

MMBB / "Rugosidades, persistências e estratégias de projeto" é o título da palestra que o arquiteto Fernando de Mello Franco fará na próxima sexta, dia 25, na PUC. Fernando é sócio do MMBB, escritório sediado em São Paulo, e um dos curadores da próxima edição da Bienal Internacional de Arquitetura de Rotterdam. Em sua apresentação, ele deverá expor a metodologia de leitura territorial e urbana desenvolvida em sua tese de doutorado, com foco no processo de desenvolvimento da região metropolitana de São Paulo e em alguns projetos do MMBB que enfrentam essa escala, como os Vazios de água e o Córrego do Antonico. A palestra será às 19 hs na sala 3 do IMA (R Marquês de S. Vicente, 225, Gávea), e é aberta a todos.
A probabilidade de que essa cidade seja fruto da imaginação da Noemi é grande. Mas ela me atingiu de tal maneira que desenvolvi olhos novos para tudo à minha volta: a janela do meu banheiro, o papel com que levo as berinjelas ao forno, a lata de cerveja que guardo para uma visita inesperada (ou será para mim mesma?), o carrinho que ganhei do meu sobrinho, o avião que me leva e traz. Será que essas coisas todas saem de Alumínio? E se saem, por que caminhos chegam até mim?
Se quiserem acreditar, Alumínio é um município do estado de São Paulo, com cerca de 15.000 habitantes, que guarda em sua memória uma estação de trem e uma fábrica de cimento, construídas no séc. XIX, e hoje vive agarrada a uma fábrica de alumínio (uma das maiores do país).
Dito isto, devo acrescentar que não muito longe existe uma outra cidade, igualmente próspera, chamada Votorantim - a qual, como o nome indica, vive agarrada a uma fábrica de cimento (uma das maiores do país, também, e por sinal pertencente ao mesmo grupo). Motivo suficiente para ir até lá já tenho, então. Mas partir do Rio rumo a Alumínio, ou Votorantim, já me parece inverossímil demais. Acho que preciso daquela cerveja.
Posto 11 / nov 11

Reidy / Esta quinta, dia 10, às 19:30, tem pré-estréia do filme "Reidy, a construção da utopia" - segundo documentário sobre o arquiteto, dirigido por Ana Maria Magalhães - no Instituto Moreira Salles. A sessão será seguida de debate com João Masao Kamita, a diretora do filme e eu.
9
Operação interligada / "A aplicação da operação interligada na cidade do Rio de Janeiro (1997-2000) como instrumento de ordenamento territorial" é o título da aguardada tese de doutorado da arquiteta Helia Nacif Xavier, que apresenta e discute este polêmico instrumento da política urbana - fundado na negociação entre poder público e interesse privado - com base na experiência da autora como Secretária municipal de Urbanismo na gestão do prefeito Luis Paulo Conde. A defesa será esta quinta, dia 3 de novembro, às 13:30 no PROURB, FAU-UFRJ (quinto andar do edifício da Faculdade de Arquitetura, na Cidade Universitária). Para todos que se interessam pela cidade, em sua dinâmica contemporânea - ou como diz Helia, em seu "aqui e agora".



É um belíssimo ensaio audiovisual, que estréia a tempo de contribuir para a discussão que vem se alargando sobre os grandes investimentos em infra-estrutura realizados em todo o país por conta da Copa e das Olimpíadas.
(A foto acima é da Yasmin Martins, aluna do Curso de Arquitetura da PUC-Rio, que também filmou o impressionante momento da implosão do hospital: http://www.youtube.com/watch?v=w7bzF3dDaAE )


Maraca / "Mas o Maracanã não é o estádio mais importante do Brasil"? Ele me olha incrédulo, na mesa do simpático "El Rincón", onde sentamos para tomar um vinho depois da minha apresentação em Buenos Aires. Para alguém que não está seguindo de perto o acelerado processo de transformação pelo qual o Rio está passando, custa a crer que o Maracanã - sim, o estádio mais importante do Brasil, e também o único tombado a nível federal - esteja sendo completamente desfigurado, segundo um projeto que ninguém sabe bem como é, nem quanto vai custar.

