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O Índio e a Marina / A Folha on line anunciou na sexta. E hoje recebo de um leitor anônimo a carta abaixo. Então estou quase acreditando que o vencedor do concurso para a Marina da Glória é mesmo o projeto do arquiteto Índio da Costa - pai do candidato a vice na chapa de José Serra (PSDB) à Presidência da República, aliás (disso tenho certeza).

"Prezados,

Agradecemos a participação ... no concurso organizado pelo Grupo EBX para a escolha do projeto de revitalização da Marina da Glória. Ao todo, participaram 21 escritórios de arquitetura, de 8 países: Brasil, Estados Unidos, Espanha, Inglaterra, Bélgica, França, Itália e Portugal.Todos os projetos foram desenvolvidos com elevada qualidade técnica e estética e apresentaram soluções criativas para a integração da Marina da Glória ao patrimônio arquitetônico do Parque do Flamengo.Os projetos foram avaliados por um Comitê da EBX e pelo presidente do Grupo, o empresário Eike Batista, sagrando-se vencedor o projeto apresentado pelo arquiteto Luis Eduardo Indio da Costa.

Gostaríamos de aproveitar a oportunidade para, atendendo a uma sugestão da Secretaria de Urbanismo da Cidade do Rio de Janeiro, convidar ... a participar de uma exposição que será organizada juntamente com o IAB, com o objetivo de apresentar aos moradores e visitantes da Cidade do Rio de Janeiro, todos os projetos de revitalização da Marina da Glória participantes do concurso.

Favor informar se é de seu interesse participar da exposição, caso em que entraremos em contato futuramente para definição do material a ser exposto.Reiteramos nossos agradecimentos pela participação neste concurso e desejamos sucesso ... nos trabalhos em andamento e nos que venham a ser realizados no futuro. Grupo EBX"
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Plano Diretor / Terça próxima, dia 17, tem discussão sobre o Plano Diretor no Parque Lage. Às 19 hs, com a vereadora Aspásia Camargo (presidente da Comissão do Plano Diretor) e os arquitetos Andréa Redondo (ex-secretária Municipal de Urbanismo), Luiz Fernando Janot (IAB-RJ) e Maria Julieta Nunes de Souza (IPPUR-UFRJ). O ingresso é uma lata de leite em pó, a ser doada a ONG Refazer.

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Fred Sandback no IMS /
Parei diante de Sandback como diante de um plano de vidro.
Eu sei que tudo ali são fios.
O resto sou eu.
O plano está na minha cabeça, e mesmo assim sou incapaz de atravessá-lo.
Receio rompê-lo com meu corpo, parti-lo em mil, perdê-lo para sempre.
Preciso criar coragem e voltar aqui.
Lançar-me contra esse vazio e me deixar atravessar por ele.
Mesmo pressentindo já toda a dor que sentirei
Navalha na carne.
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Sergio Rodrigues / A Caixa Cultural, na esquina das Avs Rio Branco e Almirante Barroso, é um espaço surpreendente, que tem abrigado ótimas exposições. Já vi originais de Le Corbusier, Nova York por Torres Garcia... e agora não vou perder o design de Sergio Rodrigues.
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E se fosse uma escola de arquitetura no centro do Rio?


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Desaparecidos no Fundão / Estão abertas, até 17 de agosto, as inscrições para o Concurso Público para projeto do Memorial dos Estudantes Mortos e Desaparecidos na Ditadura Militar, a ser localizado na praça em frente ao Restaurante Universitário Edson Luis de Lima Souto, na Cidade Universitária, Ilha do Fundão.
A participação é aberta exclusivamente a estudantes de escolas de arquitetura do Estado do Rio de Janeiro, e os prêmios somam 10 mil Reais. Mais informações podem ser obtidas por email: extensaofauufrj@gmail.com

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O que leva milhares de pessoas a correr no Aterro do Flamengo, numa manhã de domingo? A melhor resposta, encontrei-a no delicioso livrinho que ganhei do Lauro: "What I talk about when I talk about running". O autor é um renomado escritor japonês, Haruki Murakami. Há 20 anos, ele corre uma maratona por ano. E escreve. E corre. E escreve. No que pensa Murakami enquanto corre? "Eu corro num vazio. Ou melhor: eu corro para alcançar um vazio".

Posto 08/ ago 10




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"Nenhuma outra grande cidade pertence tão inteiramente à natureza."


Simone de Beauvoir
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A Cidade como Playground 2 / Corri 5 km no parque. Depois segui caminhando à beira da Baía até a praia, sentei na areia e tomei uma água de côco. Subi o morro por uma trilha e desci de bondinho. Tomei um sorvete de figo e voltei pra casa. E tudo não passou de uma manhã de domingo na minha cidade.
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A Cidade como Playground / Sou fascinada pelo Parkour. Não canso de ver os filmes que me levam, aos vinte anos, a voar contra paredes, entre edifícios, sobre as cidades. Já vi o "Samparkour" centenas de vezes no Youtube. E esta semana, pesquisando sobre o Bjarke Ingels na Internet, descobri este filme dinamarquês, que acaba de ser lançado. Nele, uma das integrantes do Team Jiyo dá a mais bela definição que já ouvi desse misto de esporte e acrobacia, tão profundamente ligado à arquitetura da cidade:

"O que é fascinante é o modo de transformar a cidade. Porque você não pode mudá-la fisicamente, não pode mudar o poste ou a escada, mas pode mudar a maneira como os vê e usa, e assim torná-los seus."


P.S: Em memória do jovem morto numa madrugada desta semana enquanto varava, de skate, um túnel próximo da minha casa.

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Olimpíadas / Boa notícia: o IAB está organizando dois concursos internacionais de projetos, para a Vila da Mídia e a Vila dos Árbitros. Ambas ficarão em terrenos na área portuária. A primeira na Praia Formosa (bairro de Santo Cristo) e a segunda na Usina de Asfalto da prefeitura, na Av Franciso Bicalho. Os editais devem sair antes do final do ano.
E o Rio também vai ser objeto de estudos este semestre na Universidade de Harvard, no ateliê dirigido por Bjarke Ingels (BIG) e Paul Nakazawa: http://www.archdaily.com/69731/ingles-nakazawa-on-rio/
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Amanhã / Aí está o vídeo de apresentação do projeto de Santiago Calatrava para o Pier Mauá. Também no Youtube, parte da sua palestra no Palácio Gustavo Capanema.


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Lucio Costa / Acaba de sair, pela editora Azougue: são vinte entrevistas, entre 1924 e 1997, que tive o prazer de organizar.
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Fragelli e os "monstrumentos" cariocas / Reproduzo aqui minha resenha do livro "Quarenta anos de prancheta", de Marcello Fragelli (Editora Romano Guerra, 448 pgs, R$90), conforme publicada hoje no caderno "Prosa & Verso" do jornal O Globo:

"Arquitetura do subterrâneo
Marcello Fragelli, crítico dos 'monstrumentos' do Rio, relembra sua trajetória

O livro "Quarenta anos de prancheta", lançamento da editora Romano Guerra, chega em boa hora. Não só porque traz para o primeiro plano a obra do arquiteto carioca Marcello Accioly Fragelli, mas também porque o faz num momento especialmente delicado para a arquitetura no Rio de Janeiro.

