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Em breve estarão abertas as inscrições para a segunda turma do Mestrado em Arquitetura da PUC-Rio, com início das aulas em março de 2014.

O Programa de Pós-Graduação em Arquitetura, vinculado ao Departamento de Artes & Design da PUC-Rio, possui uma Área de Concentração - Projeto de Arquitetura - e duas Linhas de Pesquisa: Teoria e História do Projeto e Métodos e Processos de Projeto.
As informações sobre o Curso estão aqui:
http://www.puc-rio.br/ensinopesq/ccpg/progarq.html
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Cidade Nova? / Passando pela Cidade Nova recentemente, fiquei surpresa com a quantidade de edifícios novos por ali. Essa área histórica e muito próxima à área portuária, que foi continuamente vitimada por obras viárias e ficou marcada por um longo processo de degradação, está num acelerado processo de adensamento e transformação urbana, com uma concentração de edifícios administrativos que incluem agora, além do Centro de Convenções Sul-América e da própria Prefeitura, a sede do Comitê Olímpico e da Empresa Olímpica Municipal, o Centro de Operações da Prefeitura e o Pavilhão Olímpico.
 
Pela concentração dessas instalações numa área tão central e valiosa, em todos os sentidos, e pela oportunidade indiscutível que novos investimentos como esses representam para a cidade neste momento, seria de se esperar que os projetos apresentassem alguma qualidade, do ponto de vista arquitetônico e urbanístico. Mas o que se vê, mais uma vez, é nenhuma arquitetura: caixas inertes seladas por vidros espelhados, que não se comunicam entre si nem com a rua, nem mostram qualquer compromisso com a construção do espaço público.

 
 
 
Nas ruas cheias de gente, na hora do almoço, caminho com dificuldade até um pequeno conjunto comercial que, junto com o casario revitalizado contíguo, me parece o que há de melhor por ali. Há um tecido urbano, numa escala meio doméstica, que vai se recuperando. Mas a diversidade de usos, que desde os anos 60, com Jane Jacobs, tornou-se uma chave fundamental para garantir a vitalidade da cidade, não parece ter chegado até aqui. Em termos de habitação, o empreendimento mais próximo é o conjunto do Minha Casa, Minha Vida que está sendo erguido no lugar do antigo presídio da Frei Caneca, e já se parece com um nova prisão.
 
Mas nada espanta mais que o Pavilhão Olímpico, prestes a ser inaugurado ao lado da Prefeitura.



Não consegui saber até agora de quem é o projeto. Mas no site "Cidade Olímpica" encontrei este vídeo, que abre com imagens de Barcelona e fala em "oferecer à cidade um equipamento o mais moderno possível". Parece que em breve uma grande maquete digital da cidade estará disponível ali. Mas se este é o modelo que estamos seguindo, sinceramente, não sei o que nos resta.
 
 
 
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Ônibus / E lá vou eu, de novo, de táxi. Ok, mas então volto de ônibus, pelo menos.  É, mas como? Que ônibus passa aqui?

https://www.facebook.com/QueOnibusPassaAqui
 
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Arquitetura da insurreição / A produção do programa "Minha Casa, Minha Vida" - que só no Rio, já conta com mais de 60.000 unidades construídas - mostra o quanto a política habitacional no Brasil permanece longe de produzir um avanço significativo, em termos de qualidade arquitetônica e urbanística. Mas curiosamente, o tema da habitação, de uma maneira geral, não tem emergido com a força que seria de se esperar nas manifestações recentes - a não ser no que diz respeito às remoções forçadas em função de grandes eventos como a Copa e as Olimpíadas (que mesmo assim, ao que parece, ainda não ganharam a atenção pública necessária).
 
Não seria hora de recuperar a "arquitetura insurrecional" do arquiteto francês Jean-Louis Chaneác (1931-1993)?




Uma de suas "células parasitas" - que aliás antecedem em poucos anos a Casa Bola de Eduardo Longo, em São Paulo - chegou a ser instalada clandestinamente, durante a noite, num conjunto habitacional em Genebra, em 1971, por um morador que precisou ampliar o apartamento devido ao nascimento de uma filha, como mostra o vídeo abaixo:

 



 
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Copacabana ontem.
 
