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Sergio Bernardes, Futuro próximo / Boa notícia: finalmente o acervo de Sergio Bernardes será catalogado para fins de pesquisa. Todo o material - desenhos, fotos, maquetes, filmes, documentos - foi transferido esta semana para o NPD/Núcleo de Pesquisa e Documentação da FAU-UFRJ, sob a coordenação da profa. Elizabeth Martins.

Entre as preciosidades do acervo há vários projetos de grande escala para o Rio, compreendendo áreas e problemas que hoje estão justamente no centro do processo de transformação da cidade. Entre eles, a Arena Quinta da Boa Vista - um projeto de requalificação urbana de uma vasta área, abrangendo do Maracanã ao Cais do Porto, estruturado a partir da proposta de transformação do Pavilhão de São Cristovão (também projetado por Bernardes, na década de 1950) em uma arena multiuso com capacidade para 20.000 espectadores.

O projeto - encomendado na década de 1990, pelo então prefeito Luis Paulo Conde - foi desenvolvido em parceria com o arquiteto Rolf Hüther e o escritório Millet, Biosca & Associats, de Barcelona (encabeçado pelo arquiteto Lluís Millet e responsável pelo anteprojeto da candidatura de Barcelona para os jogos olímpicos de 1992, e do Rio, para 2004). O estudo de viabilidade indicava claramente o propósito do projeto: "não parece ser um prognóstico temerário afirmar que o Rio será uma cidade olímpica em um futuro próximo. A construção de uma nova Arena representa uma aposta nesse sentido".



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Blogsfera / Começei o Posto 12 em 2009, pensando nos meus alunos e prevendo uma duração de 12 meses. Mas a blogsfera foi se mostrando um espaço deflagrador de debate, resistência e reivindicação cada vez mais imprescindível, que só vem se expandindo e ganhando sentido diante da aceleração do processo de transformações urbanas que vamos vivendo em várias partes no Brasil, e da nossa visível incapacidade de acompanhá-lo (seja como críticos, arquitetos, alunos, jornalistas ou cidadãos, simplesmente). Evidentemente a opção pelo blog não é excludente; não exclui nem reduz o texto crítico, de um lado, nem o trabalho jornalístico, de outro, mas abre possibilidades para o alargamento e aprofundamento de uma reflexão coletiva que já não pode esperar, nem ficar restrita a uma esfera local.


Chega como uma ótima notícia, portanto, a criação recente de um blog por Renato Anelli, arquiteto e professor da USP-São Carlos, para acompanhar especificamente os problemas de infraestrutura e desenvolvimento urbano relacionados com a Copa em São Paulo: http://copasaopaulo.wordpress.com/


E tem outro blog que descobri recentemente, feito por Christopher Gaffney, professor visitante do programa de pós-graduação em arquitetura e urbanismo da UFF, que foca nos impactos sociais e urbanos da Copa e das Olimpíadas no Brasil: http://www.geostadia.com/

Bem-vindos.

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HU / Estréia amanhã, sábado, o documentário 'HU', dirigido por Pedro Urano em parceria com a artista visual Joana Traub Csekö. O filme de 75 min foi realizado no então apenas parcialmente ocupado edifício modernista do Hospital Universitário da UFRJ, projetado por Jorge Machado Moreira na década de 1950, e cuja chamada "perna seca" foi finalmente implodida em dezembro passado (ver posts anteriores: http://posto12.blogspot.com/search?q=implos%C3%A3o+hospital).


É um belíssimo ensaio audiovisual, que estréia a tempo de contribuir para a discussão que vem se alargando sobre os grandes investimentos em infra-estrutura realizados em todo o país por conta da Copa e das Olimpíadas.




O filme passa às 18h, no Arteplex Botafogo, com uma conversa com os diretores após a sessão. O trailer está aqui: http://vimeo.com/29902358

E tem mais informações no blog do filme: http://www.enigmahu.blogspot.com/

(A foto acima é da Yasmin Martins, aluna do Curso de Arquitetura da PUC-Rio, que também filmou o impressionante momento da implosão do hospital: http://www.youtube.com/watch?v=w7bzF3dDaAE )

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Novo Maracanã / Nova cobertura, novas arquibancadas, novos camarotes, quatro novos conjuntos de rampas, lounges e torcedores engravatados: é isso?





