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Forte de Copacabana / Quem não vai querer entrar numa dessas caixas suspensas sobre o mar? Pra garantir acesso à estrutura projetada por Carla Juaçaba em colaboração com Bia Lessa, em todo caso, é bom se inscrever logo no Fórum de Empreendedorismo Social, que acontece lá durante a Rio+20, com várias atividades abertas ao público: http://www.empreendedorismosocial.org.br/index.php?lang=br
Os organizadores estão prevendo um público diário de 10.000 pessoas e avisam que não haverá estacionamento no local. Mas o metrô da Praça Gal.Osório fica bem próximo, e uma caminhada pela praia, saindo do Posto 12, ou do Leme, também não é má idéia.
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Rio + 20 / Quem passa pela praia de Copacabana vê surgir a obra mais recente da arquiteta Carla Juaçaba: uma imensa estrutura metálica, em construção no Forte de Copacabana, destinada a abrigar reuniões e exposições durante a Rio+20. O projeto, assinado com a cenógrafa Bia Lessa, se insere na linhagem da arquitetura visionária encabeçada por Cedric Price (Fun Palace, em Londres), Yona Friedman (Paris Espacial) e pelo grupo Archigram, nos anos 60.

Trata-se basicamente de uma estrutura treliçada, leve e portante, que hospeda caixas/cápsulas intercambiáveis e igualmente leves - de painéis de madeira, no caso -, suspensas do chão. Todos os elementos construtivos são pré-fabricados, de pequenas dimensões, e foram articulados para serem montados, desmontados, transportados e remontados, mobilizando estratégias de reaproveitamento. Mas aqui a estrutura - toda feita de andaimes - se concretiza e atualiza, à escala da paisagem carioca: 170x 40 m, com 25 m de altura. O resultado é de tirar o fôlego: o cruzamento do viés mais ficcional da arquitetura pop com o horizonte azul de Copacabana, e o Pão de Açúcar ao fundo. É algo que vai durar pouco ali - não mais que um mês - mas que já figura com destaque dentro do quadro que também vai se construindo da arquitetura contemporânea no Rio de Janeiro.
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Legado / Shohei Shigematsu (OMA, NY) abriu sua palestra na PUC, sexta passada, com a imagem de uma carta enviada por “some angry people from Rio” a seu sócio, Rem Koolhaas, no ano passado. Custei um pouco a perceber que se tratava do protesto que assinei com um pequeno grupo de alunos e professores, após sua última passagem pela cidade.
Segundo Shohei, a carta foi recebida com surpresa, mas foi também o motivo pelo qual ele decidiu apresentar-se na PUC agora, em sua primeira passagem por uma escola de arquitetura no Rio. Depois da palestra, entre (muitas) caipirinhas no Baixo Gávea, discutimos se o legado dos grandes eventos para os quais a cidade se prepara pode não ser um projeto ou uma edificação, propriamente, mas uma mudança de pensamento e de postura no meio da arquitetura local, a começar pelas escolas de arquitetura.
Parece óbvio, mas é bom não esquecer o quanto o papel das escolas, neste momento, é fundamental. E se muitos projetos que temos visto para o Rio não tem a qualidade que gostaríamos que tivessem, e talvez não sejam capazes de provocar uma mudança efetiva na cultura arquitetônica local, quem sabe a presença cada vez mais freqüente de tantos arquitetos estrangeiros, em palestras e workshops com estudantes, possa produzir o legado pelo qual devemos – e podemos, de fato - trabalhar neste momento.
A palestra de Shohei, aliás, foi brilhante - e abriu um abismo em relação à maioria das apresentações de arquitetos estrangeiros que temos visto por aqui. Em vez de imagens espetaculares e de um discurso pronto e acabado em defesa de uma arquitetura da qual nunca se vêem os problemas, o que vimos foram muitos mapas, diagramas e maquetes toscas e sem acabamento refinado, que falam muito mais de um exercício aberto - pensamento-obra -, que de uma obra concluída. Nenhuma frase de efeito, nenhuma instrução. Muito mais problemas e desafios que soluções, enfim, e um delicioso tom irônico e provocativo em tudo - culminante no Instituto Marina Abramovic, em Nova York, projetado para abrigar suas delirantes performances de longa duração.
