20
Mais Marina / A foto foi feita na manhã de sábado. Ao fundo, vê-se a Marina. À direita, o barco de passeios turísticos "Pink Fleet", que atraca logo ali, junto ao MAM. Mais à direita, o Hotel Glória, que também pertence ao Eike. E eu só posso torcer para que o projeto escolhido por ele seja digno desta paisagem.
19
Marina / Acabo de ver um dos projetos para a Marina da Glória. Só a apresentação já revela um investimento altíssimo. Mas não posso dizer mais nada porque é tudo sigiloso, muito sigiloso.

18
Divisor no MAM / "Divisor" é uma obra de caráter participativo criada por Lygia Pape (1927-2004), artista que integrou o grupo neoconcreto e cuja ação se estendeu, muito além do campo das artes plásticas, também ao design, ao cinema, à pesquisa e ao ensino (dentro de uma escola de arquitetura, aliás). Uma das questões centrais da sua obra está na exploração de novas possibilidades de apropriação coletiva dos espaços urbanos, para além da cidade formal.

Assim é "Divisor": um imenso lençol branco, perfurado a distâncias regulares, a ser "vestido" coletivamente - e publicamente - pelos participantes. A obra é de 1968, mas a experiência será reproposta neste sábado, no MAM, às 11:30. Para participar, é preciso ter em mãos identidade e CPF. Mais informações por email
(obra.divisor@gmail.com) ou aqui: http://listaamiga.com/performancedivisordelygiapape/592-divisor
17
Boa notícia / A Comissão do Plano Diretor rejeitou, em reunião ontem à noite, as propostas de emendas sem identificação apresentadas na semana passada. Isso não significa que elas não possam ser reapresentadas (o prazo vai até sexta). Mas já é uma vitória. O que continua preocupando é que a tão aguardada votação do Plano Diretor, agendada para acontecer a partir do dia 22 (terça-feira próxima), seja contaminada pelo clima dispersivo da Copa do Mundo e pelo processo eleitoral. Alguns vereadores estão sugerindo, inclusive, o adiamento - mais uma vez - da votação.

16
Onde vai dar este Rio? / Eu nem queria falar mais disso. Mas, que jeito? Pois não bastassem os oito anos de atraso na aprovação da revisão do Plano Diretor do Rio de Janeiro, e as mais de mil emendas e subemendas já apresentadas, no último dia 7 o Diário Oficial da Câmara Municipal publicou mais 87 propostas de emendas. E desta vez, anônimas. Isso mesmo. Anônimas. Sem nome ou assinatura do autor; sem denominação; sem identificação.



Como o
prazo de apresentação de emendas e subemendas já estava encerrado desde o dia 28 de maio, apenas os membros da Comissão do Plano Diretor poderiam apresentá-las. E elas teriam que ser assinadas pela maioria dos nove membros da Comissão, ou seja, por pelo menos cinco vereadores.

Além disso, as propostas incluem novos parâmetros urbanísticos - mudança de gabarito, taxa de ocupação etc - que, devido ao seu caráter mais pontual, sequer deveriam ser tratados pelo Plano Diretor. Muito embora alguns dispositivos abram a possibilidade de mudanças profundas no espaço urbano carioca, sobretudo na Barra da Tijuca (que corre o risco de sofrer um adensamento violento nos próximos anos, com base no argumento de que o Rio precisa multiplicar seus hotéis para as Olimpíadas).

Diante disso, o que diz o relator do Plano Diretor, vereador Roberto Monteiro? Diz "desconhecer os autores das sugestões mais polêmicas". E a presidente da Comissão Especial do Plano Diretor, vereadora Aspásia Camargo? Garante apenas que "nenhuma de suas propostas modifica parâmetros urbanísticos." Outros simplesmente se recusam a dar entrevistas.
Pressionado, o prefeito age como quem foi pego de surpresa, e declara - wow! - que "a Zona Sul é intocável". (O Globo, 12/07).

É de se supor, claro, que isso tudo seja intriga de jornalista, e que a essa altura tudo já esteja suficientemente esclarecido no site da Câmara Municipal. (http://spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/indexplano.php) Mas ali a agenda das audiências públicas não vai além de outubro de 2009. E no link "Fique por dentro da tramitação", a informação mais atualizada é de março de 2010. Mas tem também um link "Notícias da Comissão" e outro chamado "Plano Diretor no Twitter". Só que o primeiro leva a uma página em branco, e o segundo está desativado.

Então vocês me desculpem mas eu vou continuar reagindo, bestamente.




