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Para Dilma, presidente, de Toledo, arquiteto /
"Presidenta, eu era mais ou menos como a senhora, não tinha muita paciência para escutar e, quando o fazia, não sabia ouvir. Precisei ficar um ano e meio enfiado num escritório na Rocinha, pertinho da curva do “S”, para compreender o que os moradores queriam de mim. Foi um aprendizado tenso e difícil, fiquei doente de tanto stress,  mesmo assim valeu a pena, tornei-me uma pessoa melhor e, como arquiteto, produzi, com meus companheiros de equipe e com a população, um lindo trabalho, o Plano Sócio Espacial da Rocinha, até hoje bandeira agitada pela comunidade para se proteger dos desmandos dos nossos governantes.
Não sinto nenhuma animosidade em relação à senhora, pelo contrário, nunca esquecerei seu papel corajoso e abnegado contra a ditadura, mas que a senhora precisa aprender a ouvir, isso precisa.
Refiro-me a interpretação que a senhora deu ao que escutou dos jovens e coroas como eu, nas magníficas passeatas que tomaram o Brasil de ponta a ponta e nas redes sociais e, principalmente, à sua resposta tão equivocada como precipitada.
Presidenta, segure firme, deixe de lado os conselhos desses puxa-sacos que  a cercam, eu levei mais de ano para compreender o que os moradores da Rocinha queriam de mim, sei que a senhora é muito mais inteligente do que eu e, certamente, não levará tanto para compreender o que nós estamos querendo, pegue seu neto e se tranque num lugar agradável, não receba ninguém, respire..., relaxe... e, só então, se considere pronta para ouvir além de simplesmente escutar nossos gritos.
Preste atenção nas vozes do povo brasileiro, ouça as palavras de ordem, leia os cartazes e faixas e só então dê a resposta que todos nós queremos ouvir.
Deixe a reforma política conosco, em 2014 trataremos disso sem a sua ajuda e se concentre no que estamos pedindo: Educação, Saúde, Mobilidade, Moradia Digna Menos Inflação e trabalho, muito trabalho dos políticos e governantes, porque nós, Presidenta, já damos um duro danado para sobreviver e pagar nossos impostos.
Ah, ia me esquecendo, demita todos os seus ministros e o seu marqueteiro, eles não fazem bem à senhora.
Luiz Carlos Toledo
Arquiteto"
Notas:
1. Luiz Carlos Toledo coordenou o projeto de urbanização da Rocinha e é responsável por pesquisa sobre o programa Minha Casa, Minha Vida que estará na X Bienal de Arquitetura de São Paulo.
2. abaixo, o panfleto distribuído em passeata  organizada recentemente por moradores da Rocinha em repudio ao teleférico cuja instalação foi anunciada pela presidente Dilma em maio último, com recursos do PAC 2. O teleférico está previsto para ter 6 estações, divididas em 2 linhas. O sistema é semelhante ao instalado em 2011 no Complexo do Alemão, mas as estações tem projeto distinto.
3. enquanto isso, Amarildo - morador da Rocinha levado para "verificação" por policiais da UPP no dia 14 último - continua desaparecido.

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Porto Olímpico, Porto Vida / Em meio a tudo, passou quase desapercebida a abertura do cadastramento de servidores interessados em adquirir um apartamento no Porto Vida, o primeiro residencial da área portuária (localizado próximo à av Francisco Bicalho, entre a atual rodoviária e a estação Leopoldina, atrás das futuras Trump Towers).

O conjunto - que servirá como hospedagem da mídia não-credenciada e dos árbitros durante as Olimpíadas - é desdobramento de parte do projeto vencedor do polêmico concurso publico do Porto Olímpico, cujo resultado chegou a ser anulado pelo Ministerio Publico estadual no ano passado.

Do projeto inicial, também desenvolvido pela Blac/Backheuser e Leonidio Arquitetura e Cidade, e Alonso Balaguer Brasil Arquitetos Associados, foi mantido o uso misto (comércio nos primeiros pavimentos e residência nas torres), e a solução de dispor as torres sobre uma plataforma elevada. Mas o vazio entre os prédios, originalmente pensado como uma praça comunicante com a rua, acabou enrijecido com a disposição perimetral dos blocos e tornou-se uma área de lazer típica dos condomínios fechados, tomada por piscinas, quadras etc. A pressão imobiliária não impediu, no entanto, a criação de sete "sky lounges" - termo infeliz para descrever uma espécie de varanda comunitária, de dimensões amplas e pé-direito alto, que rompe aqui e ali com o padrão das fachadas.
 
Por ora, a prioridade de compra é dos servidores municipais, que desde o dia 20 de maio já podem fazer um pré-cadastro  na Internet, para disputar 1000 das 1333 unidades do conjunto, divididas em apartamentos de 2 e 3 quartos (com área entre 65 e 89 m2), em 7 blocos. O lançamento para o público em geral - das 333 unidades restantes - será em outubro, mas a pré-reserva também já pode ser feita na Internet.