Legado / Shohei Shigematsu (OMA, NY) abriu sua palestra na PUC, sexta passada, com a imagem de uma carta enviada por “some angry people from Rio” a seu sócio, Rem Koolhaas, no ano passado. Custei um pouco a perceber que se tratava do protesto que assinei com um pequeno grupo de alunos e professores, após sua última passagem pela cidade.
Segundo Shohei, a carta foi recebida com surpresa, mas foi também o motivo pelo qual ele decidiu apresentar-se na PUC agora, em sua primeira passagem por uma escola de arquitetura no Rio. Depois da palestra, entre (muitas) caipirinhas no Baixo Gávea, discutimos se o legado dos grandes eventos para os quais a cidade se prepara pode não ser um projeto ou uma edificação, propriamente, mas uma mudança de pensamento e de postura no meio da arquitetura local, a começar pelas escolas de arquitetura.
Parece óbvio, mas é bom não esquecer o quanto o papel das escolas, neste momento, é fundamental. E se muitos projetos que temos visto para o Rio não tem a qualidade que gostaríamos que tivessem, e talvez não sejam capazes de provocar uma mudança efetiva na cultura arquitetônica local, quem sabe a presença cada vez mais freqüente de tantos arquitetos estrangeiros, em palestras e workshops com estudantes, possa produzir o legado pelo qual devemos – e podemos, de fato - trabalhar neste momento.
A palestra de Shohei, aliás, foi brilhante - e abriu um abismo em relação à maioria das apresentações de arquitetos estrangeiros que temos visto por aqui. Em vez de imagens espetaculares e de um discurso pronto e acabado em defesa de uma arquitetura da qual nunca se vêem os problemas, o que vimos foram muitos mapas, diagramas e maquetes toscas e sem acabamento refinado, que falam muito mais de um exercício aberto - pensamento-obra -, que de uma obra concluída. Nenhuma frase de efeito, nenhuma instrução. Muito mais problemas e desafios que soluções, enfim, e um delicioso tom irônico e provocativo em tudo - culminante no Instituto Marina Abramovic, em Nova York, projetado para abrigar suas delirantes performances de longa duração.
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Concursos / Depois de um ano e meio, saiu o primeiro lote de contratações do Morar Carioca, concurso público realizado pelo IAB-RJ em 2010, em parceria com a prefeitura do Rio, visando a urbanização de mais de 200 favelas até 2020. A assinatura dos contratos entre a Secretaria Municipal de Habitação e dez escritórios de arquitetura foi feita dia 27 passado, e permite que pelo menos uma parte dos projetos seja iniciada.
Os escritórios que assinaram contratos são: Insite Arquitetos; Hector Vigliecca e Associados; Agrar Consultoria e Estudos Técnicos; Humberto Kzure-Cerquera; Arqhos Consultoria e Projetos; Flávio Ferreira Arquitetura e Urbanismo; Corcovado Arquitetura e Urbanismo; Napp – Claudia Brandão de Serpa, Atelier Metropolitano e LVA Estrutura e Desenvolvimento Empreendimentos Urbanos. Somados ao escritório Heitor Derbli Arquitetos Associados, que já tinha sido contratado, são 11 dos 40 selecionados no concurso.
