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Boas notícias vão chegando, em meio a tanta tristeza: não foram afetadas as obras de Alcides Rocha Miranda nem a Casa Cavanellas. E tudo indica que as regiões do Park Hotel e da Casa Saaavedra também não foram as mais atingidas. Minha maior preocupação agora é a casa de Reidy, que fica justamente no vale do Cuiabá, uma das áreas mais devastadas. Das outras obras, também ainda nada sei.

Respiro fundo e percorro alguns dos pontos de recolhimento de donativos que se multiplicam pelas ruas, numa rede de solidariedade impressionante e provavelmente inédita por aqui, tanto em escala quanto em organização. Quando dou por mim, estou diante do Cristo que, de braços abertos, abençoa a cidade.

7
A lista vai aumentando, junto com a aflição: em Friburgo: a igreja Nossa Senhora das Graças, de Alcides Rocha Miranda; em Petrópolis: a casa de Celso Rocha Miranda, também de Alcides Rocha Miranda - e claro, toda a av Koeller e o Palácio de Cristal; a casa de Hilbebrando Accioly, de Francisco Bologna (na Fazenda Inglesa), a casa de George Hime, de Henrique Mindlin (em Bom Clima), e várias casas na Fazenda Samambaia, de Sergio Bernardes, Henrique Mindlin e outros. Em Correas: a Res. Saavedra, de Lucio Costa; em Itaipava: a res. Cavanellas, de Oscar Niemeyer, com um dos mais belos jardins de Burle Marx. Além de vários outros jardins do nosso maior paisagista, como os das casas de Odette Monteiro (Fazenda Marambaia) e Alberto Kronsfoth (em Teresópolis). Como estarão estas e outras obras que constituem um patrimônio arquitetônico inestimável? Procuro e não encontro nenhuma informação a respeito.

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Em meio à tragédia que atinge a região serrana do Rio, como estará a casa de Affonso Eduardo Reidy e Carmen Portinho no Vale do Cuiabá? E o Park Hotel de Lucio Costa, em Friburgo? E as casas de Plácido da Rocha Miranda (de Alcides Rocha Miranda) e Lota Macedo Soares (de Sergio Bernardes) em Petrópolis? Quase peço desculpas, mas estremeço ao pensar que as chuvas, que já mataram mais de 500 pessoas, podem ter vitimado também essas e outras obras primas da arquitetura brasileira.

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Plágio !? / Uma marca projetada para o Rio que ninguém esquece? Aquela concebida por Aloísio Magalhães para o IV Centenário de fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 1965. O símbolo - uma formalização geométrica do número 4 - varou a cidade em jornais, embalagens, biquínis, muros. E ganhou a capa da edição alemã do livro de Max Bense, "Inteligência Brasileira". Mas como lembra João Leite, logo depois do resultado do concurso que selecionou o projeto, Aloísio Magalhães também foi acusado de plágio, por ter supostamente "copiado" a marca de uma ensacadora de batatas na Alemanha. (ao lado, o símbolo inscrito numa pedra em Paquetá. Foto feita em 2009 por Raul Lisboa: http://www.flickr.com/photos/65978346@N00/3235553856/).


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Design !? / A marca das Olimpíadas gerou uma inacreditável polêmica no meio do design. A discussão, desencadeada nos últimos dias na Internet, colocou Frank Barral e Cláudio Portugal de um lado, sustentando a acusação de plágio, e outros, como João de Souza Leite, Gabriel Patrocínio e Agnaldo Farias, do lado oposto.

Em meio a tantos posts e emails (alguns reunidos aqui: http://www.designsimples.com.br/rio-2016-plagio-por-favor/), lembrei da discussão que tive recentemente, num seminário em Brasília, com o arquiteto Marcelo Suzuki, de São Paulo. Suzuki é excelente arquiteto. Além de ter sido colaborador e parceiro de Lina Bo Bardi, tem uma obra própria de grande interesse (veja-se o seu projeto premiado para o Fórum de Cuiabá). Por isso mesmo, fiquei perplexa quando ele acusou Max Bill de plágio, por ter tomado a fita de Möbius como base para conceber a sua "Unidade Tripartida" (ao lado), premiada na I Bienal de São Paulo.

