12
Ah, eu vi. Vi e ouvi. E foi como uma pancada na nuca, um soco no estômago, sei lá. Naquelas imagens, tantas brechas para o subterrâneo. O seu e o meu. Brasília é assim: salve-se quem puder.

(eu sei que deveria estar falando do novo museu que está hoje no jornal. Mas fica para amanhã. Ou depois, quem sabe).


11

"Você moraria em Brasília?" perguntou Nicolas Behr. "E você se casaria com uma das Demoiselles d'Avignon, de Picasso?", rebateu Adrian Gorelik.


Pena que vai acabar hoje.
10
Do Possível e do Impossível em Brasília / "Brasília foi inaugurada mas não está pronta", disse Paulo Mendes da Rocha terça-feira no IMS, diante de uma platéia de cerca de 200 pessoas, que se dividiram entre o auditório e o telão instalado no jardim de Burle Marx. O arquiteto declarou-se contrário ao tombamento do Plano Piloto. E provocou o pensamento preservacionista com uma imagem forte: "vejo Brasília destruída pelo povo, o que seria uma maravilha".
Já Ronaldo Brito concentrou-se nas contradições de Brasília: "É um espaço esquizo, que começa com o contraste entre espaço público e privado", disse, referindo-se ao contraste entre a habitabilidade das Superquadras e a "monumentalidade opressiva" da Esplanada dos Ministérios. "Brasília é o símbolo positivo da vida moderna", um fato que "obriga o Brasil a repensar a si mesmo", declarou.
O encontro dos dois foi quente e acendeu uma reflexão sobre Brasília como há muito não se via, e que se estendeu até as dez da noite.
O debate segue hoje com mais um encontro imperdível, entre Adrian Gorelik e Lorenzo Mammi, dois outros grandes pensadores que vem, respectivamente, de São Paulo e de Buenos Aires, para compor a mesa "Brasília: Sol e Sombra".
Mammi falará sobre "A construção da sombra" - tomando uma foto de Marcel Gautherot como ponto de partida para pensar os elementos do imaginário brasileiro e internacional postos em jogo com Brasília. Já Gorelik discutirá o "caráter inoportuno" de Brasília, tomada como "ponto cego" do pensamento urbano latino-americano. O título da sua fala, aliás, já diz muito: "Sobre la impossibilidade de (pensar) Brasília".

9
Uma imagem de Brasília? O chão das Superquadras. É claro que a arquitetura de Niemeyer seduz, a Esplanada dos Ministérios impressiona, a Rodoviária tira o fôlego. Mas não há nenhuma outra cidade no mundo em que o chão vai assim, livre e indiviso, por uma extensão sem fim. E no entanto são poucos - pouquíssimos - os projetos recentes que mostram sensibilidade para essa característica fundamental do Plano Piloto de Lucio Costa. Foi isso, antes de tudo, que me encantou na nova sede do Sebrae. O projeto foi escolhido em concurso público em 2008 e a obra deve estar concluída em poucos meses. E como o seminário no IMS começa amanhã, fica aqui uma imagem produzida em minha deriva recente pelo canteiro de obras, enquanto os autores do projeto - Alvaro Puntoni e Luciano Margotto - se reuniam com engenheiros e consultores no barracão, longe do céu de Brasília.
8
Brasília: Imagem, Imaginário / Esta semana serei toda Brasília. O seminário começa na terça, com Paulo Mendes da Rocha e Ronaldo Brito. O auditório do IMS tem 130 lugares e as senhas serão distribuídas a partir das 18 horas. Mas haverá também transmissão simultânea por meio de telão.
7
Brasília: Imagem, Imaginário / Ao visitar o canteiro de obras de Brasília durante o Congresso Internacional Extraordinário de Críticos de Arte, em 1959, Tomás Maldonado declarou: “Brasília é uma grande possibilidade e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade. O fracasso de Brasília seria um dos maiores traumas da cultura de nossos tempos. Devemos fazer tudo para evitar que venha a falhar.”

A advertência do artista argentino indicava já uma preocupação com os rumos tomados por um viés de modernização que se cumpria e ganhava forma urbana na nova capital, mas também encontrava ali sua expressão-limite.

Ao completar meio século, Brasília se mantém, em grande medida, dentro desse campo de tensões, ao mesmo tempo em que se vê forçada a enfrentar uma série de problemas que ultrapassam em muito sua origem modernista e dizem respeito ao próprio estado crítico das cidades contemporâneas.

O seminário “Brasília: Imagem, Imaginário” tem como objetivo renovar a reflexão sobre essas tensões, explorando, sob diversos pontos de vista, o imaginário construído ao longo do tempo em torno dessa cidade singular e eminentemente simbólica, que se produz e reproduz incessantemente, desde seu momento inaugural, por meio de imagens de extraordinária potência plástica.

As sessões de debate e leitura foram definidas com o intuito de despertar novas possibilidades de ver e pensar a cidade, a partir da sua relação com a arquitetura, as artes plásticas, a fotografia, a história e a literatura.

Integra-se o seminário, assim, à exposição “As construções de Brasília”, também abrigada no Instituto Moreira Salles, como um convite à redescoberta da cidade planejada por Lucio Costa e reinventada cotidianamente no imaginário de todos nós.