Por coincidência, a assinatura dos contratos ocorreu no mesmo dia do anúncio da ação movida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para anulação do concurso do Porto Olímpico ( http://concursosdeprojeto.org/2012/04/28/ministerio-publico-pede-anulacao-do-concurso-do-porto-olimpico-no-rio/ ), à qual o IAB respondeu esta semana com um comunicado que pode ser lido aqui: http://www.iabrj.org.br/nota-publica-do-iab-rj-sobre-o-concurso-porto-olimpico
Concursos / Depois de um ano e meio, saiu o primeiro lote de contratações do Morar Carioca, concurso público realizado pelo IAB-RJ em 2010, em parceria com a prefeitura do Rio, visando a urbanização de mais de 200 favelas até 2020. A assinatura dos contratos entre a Secretaria Municipal de Habitação e dez escritórios de arquitetura foi feita dia 27 passado, e permite que pelo menos uma parte dos projetos seja iniciada.
Os escritórios que assinaram contratos são: Insite Arquitetos; Hector Vigliecca e Associados; Agrar Consultoria e Estudos Técnicos; Humberto Kzure-Cerquera; Arqhos Consultoria e Projetos; Flávio Ferreira Arquitetura e Urbanismo; Corcovado Arquitetura e Urbanismo; Napp – Claudia Brandão de Serpa, Atelier Metropolitano e LVA Estrutura e Desenvolvimento Empreendimentos Urbanos. Somados ao escritório Heitor Derbli Arquitetos Associados, que já tinha sido contratado, são 11 dos 40 selecionados no concurso.
Por coincidência, a assinatura dos contratos ocorreu no mesmo dia do anúncio da ação movida pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para anulação do concurso do Porto Olímpico ( http://concursosdeprojeto.org/2012/04/28/ministerio-publico-pede-anulacao-do-concurso-do-porto-olimpico-no-rio/ ), à qual o IAB respondeu esta semana com um comunicado que pode ser lido aqui: http://www.iabrj.org.br/nota-publica-do-iab-rj-sobre-o-concurso-porto-olimpico
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Agenda / Duas palestras movimentam o campus da PUC esta semana, abrindo as comemorações pelos 10 anos do Curso de Arquitetura: amanhã, terça, tem o arquiteto e designer italiano Piero Missoni (às 10:30, no auditório Padre Anchieta), e sexta, o arquiteto Shohei Shigematsu (sócio de Rem Koolhaas e diretor do OMA-Office for Metropolitan Architecture em Nova York), às 19:00, no auditório do RDC.
Agenda / Duas palestras movimentam o campus da PUC esta semana, abrindo as comemorações pelos 10 anos do Curso de Arquitetura: amanhã, terça, tem o arquiteto e designer italiano Piero Missoni (às 10:30, no auditório Padre Anchieta), e sexta, o arquiteto Shohei Shigematsu (sócio de Rem Koolhaas e diretor do OMA-Office for Metropolitan Architecture em Nova York), às 19:00, no auditório do RDC.
Posto 05 /12

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Compartilhe Felicidade / Fui, com chuva e tudo. E foi bem mais fácil do que eu pensava. Bastou pegar um trem na Central, descer quatro estações depois e pegar o teleférico ali mesmo. Não precisei comprar outro bilhete, nem abrir o guarda-chuva. O que veio em seguida é que estou até agora digerindo. Um vôo rasante de cerca de 40 minutos sobre o Complexo do Alemão, num teleférico vermelho suspenso por cabos de aço, com a Baía de Guanabara e o Porto Maravilha ao fundo.
Os carrinhos vão e vem, sem parar. Dá uma certa tensão entrar e sair, mas a velocidade é tal que não há grande dificuldade. A não ser para uma senhora com compras, ou uma mãe com carrinho de bebê, penso. Mas também não sei, porque todos no meu carrinho eram turistas, com câmeras em punho, como eu.
Lembrei logo da Disney: lá também pulávamos dentro de um carrinho que nos levava num giro por uma realidade fantástica (e muitas vezes ameaçadora), da qual não raro me senti uma mera espectadora - e enquanto durou o percurso, confesso, também refém. Até as dimensões são mais ou menos as mesmas; aqui o carrinho tem 6 lugares. Parece um nada diante do fluxo de massa que imagino diante daquele mar de casas? A julgar pelo que vi, não: no meu carrinho, éramos 4 na ida e 3 na volta, e muitos outros estavam vazios (por volta do meio-dia de uma segunda-feira).