Nascido em 1928, Marcello Fragelli é um dos grandes arquitetos da geração de Paulo Mendes da Rocha, Sergio Rodrigues e Joaquim Guedes. No Rio, além de várias casas e edifícios residenciais, projetou obras de grande qualidade e escalas tão distintas quanto o Posto de Puericultura do Alto da Boa Vista (Menção Honrosa na VI Bienal de São Paulo, em 1961) e o complexo industrial da Piraquê, em Madureira. No entanto, fora de um círculo mais restrito, seu trabalho permanece pouco conhecido na cidade onde nasceu e iniciou sua vida profissional. E isso porque o “cenário desanimador” provocado pelo esvaziamento do Rio após a inauguração de Brasília acabou levando à sua transferência definitiva para São Paulo, em 1961.

Curta e combativa passagem pelo "Correio da Manhã"

Sua narrativa autobiográfica coloca em foco, no entanto, vários aspectos que seguem interessando à arquitetura carioca. Com sua escrita despretensiosa, Fragelli nos guia, por exemplo, pelo ambiente profissional da época - do cotidiano no escritório dos irmãos Roberto às disputas internas no IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil). Também reconstitui o cotidiano da Faculdade Nacional de Arquitetura, onde, pouco antes do concurso de Brasília, professores catedráticos ainda insistiam em barrar a arquitetura moderna e exigiam dos alunos que resolvessem programas novos e altamente complexos com base em estilos históricos do passado, como uma “estação de passageiros de aeroporto em estilo gótico manuelino”.

Um dos pontos altos do livro está, todavia, no relato de sua curta, porém combativa experiência como colunista do jornal Correio da Manhã. O primeiro artigo, publicado em setembro de 1960, atacava “o descaso das microautoridades municipais pela aparência do Rio, reflexo da ignorância geral sobre arquitetura e sua importância na preservação da estética de uma cidade que a natureza fizera só cheia de belezas”. Fragelli deplorava os “monstrumentos” que vinham se acumulando pela cidade, e lamentava que “numa cidade de arquitetos mundialmente famosos”, a “subarquitetura” estivesse sendo disseminada “a toque de caixa” pela Prefeitura. Dias depois, o arquiteto alertava para o ambiente viciado do ensino de arquitetura local, valendo-se de um comentário do arquiteto austríaco Richard Neutra, que se referira à escola carioca como “comida pelas traças”. E na semana seguinte, denunciava a ameaça de mutilação, pela Secretaria de Saúde, de um dos marcos da arquitetura moderna brasileira: o conjunto residencial do Pedregulho, projetado por Affonso Eduardo Reidy. Fazendo da crítica um exercício rotineiro e eminentemente público, Fragelli já se destacava, assim, por sua resistência à desqualificação progressiva da arquitetura no Brasil.

Chegando a São Paulo, Fragelli se verá surpreendido pelo encontro com Paulo Mendes da Rocha, que embora já figurasse entre os arquitetos mais respeitados da cena paulistana, continuava sendo praticamente ignorado no Rio. Mas a surpresa maior virá com a própria dinâmica do mercado paulistano, que logo dará ao arquiteto carioca a oportunidade de projetar edifícios residenciais ainda hoje destacados por sua rara conjugação de economia e qualidade.

Será, todavia, numa jovem empresa de engenharia (a Promon), que Marcello Fragelli desenvolverá projetos de maior impacto urbano, como a Nova Rodoviária (projeto original) e várias estações do Metrô (Liberdade, Jabaquara, Sé, São Bento, Armênia, Conceição, Paraíso e outras). Era a primeira rede de metrô no Brasil. E à diferença do sistema carioca, o paulistano incluía estações elevadas e subterrâneas. Estas pressupunham uma arquitetura sem fachada e sem forma; ou seja, praticamente o avesso da arquitetura. Um desafio que Fragelli insistiu em tomar para si, negando o caráter opressivo das estações mais antigas da Europa, Nova York e Buenos Aires (com seus espaços abafados, tetos baixos e iluminação artificial) em nome da qualificação espacial e estética dos subterrâneos da cidade. Instalava-se, assim, uma nova consciência sobre o espaço urbano – ou melhor, metropolitano, de São Paulo, com um padrão exemplar de obras em rede que acabaria se tornando quase um símbolo da cidade.

Domínio de espaços da multidão e casas de fazenda

A clareza decidida dos acessos e percursos, o desejo de expressar plasticamente o enorme esforço a que lajes e paredes encontram-se submetidas no subsolo, a opção por materiais sem revestimento (com ênfase no concreto aparente) e a exploração da luz natural garantiram expressividade e unidade às estações, que ainda seriam complementadas pelo projeto de identidade visual solicitado aos arquitetos João Carlos Cauduro e Ludovico Martino.

A pergunta que Marcello Fragelli se faz: “subterrâneo tem arquitetura?”, encontra resposta, assim, neste livro de 448 páginas, que cobre uma lacuna básica ao recuperar uma obra que domina, com a mesma integridade, os espaços da multidão e as casas de fazenda. É verdade que, não obstante a integração acertada entre o depoimento do autor e o trabalho de pesquisa iniciado na Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo, o livro ainda deixa muito da arquitetura e da biografia de Fragelli a descoberto. Mas talvez isso seja injusto com uma publicação que, sobretudo para os cariocas, não poderia ser mais oportuna: face a uma obra tão forte e conseqüente como a de Marcello Fragelli, será difícil não olhar criticamente para a “subarquitetura” que vem vitimando as estações mais antigas do metrô carioca, ou deixar de espantar-se com seus acessos gradeados e suas paredes - originalmente revestidas de pastilha de vidro - agora emassadas e pintadas de branco.

Também será difícil encontrar argumento convincente para a ausência de um pensamento projetual capaz de conferir alguma unidade às novas estações, as quais nos últimos meses temos visto se multiplicar, do centro (Praça Onze) à zona sul (Ipanema), lembrando mais os “monstrumentos” deplorados por Fragelli que a noção de bem público que sua arquitetura contribuiu para constituir."

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Contemporaneu / Não sei nada sobre os editores. Mas gostei da proposta: uma revista brasileira de arquitetura contemporânea, em formato digital e acesso livre na Internet. A primeira edição, recém-lançada, tem ótima pauta e design, e além disso é fácil de ser folheada, e até lida na tela do computador. Que projeto recente no Rio poderia estar aqui? http://www.contemporaneu.com/

Posto 7 / jul 10

1
"Cara de Antigamente" / O Globo de hoje traz "projeto de Eduardo Paes" para o Terreirão do Samba, terreno junto ao Sambódromo que costuma ser usado durante o carnaval para shows populares, e no resto do ano permanece praticamente sem uso. Diz o jornal que o "novo espaço vai funcionar o ano inteiro, como acontece com a Feira dos Nordestinos, em São Cristóvão". Só que com "bares e restaurantes com a cara de antigamente", a fim de "reconstituir a tradicional atmosfera do Rio boêmio".


Eu não acredito. O projeto não deve ser do prefeito, claro, nem buscar uma "cara de antigamente". Afinal, seu vizinho mais próximo é uma obra de Oscar Niemeyer, o que não é pouca coisa.