"Dá até uma dor no peito", foi o comentário de Romário em visita ao canteiro esta semana. Ver aqui: http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-do-mundo/noticia/2011/10/quarto-artilheiro-romario-lamenta-aspecto-do-maracana-dor-no-peito.html





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Maraca /
"Mas o Maracanã não é o estádio mais importante do Brasil"? Ele me olha incrédulo, na mesa do simpático "El Rincón", onde sentamos para tomar um vinho depois da minha apresentação em Buenos Aires. Para alguém que não está seguindo de perto o acelerado processo de transformação pelo qual o Rio está passando, custa a crer que o Maracanã - sim, o estádio mais importante do Brasil, e também o único tombado a nível federal - esteja sendo completamente desfigurado, segundo um projeto que ninguém sabe bem como é, nem quanto vai custar.


E se a Copa fosse na Argentina, será que alguém ousaria "modernizar" o La Bombonera (foto), o inacreditável estádio/caixa de bombons do Boca Juniors - por mais que suas arquibancadas, empilhadas verticalmente, sejam obviamente inadequadas para os padrões atuais da Fifa, e ele esteja visivelmente apertado ali, "como um peru num pires"? Ou será que sua imperfeição seria ainda considerada o ponto culminante das atrações daquela região já bem folclórica e cheia de souvernirs mas ainda carregada das imprecisões e qualidades que fazem do bairro portuário de La Boca o reverso do ambiente fashion de Puerto Madero? Penso nisso no avião de volta pro Rio, enquanto acompanho Beatriz Sarlo em seu trânsito por Buenos Aires, sobre o fundo das transformações culturais e urbanas que marcaram a Argentina nos últimos anos ("La Ciudad vista, mercancias y cultura urbana", 2009).


E quando chego em casa encontro uma petição pública exigindo transparência nas obras do Maracanã. É que o movimento "MeuRio" está colhendo assinaturas para cobrar do poder público a divulgação de vários documentos relativos à obra, entre eles os projetos básico e executivo, o estudo de impacto da vizinhança, laudos técnicos e alternativas para a derrubada da marquise. A idéia é entregar a petição, com pelo menos 2000 assinaturas, nas mãos do governador durante o SoccerEx, megaevento de negócios de futebol que acontece no Rio agora em novembro.


1324 pessoas já assinaram:



O assunto também está em pauta no jornal "O Dia" de hoje. "Quem passa por ali fica até com medo de olhar direito: praticamente não sobrou pedra sobre pedra e poucos têm idéia do que vai surgir ali." diz o economista André Urani. Ficções de Borges?


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RioNow / Levo 23 projetos comigo para a Bienal de Buenos Aires, que começa amanhã. Todos concebidos nos útimos 10 anos para o Rio, por arquitetos de várias gerações e partes do mundo. Alguns já construídos, outros em obras, um não desenvolvido, e vários concursos. Minha apresentação - "RioNow. Notes on a changing city" - abre com a Cidade da Música, de Christian de Portzamparc, e inclui, entre outras coisas, uma série de museus (como o MIS, de Diller Scofidio + Renfro), um hospital (Sarah-Rio, de Lelé), algumas instalações esportivas (como o Centro Nacional de Tiro Esportivo, BCMF - na foto acima) e obras de infra-estrutura (como o teleférico do Complexo do Alemão, de Jorge Mario Jauregui). Com exceção da casa em Santa Teresa, de Angelo Bucci, todos são projetos públicos ou de uso público. E enquanto organizava a apresentação, me dei conta de que é a primeira vez que falo de arquitetura contemporânea...no Rio. É um dado e tanto, sem dúvida. Mas o melhor é que o trabalho de seleção no qual me envolvi nas últimas semanas também me colocou diante de um material farto para discussão - que inclui alguns projetos de grande qualidade (agradeço a todos que coloboraram de algum modo com o envio de imagens e informações).



PS: Minha leitura de bordo inclui a entrevista de Rem Koolhaas em S.Paulo, publicada na edição de outubro da revista Bamboo (que encontrei hoje na banca Piauí, no Leblon).
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Maracanã, Marina, Brahma, Ministério... / O que será do Maracanã e da Marina da Glória depois da Copa e das Olimpíadas? Ambos são tombados a nível federal e guardam uma relação indiscutivelmente forte com a paisagem, a cultura e a história da cidade. Mas as informações disponíveis sobre os projetos de reestruturação dos dois espaços, até agora, são tão vagas que quase nada se sabe além do pouco que tem sido noticiado na imprensa. Daí a importância dos dois estudos produzidos recentemente pela arquiteta Claudia Girão, do IPHAN, que foi atrás dos projetos e dedicou-se a examiná-los em profundidade.