Mas que bobagem, o Alemão não tem nada a ver com a Disney. Nem mesmo com todos aqueles corações colados aos carrinhos, e todas aquelas mensagens otimistas (“compartilhe felicidade”, “aqui a alegria é contagiante”). E o quiosque da Kibon que me espera na estação mais alta - onde o que posso fazer senão tomar um picolé?
Na volta, penso de novo na senhora que sobe com as compras, na mãe com carrinho de bebê...Ok, o teleférico não é pra elas, é pra mim. E pra quem trabalha, não? No centro da cidade, imagino. Porque como o percurso é em linha – começa e termina em Bonsucesso -, imagino que num ou noutro sentido possa ser tão ou mais fácil subir e descer de van, de moto, ou mesmo a pé (da Fazendinha para o Engenhão, por exemplo, ou para Jacarepaguá).
Vou descendo e contando as estações, conforme elas vão despontando sobre os pontos mais altos da região e contracenando com a igrejinha da Penha, que antes dominava esta paisagem. Todas seguem um mesmo padrão, com variações de cores fortes: um bloco compacto, de alvenaria, encimado por uma cobertura tensionada branca - num esquema curiosamente análogo ao do New York City Center, shopping que trouxe a Estátua da Liberdade para a Barra da Tijuca. Mas não é isso o que me incomoda. Talvez a limpeza excessiva, que contrasta com as montanhas de lixo que vejo por todo lado lá de cima. Talvez a ausência completa dos expedientes de sobrevivência que lotam os trens da Central (onde foram parar os ambulantes ruidosos, com suas promoções incríveis?). Talvez os vasos de planta, cuidadosamente dispostos nos patamares das escadas largas e vazias. Não chega a ser o desvario do Elevador do Cantagalo, em Ipanema, mas tudo aqui soa meio artificial. Até a bela égua que pula na minha frente, de repente, em contraste com os vira-latas que vagam em torno da estação Palmeiras.
Talvez meu maior problema seja com a simetria e o sentido de composição que rege a arquitetura das estações. Num contexto como este, marcado por uma dinâmica tão acelerada, a imagem de equilíbrio que a estação promove pode ter sido deliberadamente buscada para contrastar com o caos do entorno, oferecendo-lhe alguma estruturação. Mas o arranjo absolutamente simétrico da fachada mostra, ao contrário, um discutível alheamento ao contexto e uma forte resistência à instabilidade e ao movimento contínuo que o define. Obediência a eixos e frontalidade, num campo tão altamente tensionado, embaralhado e dominado pelo improviso? Espaços fechados, rigidamente delimitados e compartimentados, que dificultam qualquer adaptação ou uso imprevisto, agora ou no futuro? A questão, mais uma vez, está na dificuldade de lidar com situações urbanas entrópicas e modos de ocupação que escapam a qualquer formalização, no sentido tradicional, engendrando continuamente configurações fluidas, complexas e mutantes.
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Calatrava / O arquiteto espanhol Santiago Calatrava, autor do projeto do Museu do Amanhã - em construção no Pier Mauá - faz palestra sexta, dia 4 de maio, às 17 hs, no Parque Lage. A palestra é gratuita mas é necessário inscrever-se com antecedência pelo telefone 3221 7551 ou pelo email eventos@frm.org.br.
Calatrava / O arquiteto espanhol Santiago Calatrava, autor do projeto do Museu do Amanhã - em construção no Pier Mauá - faz palestra sexta, dia 4 de maio, às 17 hs, no Parque Lage. A palestra é gratuita mas é necessário inscrever-se com antecedência pelo telefone 3221 7551 ou pelo email eventos@frm.org.br.