Ora, a fita de Möbius vem sendo amplamente explorada, desde o século XIX, não só na matemática, mas também na arte, na arquitetura e no design. O próprio Max Bill explorou e referiu-se inúmeras vezes a este objeto topológico para defender sua concepção de projeto, baseada numa estreita relação com o pensamento matemático. No mais, a lista dos "plagiadores" seria tão infinita quanto a própria fita: Lygia Clark, M.C. Escher, Peter Eisenman, e até Lacan. Mais a Tátil, claro.



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Cidade "Cocriativa" /
Não posso perder o jornal Em Pauta de hoje (Globonews, 20:30), que vai receber o designer Fred Gelli, sócio da Tátil Design, agência criadora da marca dos Jogos Olímpicos no Rio. A marca - três figuras humanas ligadas por mãos e pés, numa espécie de ciranda que evoca as curvas do Pão de Açúcar - foi escolhida a partir de concorrência da qual participaram 139 agências de design e publicidade do Brasil todo.

A marca foi apresentada publicamente na festa de Reveillon em Copacabana, e salvo engano, ainda não foi objeto de uma análise mais séria, como mereceu o símbolo da Copa de 2014 (ver a crítica do designer João de Souza Leite: http://adg.org.br/blog/blog/copa-do-mundo-2014-oportunidade-desperdicada/).

Por ora, houve, no máximo, quem lembrasse "A Dança", de Matisse, e até uma matéria na Bandeirantes insinuando plágio, por conta da semelhança com a marca de uma ONG americana. Não vai tardar para aparecer uma referência à "Unidade Tripartida" de Max Bill, penso comigo, já meio aflita.

Então vou procurar o site da Tátil (http://www.tatil.com.br), e fico sabendo que a empresa é "uma consultoria de estratégia, construção e gestão de marcas que usa o design e o branding para criar conexões sustentáveis entre pessoas e marcas".

Mas deixa pra lá, vamos ao texto sobre a marca. Assim é descrito o seu processo criativo:
"INVESTIGAÇÃO, BRAINSTORMS, COCRIAÇÃO.
Foi esse pensamento que nos guiou ao longo de todo o processo criativo.
Reunimos uma equipe multidisciplinar no Rio e em São Paulo.
Investigamos o universo da marca e suas edições anteriores, outras competições e eventos internacionais.
Fomos entender as estruturas latentes por trás de Paixão, Transformação e Carioca.
Criamos planetas Rio 2016 e polinizamos cada um deles com muitas referências, conceitos, tendências, artigos.
Fizemos brainstormings para descobrir sua essência, seu propósito e como criar expressões e experiências relevantes.
Mais de 100 pessoas participaram do processo, entre estrategistas, designers e redatores.
As melhores referências eram trocadas e trabalhadas de forma coletiva.
A marca final foi a mais cocriativa."

E agora, o que dizer?
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Conselho é Lei / No apagar das luzes de 2010, um informe extraordinário do IAB-RJ trouxe a notícia que muitos arquitetos esperavam há anos: a menos de dois dias de passar o cargo à Dilma, o presidente Lula finalmente sancionou a lei que cria o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (vetada por ele mesmo em 2007). Na prática, isso significa que os profissionais da arquitetura, até então representados pelo Conselho Federal (Confea) e pelos Conselhos Estaduais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Creas), ganham autonomia, tendo, pela primeira vez, uma regulamentação própria, desvinculada da regulamentação profissional dos engenheiros e agrônomos - à qual estão vinculados desde 1933, quando a profissão de arquiteto foi regulamentada no Brasil.

Para exercer a profissão, o arquiteto agora deverá ter registro profissional não mais no CREA mas no CAU de seu estado, registro este que permitirá sua atuação em todo o país. Também deverão registrar-se no CAU as empresas de arquitetura e urbanismo.