Segundo ela, as reformas em andamento (do Maracanã, segundo projeto do arquiteto paulista Daniel Fernandes), ou em vias de serem iniciadas (da Marina, segundo projeto do arquiteto Luis Eduardo Índio da Costa) desconsideram claramente os critérios de tombamento vigentes e envolvem sérios riscos de uma descaracterização irreversível.

Alguém dirá que é alarmismo. Mas a marquise do Maracanã, por exemplo, já está sendo demolida para ser substituída por um cobertura de lona supostamente exigida pela FIFA - e isso, apesar dos protestos públicos dos arquitetos Nestor Goulart Reis Filho e Italo Campofiorito, que participaram do processo de tombamento deste que é o único estádio brasileiro tombado pelo IPHAN.

Já no caso da Marina - cujo anteprojeto recebeu uma autorização preliminar do Conselho Consultivo do IPHAN em maio deste ano – há, segundo Claudia, a previsão de um imenso estacionamento de quase 60 mil m2, que não só vai gerar um enorme movimento de terra no parque projetado por Burle Marx como também um movimento de veículos indiscutivelmente perturbador para o parque.

No entanto, essa informação, aparentemente, não foi comunicada ao Conselho do IPHAN, que sequer recebeu qualquer parecer técnico ou pranchas do anteprojeto; apenas um dossiê A4 encadernado, sem plantas, cortes e fachadas, e áreas construídas. Assim, ao que tudo indica, algumas informações básicas ainda não foram passadas ao Conselho, como a indicação do deck de 12 mil metros quadrados que se pretende cravar sobre estacas na enseada da Glória, e deverá ser encimado por uma construção de 5,50m de altura. É verdade que o projeto executivo ainda deve ser submetido ao Conselho (que, por ora, exigiu da EBX um Termo de Compromisso garantindo o acesso público ao espaço). Mas motivos de apreensão não faltam.

Basta lembrar o caso recente da fábrica da Brahma, no Catumbi, que foi destombada pelo próprio governador do Rio, Sérgio Cabral. E para que? Para permitir obras de ampliação do Sambódromo visando a construção de equipamentos olímpicos no local, que envolveram a negociação, com uma empresa privada, de índices de construção ampliados para o terreno da antiga cervejaria - implodida em junho deste ano. (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/search?q=%C3%A1ureo)

Também convém lembrar o alerta insistente da arquiteta Maria Elisa Costa sobre as obras de “retrofit” que ameaçam o Palácio Gustavo Capanema (antigo Ministério da Educação), monumento máximo da arquitetura moderna no Brasil, também tombado pelo IPHAN. (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/2011/07/posto-07-jul-11.html)

Enfim, eu gostaria que os dois estudos da arquiteta Claudia Girão estivessem errados. Mas eles resultam da análise mais cuidadosa que vi até agora dos projetos em questão, incluindo um precioso histórico de projetos anteriores e dos respectivos processos de tombamento, sem deixar muita margem para dúvida. É só ver aqui:














Posto 10 / out 11

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Rem in Rio / A carta para Koolhaas conta até agora com cerca de duas dezenas de assinaturas. Até segunda, quando ela será enviada, ainda é possível subscrevê-la. Mas será inútil esperar por resposta. Simplesmente há alguma coisa a dizer e ela está sendo dita – do modo como é possível neste momento, numa ação singela, mas minimamente estruturada coletivamente, contra a inércia e o conformismo.

E nisso há qualquer coisa que me faz lembrar Torquato Neto: “o principal mandamento de quem quer estar vivo é não morrer de jeito nenhum, e servir pra alguma coisa.”
(sobre o papel cumprido pelo MAM, nos anos 70)

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Dear Mr Rem Koolhaas, /

Está aí a carta. Para assiná-la, basta mandar um email com nome completo e ocupação (arquiteto, estudante, professor etc) para: lettertokoolhaas@gmail.com. A carta deve ser enviada no dia 1 de outubro.

Quanto mais assinaturas, melhor.
Eu já assinei.