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Eu nem vi o livro ainda, mas gostei do título e da abordagem: "O RIO QUE O RIO NÃO VÊ – os símbolos e seus significados na arquitetura civil do centro da cidade do Rio de Janeiro" (ed. Aori) é um estudo iconográfico de ornamentos simbólicos presentes nas fachadas do centro carioca, produzido por Luiz Eugênio Teixeira Leite (fotos), e Nelson Pôrto Ribeiro (texto). O livro foi lançado esta semana na Livraria da Travessa. E pode ser uma boa companhia pro Dia de São Jorge, santo guerreiro que luta contra todos os dragões para proteger esta cidade.
(aqui, o blog do Nelson, que é arquiteto e professor da Universidade Federal do Espírito Santo: http://www.nelsonporto.blogspot.com.br/)
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Mais Hadid e Schumaker, por Roberto Segre:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.055/4312
Mais Hadid e Schumaker, por Roberto Segre:
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/drops/12.055/4312
(e Zaha parte hoje, depois de 2 semanas no Rio, e um piquenique na Casa das Canoas).
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Hadid e Schumaker no Fundão / Sinceramente, não me lembro de ter visto nada assim antes. Quando estudei na FAU-UFRJ, lá pelos anos 80, o sábado costumava ser um dia ainda mais morto do que os outros, em que a gente evitava a todo custo sequer passar por lá. Mas desta vez, uns 40 minutos antes da hora marcada a fila já atravessava o pilotis, o jardim e ia até a rua.
Calculo que deviam ter umas 2000 pessoas, entre alunos (de várias escolas) e professores (de várias escolas, áreas e gerações), esperando por Zaha Hadid e Patrick Schumaker ontem de manhã. E isso em pleno sábado de sol, na Ilha do Fundão. Um emocionante e inesquecível sinal de recuperação da escola onde estudei, e com ela, da própria arquitetura no Rio de Janeiro.
No telão instalado no hall, as formas maleáveis da “arquitetura paramétrica” de Hadid e Schumaker contrastavam com as linhas rigorosas da arquitetura de Jorge Machado Moreira, justamente num de seus edifícios mais emblemáticos (que finalmente e felizmente, começa também a ser recuperado).
Schumaker montou um breve esquema histórico para definir o “Parametricismo” como o “estilo do século XXI”, sucessor do Modernismo e do que ele chamou de “episódios intermediários” do Pós-modernismo e do Deconstrutivismo. Num percurso retilíneo, sempre acompanhado de imagens vistosas, e em boa parte já bem conhecidas, traçou um panorama que partiu de primitivas colônias africanas e passou à cidade medieval (ilustrada com Arles e Siena), ao Renascimento (o “Big Bang da Arquitetura”, ilustrado com Palmanova) e ao Barroco (Versalhes e o Palácio Carignano, de Guarini), e por fim ao Modernismo (o edifício da Bauhaus, de Gropius, e a Ville Radieuse, de Le Corbusier), o Pós-Modernismo (Venturi e Charles Jencks) e o Deconstrutivismo (Tschumi), e daí ao Parametricismo – ou seja, o seu próprio trabalho, em conjunto com Hadid.
Com um discurso enfático e assertivo, apoiado por sua partner (que se sentou ao seu lado e preferiu falar menos, mas mostrou-se igualmente disponível e bem-humorada), o confiante Schumaker defendeu, assim, sua tese central: a de que a arquitetura precisa reconstruir sua especificidade e poética própria, desligando-se de outras disciplinas (listadas num peculiar quadro comparativo que procurou relacionar a arquitetura à arte, ciência, medicina, educação, política e economia). E para isso, os arquitetos precisam “criar um impacto, como o Modernismo fez”. Mas sem repetir seus princípios (resumidos na tríade “separação, especialização e repetição”), e sim buscando outros: a saber, a variação, a diferenciação e a correlação, potencializados pelo uso das ferramentas oferecidas pelas novas tecnologias (modelagem e simulação digital, basicamente).