Mas aproveito o embalo para lançar uma campanha pela reparação do Pavilhão de São Cristóvão, que há muito espera por um projeto digno da sua grandeza. Sem cara de antigamente, por favor, que o Rio não merece, e nem Sergio Bernardes nem Paulo Fragoso jamais nos perdoariam.
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Jogo empatado / Um pouco antes da Seleção entrar em campo, vi mais um projeto para a Marina. E vou dizer uma coisa: foi bem melhor que o jogo. Enquanto isso, seguia o disse-me-disse sobre o resultado do concurso. Ninguém sabe mais o que é verdade, o que é mentira. Mas alguém precisa dizer ao Eike, com urgência, que ainda torcemos por excelência. No mínimo.
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Marina: Furo ou Barriga? / A última da Marina: não, o vencedor não foi confirmado ainda! A notícia divulgada por Ancelmo Gois no jornal O Globo teria sido o que no jargão jornalístico se chama "barriga": um suposto "furo", que na verdade é uma falsa notícia. E agora? Terá sido então um boato? Um blefe? Quem poderá confirmar ou desmentir?
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Plano Diretor / Circula desde ontem na Internet um abaixo-assinado pela transparência do Plano Diretor do Rio de Janeiro. O texto é o seguinte:

"AO SENHOR VEREADOR ROBERTO MONTEIRO - RELATOR DO PROJETO DE LEI DO PLANO DIRETOR DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO.

À SENHORA VEREADORA PRESIDENTE DA COMISSÃO ESPECIAL DO PLANO DIRETOR, VER. ASPÁSIA CAMARGO, E SENHORES VEREADORES QUE A COMPÕEM.

Nós cidadãos vimos solicitar-lhes a deferência de sua atenção à publicidade e à transparência do texto completo, com suas emendas, da proposta de novo Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro.A proposta de novo Plano Diretor, como se sabe, altera profundamente a vida dos cidadãos, e de todos os bairros da Cidade. Altera também o preço da terra urbana, para torná-lo mais caro, e por isso mais difícil o seu acesso por todos, (especialmente pelos mais pobres), além de interferir nas políticas de preservação o meio ambiente, e de proteção de interesses coletivos, e de bens públicos; ou seja, nas políticas que podem não viabilizar a qualidade de vida na Cidade. Por isso é fundamental que todas as mudanças que interferem nestes valores coletivos sejam devidamente explicitadas, e justificadas tecnicamente, para o bem da Cidade, e de seus valores sociais. Acreditamos que só assim o novo Plano Diretor da Cidade do Rio de Janeiro poderá atender à sua missão constitucional de ser o instrumento que viabilizará, de fato, a FUNÇÃO SOCIAL DA CIDADE do RIO DE JANEIRO, um pouco mais além da especulação do seu solo.Esperamos que, pela complexidade do assunto, e das emendas que foram propostas, nada seja votado sem que seja ouvida a sociedade carioca sobre o que seria o seu texto final, a fim de se evitar graves consequências para a Cidade e para o processo democrático."

Eu assinei. Para assinar também, basta entrar aqui: http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/6387
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Marina, enfim / Não, eu não vi o projeto do Índio da Costa. Mas espero que todos os projetos que concorreram no concurso fechado para a Marina da Glória sejam divulgados em breve. Afinal, ainda trata-se de um espaço público, não?
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Enfim, Marina / Acabou o mistério: foi anunciado que o vencedor do concurso fechado para o projeto da Marina da Gloria é o arquiteto Luiz Eduardo Índio da Costa. Índio fez bons projetos no Rio nos anos 70, como o SESC Madureira, o Inmetro (em Xerém) e a Escola Veiga de Almeida, na Barra (demolida). Mais recentemente, projetou o Rio Cidade Leblon e participou do concurso para a Biblioteca da PUC-Rio, entre outros. Um de seus últimos projetos é a Escola SESC de Ensino Médio, na av. Ayrton Senna, Barra da Tijuca.

Como a Marina está dentro do conjunto do Parque do Flamengo, tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o projeto agora deverá ser submetido à aprovação do órgão.

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Arquitetos do mundo inteiro estão de olho no Rio. Nesta semana, haverá duas palestras consecutivas, ambas promovidas pela Prefeitura: terça, às 10 hs, Santiago Calatrava se apresenta no Palácio Gustavo Capanema (para convidados e inscritos previamente pelo site
http://www.palestracalatrava.com.br/). No dia seguinte, David Fischer estará no Centro de Arquitetura e Urbanismo (Rua São Clemente, 117, Botafogo, às 16 hs).

O primeiro estará aqui para apresentar o aguardado projeto para o Museu do Amanhã, no Pier Mauá (ver O Globo de ontem, e http://oglobo.globo.com/rio/video/2010/18391/).

O segundo, não sei. Mas e se uma de suas torres - baseadas no conceito de "arquitetura dinâmica" - emergisse da Baía de Guanabara?


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Mais Marina / A foto foi feita na manhã de sábado. Ao fundo, vê-se a Marina. À direita, o barco de passeios turísticos "Pink Fleet", que atraca logo ali, junto ao MAM. Mais à direita, o Hotel Glória, que também pertence ao Eike. E eu só posso torcer para que o projeto escolhido por ele seja digno desta paisagem.
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Marina / Acabo de ver um dos projetos para a Marina da Glória. Só a apresentação já revela um investimento altíssimo. Mas não posso dizer mais nada porque é tudo sigiloso, muito sigiloso.

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Divisor no MAM / "Divisor" é uma obra de caráter participativo criada por Lygia Pape (1927-2004), artista que integrou o grupo neoconcreto e cuja ação se estendeu, muito além do campo das artes plásticas, também ao design, ao cinema, à pesquisa e ao ensino (dentro de uma escola de arquitetura, aliás). Uma das questões centrais da sua obra está na exploração de novas possibilidades de apropriação coletiva dos espaços urbanos, para além da cidade formal.

Assim é "Divisor": um imenso lençol branco, perfurado a distâncias regulares, a ser "vestido" coletivamente - e publicamente - pelos participantes. A obra é de 1968, mas a experiência será reproposta neste sábado, no MAM, às 11:30. Para participar, é preciso ter em mãos identidade e CPF. Mais informações por email
(obra.divisor@gmail.com) ou aqui: http://listaamiga.com/performancedivisordelygiapape/592-divisor
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Boa notícia / A Comissão do Plano Diretor rejeitou, em reunião ontem à noite, as propostas de emendas sem identificação apresentadas na semana passada. Isso não significa que elas não possam ser reapresentadas (o prazo vai até sexta). Mas já é uma vitória. O que continua preocupando é que a tão aguardada votação do Plano Diretor, agendada para acontecer a partir do dia 22 (terça-feira próxima), seja contaminada pelo clima dispersivo da Copa do Mundo e pelo processo eleitoral. Alguns vereadores estão sugerindo, inclusive, o adiamento - mais uma vez - da votação.

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Onde vai dar este Rio? / Eu nem queria falar mais disso. Mas, que jeito? Pois não bastassem os oito anos de atraso na aprovação da revisão do Plano Diretor do Rio de Janeiro, e as mais de mil emendas e subemendas já apresentadas, no último dia 7 o Diário Oficial da Câmara Municipal publicou mais 87 propostas de emendas. E desta vez, anônimas. Isso mesmo. Anônimas. Sem nome ou assinatura do autor; sem denominação; sem identificação.



Como o
prazo de apresentação de emendas e subemendas já estava encerrado desde o dia 28 de maio, apenas os membros da Comissão do Plano Diretor poderiam apresentá-las. E elas teriam que ser assinadas pela maioria dos nove membros da Comissão, ou seja, por pelo menos cinco vereadores.