E ainda sobre RK: a revista mdc, de Minas Gerais, disponibilizou um vídeo da palestra dele, junto com Petra Blasse, na UnB, em Brasília: http://mdc.arq.br/2011/09/23/rem-koolhaas-fala-em-brasilia/
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Urgente / A palestra de Daniel Libeskind hoje, no Midrash, foi cancelada.
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Dear Mr Koolhaas / O desconforto com o silêncio em torno da visita de RK ao Brasil - e sobretudo ao Rio - está gerando uma carta aberta ao arquiteto. A carta deve ser enviada a ele semana que vem, mas antes disso estará circulando na Internet para quem quiser assiná-la.

A propósito: sim, RK - e Petra Blaisse - estiveram no Pedregulho, acompanhados pelo arquiteto Israel Nunes. Mais aqui, em breve.
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Libeskind /
Na proxima quinta, 22, o arquiteto Daniel Libeskind dará uma palestra no Centro Cultural Midrash, no Leblon. Libeskind é autor do projeto da extensão do Museu Judaico em Berlim e da Freedom Tower, em construção no Ground Zero, em Nova York, e tem um projeto em andamento para um edifício residencial de alto luxo em São Paulo (ver post anterior: http://posto12.blogspot.com/search?q=daniel+libeskind).

Entre seus projetos recentes está também o Sheba Medical Center, em Israel, dedicado ao tratamento do stress pós-traumático. O Midrash - projetado pelo arquiteto paulistano Isay Weinfeld - fica na Rua Gal. Venâncio Flores, 184, no Leblon. A palestra será às 20:30. Mais infs aqui:
http://www.midrash.org.br/programacao/palestra-o-arquiteto-do-ground-zero-daniel-libeskind/485
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Parece delírio / Ainda não digeri a estranha visita de RK ao Brasil, e continuo tentando juntar as informações que me chegam, daqui e dali. Soube esta semana que ele também deu uma palestra na UnB. E logo hoje, 11 de Setembro, me chega um link com um relato de uma entrevista feita em São Paulo.

A entrevista foi feita por Gabriel Kogan para a revista Bamboo, que não conheço (pelo título, me sugere algo a ver com sustentabilidade; mas será?). O entrevistador revela, entre outras coisas, que RK e Obrist visitaram a Casa Bola, de Eduardo Longo, e se impressionaram o que viram: Obrist sugeriu fazer um livro, e RK resumiu a visita como "a sua experiência arquitetônica mais forte dos últimos 10 anos".

Mas ainda mais espantoso foi saber que foi "bem no Pedregulho" que o tal amigo - e sócio - de RK foi assassinado no Brasil (ver S,M,L,XL). Ainda assim, o entrevistador insistiu para que RK conhecesse a obra. E ele deve ter ouvido a sugestão, porque soube por outra fonte, agora do Rio, que pelo menos uma pessoa foi contatada para levá-lo até lá. Mas o contato foi feito em cima da hora e esta pessoa não pôde ir. Então ainda não sei se RK esteve lá.

Parece delírio.

Ver aqui: http://cosmopista.wordpress.com/2011/08/23/um-dia-com-rem-koolhaas/





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Roadtrip to Rem



"Terça-Feira, 23, estava fazendo minha inspeção diária aos posts sobre arquitetura e, por acaso, li em algum lugar, em que não me lembro de ter entrado antes, que Koolhaas daria uma palestra no Sesc Pompéia no dia seguinte. Umas semanas atrás, estava procurando intensamente alguma noticia sobre a “maratona” em que Hans Ulrich entrevistaria Rem Koolhaas, Vik Muniz e Hebe Camargo, entre outros, no Rio. Sem conseguir qualquer notícia muito concreta, e após conversar com amigos, concluí que o evento tinha sido cancelado. A notícia sobre São Paulo veio então substituir minha frustração. Desse momento em diante estava disposto a fazer o que fosse necessário para ouvir Koolhaas em São Paulo.