Isto é o que Schumaker denomina de "Parametricismo": uma “teoria unificada”, supostamente capaz de resumir e superar todas as outras teorias contemporâneas, e basicamente definido em termos de superfícies não planares e formas maleáveis, em vez de formas ideais e sólidos geométricos; e de sistemas interconectados e correlacionados, em vez de unidades autônomas e autosuficientes.
Foram indicadas rapidamente algumas referências, como os sistemas da natureza e as tensoestruturas de Frei Otto. E embora os edifícios ministeriais de Niemeyer em Brasília tenham surgido como exemplo da repetição e monotonia que se quer deixar para trás, o mesmo Niemeyer foi valorizado, num momento seguinte, por sua maneira muito peculiar de “manipular o solo”. Junto com Artigas, por seus “espaços profundos” e suas grandes coberturas.
Depois de duas horas, a dupla Schumaker+Hadid deixou no ar um otimismo contagiante, sobretudo para os mais jovens. Mas não avançou muito além do esquematismo, e assim não chegamos nem perto de uma reflexão sobre as complexas relações entre as redes digitais e a cidade contemporânea, nem ficamos sabendo minimamente como aquelas deliciosas formas se constroem, com que materiais e por que meios. E se a vertiginosa cascata de imagens com que Schumaker encerrou sua fala mostrou que a sua pesquisa tem dado muitos frutos notáveis (do qual o MAXXI, em Roma, é um dos exemplos mais recentes, e certamente um dos mais polêmicos), também indicou o risco de que essa mesma pesquisa venha a se esgotar numa especulação formal leviana, passível de servir indistintamente a um museu ou a uma sandália.
Calculo que deviam ter umas 2000 pessoas, entre alunos (de várias escolas) e professores (de várias escolas, áreas e gerações), esperando por Zaha Hadid e Patrick Schumaker ontem de manhã. E isso em pleno sábado de sol, na Ilha do Fundão. Um emocionante e inesquecível sinal de recuperação da escola onde estudei, e com ela, da própria arquitetura no Rio de Janeiro.
No telão instalado no hall, as formas maleáveis da “arquitetura paramétrica” de Hadid e Schumaker contrastavam com as linhas rigorosas da arquitetura de Jorge Machado Moreira, justamente num de seus edifícios mais emblemáticos (que finalmente e felizmente, começa também a ser recuperado).
Schumaker montou um breve esquema histórico para definir o “Parametricismo” como o “estilo do século XXI”, sucessor do Modernismo e do que ele chamou de “episódios intermediários” do Pós-modernismo e do Deconstrutivismo. Num percurso retilíneo, sempre acompanhado de imagens vistosas, e em boa parte já bem conhecidas, traçou um panorama que partiu de primitivas colônias africanas e passou à cidade medieval (ilustrada com Arles e Siena), ao Renascimento (o “Big Bang da Arquitetura”, ilustrado com Palmanova) e ao Barroco (Versalhes e o Palácio Carignano, de Guarini), e por fim ao Modernismo (o edifício da Bauhaus, de Gropius, e a Ville Radieuse, de Le Corbusier), o Pós-Modernismo (Venturi e Charles Jencks) e o Deconstrutivismo (Tschumi), e daí ao Parametricismo – ou seja, o seu próprio trabalho, em conjunto com Hadid.
Com um discurso enfático e assertivo, apoiado por sua partner (que se sentou ao seu lado e preferiu falar menos, mas mostrou-se igualmente disponível e bem-humorada), o confiante Schumaker defendeu, assim, sua tese central: a de que a arquitetura precisa reconstruir sua especificidade e poética própria, desligando-se de outras disciplinas (listadas num peculiar quadro comparativo que procurou relacionar a arquitetura à arte, ciência, medicina, educação, política e economia). E para isso, os arquitetos precisam “criar um impacto, como o Modernismo fez”. Mas sem repetir seus princípios (resumidos na tríade “separação, especialização e repetição”), e sim buscando outros: a saber, a variação, a diferenciação e a correlação, potencializados pelo uso das ferramentas oferecidas pelas novas tecnologias (modelagem e simulação digital, basicamente).