Além disso, as propostas incluem novos parâmetros urbanísticos - mudança de gabarito, taxa de ocupação etc - que, devido ao seu caráter mais pontual, sequer deveriam ser tratados pelo Plano Diretor. Muito embora alguns dispositivos abram a possibilidade de mudanças profundas no espaço urbano carioca, sobretudo na Barra da Tijuca (que corre o risco de sofrer um adensamento violento nos próximos anos, com base no argumento de que o Rio precisa multiplicar seus hotéis para as Olimpíadas).

Diante disso, o que diz o relator do Plano Diretor, vereador Roberto Monteiro? Diz "desconhecer os autores das sugestões mais polêmicas". E a presidente da Comissão Especial do Plano Diretor, vereadora Aspásia Camargo? Garante apenas que "nenhuma de suas propostas modifica parâmetros urbanísticos." Outros simplesmente se recusam a dar entrevistas.
Pressionado, o prefeito age como quem foi pego de surpresa, e declara - wow! - que "a Zona Sul é intocável". (O Globo, 12/07).

É de se supor, claro, que isso tudo seja intriga de jornalista, e que a essa altura tudo já esteja suficientemente esclarecido no site da Câmara Municipal. (http://spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/indexplano.php) Mas ali a agenda das audiências públicas não vai além de outubro de 2009. E no link "Fique por dentro da tramitação", a informação mais atualizada é de março de 2010. Mas tem também um link "Notícias da Comissão" e outro chamado "Plano Diretor no Twitter". Só que o primeiro leva a uma página em branco, e o segundo está desativado.

Então vocês me desculpem mas eu vou continuar reagindo, bestamente.




























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Luiz Nunes, arquiteto formado no Rio de Janeiro na década de 1930, é conhecido por ter revolucionado o meio arquitetônico pernambucano entre 1935 e 1937, quando projetou e construiu uma série de obras públicas em Recife e Olinda, introduzindo aí os princípios da arquitetura moderna.

Nunes liderava uma equipe que reunía, ainda, nomes como Joaquim Cardozo e Roberto Burle Marx. Um de seus projetos mais conhecidos - e polêmicos - é a Caixa d'Água de Olinda: um prisma puro e branco que se destaca imediatamente do conjunto arquitetônico em que se insere, marcado pela presença imponente da Sé de Olinda.

Pois estes dias Alfredo Brito fez circular um email com as imagens acima. A da direita foi extraída do livro "Os Três Estabelecimentos Humanos", de Le Corbusier (ed. Perspectiva). A "denúncia" foi do Flavio Ferreira. E agora ninguém sabe dizer quem veio primeiro: se Luiz Nunes ou Le Corbusier.

Bom, o fato é que Le Corbusier esteve aqui entre julho e agosto de 1936. Quanto à data do projeto, permanece incerta: acredita-se que seja do final de 1936, ou começo de 1937. Mas também pode ser que Luiz Nunes já estivesse trabalhando nele alguns meses antes.


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Fragelli e a arquitetura dos subterrâneos / Com a correria das últimas semanas, só agora consegui pegar no livro "Quarenta anos de prancheta", de Marcello Fragelli, lançamento recente da editora Romano Guerra, que o Abilio gentilmente me enviou. Graduado pela Faculdade Nacional de Arquitetura em 1952, Fragelli é um dos maiores arquitetos brasileiros da sua geração. No Rio, além de um punhado de belas residências e alguns edifícios, projetou a pequena jóia que é o Posto de Puericultura, no Alto da Boa Vista, e o complexo industrial da Piraquê, em Madureira, que totaliza 100 mil m2. No entanto, fora de um círculo mais restrito, seu trabalho permanece pouco conhecido na cidade onde nasceu. E isso porque uma série de fatores, em grande parte ligados ao processo de esvaziamento do Rio após a inauguração de Brasília, acabou levando à sua transferência definitiva para São Paulo, em 1961.


Ali, além de ter exercido intensa atividade docente (na FAU-USP e no Mackenzie), Marcello Fragelli integrou-se ao corpo técnico da Promon e desenvolveu projetos de grande impacto urbano, como a Nova Rodoviária (projeto original) e várias estações do Metrô (Liberdade, Jabaquara, Sé, São Bento, Armênia, Conceição e outras).


Era a primeira linha de metrô no Brasil, e o arquiteto se perguntava: "subterrâneo tem arquitetura?". Pois a resposta está neste livro autobiográfico de 448 páginas, que ainda deixa muito da arquitetura e da trajetória de Fragelli a descoberto, mas sem dúvida chega em boa hora: que ele possa sensibilizar os responsáveis pelas novas estações do metrô carioca, e pelas reformas que vem vitimando as mais antigas.


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Salve Torres García (na Caixa Cultural, só até dia 13).
Salve Rebecca Horn (no CCBB).
E eu nem cheguei ao Paço Imperial, onde Matta-Clark me espera, furioso.


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Ah, eu vi. Vi e ouvi. E foi como uma pancada na nuca, um soco no estômago, sei lá. Naquelas imagens, tantas brechas para o subterrâneo. O seu e o meu. Brasília é assim: salve-se quem puder.

(eu sei que deveria estar falando do novo museu que está hoje no jornal. Mas fica para amanhã. Ou depois, quem sabe).


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"Você moraria em Brasília?" perguntou Nicolas Behr. "E você se casaria com uma das Demoiselles d'Avignon, de Picasso?", rebateu Adrian Gorelik.


Pena que vai acabar hoje.
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Do Possível e do Impossível em Brasília / "Brasília foi inaugurada mas não está pronta", disse Paulo Mendes da Rocha terça-feira no IMS, diante de uma platéia de cerca de 200 pessoas, que se dividiram entre o auditório e o telão instalado no jardim de Burle Marx. O arquiteto declarou-se contrário ao tombamento do Plano Piloto. E provocou o pensamento preservacionista com uma imagem forte: "vejo Brasília destruída pelo povo, o que seria uma maravilha".
Já Ronaldo Brito concentrou-se nas contradições de Brasília: "É um espaço esquizo, que começa com o contraste entre espaço público e privado", disse, referindo-se ao contraste entre a habitabilidade das Superquadras e a "monumentalidade opressiva" da Esplanada dos Ministérios. "Brasília é o símbolo positivo da vida moderna", um fato que "obriga o Brasil a repensar a si mesmo", declarou.
O encontro dos dois foi quente e acendeu uma reflexão sobre Brasília como há muito não se via, e que se estendeu até as dez da noite.
O debate segue hoje com mais um encontro imperdível, entre Adrian Gorelik e Lorenzo Mammi, dois outros grandes pensadores que vem, respectivamente, de São Paulo e de Buenos Aires, para compor a mesa "Brasília: Sol e Sombra".
Mammi falará sobre "A construção da sombra" - tomando uma foto de Marcel Gautherot como ponto de partida para pensar os elementos do imaginário brasileiro e internacional postos em jogo com Brasília. Já Gorelik discutirá o "caráter inoportuno" de Brasília, tomada como "ponto cego" do pensamento urbano latino-americano. O título da sua fala, aliás, já diz muito: "Sobre la impossibilidade de (pensar) Brasília".