A obra está a cargo das empresas Odebrecht, OAS, Rex e Carioca, e a entrega está prevista para janeiro de 2017.
Plantas e mais aqui: www.portovidaservidor.com.br













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Eu sou ninguém / Hoje, na "Folha de S.Paulo":

Peter Pál Pelbart
 
"Anota aí: eu sou ninguém"

Slavoj Zizek reconheceu no "Roda Viva" que é mais fácil saber o que quer uma mulher, brincando com a "boutade" freudiana, do que entender o Occupy Wall Street.
Não é diferente conosco. Em vez de perguntar o que "eles", os manifestantes brasileiros, querem, talvez fosse o caso de perguntar o que a nova cena política pode desencadear. Pois não se trata apenas de um deslocamento de palco --do palácio para a rua--, mas de afeto, de contaminação, de potência coletiva. A imaginação política se destravou e produziu um corte no tempo político.
A melhor maneira de matar um acontecimento que provocou inflexão na sensibilidade coletiva é reinseri-lo no cálculo das causas e efeitos. Tudo será tachado de ingenuidade ou espontaneismo, a menos que dê "resultados concretos".
Como se a vivência de milhões de pessoas ocupando as ruas, afetadas no corpo a corpo por outros milhões, atravessados todos pela energia multitudinária, enfrentando embates concretos com a truculência policial e militar, inventando uma nova coreografia, recusando os carros de som, os líderes, mas ao mesmo tempo acuando o Congresso, colocando de joelhos as prefeituras, embaralhando o roteiro dos partidos --como se tudo isso não fosse "concreto" e não pudesse incitar processos inauditos, instituintes!
Como supor que tal movimentação não reata a multidão com sua capacidade de sondar possibilidades? É um fenômeno de vidência coletiva --enxerga-se o que antes parecia opaco ou impossível.
E a pergunta retorna: afinal, o que quer a multidão? Mais saúde e educação? Ou isso e algo ainda mais radical: um outro modo de pensar a própria relação entre a libido social e o poder, numa chave da horizontalidade, em consonância com a forma mesma dos protestos?
O Movimento Passe Livre, com sua pauta restrita, teve uma sabedoria política inigualável. Soube até como driblar as ciladas policialescas de repórteres que queriam escarafunchar a identidade pessoal de seus membros ("Anota aí: eu sou ninguém", dizia uma militante, com a malícia de Odisseu, mostrando como certa dessubjetivação é condição para a política hoje. Agamben já o dizia, os poderes não sabem o que fazer com a "singularidade qualquer").
Mas quando arrombaram a porteira da rua, muitos outros desejos se manifestaram. Falamos de desejos e não de reivindicações, porque estas podem ser satisfeitas. O desejo coletivo implica imenso prazer em descer à rua, sentir a pulsação multitudinária, cruzar a diversidade de vozes e corpos, sexos e tipos e apreender um "comum" que tem a ver com as redes, com as redes sociais, com a inteligência coletiva.
Tem a ver com a certeza de que o transporte deveria ser um bem comum, assim como o verde da praça Taksim, assim como a água, a terra, a internet, os códigos, os saberes, a cidade, e de que toda espécie de "enclosure" é um atentado às condições da produção contemporânea, que requer cada vez mais o livre compartilhamento do comum.
Tornar cada vez mais comum o que é comum --outrora chamaram isso de comunismo. Um comunismo do desejo. A expressão soa hoje como um atentado ao pudor. Mas é a expropriação do comum pelos mecanismos de poder que ataca e depaupera capilarmente aquilo que é a fonte e a matéria mesma do contemporâneo --a vida (em) comum.
Talvez uma outra subjetividade política e coletiva esteja (re)nascendo, aqui e em outros pontos do planeta, para a qual carecemos de categorias. Mais insurreta, de movimento mais do que de partido, de fluxo mais do que de disciplina, de impulso mais do que de finalidades, com um poder de convocação incomum, sem que isso garanta nada, muito menos que ela se torne o novo sujeito da história.
Mas não se deve subestimar a potência psicopolítica da multidão, que se dá o direito de não saber de antemão tudo o que quer, mesmo quando enxameia o país e ocupa os jardins do palácio, pois suspeita que não temos fórmulas para saciar nosso desejo ou apaziguar nossa aflição.
Como diz Deleuze, falam sempre do futuro da revolução, mas ignoram o devir revolucionário das pessoas. 