Isto é o que Schumaker denomina de "Parametricismo": uma “teoria unificada”, supostamente capaz de resumir e superar todas as outras teorias contemporâneas, e basicamente definido em termos de superfícies não planares e formas maleáveis, em vez de formas ideais e sólidos geométricos; e de sistemas interconectados e correlacionados, em vez de unidades autônomas e autosuficientes.
Foram indicadas rapidamente algumas referências, como os sistemas da natureza e as tensoestruturas de Frei Otto. E embora os edifícios ministeriais de Niemeyer em Brasília tenham surgido como exemplo da repetição e monotonia que se quer deixar para trás, o mesmo Niemeyer foi valorizado, num momento seguinte, por sua maneira muito peculiar de “manipular o solo”. Junto com Artigas, por seus “espaços profundos” e suas grandes coberturas.
Depois de duas horas, a dupla Schumaker+Hadid deixou no ar um otimismo contagiante, sobretudo para os mais jovens. Mas não avançou muito além do esquematismo, e assim não chegamos nem perto de uma reflexão sobre as complexas relações entre as redes digitais e a cidade contemporânea, nem ficamos sabendo minimamente como aquelas deliciosas formas se constroem, com que materiais e por que meios. E se a vertiginosa cascata de imagens com que Schumaker encerrou sua fala mostrou que a sua pesquisa tem dado muitos frutos notáveis (do qual o MAXXI, em Roma, é um dos exemplos mais recentes, e certamente um dos mais polêmicos), também indicou o risco de que essa mesma pesquisa venha a se esgotar numa especulação formal leviana, passível de servir indistintamente a um museu ou a uma sandália.
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Parametricismo,
Patrik Schumaker,
Zaha Hadid
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Parametrismo ? / Zaha Hadid faz uma apresentação aberta ao público no sábado, dia 31, ao lado de seu partner, Patrik Schumacher, no salão azul da FAU-UFRJ, às 11 da manhã. Schumacher tem se dedicado a explorar os novos sistemas paramétricos e ferramentas digitais surgidos nos últimos anos, e tem diversos livros e artigos publicados sobre o assunto, reunidos aqui: http://www.patrikschumacher.com/

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Blow-up Robin Hood / Talvez tenha sido o nome, antes de tudo, o que me tocou. Robin Hood, o lendário herói fora-da-lei, que roubava dos ricos para dar aos pobres. Usava uma cômica roupa verde, manejava o arco e flecha como ninguém e morava clandestinamente, rodeado de amigos, numa floresta. Numa floresta ou num jardim? Jardins de Robin Hood, que nome para um conjunto habitacional. Este ainda tem uma rua no ar e um monte no coração, onde crianças brincam sem medo. Fica em algum lugar de Londres e foi projetado pelos Smithson, Alison e Peter, nos anos 60, não muito depois do vazio que protagoniza a estranha cena de abertura de Blow-Up.
Blow-Up Robin Hood. Quero dizer que estou mortificada com a sua condenação, e não me conformo porque não terei sequer como visitá-lo a tempo. Bem que tentei juntar minha voz distante a firmas de prestígio como as de Zaha Hadid, Norman Foster e Richard Rogers. Mas amanhã, no lugar do Robin Hood Gardens, haverá uma derrota que nenhum de nós pôde evitar. Só eu o verei ainda daqui, jardim de concreto meio decadente, habitado por um herói meio ultrapassado e um casal meio fora-da-lei de arquitetos. While my eyes go looking for flying saucers in the sky.