Liguei pro Sesc, e após ser redirecionado para todos os ramais internos, me perguntaram se eu tinha recebido um convite, sem o qual não seria possível entrar. Perguntei como tinha sido feita a distribuição dos convites e não souberam me informar, mas disseram que o Instituto Bardi havia organizado o evento. Liguei pro Instituto e fui de novo redirecionado algumas vezes, até chegar a uma moça simpática que explicou que o convite havia sido oferecido a poucas pessoas mas havia a possibilidade de enviar um e-mail solicitando uma vaga. Ela me passou o endereço, já dizendo que seria difícil, porém deixando alguma esperança. Liguei pra uns amigos, um deles disse da possibilidade de ficarmos na casa de uma amiga em SP, consegui o carro com meu pai e coloquei uma escova de dentes e um par de roupas na mochila. Mas até quarta-feira, às onze horas, não tive resposta. Liguei então novamente pro Instituto e fiquei sabendo da possibilidade de retirar ingressos na entrada, pois os convites que não fossem utilizados seriam distribuídos por ordem de chegada. Fiquei um tempo explicando que sairia do Rio de Janeiro especialmente pra isso, e como a palestra era importante pra mim, mas a moça simpática disse que não era possível garantir mais convites, e só. Saímos do Rio às 15h, sem convite e sem nunca ter andado de carro em São Paulo, mas confiantes no desempenho de um pequeno GPS que levávamos conosco. Na primeira hora de viagem o celular de uma amiga vibrou, com a confirmação dos nossos convites recebida por e-mail. Pelo visto a moça simpática se sensibilizou com o nosso caso, agora a viagem seria menos tensa.

Acredito que o episódio reflete dois problemas atuais da arquitetura no Brasil:

1) seu isolamento em relação às demais áreas do conhecimento. Um autismo que parece vir de uma tentativa (febril) de proteção ou auto valorização, culminando em uma especialização que impede a troca com outras disciplinas. É o arquiteto que só consegue conversar com arquiteto e desmerece qualquer comentário vindo de outra área, num processo de auto-exclusão que dá no que deu: um dos maiores arquitetos do mundo vem ao país e o que era pra ser do interesse de todos acaba passando quase em branco.

2) a ausência de um ambiente transparente de discussão critica sobre nossa profissão. O fato de uma palestra dessa importância ser fechada, ou tão restrita, mostra que ainda não estamos preparados para este tipo de debate. Acredito que isto tem a ver com a base do nosso sistema de ensino, ainda beaux-artiano, em que o arquiteto é ensinado a “fazer arquitetura”, e o debate e a critica são marginalizados.

RK começa sua fala definindo um herói: alguém sem defeito e admirado. Diz que o que fizemos até agora foi a construção e mitificação dos nossos próprios heróis. E propõe o processo inverso, de desmitificação, como alternativa para começar a construir um ambiente mais fértil à discussão e produção intelectual. Sempre cético, Koolhaas estrutura sua palestra com base num diagrama de sua trajetória pessoal. Um gráfico com dois componentes principais variando ao longo do tempo: a economia de seu escritório e a economia mundial. E dividido em 5 fases: “Starving artist, Start up, Take off, Star architect, Retreat”. O diagrama já tinha sido apresentado dois meses antes numa palestra no Berlage Institute em Rotterdam (ver “Three in one” aqui:
http://vimeo.com/25071414). Desta vez, porém, RK opta por uma explicação mais detalhada da sua trajetória, volta e meia pautada por uma referência ao universo brasileiro – como quando citou os prédios da Esplanada dos ministérios em Brasília como um dos motivos de ter se tornado arquiteto.

Pessoalmente, achei a palestra fantástica. Gosto de como RK responde às perguntas, mesmo quando elas são péssimas. Parece que nunca descansa, está sempre contestando a posição em que ele mesmo se encontra. Ao ser perguntado sobre seu sentimento em relação à cidade de São Paulo, por exemplo, respondeu que era necessário distinguir sentimento de impressões, e disse que como intelectual não deveria passar impressões.

Vejo sua vinda como um marco do momento que nossa arquitetura está vivendo, uma fase de reajuste de valores e escolhas de novas direções. Fico feliz de ter feito este esforço pra ir assisti-lo e de ter feito parte do público jovem que estava lá. Mas espero que com isso coloquemos em debate a maneira como discutimos arquitetura e quais os meios que utilizamos para fazê-lo.

Aliás, filmaram a palestra, só falta divulgar.
"


(por Gabriel Kozlowski Maia, aluno do Curso de Arquitetura da PUC-Rio)


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Have you seen Koolhaas?


