estava lá. Mas espero que com isso coloquemos em debate a maneira como discutimos arquitetura e quais os meios que utilizamos para fazê-lo.

Aliás, filmaram a palestra, só falta divulgar.
"


(por Gabriel Kozlowski Maia, aluno do Curso de Arquitetura da PUC-Rio)


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Have you seen Koolhaas?


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Koolhaas / Por um telefonema recebido no meio da tarde de quarta, fiquei sabendo que Rem Koolhaas estava no Brasil. Se eu tivesse sabido antes, provavelmente teria ido ouvi-lo no SESC Pompéia, em S.Paulo, no dia seguinte. E acredito que muitas outras pessoas também. Mesmo que a informação - também incerta - fosse de que era necessário apresentar um convite, concedido não sei por quem, a um público bem restrito.


Bom, mas então estou aqui juntando as notícias que me chegam, daqui e dali: que ele contou que um de seus interesses pela arquitetura nasceu quando viu fotos de Brasília na revista Time, aos 15 anos. Que comparou São Paulo a Jacarta e Lagos. E que também transitou pelo Rio (pela segunda vez, pelo menos), onde visitou o MAM. Mas não é pouco para um arquiteto tão grande?


A foto acima é de Paulo Liebert e foi extraída de matéria publicada no Estado de São Paulo: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sp-parece-jacarta-e-lagos-diz-koolhaas,763931,0.htm


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Cidade? / Não canso de recomendar aos meus alunos que leiam Koolhaas. Para mim, é o pensamento mais vivo sobre a cidade contemporânea, e por isso mesmo fundamental neste momento em que o Rio se vê diante de tantas transformações.


Três de seus textos de referência sobre o assunto - Junkspace, Generic City e Bigness - foram publicados recentemente em português (de Portugal) no livro "Três textos sobre cidade", da editora Gustavo Gili.


E agora surgiu uma entrevista na Internet em que, talvez pela primeira vez, Koolhaas fala do Rio. A entrevista começa assim: "As características mais importantes que usamos para definir cidades - que nós definimos tipicamente em termos de espaços públicos, coerência de ruas, praças, composição geral - essas terminologias estão se tornando cada vez menos relevantes para a compreensão do que é a cidade. Se você olha para Dubai ou Beijing ou qualquer coisa no Pearl River Delta, por exemplo, o que vê é que há uma liberdade muito grande aplicada à noção de cidade. A profissão da arquitetura está equipada para lidar com um tipo de cidade - a cidade que tem forma - e permanece, quase por inteiro, inadequadamente equipada para pensar num outro tipo de cidade."


E não falta um alerta dirigido especificamente ao Rio: "se você olhar para o Rio agora, vê que algumas favelas estão sendo consideradas dignas do status de Patrimônio Mundial. Então existe obviamente uma grande consciência quanto ao valor das coisas existentes. Mas isso tem um efeito paradoxal: as coisas existentes são muito acriticamente mantidas porque nem todas realmente merecem vida eterna."


A entrevista está aqui: http://www.pwc.com/us/en/cities-of-opportunity (tem uma versão reduzida em vídeo, mas entrando na seção Interviews é possível também baixar a versão integral , transcrita, em PDF).
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Mar Morto / Será que a positividade com que continuamos a encarar a arquitetura é realmente benéfica para a sua prática? A interrogação me levou a propor aos alunos hoje uma discussão - propositalmente desviante em relação ao nosso percurso até aqui - em torno da relação entre Richard Serra, Robert Smithson e o contexto nova-iorquino (conduzida pela Martha Telles, que acaba de concluir tese sobre o tema). À perplexidade mais ou menos generalizada diante do Hotel Palenque (palestra de Smtihson aos alunos de arquitetura da Universidade de Utah, em 1972) seguiu-se então uma animada discussão sobre a ausência de um ambiente de discussão em arquitetura hoje no Rio, que me obrigou a reconhecer o papel limitado da minha própria ação, dentro da escola, em face dos inúmeros problemas que assolam atualmente a prática carioca da arquitetura, como a falta de referências intelectuais e projetuais contemporâneas, o descolamento entre arte e arquitetura, a escassez de concursos públicos e a inexistência de um debate capaz de ganhar a esfera pública, que se traduz no assombroso silêncio profissional diante da falta de foco das operações cada vez mais midiáticas da prefeitura carioca.

A situação é quase terminal. E no entanto não encontro nenhum sinal de mal-estar capaz de abalar a auto-confiança que segue escorando a disciplina da arquitetura entre nós, por mais que ela se mostre cada dia mais isolada e desimportante. Preferimos seguir mecanicamente projetando e cultuando monumentos do que aceitar o desafio de Rem Koolhaas, para livrar-nos da eternidade historicamente associada à arquitetura e enfrentar os riscos que envolvem a sua prática hoje.