A notícia não ganhou destaque na grande imprensa, mas merecia: afinal, o primeiro projeto de lei com esse objetivo foi apresentado ainda em 1958 ao presidente Juscelino Kubitschek, e coincide agora com um cenário particularmente favorável à requalificação e revalorização da arquitetura no Brasil. Mais aqui:
http://www.cau.org.br/index2.php

Posto 1 / jan 11



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Ano Novo / Já não encontro mais aquele mar de crateras abertas na areia, nem a luz tremulante e mágica que emanavam. Mas as flores não faltam ao último dia do ano no Rio, para o gozo de Iemanjá. Estas, encontrei ao anoitecer, no Posto 12: são vestígios de desejos que alguém trouxe até a praia, como eu, e certamente também já se foram.

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Olimpíadas / Alguns esclarecimentos, antes que o ano acabe: o edital do concurso internacional para o Parque Olímpico não saiu ainda. O que houve esta semana foi apenas a assinatura do convênio entre o IAB-RJ e a Prefeitura do Rio para realização do concurso. Daí porque até agora não há nenhuma informação sobre o concurso nem no site do IAB-RJ, nem no blog de seu presidente, arq. Sergio Magalhães, nem no site oficial das Olimpíadas no Rio (que aliás está fora do ar hoje).

Mas vamos ao que se sabe, por ora: o concurso será realizado em duas etapas, a partir de 15 de janeiro (a primeira selecionará 8 propostas que disputarão a segunda), e o resultado deve sair em junho próximo.

O Parque Olímpico ocupará o terreno do Autódromo de Jacarepaguá e ainda deve incluir a Arena da Barra e o Parque Aquático Maria Lenk, erguidos para os Jogos Pan-americanos de 2007. Aí deve ser concentrada a maioria das competições esportivas das Olimpíadas, como judô, vôlei, basquete, ciclismo, hóquei, tênis, natação, luta e handebol, além dos centros de imprensa e de transmissão dos jogos, totalizando 10 instalações permanentes e 9 temporárias, em uma área de 1,6 milhão de metros quadrados.

Na verdade, a equipe vencedora do concurso será responsável pelo desenvolvimento do projeto, com base no plano já existente e aprovado pelo COI - cuja autoria não tem sido divulgada e o próprio Sergio Magalhães há pouco tempo afirmou desconhecer, embora o projeto já esteja há algum tempo no site do escritório mineiro BCMF(http://www.bcmfarquitetos.com/dinamico/main.html).

Quanto à Vila Olímpica, cuja pedra fundamental também foi lançada esta semana, a previsão é de que sua construção tenha início em janeiro. Da autoria deste projeto, não tenho nenhuma pista (o máximo que sei é que a construtora é a Carvalho Hosken). Mas reproduzo o que tem sido divulgado: a Vila também ficará na Barra da Tijuca, em terreno de 1 milhão de metros quadrados, ao lado do Riocentro e próximo à Lagoa de Jacarepaguá. Terá 48 edifícios, de 12 andares cada, totalizando 2880 unidades (apartamentos de três e quatro quartos), além de equipamentos de apoio aos atletas.

E a logomarca das Olimpíadas? Finalmente será conhecida hoje, às 10 da noite, por meio de projeções nos palcos instalados na Praia de Copacabana para o Reveillon. Que não se repita a frustração da marca da Copa, eu ia dizer. Mas um tucano surgiu na minha janela, e me espera. Feliz 2011.



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Boas Festas / Na véspera do Natal, O Globo publicou mais um artigo sobre arquitetura, assinado pelo arq. Luiz Fernando Janot.

O alerta, que reproduzo aqui com autorização do autor, antecedeu por pouco a notícia que fecha o ano com chave de ouro: o lançamento, hoje, do Concurso Internacional de Arquitetura para o Plano Geral do Parque Olímpico de 2016.

Salvo engano, é o primeiro concurso público e internacional de arquitetura realizado no Brasil nos últimos tempos - o que não é pouca coisa.