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2x0 / Maracanã, hoje.


Aqui, em vídeo: http://youtu.be/LEfhFgloZDs
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Posto 12 / Ao voltar ao Posto 12 ontem, encontrei toda uma nova configuração: é incrível como a organização espacial e social mudou completamente em uma semana. A ocupação é visivelmente menos permeável, mais densa e auto-protegida. Encontro novas barracas, novas pessoas e novos cartazes, onde as palavras que registrei e até ajudei a escrever, sábado passado, foram substituídas por outras, já não tão espontâneas (até a cor parece que se foi, junto com as canetas e cartolinas agora substituídas por faixas e bandeiras feitas para durar mais). Do outro lado da rua, a praia cheia ignora solenemente a ocupação: o mesmo mate, o mesmo vôlei, os mesmos biquínis. Os carros que passam também já não buzinam na mesma proporção. E sequer a polícia parece dar maior atenção aos manifestantes, que foram deslocados para uma faixa bem delimitada e protegida por cones e grades, que já não bloqueia o tráfego nem incomoda muito a ninguém. Ainda que o número de barracas e colchonetes tenha aumentado, e seja maior a sombra que dá abrigo aos manifestantes, a ocupação tornou-se melancólica e perdeu seu viço como expressão - ainda que discutível - de ação política. Depois da farsa a que assistimos no Palácio Guanabara, denunciada nas matérias de jornal pregadas a alguns postes vizinhos, desconfio que o risco que a ocupação corre agora é de se tornar mais uma atração na orla da zona sul.
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Oportunidade perdida / "O Brasil perdeu uma oportunidade com a Copa do Mundo", diz o prefeito do Rio, em entrevista publicada hoje no jornal Folha de S. Paulo. E acrescenta: "As ruas não disseram que são contra a Copa ou a Olimpíada. Dizem: somos contra a forma como se fez a Copa."  
 
E as Olimpíadas?
 
Segue a íntegra da entrevista:
"O Brasil e o Rio bateram muito bumbo pela conquista de grandes eventos. No fim do primeiro, a imagem que fica é de manifestações nas ruas, de violência. Isso o preocupa?
Obviamente. Acho que o Brasil perdeu uma oportunidade com a Copa do Mundo. As ruas não disseram que são contra a Copa ou a Olimpíada. Dizem: somos contra a forma como se fez a Copa.
O que fez o Brasil perder essa oportunidade?
Um conjunto de coisas. A Fifa não se preocupa com legado, mas com o estádio.
Não cabe ao governante esta preocupação?
Começa pela Fifa. O governo federal, quando fez o PAC da Mobilidade da Copa, talvez tenha demorado a perceber que era uma oportunidade de novos investimentos que não guardam relação direta com a Copa.
O governo federal errou?
Os governos em seus diversos níveis erraram ao não perceber que esse evento tem muito mais que futebol.
A Copa foi um bom negócio?
Acho que sim. Não exploramos [a oportunidade], mas ainda há tempo. Não estou preocupado porque a imagem é de manifestação. Vamos parar com essa mania do Brasil ficar se mostrando um país perfeitinho. Nós não somos. Mas ninguém aqui está lutando por liberdades, direitos para mulheres, voto. Isso aqui não é primavera árabe. É uma democracia consolidada, que se manifesta. Não tem que achar que o gringo vai olhar e dizer: "Olha, eles fazem manifestação". Nós somos democratas. Anos atrás não se podia fazer manifestação. Aí era para ter vergonha.
As cenas de quebra-quebra na cidade, operação policial com nove mortos no Complexo da Maré não assustam?
Operação com nove mortos na Maré era toda semana.
Mas ocorrer durante a Copa das Confederações...
Não é o melhor dos mundos. O ideal é que a gente vivesse num país com características suíças. Se bem que eu ia achar um saco. É o Brasil.
O sr. acha que se o país buscasse hoje sediar uma Copa, teria que haver plebiscito?
Isso não é tema de plebiscito. Nas pesquisas, havia uma aprovação absurda para a Copa e a Olimpíada. Há uma clara posição de que querem ser mais ouvidos.
O carioca tem motivos para sair às ruas em protesto?
O Rio melhorou, as pessoas reconhecem. O que o país diz é: "Vamos parar de curtir que viramos democracia, que tiramos 40 milhões da pobreza, que temos pleno emprego, e vamos avançar mais?" Em determinado momento, a classe política deitou em berço esplêndido.
Os partidos estão em crise?
As pessoas não rejeitaram os partidos, rejeitam os políticos, os personagens. Essa é uma crise de todos nós.
O seu partido, o PMDB, tem uma imagem negativa...
[Interrompe] Que partido tem imagem boa? Só os que estão por nascer. Único partido com imagem boa é a Rede [de Marina Silva] porque ainda não nasceu.
O PMDB deveria mudar alguma coisa para melhorar?
Deixo com você a resposta.
O sr. fez a primeira licitação de ônibus para a cidade, mas ela acabou mantendo os mesmos empresários. Não parece um jogo de cartas marcadas?
Quando faz um processo licitatório com essas características, quem tem 50 garagens estabelecidas pela cidade, 10 mil ônibus, sai naturalmente com vantagem.
O episódio da briga que o sr. teve com um carioca pode lhe trazer prejuízos políticos?
Me arrependo, como homem público, de ter perdido a cabeça. Tive uma reação que não deveria ser a reação do prefeito. Se fosse um cidadão normal, teria sido natural. Mas não sou esse super-homem. Gosto de sair, ir para a rua, tomar uma cervejinha. Mas não fico satisfeito de jantar com a minha mulher e um sujeito ficar xingando a minha quinta geração. Bêbado. "
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Depois de aguentar 6 dias de acampamento na esquina da sua casa, o governador Sergio Cabral recebeu 5 manifestantes no Palácio Guanabara hoje. Conversou com eles a portas fechadas por quase 2 horas. Só que o grupo que está acampado no Posto 12 desde sexta é outro. Ou seja, ou ele recebeu o grupo errado, ou tem qualquer coisa de errado aí.
 