6
Brasília: Imagem, Imaginário / Peguei um táxi e toquei pro setor hoteleiro. Amanhã a Casa de Lucio Costa completa 10 anos, e eu vou comemorar comme il faut: no Eixo Monumental.

Aproveito também para carregar minha bateria para o seminário "Brasília: imagem, imaginário", que acontece no Instituto Moreira Salles, no Rio, entre 25 e 28 de maio, no âmbito da exposição ora em curso ("As construções de Brasília").

Eis a programação completa do seminário:

25 de maio, terça-feira, 19 horas
"O espaço Brasília"
mesa-redonda com Paulo Mendes da Rocha e Ronaldo Brito / moderação: Ana Luiza Nobre

26 de maio, quarta-feira, 19 horas
"O instante Brasília"
mesa-redonda com Caio Reisewitz, Mauro Restiffe, Tadeu Chiarelli e Heloisa Espada / moderação: Sergio Burgi

27 de maio, quinta-feira, 19 horas
"Brasília, sol e sombra"
mesa-redonda com Adrián Gorelik e Lorenzo Mammi / moderação: João Masao Kamita

28 de maio, sexta-feira, 19 horas
"Dizendo Brasília"
leitura de textos literários sobre Brasília, com Renata Sorrah, Nicolas Behr e Eucanaã Ferraz

Todas as sessões serão gratuitas e realizadas no auditório do IMS, com distribuição de senha a partir das 18 horas. A mesa-redonda do dia 25 poderá também ser acompanhada por um telão, no espaço externo. Vai ser bonito...
5
Sigo hoje para Brasília. Levo Bense comigo. O que trarei de volta?


4
MUMA / O IAB-RJ divulgou agora à noite o resultado do concurso nacional de projetos para a expansão do Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico: o primeiro lugar ficou com Bruno Luiz Coutinho Santa Cecilia (MG), o segundo com Rochelle Rizzoto Castro (RS) e o terceiro com João Pedro Backheuser (RJ).

Foram atribuídas ainda menções honrosas aos projetos apresentados por José Augusto Fernandes Aly (SP), André Lompreta (RJ), Eliana Maria Soares Gomes (RJ), Marina Grinover (SP), Jaime Marcondes Cupertino (SP), Julio Beraudo Valente (SP), Luis Eduardo Liola de Menezes (SP) e Vinicius Hernandes de Andrade (SP).

A comissão julgadora foi composta por Paulo Bastos, Ruy Rezende, Hector Vigliecca, Pedro da Luz e Ricardo Villar.

Reproduzo aqui uma das pranchas do projeto de Backheuser e equipe, que acabo de receber do Alfredo Brito.

3
Plano Cidade / Aos poucos, nosso filme vai surgindo...e eu mesma não páro de me surpreender com o que vamos encontrando por aí. No último final de semana estivemos no Pavilhão de São Cristóvão, que Sergio Bernardes projetou na década de 1950 e hoje - sem cobertura e semi-destruído - abriga uma animada feira nordestina no seu interior.

Da ousadia do projeto original pouco restou, além da carcaça do pavilhão. Mas aqui e ali, entre cabeças de boi, caixas de som e bandeirinhas de São João, ainda encontramos vestígios da sofisticada rede de cabos de aço que um dia cobriu os 30.000 m2 do pavilhão. É um contraste impressionante, sobretudo porque solenemente ignorado pela multidão que frequenta a feira.

Para quem se interessa, vai valer a pena seguir o blog do filme, que colocamos no ar hoje:
planocidade.wordpress.com


2
Está aí o convite do Líquida Ação.

Posto 5 / mai 10


1
Águas pelo Rio / O coletivo "Líquida Ação" se organiza e convoca para suas próximas ações coletivas: desta vez, a proposta de levar água para chafarizes secos da cidade - que integra o Projeto "Mitolorgias Urbanas: águas férteis", premiado pela FUNARTE - terá como destino três Chafarizes do Mestre Valentim : Praça XV (Centro) / dia 13 de maio, Fonte dos Amores (Passeio Público) / dia 14 de maio e Saracuras (Ipanema) / dia 15 de maio.

O projeto visa ativar a memória da cidade por meio de intervenções efêmeras que guardam forte relação com as artes cênicas. As próximas ações serão precedidas de um encontro geral, aberto a todos, no dia 8 de maio (sábado), das 14 às 18 hs, no Chafariz Fonte do Amores (Passeio Público). Mais aqui: http://coletivoliquidaacao.blogspot.com/

18
As construções de Brasília / A exposição abre nesta quinta no Instituto Moreira Salles, na Gávea. A foto do convite é de Peter Scheier.

A mostra segue até final de julho, e o seminário que a complementa acontece entre 24 e 28 de maio.
17
Lendo "Braxília revisitada", de Nicolas Behr:

"ontem desabaram sobre mim
duas superquadras inteiras"
16
BSB / Meus olhos estão grudados na TV. As imagens da construção de Brasília estão por todo o lado, e me alucinam. Logo mais, às 17:30, o Canal Futura reprisa um programa que inclui um depoimento meu, gravado esta semana. Não sei o quanto gosto de Brasília, mas gosto de pensar Brasília.