O objetivo é a construção do Parque Olímpico, a ser erguido em terreno com mais de 1 milhão de metros quadrados, onde hoje se localiza o Autódromo, na Barra da Tijuca. O Parque conterá equipamentos esportivos permanentes e temporários destinados aos Jogos Olímpicos de 2016, como Velódromo, Centro de Mídia, Centro de Treinamento e Complexos Esportivos para tênis, natação e outras modalidades.

O concurso é organizado pelo IAB-RJ e segue o regulamento da UIA/ União Internacional de Arquitetos. A cerimônia será às 11 horas na Arena da Barra (Avenida Embaixador Abelardo Bueno, 3401, Barra da Tijuca).

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Ó / Devo esta ao Antonio, que foi capaz de aproximar Jorge Moreira e Nuno Ramos:

"Prédios vazios podem ser chamados de orgânicos, pois tudo funciona numa uniformidade em fluxo, dobrada sobre si mesma. Quando o silêncio, o pó, as sombras quase sólidas desses edifícios, cortadas pelas quinas das paredes, impõem sua gravidade, então não há fala nem memória, não há lugar para se estar dentro, e a arquitetura, o que ainda há de arquitetura, se fecha em elementos genéricos, inabitáveis, como o chão de taco, a laje acima, o muro à frente. Não digo isto apenas de prédios antigos onde o tempo, por ser o verdadeiro morador, expulsa o que é presente agora. Não, mesmo em prédios novos há um desejo de solidão e de não-vida, de permanecer uma construção sem uso nem destino. Moradores perturbam a placidez de um espaço que sem eles é mais perfeito, não funcionando para nada e guardando, como um recém-nascido, suas possibilidades para si. A casa onde o amor entrou gastou a pedra, puiu o cortinado, engordurou o azulejo. Saturou a esquerda e a direita, o alto e o baixo com o ir e vir de sua herança, de seu lajedo, de seu pombal e ainda um dia – um dia claro, entre mãos crispadas e beijos sólidos. A casa onde o amor entrou encheu cada lugar com um destino, um sucesso ou um fracasso, que passam por ela, insetos breves, com se fossem durar mais que seus tijolos, colunas e lajes.

Por isso há talvez em cada construção vazia um fundo solene, intocado, esperando desvelamento, alguma coisa para sempre adiada. Por isso não deveriam ser inauguradas nunca, ou ainda: seria preciso inaugurá-las precisamente para que ficassem vazias, com cerimônia de cortar fita, orquestra sinfônica, fotógrafos de colunas sociais, prefeito, secretário de cultura, artistas, mas todos do lado de fora, olhando de longe um espaço que não os receberia. Isso talvez desse à arquitetura alguma coisa de verdadeiramente sua, inútil e despropositada, uma ambientação de paredes para paredes, aparentemente tão desumana quanto cheia de significados para os homens. E quando criticassem o investimento, o despropósito do gasto público, responderíamos com o silêncio do próprio prédio, até que todos entendessem.

Claro que há em mausoléus e túmulos um pouco destas características. Afinal, diversas áreas não são acessíveis a ninguém, nem mesmo ao morto, aprisionado em seu caixão, e fecham-se sobre si mesmas, enchendo de pedras o corredor que leva à múmia. Pirâmides querem glorificar seu rei com tamanho desperdício, mas esta finalidade é justamente o que macula a limpidez arquitetônica. É o poder de uma determinada época e de um punhado de homens o que nos olha do alto daquelas escadas enormes onde milhões de pedras carregam uma última, a mais alta delas, e as supertições e maldições subseqüentes parecem vingar anacronicamente esta violência. Não, eu falo de uma inutilidade feita de cal e argamassa, de uma inconseqüência sólida, edificada por nós mesmos, bem à nossa frente, que nos livre do que parece útil, de nossas intenções e propósitos, que tanto miséria já causaram. Falo de um muro que nem à lamentação se ofereça; de um telhado que nada cubra; de uma extensa fundação sem nada construído a partir dela. Falo de uma fronteira que não divida, de um monumento que não celebre, feito de um aço mole, de um mármore frágil como penugem.