 
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Maré / São 9 ou 13 os que morreram na operação do BOPE ontem na favela da Maré? Não se sabe ou já não importa?
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Levante / Acordo com a foto de Pedro no jornal, que conheci sábado na ocupação da Delfim Moreira, no Posto 12. Em seguida recebo um telefonema seu, dizendo que deixou o grupo porque ficou assustado com ameaças feitas por um desconhecido ontem. Leio seu relato no facebook e saio me fazendo perguntas no almoço. Encontro o pilotis da PUC lotado, onde ouço Marcelo Burgos definir as manifestações dos últimos dias como um "levante" - palavra que é sinônimo de motim, mas também significa "lugar onde nasce o sol". Me animo. Mas no final da tarde, o relato volta a ser de terror: alunos encurralados por bombas de gás lacrimogêneo na  Lapa, às 9 e meia da noite de uma quinta-feira.  Parece também que taxistas pararam Copacabana hoje e há novos protestos no centro da cidade e até na porta da rede Globo, no Jardim Botânico. E agora chegando em casa, esta notícia: após reunião com Dilma em Brasília, representantes do Movimento Passe Livre declararam que a Presidente está "despreparada".

Tudo isso chacoalha na minha cabeça enquanto penso no que dizer na mesa-redonda sobre manifestações populares e conflitos recentes no Rio que o núcleo carioca da Bienal organiza esta quarta-feira no Curso de Arquitetura da PUC. Com Carlos Vainer (IPPUR/UFRJ), Marcelo Burgos (Sociologia, PUC-Rio), Fabio Lopez (Design, PUC-Rio), Pedro Duarte Andrade (Filosofia, UNIRIO) e eu. No IMA, às 19 horas, aberta a todos.
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Carta Aberta / Do Movimento Passe Livre à Presidenta Dilma Rousseff, hoje:
"O transporte só pode ser público de verdade se for acessível a todas e todos, ou seja, entendido como um direito universal. A injustiça da tarifa fica mais evidente a cada aumento, a cada vez que mais gente deixa de ter dinheiro para pagar a passagem. Questionar os aumentos é questionar a própria lógica da política tarifária, que submete o transporte ao lucro dos empresários, e não às necessidades da população. Pagar pela circulação na cidade significa tratar a mobilidade não como direito, mas como mercadoria. Isso coloca todos os outros direitos em xeque: ir até a escola, até o hospital, até o parque passa a ter um preço que nem todos podem pagar. O transporte fica limitado ao ir e vir do trabalho, fechando as portas da cidade para seus moradores. É para abri-las que defendemos a tarifa zero."
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Posto 12, hoje à noite /  Ocupação do asfalto à beira-mar, a uma quadra da casa do governador Sergio Cabral, numa rua bloqueada pela polícia militar. Desde sexta-feira, pacificamente.