Maracanã, Marina, Brahma, Ministério... / O que será do Maracanã e da Marina da Glória depois da Copa e das Olimpíadas? Ambos são tombados a nível federal e guardam uma relação indiscutivelmente forte com a paisagem, a cultura e a história da cidade. Mas as informações disponíveis sobre os projetos de reestruturação dos dois espaços, até agora, são tão vagas que quase nada se sabe além do pouco que tem sido noticiado na imprensa. Daí a importância dos dois estudos produzidos recentemente pela arquiteta Claudia Girão, do IPHAN, que foi atrás dos projetos e dedicou-se a examiná-los em profundidade.
Segundo ela, as reformas em andamento (do Maracanã, segundo projeto do arquiteto paulista Daniel Fernandes), ou em vias de serem iniciadas (da Marina, segundo projeto do arquiteto Luis Eduardo Índio da Costa) desconsideram claramente os critérios de tombamento vigentes e envolvem sérios riscos de uma descaracterização irreversível.
Alguém dirá que é alarmismo. Mas a marquise do Maracanã, por exemplo, já está sendo demolida para ser substituída por um cobertura de lona supostamente exigida pela FIFA - e isso, apesar dos protestos públicos dos arquitetos Nestor Goulart Reis Filho e Italo Campofiorito, que participaram do processo de tombamento deste que é o único estádio brasileiro tombado pelo IPHAN.
Já no caso da Marina - cujo anteprojeto recebeu uma autorização preliminar do Conselho Consultivo do IPHAN em maio deste ano – há, segundo Claudia, a previsão de um imenso estacionamento de quase 60 mil m2, que não só vai gerar um enorme movimento de terra no parque projetado por Burle Marx como também um movimento de veículos indiscutivelmente perturbador para o parque.
No entanto, essa informação, aparentemente, não foi comunicada ao Conselho do IPHAN, que sequer recebeu qualquer parecer técnico ou pranchas do anteprojeto; apenas um dossiê A4 encadernado, sem plantas, cortes e fachadas, e áreas construídas. Assim, ao que tudo indica, algumas informações básicas ainda não foram passadas ao Conselho, como a indicação do deck de 12 mil metros quadrados que se pretende cravar sobre estacas na enseada da Glória, e deverá ser encimado por uma construção de 5,50m de altura. É verdade que o projeto executivo ainda deve ser submetido ao Conselho (que, por ora, exigiu da EBX um Termo de Compromisso garantindo o acesso público ao espaço). Mas motivos de apreensão não faltam.
Basta lembrar o caso recente da fábrica da Brahma, no Catumbi, que foi destombada pelo próprio governador do Rio, Sérgio Cabral. E para que? Para permitir obras de ampliação do Sambódromo visando a construção de equipamentos olímpicos no local, que envolveram a negociação, com uma empresa privada, de índices de construção ampliados para o terreno da antiga cervejaria - implodida em junho deste ano. (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/search?q=%C3%A1ureo)
Também convém lembrar o alerta insistente da arquiteta Maria Elisa Costa sobre as obras de “retrofit” que ameaçam o Palácio Gustavo Capanema (antigo Ministério da Educação), monumento máximo da arquitetura moderna no Brasil, também tombado pelo IPHAN. (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/2011/07/posto-07-jul-11.html)
Enfim, eu gostaria que os dois estudos da arquiteta Claudia Girão estivessem errados. Mas eles resultam da análise mais cuidadosa que vi até agora dos projetos em questão, incluindo um precioso histórico de projetos anteriores e dos respectivos processos de tombamento, sem deixar muita margem para dúvida. É só ver aqui:
(a senha de visitação é posto12).
Posto 10 / out 11
1
Rem in Rio / A carta para Koolhaas conta até agora com cerca de duas dezenas de assinaturas. Até segunda, quando ela será enviada, ainda é possível subscrevê-la. Mas será inútil esperar por resposta. Simplesmente há alguma coisa a dizer e ela está sendo dita – do modo como é possível neste momento, numa ação singela, mas minimamente estruturada coletivamente, contra a inércia e o conformismo.
E nisso há qualquer coisa que me faz lembrar Torquato Neto: “o principal mandamento de quem quer estar vivo é não morrer de jeito nenhum, e servir pra alguma coisa.” (sobre o papel cumprido pelo MAM, nos anos 70)
Eu já assinei.
Libeskind / Na proxima quinta, 22, o arquiteto Daniel Libeskind dará uma palestra no Centro Cultural Midrash, no Leblon. Libeskind é autor do projeto da extensão do Museu Judaico em Berlim e da Freedom Tower, em construção no Ground Zero, em Nova York, e tem um projeto em andamento para um edifício residencial de alto luxo em São Paulo (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/search?q=daniel+libeskind).
http://www.midrash.org.br/programacao/palestra-o-arquiteto-do-ground-zero-daniel-libeskind/485