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Koolhaas / Por um telefonema recebido no meio da tarde de quarta, fiquei sabendo que Rem Koolhaas estava no Brasil. Se eu tivesse sabido antes, provavelmente teria ido ouvi-lo no SESC Pompéia, em S.Paulo, no dia seguinte. E acredito que muitas outras pessoas também. Mesmo que a informação - também incerta - fosse de que era necessário apresentar um convite, concedido não sei por quem, a um público bem restrito.


Bom, mas então estou aqui juntando as notícias que me chegam, daqui e dali: que ele contou que um de seus interesses pela arquitetura nasceu quando viu fotos de Brasília na revista Time, aos 15 anos. Que comparou São Paulo a Jacarta e Lagos. E que também transitou pelo Rio (pela segunda vez, pelo menos), onde visitou o MAM. Mas não é pouco para um arquiteto tão grande?


A foto acima é de Paulo Liebert e foi extraída de matéria publicada no Estado de São Paulo: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,sp-parece-jacarta-e-lagos-diz-koolhaas,763931,0.htm


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Parque Olímpico / Então é isto: o concurso foi vencido pelo escritório inglês AECOM, também responsável pelo plano geral urbanístico do Parque Olímpico de Londres. A equipe foi coordenada por um arquiteto americano, Bill Hanway, em parceira com o brasileiro Daniel Gusmão.


Sobre este, só o que sei, por ora, é o que o Google me diz: que é formado pela UFRJ e fez mestrado na Universidade da Pensylvania, onde trabalhou por oito anos no escritório KMD – Kaplan McLaughlin Diaz Architects. E desde 2004, tem escritório no Rio: http://www.dg-arq.com/


O segundo lugar ficou com o projeto do arquiteto americano Ron Turner, que trabalhou em associação com os escritórios cariocas Coutinho, Diegues & Cordeiro e Miguel Pinto Guimarães. E o terceiro foi dado a um arquiteto português, Tomás Almeida Fernandes Salgado.
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Parque Olímpico / Sexta agora, dia 19, às 9:30, sai a divulgação do resultado do concurso internacional de projetos para o Parque Olímpico. A cerimônia, aberta a todos, será no Parque Aquático Maria Lenk, na Av. Embaixador Abelardo Bueno, s/n° - Portão 4 (Complexo Esportivo do Autódromo, Barra da Tijuca). Todos os projetos concorrentes (60, no total) estarão em exposição lá mesmo na sexta, e a partir de terça-feira na sede do IAB.

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Dutão / Os viadutos são, em geral, deplorados como um dos piores legados do urbanismo modernista. Seu traçado, quase sempre alheio ao tecido urbano existente e justificado por argumentos estritamente técnicos (sobretudo do ponto de vista da eficácia do tráfego automobilístico), gerou, de fato, muitas cicatrizes e feridas que permanecem abertas no espaço urbano.

Mas o viaduto é também uma grande cobertura. Uma espécie de gigantesca marquise que aos poucos a cidade, bem ou mal, incorpora – como tudo ou quase tudo, parece - e passa a abrigar uma série de atividades imprevistas e surpreendentes: uma feira de usados (sob a Perimetral, na Praça XV), uma academia de boxe improvisada (sob o viaduto do Café, em São Paulo). Ou o Baile Charme em Madureira, subúrbio do Rio. O baile já completou vinte anos e transformou o Viaduto Negrão de Lima em “Dutão”, numa clara demonstração da relação afetiva que também pode surgir entre uma agressiva obra viária e a comunidade local.


Difícil descrever o baile. O espaço é formado basicamente por dois recintos contíguos, definidos pela estrutura do viaduto e suas alças de acesso. Um cercado em chapa metálica envolve uma área onde há duas ou três barraquinhas de bebida e salgadinhos (o ingresso é pago: 3 Reais a dama e 5 o cavalheiro) e banheiros na extremidade oposta (sem água, mas com papel higiênico à vontade). Há também mesas e cadeiras de plástico vermelho, onde poucos se sentam, e só. O DJ fica diante de três pilares coloridos (um deles é rosa). E os freqüentadores são homens e mulheres – mais homens que mulheres, e em sua maioria negros – que se vestem com capricho para ir dançar sob o viaduto, ao som de uma versão eletrônica da black music dos anos 70, numa coreografia coletiva cujos passos a maioria conhece, intui ou pelo menos segue (a quem? difícil saber).

As fotos são da Cecilia e foram feitas ontem, por volta da meia-noite. Uma hora antes, quando chegamos, pensamos que não havia nada ali.