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Uma imagem de Brasília? O chão das Superquadras. É claro que a arquitetura de Niemeyer seduz, a Esplanada dos Ministérios impressiona, a Rodoviária tira o fôlego. Mas não há nenhuma outra cidade no mundo em que o chão vai assim, livre e indiviso, por uma extensão sem fim. E no entanto são poucos - pouquíssimos - os projetos recentes que mostram sensibilidade para essa característica fundamental do Plano Piloto de Lucio Costa. Foi isso, antes de tudo, que me encantou na nova sede do Sebrae. O projeto foi escolhido em concurso público em 2008 e a obra deve estar concluída em poucos meses. E como o seminário no IMS começa amanhã, fica aqui uma imagem produzida em minha deriva recente pelo canteiro de obras, enquanto os autores do projeto - Alvaro Puntoni e Luciano Margotto - se reuniam com engenheiros e consultores no barracão, longe do céu de Brasília.
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Brasília: Imagem, Imaginário / Esta semana serei toda Brasília. O seminário começa na terça, com Paulo Mendes da Rocha e Ronaldo Brito. O auditório do IMS tem 130 lugares e as senhas serão distribuídas a partir das 18 horas. Mas haverá também transmissão simultânea por meio de telão.
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Brasília: Imagem, Imaginário / Ao visitar o canteiro de obras de Brasília durante o Congresso Internacional Extraordinário de Críticos de Arte, em 1959, Tomás Maldonado declarou: “Brasília é uma grande possibilidade e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade. O fracasso de Brasília seria um dos maiores traumas da cultura de nossos tempos. Devemos fazer tudo para evitar que venha a falhar.”

A advertência do artista argentino indicava já uma preocupação com os rumos tomados por um viés de modernização que se cumpria e ganhava forma urbana na nova capital, mas também encontrava ali sua expressão-limite.

Ao completar meio século, Brasília se mantém, em grande medida, dentro desse campo de tensões, ao mesmo tempo em que se vê forçada a enfrentar uma série de problemas que ultrapassam em muito sua origem modernista e dizem respeito ao próprio estado crítico das cidades contemporâneas.

O seminário “Brasília: Imagem, Imaginário” tem como objetivo renovar a reflexão sobre essas tensões, explorando, sob diversos pontos de vista, o imaginário construído ao longo do tempo em torno dessa cidade singular e eminentemente simbólica, que se produz e reproduz incessantemente, desde seu momento inaugural, por meio de imagens de extraordinária potência plástica.

As sessões de debate e leitura foram definidas com o intuito de despertar novas possibilidades de ver e pensar a cidade, a partir da sua relação com a arquitetura, as artes plásticas, a fotografia, a história e a literatura.

Integra-se o seminário, assim, à exposição “As construções de Brasília”, também abrigada no Instituto Moreira Salles, como um convite à redescoberta da cidade planejada por Lucio Costa e reinventada cotidianamente no imaginário de todos nós.


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Brasília: Imagem, Imaginário / Peguei um táxi e toquei pro setor hoteleiro. Amanhã a Casa de Lucio Costa completa 10 anos, e eu vou comemorar comme il faut: no Eixo Monumental.

Aproveito também para carregar minha bateria para o seminário "Brasília: imagem, imaginário", que acontece no Instituto Moreira Salles, no Rio, entre 25 e 28 de maio, no âmbito da exposição ora em curso ("As construções de Brasília").

Eis a programação completa do seminário:

25 de maio, terça-feira, 19 horas
"O espaço Brasília"
mesa-redonda com Paulo Mendes da Rocha e Ronaldo Brito / moderação: Ana Luiza Nobre

26 de maio, quarta-feira, 19 horas
"O instante Brasília"
mesa-redonda com Caio Reisewitz, Mauro Restiffe, Tadeu Chiarelli e Heloisa Espada / moderação: Sergio Burgi

27 de maio, quinta-feira, 19 horas
"Brasília, sol e sombra"
mesa-redonda com Adrián Gorelik e Lorenzo Mammi / moderação: João Masao Kamita

28 de maio, sexta-feira, 19 horas
"Dizendo Brasília"
leitura de textos literários sobre Brasília, com Renata Sorrah, Nicolas Behr e Eucanaã Ferraz

Todas as sessões serão gratuitas e realizadas no auditório do IMS, com distribuição de senha a partir das 18 horas. A mesa-redonda do dia 25 poderá também ser acompanhada por um telão, no espaço externo. Vai ser bonito...
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Sigo hoje para Brasília. Levo Bense comigo. O que trarei de volta?


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MUMA / O IAB-RJ divulgou agora à noite o resultado do concurso nacional de projetos para a expansão do Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico: o primeiro lugar ficou com Bruno Luiz Coutinho Santa Cecilia (MG), o segundo com Rochelle Rizzoto Castro (RS) e o terceiro com João Pedro Backheuser (RJ).

Foram atribuídas ainda menções honrosas aos projetos apresentados por José Augusto Fernandes Aly (SP), André Lompreta (RJ), Eliana Maria Soares Gomes (RJ), Marina Grinover (SP), Jaime Marcondes Cupertino (SP), Julio Beraudo Valente (SP), Luis Eduardo Liola de Menezes (SP) e Vinicius Hernandes de Andrade (SP).

A comissão julgadora foi composta por Paulo Bastos, Ruy Rezende, Hector Vigliecca, Pedro da Luz e Ricardo Villar.

Reproduzo aqui uma das pranchas do projeto de Backheuser e equipe, que acabo de receber do Alfredo Brito.

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Plano Cidade / Aos poucos, nosso filme vai surgindo...e eu mesma não páro de me surpreender com o que vamos encontrando por aí. No último final de semana estivemos no Pavilhão de São Cristóvão, que Sergio Bernardes projetou na década de 1950 e hoje - sem cobertura e semi-destruído - abriga uma animada feira nordestina no seu interior.

Da ousadia do projeto original pouco restou, além da carcaça do pavilhão. Mas aqui e ali, entre cabeças de boi, caixas de som e bandeirinhas de São João, ainda encontramos vestígios da sofisticada rede de cabos de aço que um dia cobriu os 30.000 m2 do pavilhão. É um contraste impressionante, sobretudo porque solenemente ignorado pela multidão que frequenta a feira.

Para quem se interessa, vai valer a pena seguir o blog do filme, que colocamos no ar hoje:
planocidade.wordpress.com


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Está aí o convite do Líquida Ação.

Posto 5 / mai 10


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Águas pelo Rio / O coletivo "Líquida Ação" se organiza e convoca para suas próximas ações coletivas: desta vez, a proposta de levar água para chafarizes secos da cidade - que integra o Projeto "Mitolorgias Urbanas: águas férteis", premiado pela FUNARTE - terá como destino três Chafarizes do Mestre Valentim : Praça XV (Centro) / dia 13 de maio, Fonte dos Amores (Passeio Público) / dia 14 de maio e Saracuras (Ipanema) / dia 15 de maio.

O projeto visa ativar a memória da cidade por meio de intervenções efêmeras que guardam forte relação com as artes cênicas. As próximas ações serão precedidas de um encontro geral, aberto a todos, no dia 8 de maio (sábado), das 14 às 18 hs, no Chafariz Fonte do Amores (Passeio Público). Mais aqui: http://coletivoliquidaacao.blogspot.com/

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As construções de Brasília / A exposição abre nesta quinta no Instituto Moreira Salles, na Gávea. A foto do convite é de Peter Scheier.