Blow-Up Robin Hood. Quero dizer que estou mortificada com a sua condenação, e não me conformo porque não terei sequer como visitá-lo a tempo. Bem que tentei juntar minha voz distante a firmas de prestígio como as de Zaha Hadid, Norman Foster e Richard Rogers. Mas amanhã, no lugar do Robin Hood Gardens, haverá uma derrota que nenhum de nós pôde evitar. Só eu o verei ainda daqui, jardim de concreto meio decadente, habitado por um herói meio ultrapassado e um casal meio fora-da-lei de arquitetos. While my eyes go looking for flying saucers in the sky.
(a primeira foto é de Sandra Lousada, e a segunda, daqui: http://www.sublimephotography.co.uk/eastendphotos/isleofdogs/pages/robin.htm)
Posto 12 / mar 12
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Robertos / Como é que eu vou deixar de anunciar o filme sobre os Irmãos Roberto que passa semana que vem na mostra competitiva do festival "É tudo verdade"? A realização é da Tríplice Produções, que já realizou um documentário sobre o Pedregulho, e a direção é de Ivana Mendes e Tiago Arakilian. No Rio, o filme passa dias 24, sáb, às 21 h, e 25 de março, domingo, às 13 h, no Espaço Itaú, na Praia de Botafogo. E em São Paulo, dias 26, seg, às 21 h, e 27, terça, às 15 h, no Cinesesc, na Rua Augusta. Só vi o trailer, por enquanto, mas estou torcendo.
3
Clarice / Não gastei mais que dez reais numa coletânea recém-lançada de crônicas de Clarice Lispector sobre o Rio, que encontrei estes dias na feira de livros do Leblon. Não são os melhores textos da autora, nem as melhores crônicas sobre a cidade. Talvez a seleção também não seja a mais adequada. Mas ganhei este:
"Eu vi uma coisa. Coisa mesmo. Eram dez horas da noite na Praça Tiradentes e o táxi corria. Então eu vi uma rua que nunca mais vou esquecer. Não vou descrevê-la: ela é minha. Só posso dizer que estava vazia e eram dez horas da noite. Nada mais. Fui porém germinada."
(Clarice Lispector. "Do Rio de Janeiro e seus personagens", Rocco, 2011)
Bom Natal.
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Marina / Está n'O Globo de hoje: Eike Batista desistiu do projeto de Índio da Costa para a Marina da Glória. Disse que o projeto - ao qual se referiu como "um devaneio" e "uma vergonha" - "já está na lata do lixo", e que vai buscar outro, porque o prazo para início das obras - 2012 - está mantido. Sobre o polêmico estacionamento subterrâneo, com 1500 vagas, disse que "nunca" o construiria: "Nós queremos um projeto minimalista, e não algo como essa proposta, que é uma vergonha". Ora, mas como assim? "Nós" quem? Não custa lembrar que o projeto em questão foi escolhido num concurso fechado e disputado por arquitetos renomados do mundo todo, selecionados e convidados pela própria EBX, empresa de Eike Batista, num processo envolto no mais alto sigilo, cujo resultado até hoje não foi apresentado publicamente. É difícil acreditar que um empresário como Eike Batista, que tem demonstrado tanto interesse pela cidade, e certamente dispõe de consultores do mais alto gabarito nos mais variados setores em que atua, não conte com o apoio de assessores minimamente qualificados na área de arquitetura. Assim como é difícil acreditar que ele desconhecesse o projeto escolhido por sua própria empresa há mais de um ano. Talvez ele tenha mudado de idéia depois da pressão pública que começou a se armar nos últimos tempos em defesa do Parque do Flamengo. Em todo caso, desqualificar publicamente o projeto dessa maneira revela um enorme desrespeito não só pelo vencedor como por todos os arquitetos envolvidos no concurso, e mais, pela própria arquitetura.
PS: Não vou comentar os projetos premiados pelo IAB-RJ este ano. Mas não deixo de recomendar que eles sejam vistos na sede do IAB, ou aqui: http://www.piniweb.com.br/construcao/arquitetura/iab-rj-elege-melhores-projetos-do-rio-de-janeiro-em-cinco-243192-1.asp
Posto 12 / dez 11
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