15
Brasília, 50 / Acordei cedo e com vontade de celebrar. Então aí está Brasília, em duas imagens distantes quatro décadas entre si. O homem em ação é Jean-Paul Belmondo, num filme feito no ano em que nasci (L'homme de Rio, Philippe de Broca).

Eixo monumental

Tenho os olhos fartos
e tudo me falta
menos luz
e mais eu


[Bsb, out 09]
14
Sobre a Marina, apenas rumores / Um comentário anônimo recebido aqui merece ser destacado: segundo ele, além dos nomes já citados, participam do concurso de projetos para a Marina da Glória os escritórios de Norman Foster (com RAF Arquitetura), Paulo Casé, Elizabeth de Portzamparc, Architectonica, Jean-Michel Wilmotte, Henrique Mindlin Associados e Afonso Kuernerz. E "há rumores de que Renzo Piano estaria participando". Se é verdade eu não sei, mas o pior é saber que não tenho como saber.
13
Mais Marina / Como tudo que tem acontecido por aqui, as informações vão chegando aos poucos: agora fiquei sabendo que o concurso fechado para o projeto de reforma da Marina da Glória, organizado pelo empresário Eike Batista, envolve também os escritórios DDG, Índio da Costa e De Fournier, do Rio, e Rafael Viñoly, de NY (mais Pedro Paulo de Mello Saraiva e Edo Rocha, de São Paulo, e Julien de Smedt, de Copenhagen, já anunciados aqui).
A primeira fase do processo de seleção - da qual devem sair 5 finalistas - está em curso nestes dias, mas nem os concorrentes sabem quem está participando, quais os critérios do julgamento e qual o júri. E eu temo que o Eike Batista tenha tudo, menos uma assessoria em arquitetura.
12
Direto da Fábrica / O Jornal do Brasil publica em sua edição deste domingo (18 de abril) um texto meu ("Direto da Fábrica", caderno Internacional, p.32), sobre a relação entre arquitetura e indústria no Brasil dos anos 50. O texto foi publicado originalmente na revista Ciência Hoje, edição de abril, e republicado no jornal, em versão resumida, com a minha autorização. Costuma ser tão difícil publicar um texto sobre arquitetura num jornal de grande circulação que evidentemente a publicação me animou. Mas em nenhum momento as fotos e legendas passaram por mim, e agora, ao comprar o jornal, fui surpreendida com a inclusão de uma obra que jamais foi citada no texto e sequer tem qualquer relação com o período em análise (a Biblioteca Nacional de Brasília, projetada por Niemeyer). E o pior: a obra é mencionada - totalmente à minha revelia - como "um bom exemplo" de racionalidade. Fica aqui então o meu esclarecimento, junto com um protesto à maneira como o texto foi tratado no jornal.

11
Brasília, 50 / Falando em Niemeyer, quarta-feira próxima comemora-se o cinquentenário de Brasília. No Rio, a data será celebrada com uma grande exposição no Instituto Moreira Salles, a partir do dia 29. A mostra inclui fotografias da inauguração e dos primeiros anos de Brasília por Marcel Gautherot, Thomaz Farkas, Peter Scheier e outros, além de publicações, cartazes e obras de arte relacionadas à cidade.

Na ocasião, serão também lançados dois livros: o catálogo da exposição (com textos de Lorenzo Mammì, Heloisa Espada, Anat Falbel e Sergio Burgi) e um livro sobre as fotos de Marcel Gautherot, com texto de Kenneth Frampton.

Em paralelo à exposição, também no IMS, será realizado, entre 25 e 29 de maio, o seminário "Brasília: Imagem, Imaginário" (cuja organização coube a mim) . Entre os participantes estarão Paulo Mendes da Rocha, Ronaldo Brito, Adrian Gorelik, Lorenzo Mammi, Eucanaã Ferraz, Nicolas Behr e João Masao Kamita. Um ciclo de cinema completará a programação, com filmes de Joaquim Pedro de Andrade, Vladimir Carvalho e Eugene Feldman.

Em São Paulo, o Museu da Casa Brasileira abre, no dia 20 de abril, uma exposição sobre os sete projetos finalistas do concurso vencido por Lucio Costa ("Outros Planos: Brasílias"), e organiza dois debates (em 27 de abril e 11 de maio) com depoimentos de alguns dos arquitetos que participaram do concurso.

E no dia 13 de maio, data em que a Casa de Lucio Costa completa 10 anos, inaugura-se no Museu da República, em Brasília, a exposição "Lucio Costa-arquiteto", organizada por sua filha Maria Elisa (http://luciocostaarquiteto.blogspot.com/)

No mais, o próximo mês ainda promete o lançamento de publicações bastante oportunas, como o estudo do arquiteto Milton Braga (prof. da FAU-USP e sócio do escritório paulistano MMBB) sobre os projetos participantes do concurso de Brasília (ed. Cosac Naify), e uma coletânea de entrevistas com Lucio Costa (que também tive o prazer de organizar, para a editora Azougue).