A mostra segue até final de julho, e o seminário que a complementa acontece entre 24 e 28 de maio.
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Lendo "Braxília revisitada", de Nicolas Behr:

"ontem desabaram sobre mim
duas superquadras inteiras"
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BSB / Meus olhos estão grudados na TV. As imagens da construção de Brasília estão por todo o lado, e me alucinam. Logo mais, às 17:30, o Canal Futura reprisa um programa que inclui um depoimento meu, gravado esta semana. Não sei o quanto gosto de Brasília, mas gosto de pensar Brasília.






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Brasília, 50 / Acordei cedo e com vontade de celebrar. Então aí está Brasília, em duas imagens distantes quatro décadas entre si. O homem em ação é Jean-Paul Belmondo, num filme feito no ano em que nasci (L'homme de Rio, Philippe de Broca).

Eixo monumental

Tenho os olhos fartos
e tudo me falta
menos luz
e mais eu


[Bsb, out 09]
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Sobre a Marina, apenas rumores / Um comentário anônimo recebido aqui merece ser destacado: segundo ele, além dos nomes já citados, participam do concurso de projetos para a Marina da Glória os escritórios de Norman Foster (com RAF Arquitetura), Paulo Casé, Elizabeth de Portzamparc, Architectonica, Jean-Michel Wilmotte, Henrique Mindlin Associados e Afonso Kuernerz. E "há rumores de que Renzo Piano estaria participando". Se é verdade eu não sei, mas o pior é saber que não tenho como saber.
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Mais Marina / Como tudo que tem acontecido por aqui, as informações vão chegando aos poucos: agora fiquei sabendo que o concurso fechado para o projeto de reforma da Marina da Glória, organizado pelo empresário Eike Batista, envolve também os escritórios DDG, Índio da Costa e De Fournier, do Rio, e Rafael Viñoly, de NY (mais Pedro Paulo de Mello Saraiva e Edo Rocha, de São Paulo, e Julien de Smedt, de Copenhagen, já anunciados aqui).
A primeira fase do processo de seleção - da qual devem sair 5 finalistas - está em curso nestes dias, mas nem os concorrentes sabem quem está participando, quais os critérios do julgamento e qual o júri. E eu temo que o Eike Batista tenha tudo, menos uma assessoria em arquitetura.
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Direto da Fábrica / O Jornal do Brasil publica em sua edição deste domingo (18 de abril) um texto meu ("Direto da Fábrica", caderno Internacional, p.32), sobre a relação entre arquitetura e indústria no Brasil dos anos 50. O texto foi publicado originalmente na revista Ciência Hoje, edição de abril, e republicado no jornal, em versão resumida, com a minha autorização. Costuma ser tão difícil publicar um texto sobre arquitetura num jornal de grande circulação que evidentemente a publicação me animou. Mas em nenhum momento as fotos e legendas passaram por mim, e agora, ao comprar o jornal, fui surpreendida com a inclusão de uma obra que jamais foi citada no texto e sequer tem qualquer relação com o período em análise (a Biblioteca Nacional de Brasília, projetada por Niemeyer). E o pior: a obra é mencionada - totalmente à minha revelia - como "um bom exemplo" de racionalidade. Fica aqui então o meu esclarecimento, junto com um protesto à maneira como o texto foi tratado no jornal.

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Brasília, 50 / Falando em Niemeyer, quarta-feira próxima comemora-se o cinquentenário de Brasília. No Rio, a data será celebrada com uma grande exposição no Instituto Moreira Salles, a partir do dia 29. A mostra inclui fotografias da inauguração e dos primeiros anos de Brasília por Marcel Gautherot, Thomaz Farkas, Peter Scheier e outros, além de publicações, cartazes e obras de arte relacionadas à cidade.

Na ocasião, serão também lançados dois livros: o catálogo da exposição (com textos de Lorenzo Mammì, Heloisa Espada, Anat Falbel e Sergio Burgi) e um livro sobre as fotos de Marcel Gautherot, com texto de Kenneth Frampton.

Em paralelo à exposição, também no IMS, será realizado, entre 25 e 29 de maio, o seminário "Brasília: Imagem, Imaginário" (cuja organização coube a mim) . Entre os participantes estarão Paulo Mendes da Rocha, Ronaldo Brito, Adrian Gorelik, Lorenzo Mammi, Eucanaã Ferraz, Nicolas Behr e João Masao Kamita. Um ciclo de cinema completará a programação, com filmes de Joaquim Pedro de Andrade, Vladimir Carvalho e Eugene Feldman.

Em São Paulo, o Museu da Casa Brasileira abre, no dia 20 de abril, uma exposição sobre os sete projetos finalistas do concurso vencido por Lucio Costa ("Outros Planos: Brasílias"), e organiza dois debates (em 27 de abril e 11 de maio) com depoimentos de alguns dos arquitetos que participaram do concurso.

E no dia 13 de maio, data em que a Casa de Lucio Costa completa 10 anos, inaugura-se no Museu da República, em Brasília, a exposição "Lucio Costa-arquiteto", organizada por sua filha Maria Elisa (http://luciocostaarquiteto.blogspot.com/)

No mais, o próximo mês ainda promete o lançamento de publicações bastante oportunas, como o estudo do arquiteto Milton Braga (prof. da FAU-USP e sócio do escritório paulistano MMBB) sobre os projetos participantes do concurso de Brasília (ed. Cosac Naify), e uma coletânea de entrevistas com Lucio Costa (que também tive o prazer de organizar, para a editora Azougue).


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Pena, o Segre - professor da FAU-UFRJ - não autorizou a publicação do comentário que enviou para o meu email pessoal. Disse que já está "bastante queimado com Niemeyer" e não tem interesse em entrar no debate.
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Sempre Niemeyer / Tive um problema qualquer aqui no gerenciamento do blog e só agora vi os últimos comentários postados! Pois agora eles estão aí. Em breve, também o do Roberto Segre (se ele me autorizar, claro).
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Niemeyer e a Mediocridade / Não foi só o Vicente Del Rio que ficou indignado com o meu texto, que ele leu como uma "ode ao Niemeyer". Eis o comentário que acabo de receber do arquiteto Paulo Afonso Rheingatz, professor da FAU-UFRJ, que me autorizou a publicá-lo aqui:

