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Cadê o trem? / Três exposições em cartaz não podem deixar de ser vistas: José Resende (MAM), Saul Steinberg (IMS) e Arthur Bispo do Rosário (Caixa Cultural).

A de José Resende tem provocado discussão por conta das peças publicitárias espalhadas pela cidade, que mostram duas obras que na verdade não estão na exposição: o "Passante", instalado há anos no Largo da Carioca, e os vagões suspensos, trabalho efêmero realizado em São Paulo no último ArteCidade. "Mas cadê o trem?", perguntou uma senhora ao visitar a exposição. Parece que ela estava enfurecida, e chegou a exigir o dinheiro de volta. Mas o melhor foi a resposta dada pelo artista, quando soube do ocorrido: "o trem está aí, só que desmontado."

Por sinal, até o final da exposição o Rio verá mais um trabalho de José Resende, só que instalado externamente, do outro lado da passarela que leva ao MAM (e também é projeto de Affonso Eduardo Reidy). A única informação, por enquanto, é que se trata de um trabalho que faz uso de uma luminária pública e de energia eólica, do qual serão instaladas quatro unidades no centro do Rio.


(A foto é de Barbara Cutlak, uma das editoras da Noz. Aliás, cadê a Noz?)















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Museu do Açude / A casa está fechada, o chão coberto de folhas. Havia mais quatro ou cinco carros estacionados lá fora, mas não vejo muitas pessoas aqui.
Deve ser o carnaval (ainda). Ou a dificuldade de acesso (a cidade está longe).
Mas é sábado, é manhã, e seguimos mata adentro.
Na ausência de mapas, ficamos mais atentos aos sinais.
Logo, toda a infância volta: árvore é pra subir, rio é pra atravessar, pedra é pra pular ou sentar.
Assim vamos descobrindo Oiticica, Edu Coimbra, Nuno Ramos, Lygia Pape.
José Resende demora mais. Os cabos de aço romperam, a lâmina de mármore partiu e talvez tenha sido arrastada pela água. Resta a treliça metálica, quase soterrada no fundo do vale. E alguns fragmentos da pedra um dia branca, hoje tomada por musgo. A placa coberta de terra diz que a obra está em recuperação. Espero que esteja mesmo. Mas não deixo de gostar dela assim, em estado de colapso. As margens são instáveis, afinal. E mesmo os açudes beiram o desequilíbrio, eu sei.


(A única foto que encontrei da instalação original de José Resende está aqui://www.ceramicanorio.com/conhecernorio/museudoacude/museudoacude.html. As outras - dos trabalhos de Oiticica, Coimbra e Resende hoje - devo à Cecilia Cotrim).