Seria possível, é claro, circundar esse edifício, ter a noção de seu contorno, de sua imponência. Nada de vidro para que ninguém o visse por dentro. Tentativas de invasão de ONGs de sem-teto, pichações cobrindo o muro externo, jornais reproduzindo a opinião (contrária) das associações de bairro, talvez um enorme placar eletrônico, HOJE FAZ (XXX) DIAS QUE FOI INAUGURADO, se espalhariam pela cidade, mas aos poucos, e o tempo das paredes á tão maior que o nosso, todos se acostumariam e o crescimento urbano o envolveria com novas ruas e construções, novos letreiros e outdoors, e, como um trambolho de cuja origem ninguém se lembra mais, viraria um marco físico para os moradores locais – Está vendo aquele prédio? Vire na segunda à esquerda depois dele. Agora imagine, depois de tanto tempo fechado, a pureza de cada metro de seu interior, como um pórtico do sono, um museu do esquecimento. [...]

O monumento esquecido ganharia do próprio esquecimento seu atestado de autenticidade, e neste paradoxo se encerraria. Mas, aos poucos, quem sabe, sua história seria reconstituída por historiadores, parte da mídia se interessaria pelo caso e filas de pessoas circundariam o velho edifício, tateando-o por fora. Então ruiria por si mesmo, intocado, a começar pelo velho telhado, e subindo nos prédios mais altos verdadeiras multidões se aglomerariam para olhar a montanha de entulho. Predadores roubariam pedaços de concreto, vendendo-os como talismãs. Ao final de algumas décadas, quase nada restaria do edifício original. Então, uma nova etapa seria inaugurada, com o vão de uma quadra quase inteira vazia, obedecendo ao formato original do prédio, sem muros nem grades, mas onde ninguém entraria. Pois seria de péssimo alvitre ultrapassar a linha imaginária entre a calçada e o espaço onde o prédio estivera. Crianças seriam educadas, por gerações a fio, a não pisar além dessa linha, deixando aquele terreno vazio no coração da cidade superpovoada. Restaurantes com varandas, apartamentos de cobertura, mirantes com lunetas seriam construídos voltados para o solo de terra e de cimento, onde algumas colunas permaneceriam de pé. E desfeito, derrubado pelo tempo, vazio até mesmo de seu piso e de suas paredes, o antigo edifício ofereceria à cidade o patrimônio de uma pergunta. "

Ó, Nuno Ramos (Iluminuras, 2008)

A foto acima é de José Barki, que também assina com Roberto Segre texto sobre a implosão do HU:
http://www.piniweb.com.br/construcao/arquitetura/roberto-segre-e-jose-barki-questionam-valor-arquitetonico-do-hospital-194771-1.asp

E tem o filme, feito pela Yasmin, cujos sons me alucinam: http://planocidade.wordpress.com/





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Hospital Universitário, arq. Jorge Machado Moreira, 1957-2010 / Requiem aeternam dona eis.




















































































































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Porto / Este será lançado quarta.



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Oscar Niemeyer faz 103 anos hoje. O que eu diria a ele, se o encontrasse? Talvez apenas isto: que estive dias atrás levitando num hotel longilíneo à beira de um lago, numa cidade lunar.
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HU / Não vai levar mais que 15 segundos. Amanhã começam a ser instalados os explosivos, e no domingo, às 7 da manhã, metade do gigantesco hospital projetado na década de 1950 por Jorge Moreira - talvez o mais obstinado e rigoroso dos arquitetos brasileiros - vai dar lugar a 125 mil toneladas de entulho. A implosão da Ala Sul do Hospital Universitário será feita pela Fábio Bruno Construções (sic), que já foi responsável por duas implosões emblemáticas no Rio: do edifício Palace II e do presídio da Frei Caneca. O vídeo abaixo, produzido pela empresa, foi apresentado recentemente para a comunidade da UFRJ. O que me espantou é que na simulação da implosão simplesmente desconsidera-se o edifício como um todo. Aliás, como se vê, a ala a ser demolida está longe de ser um "anexo", como alguns a tem tratado. E eu tremo só de pensar que seu "apagamento" vai deixar o Fundão agora coxo.
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Agenda da semana: quarta, lançamento do livro sobre Sergio Bernardes (Livraria Argumento, Leblon, 20 hs) e abertura da exposição sobre o Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava (Centro de Arquitetura e Urbanismo, Rua São Clemente, Botafogo); quinta, Premiação Anual do IAB (Rua do Pinheiro, 10, Flamengo, 19 hs); domingo, implosão do Hospital Universitário, Ilha do Fundão, 7 da manhã (esta vai doer).