"Sempre procuro acompanhar com interesse suas matérias e seu blog. Gosto do seu texto e de sua lucidez. Mas isto não se confirmou no artigo “Niemeyer e a modernidade sem crise”, publicado em O Globo de sábado. Ele se junta a outros artigos de elogios ou de desvios da crítica à obra de ON especialmente nas últimas 4 décadas, quando produziu um apreciável conjunto de aberrações arquitetônicas em nome da liberdade do gesto criador. A começar pelo MAC que, além de desproporcional, pode ser qualquer coisa mas não um museu. A menção sobre as críticas ao custo “e até da sua eficiência energética” sugere que você não considera esses aspectos importantes em obras públicas no Brasil. Ao mencionar que a obra é “indissociável da política carismática de Aécio Neves e de sua ambição política” ficaa dúvida se isto é, na sua opinião, um problema. Além de persisir um problema histórico na obra de ON: como se justifica um arquiteto assumidamente comunista aproveitar-se dos devaneios faraônicos com o dinheiro público praticado pelos governantes para plantar seus delírios formais pelos quatro cantos do mundo.Com relação ao “foco de atenção”, ele é o mesmo que se repete em toda sua obra: gratuidade da forma e exercício do ego. Mesmo nos trópicos, sua obra em concreto despreza o conforto e o bem estar dos cidadãos,ao plantar formas de concreto no vazio, sem a concorrência da vegetação, que impede que sua obra predomine sobre tudo o mais.Talvez a única coisa que mereça menção seja o alardeado vão livre de146 metros, embora fique a me perguntar qual seria a sua relevância,além de afirmar seu desprezo completo pelo custo de suas obras. Aqui,talvez, possamos concordar: ele representa “uma carga de juventude”,especialmente por sua irresponsabilidade.O reconhecimento à visibilidade ímpar de ON, responde sua menção à escassez de cultura arquitetônica. Com raras exceções, nossos arquitetos optaram pela condição de eternos discípulos ... seja de ON(poucos), seja de Lucio Costa, seja de Artigas. Nós arquitetos brasileiros somos discípulos de uma vanguarda obsoleta.Neste sentido, provavelmente, nosso azar foi termos mestres tão longevos ... bom para eles, ruim para a arquitetura brasileira.Seu parágrafo final é espantosamente assustador. Porque devemos tratar com cuidado uma obra sem qualquer qualidade, desprovida de qualquerrelação com o contexto, com os usuários e cidadãos que vão ser forçados a utilizá-lo e a bancar seus custos de manutenção tambémfaraônicos? Se os projetos recentes de ON são a prova cabal de que ele é “o último grande Mestre da arquitetura” ou o “grande imortal da arquitetura” você não deveria se espantar da “escassez de cultura arquitetônica no Brasil hoje”.Mas o mais espantoso de tudo é que, apear de cego, e sem poder ficar de pé, as pessoas ainda acreditem que é ele quem projeta estes absurdos que proliferam pelo Brasil enquanto a nossa população desaba morro abaixo.Ana, como é possível falar em boa arquitetura hoje, sem considerar osaspectos ambientais, o clima, a proteção contra a radiação direta do sol, as demandas e desejos dos cidadãos e dos usuários, os custos operacionais?No Brasil, a crise não é apenas da Modernidade, embora ela tenha contribuído em muito para a descaracterização da cidade e da vidatradicional, em que pese alguns poucos exemplos bem sucedidos, como a ABI, o Palácio Gustavo Capanema, o Santos Dumont, o MAM, o Banco Boavista, entre outros apenas para ficar aqui pelo Rio de Janeiro.Cada vez mais acredito que a salvação da arquitetura brasileira está no abandono da pretensão à genialidade e na construção de uma mediocridade mais responsiva e humilde, mais brasileira. Mas isto é pano para uma outra discussão, ou até mesmo para um futuro livro.

Saudações, Paulo Afonso Rheingantz"
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"Ode a Niemeyer" ? / Meu texto sobre Niemeyer suscitou vários comentários. O melhor - e mais surpreendente - até agora foi o que recebi do arquiteto Vicente del Rio (professor da California Polytechnic State University em San Luis Obispo). Mas ele escreveu para o meu email pessoal. Então não sei se devo postá-lo aqui.
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Modernidade sem crise / Há cerca de duas semanas recebi um convite do editor do caderno de literatura do jornal O Globo para escrever um artigo sobre a última obra inaugurada de Niemeyer (o Centro Administrativo Tancredo Neves, em Belo Horizonte). Reproduzo aqui o texto, conforme publicado no jornal de hoje (há também um link direto para o caderno Prosa & Verso, mas nesse caso é preciso ir à página 2: http://www1.oglobodigital.com.br/flip/?idEdicao=d17ea6ffc70e32be25f3368d8f201b08&idCaderno=1bfdbc1c4b3ea94312fe2d6c3109bd39&page2go=1&idMateria=4&origem )

"Niemeyer e a modernidade sem crise

Nenhum arquiteto viveu tanto. Mas quem diria que um arquiteto moderno, aos 102 anos, ainda fosse provocar polêmica com dois projetos inaugurados quase simultaneamente: o Auditório de Ravello, na Itália, e a Cidade Administrativa Tancredo Neves, em Belo Horizonte? O primeiro enfrentou oito ações judiciais ao inserir um descomunal olho de concreto numa cidade de pouco mais de 2 mil habitantes, onde “a última grande construção datava do século XI”, como frisou o sociólogo Domenico di Masi, maior entusiasta da obra. O segundo tem sido interpelado em função do custo, de suas motivações políticas e até da sua eficiência energética. Mas pouco tem sido dito a respeito da sua arquitetura.


A Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves localiza-se à beira da Linha Verde, na região norte de Belo Horizonte. A construção do complexo de 265 mil metros quadrados visou unificar a administração estadual e ao mesmo tempo induzir a expansão da cidade em direção ao norte. Mas o empreendimento tem também fortes motivações políticas. É uma obra indissociável da política carismática de Aécio Neves e de sua ambição política. Não deve surpreender a ninguém, então, que o neto de Tancredo Neves tenha buscado Oscar Niemeyer, o arquiteto que definiu simultaneamente a imagem de modernidade de Belo Horizonte e de Juscelino Kubitschek com a Pampulha e outras obras que marcam a paisagem urbana da capital mineira. E ainda tenha feito questão de inaugurar a obra no dia em que se completaram cem anos do nascimento do ex-presidente Tancredo.

Conjunto é um resumo da obra do arquiteto
O conjunto é composto de cinco edificações autônomas e pouco articuladas, do ponto de vista urbanístico, entre si e com o entorno. O que tampouco chega a ser motivo de surpresa, em se tratando de Niemeyer: mais uma vez, apostase na criação de um foco de atenção, antes que numa conexão mais estreita com o contexto. No caso, o edifício de maior apelo imagético abriga o gabinete do Governador e os demais destinam-se às secretarias, auditório e centro de convivência.

O Palácio do Governo filia-se a projetos anteriores de Niemeyer, em particular às sedes italianas da Mondadori e do grupo Fata, que por sua vez seguem, com alterações e ajustes, a solução da caixa de vidro envolvida por uma sequência de arcos, iniciada em Brasília. Já as secretarias se acomodam em dois edifícios em curva, com 15 pavimentos cada. De certo modo encontra-se aí, portanto, uma espécie de resumo da obra do arquiteto. Dois de seus traços fundamentais, pelo menos, estão presentes: a forma livre e o virtuosismo estrutural.

A liberdade concedida à forma se manifesta nas curvas dos dois edifícios administrativos que se rebatem um sobre o outro. Já a exploração extremada da técnica moderna se mostra no Palácio do Governo, que, com seus 146 metros de vão livre (o dobro do vão do Museu de Arte de São Paulo), é alardeado como o maior vão suspenso do mundo. Contando, como sempre, com a solidariedade de um grande engenheiro (José Carlos Sussekind), Niemeyer realizou aí uma estrutura que só pode ser medida pela sua ousadia: 30 cabos de aço mantém em suspenso uma caixa de vidro de 4 pavimentos.

A solução não é uma novidade em si – embora distinta, a estrutura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, por exemplo, também foi resolvida, na década de 1950, com uma sofisticada solução atirantada que liberou o solo e os espaços expositivos. Mas nem por isso a última realização de Niemeyer deixa de impressionar por seu vigor. Há, afinal, uma carga de juventude nesse projeto que contribui para a sua visibilidade, embora também denuncie um dos problemas cruciais para a produção projetual contemporânea no Brasil: de um modo geral, a arquitetura brasileira não viveu a crise do moderno.

Na década de 1950, enquanto o pensamento arquitetônico e urbanístico mundial confrontava-se com a crise da modernidade, o Brasil construía Brasília. E no momento seguinte, quando a arquitetura começou a ser interrogada à luz da crítica pós-modernista, o Brasil vivia uma ditadura militar que bloqueava qualquer pensamento crítico. Esse quadro começaria a mudar com a abertura política, mas então o pós-modernismo acabaria se tornando uma espécie de chave mestra para a saída de um grande impasse: de um lado, a reverência à obra de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, de outro, a contestação própria de uma geração de arquitetos formados no período mais negro da ditadura militar (num processo protagonizado justamente por alguns arquitetos mineiros).

Criticar Niemeyer ainda é uma tarefa difícil
Pode-se então culpar Niemeyer por certo imobilismo da arquitetura no Brasil? Não. Se a arquitetura brasileira permaneceu alheia à crise do moderno, foi porque ficou entre uma prática capitalista predatória e uma reflexão teórica pobre na qual se expressou, desta vez pela via da esquerda, uma tônica populistae autoritária continuamente reeditada no Brasil.

Será um erro contratar Niemeyer hoje? Também não. Nenhum arquiteto brasileiro tem visibilidade sequer comparável à sua (basta lembrar a inauguração recente do hospital Sarah Kubitschek, no Rio, anunciada pela imprensa local sem qualquer menção à arquitetura e/ou ao responsável pelo projeto, arquiteto João Filgueiras Lima, dito Lelé). E compreendese facilmente porque os maiores arquitetos do mundo todo, quando vêm ao Rio, não só querem conhecer Niemeyer pessoalmente como mostram uma excitação quase infantil ao deixar seu escritório com um autógrafo, uma foto e se possível um croqui (cena que se repetiu, só nos últimos anos, com Zaha Hadid, Frank Gehry, Steven Holl, Christian de Portzamparc e Frei Otto). No fundo, então, o que impressiona mesmo é a escassez de cultura arquitetônica no Brasil hoje. E isso, não obstante as qualidades intrínsecas a certa produção contemporânea, dentro da qual podem ser incluídos tanto Lelé quanto Angelo Bucci.

Pelo jeito, não bastou a exemplaridade da produção das décadas de 1940 e 1950, que se irradiou a partir do Rio de Janeiro mas não tardou a brotar em Minas Gerais (além de Belo Horizonte, também em Cataguases, Diamantina, Ouro Preto). Tampouco foi suficiente a admirável longevidade dos grandes mestres da arquitetura moderna no Brasil (Lucio Costa, por exemplo, morreu perfeitamente lúcido aos 96 anos).

Na verdade, diferentemente da França, por exemplo, onde a arquitetura foi forçada a reorientar-se após a morte de Le Corbusier, no Brasil a presença atuante dos grandes mestres modernos em pleno final do século XX acabou se tornando, para muitos, uma ameaça a qualquer tentativa de emancipação. E ao contrário do que pode sugerir a quantidade de publicações e eventos suscitados pela comemoração recente do centenário de Niemeyer, ainda há uma grande dificuldade de abordar criticamente a sua obra.

Gramática niemeyeriana como marca comercializável
Chegamos a um ponto, no entanto, em que é difícil não se perguntar se alguns projetos que tem sido divulgados como sendo de Niemeyer são de fato seus. O próprio complexo mineiro já foi acusado de ter saído das suas gavetas. Não que, por princípio, isso seja condenável em arquitetura (considere-se, por exemplo, as semelhanças entre o Edifício Bacardi e a Galeria Nacional de Berlim, de Mies van der Rohe). Mas é difícil acreditar que, aos 102 anos, Niemeyer ainda esteja em condições de confiar a gênese da forma ao gestual pelo qual sua arquitetura se definiu, em seus melhores momentos.

Não raro, os traços que temos visto mostram características substancialmente distintas de seu procedimento projetual. E ainda que as maquetes possam ajudar, é difícil acreditar que a esta altura ele esteja disposto a rever sua concepção de arquitetura como criação individual, definida por meio de um risco fluente e decidido. O que em todo caso faz pensar na simplicidade da gramática niemeyeriana e sua exploração – já no limite da saturação – como uma marca facilmente identificável e comercializável.

Todo cuidado é pouco, portanto, para tratar da Cidade Administrativa de Belo Horizonte. O projeto é a prova mais cabal de que Niemeyer não é só o último grande Mestre da arquitetura. Nem só o grande imortal da arquitetura brasileira. Niemeyer é a juventude espantosa, e às vezes assustadora, do Brasil."



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O Rio e suas águas: para onde estamos nos levando?

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Junto à grade do Jardim Botânico contei esta manhã pelo menos 8 pés solitários de sapatos. E senti um frio na espinha, ao pensar em tantos pares que se perderam para sempre na chuva.
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32 /
Esse é (até agora) o número oficial de mortos pelas chuvas que castigam o Rio desde ontem.
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Cessibilidade / Fui comprar uma calça jeans ontem e me lembrei do conselho da Camila: tem que ser justa, porque com o uso ela cede. Então fiquei pensando no que seria uma arquitetura assim: justa, mas pronta a ceder ao tempo e ao uso.

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Bienal Iberoamericana / Um projeto no Rio, 5 em São Paulo, 2 em Minas Gerais e 2 no Rio Grande do Sul: eis o resultado da seleção brasileira para a VII Bienal Iberoamericana de Arquitetura e Design (BIAU), que acontece em Medellín, na Colômbia, em outubro próximo.

A Comissão de seleção foi composta por Abilio Guerra (delegado brasileiro da BIAU) e mais 8 membros regionais: Ana Luiza Nobre, Andrey Rosenthal Schlee, Carlos Eduardo Dias Comas, Fabio Duarte, Luciana Guimarães Teixeira, Maria Isabel Villac, Sonia Marques e Vanessa Borges Brasileiro. No processo de seleção, cada membro da Comissão avaliou individualmente o conjunto das obras e conferiu notas de 1 a 10 a cada um dos 90 projetos indicados pelos membros regionais.

Desse processo resultou a seleção das 10 obras que representarão o Brasil na Bienal:

Biblioteca São Paulo, Aflalo & Gasperini Arquitetos, São Paulo SP, 2009
Box House, Yuri Vital, São Paulo SP, 2008
Casa em Ubatuba, Ângelo Bucci, Ubatuba SP, 2009
Centro Educativo Burle Marx em Inhotim, Alexandre Brasil, Paula Zasnicoff Cardoso, Brumadinho MG, 2009
Edifício Aimberê, Andrade Morettin Arquitetos Associados, São Paulo SP, 2009
Hospital Sarah-Rio, João Filgueiras Lima, Rio de Janeiro RJ, 2009
Memorial da Imigração Japonesa, Gustavo de Araújo Penna, Mariza Machado Coelho, Paulo Pederneiras, Belo Horizonte MG, 2009
Museu do Pão, Brasil Arquitetura, Ilópolis RS, 2007
Praça Victor Civita, Adriana Blay Levisky e Anna Julia Dietzsc, São Paulo SP, 2008
Sede da Fundação Iberê Camargo, Álvaro Siza Vieira, Porto Alegre RS, 2008

Em tempo: as obras estão listadas em ordem alfabética, e a inclusão de projeto de autoria de arquiteto estrangeiro está prevista nas normas da Bienal.