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Olhares sobre Lelé / Outra publicação recente - lançada quinta passada, em Brasília, é o livro "Olhares. Visões sobre a obra de João Filgueiras Lima". O livro foi organizado por Claudia Estrela Porto e publicado pela editora da UnB. Os textos - em sua maior parte publicados originalmente na revista francesa Le Visiteur - são assinados por vários autores: Hugo Segawa e Ana Gabriella Guimarães, Maria Elisa Costa, Claudia Porto, Yopanan Rebello e Maria Amélia Devitte, André Correa do Lago, Andrey Rosenthal Schlee e eu. O livro foi lançado na abertura do seminário sobre Lelé e Darcy Ribeiro, por ocasião da inauguração do Memorial Darcy Ribeiro, projetado por Lelé e inaugurado esta semana no campus da UnB, depois de apenas 5 meses de obra.

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MAM em Livro / Chegando de viagem, tenho a grata surpresa de encontrar em cima da mesa um envelope com o livro "Museu de Arte Moderna, Rio de Janeiro, Arquitetura e Construção", lançamento da editora Cobogó. O livro, organizado por Frederico Coelho, traz o memorial de Affonso Eduardo Reidy, um depoimento de Paulo Mendes da Rocha, um texto meu, um ensaio fotográfico de Vicente de Mello e muitas fotos da construção do museu. É uma edição caprichada, como o museu merece. O livro será lançado amanhã, sábado, dia 11, no foyer do MAM, às 16 horas, junto com o vernissage da mostra "Horizonte construído - Fotografia e arquitetura nas coleções do MAM", com curadoria de Luiz Camillo Osorio.


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Guerra e paz / Para quem não viu, está aí o meu artigo sobre o Mirante da Paz, publicado no jornal O Globo no último sábado. Por coincidência, o artigo acabou saindo às vésperas do anúncio das 40 equipes selecionadas pelo IAB no concurso Morar Carioca, destinado à urbanização de favelas na cidade. Dentre as equipes vencedoras há arquitetos do Rio, como Jorge Mario Jauregui, Flavio Ferrreira e Gabriel Duarte, e de São Paulo, como Ciro Pirondi e Hector Vigliecca. O desafio é grande, mas a oportunidade também. Ver o resultado do concurso aqui: http://concursomorarcarioca.com.br/website/

Posto 12 / dez 10



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Vazio / Nem todo vazio é vago. Nem todo vazio é ocioso. Nem todo vazio é para ser preenchido.
Esta lição - primária - de arquitetura vale uma visita ao Palácio Gustavo Capanema estes dias.
Enquanto o vazio do térreo foi grosseiramente obstruído por uma tenda da "Brasilidade" (!?), o do mezanino, com suas colunas soltas, foi trabalhado com enorme delicadeza por Eduardo Coimbra.
Ambos são estruturas provisórias.
A primeira entulha o vazio mais caro à arquitetura brasileira - sim, o pilotis do MEC - com uma barraca que poderia estar em qualquer lugar, menos ali.
Já a segunda é invisível mesmo para muitos arquitetos que circulam pelo edifício esta semana. Eu mesma só a encontrei depois de dar mil voltas, quem diria.