15
Luiz Nunes, arquiteto formado no Rio de Janeiro na década de 1930, é conhecido por ter revolucionado o meio arquitetônico pernambucano entre 1935 e 1937, quando projetou e construiu uma série de obras públicas em Recife e Olinda, introduzindo aí os princípios da arquitetura moderna.

Nunes liderava uma equipe que reunía, ainda, nomes como Joaquim Cardozo e Roberto Burle Marx. Um de seus projetos mais conhecidos - e polêmicos - é a Caixa d'Água de Olinda: um prisma puro e branco que se destaca imediatamente do conjunto arquitetônico em que se insere, marcado pela presença imponente da Sé de Olinda.

Pois estes dias Alfredo Brito fez circular um email com as imagens acima. A da direita foi extraída do livro "Os Três Estabelecimentos Humanos", de Le Corbusier (ed. Perspectiva). A "denúncia" foi do Flavio Ferreira. E agora ninguém sabe dizer quem veio primeiro: se Luiz Nunes ou Le Corbusier.

Bom, o fato é que Le Corbusier esteve aqui entre julho e agosto de 1936. Quanto à data do projeto, permanece incerta: acredita-se que seja do final de 1936, ou começo de 1937. Mas também pode ser que Luiz Nunes já estivesse trabalhando nele alguns meses antes.


14

Fragelli e a arquitetura dos subterrâneos / Com a correria das últimas semanas, só agora consegui pegar no livro "Quarenta anos de prancheta", de Marcello Fragelli, lançamento recente da editora Romano Guerra, que o Abilio gentilmente me enviou. Graduado pela Faculdade Nacional de Arquitetura em 1952, Fragelli é um dos maiores arquitetos brasileiros da sua geração. No Rio, além de um punhado de belas residências e alguns edifícios, projetou a pequena jóia que é o Posto de Puericultura, no Alto da Boa Vista, e o complexo industrial da Piraquê, em Madureira, que totaliza 100 mil m2. No entanto, fora de um círculo mais restrito, seu trabalho permanece pouco conhecido na cidade onde nasceu. E isso porque uma série de fatores, em grande parte ligados ao processo de esvaziamento do Rio após a inauguração de Brasília, acabou levando à sua transferência definitiva para São Paulo, em 1961.


Ali, além de ter exercido intensa atividade docente (na FAU-USP e no Mackenzie), Marcello Fragelli integrou-se ao corpo técnico da Promon e desenvolveu projetos de grande impacto urbano, como a Nova Rodoviária (projeto original) e várias estações do Metrô (Liberdade, Jabaquara, Sé, São Bento, Armênia, Conceição e outras).


Era a primeira linha de metrô no Brasil, e o arquiteto se perguntava: "subterrâneo tem arquitetura?". Pois a resposta está neste livro autobiográfico de 448 páginas, que ainda deixa muito da arquitetura e da trajetória de Fragelli a descoberto, mas sem dúvida chega em boa hora: que ele possa sensibilizar os responsáveis pelas novas estações do metrô carioca, e pelas reformas que vem vitimando as mais antigas.


13
Salve Torres García (na Caixa Cultural, só até dia 13).
Salve Rebecca Horn (no CCBB).
E eu nem cheguei ao Paço Imperial, onde Matta-Clark me espera, furioso.


12
Ah, eu vi. Vi e ouvi. E foi como uma pancada na nuca, um soco no estômago, sei lá. Naquelas imagens, tantas brechas para o subterrâneo. O seu e o meu. Brasília é assim: salve-se quem puder.

(eu sei que deveria estar falando do novo museu que está hoje no jornal. Mas fica para amanhã. Ou depois, quem sabe).


11

"Você moraria em Brasília?" perguntou Nicolas Behr. "E você se casaria com uma das Demoiselles d'Avignon, de Picasso?", rebateu Adrian Gorelik.


Pena que vai acabar hoje.
10
Do Possível e do Impossível em Brasília / "Brasília foi inaugurada mas não está pronta", disse Paulo Mendes da Rocha terça-feira no IMS, diante de uma platéia de cerca de 200 pessoas, que se dividiram entre o auditório e o telão instalado no jardim de Burle Marx. O arquiteto declarou-se contrário ao tombamento do Plano Piloto. E provocou o pensamento preservacionista com uma imagem forte: "vejo Brasília destruída pelo povo, o que seria uma maravilha".
Já Ronaldo Brito concentrou-se nas contradições de Brasília: "É um espaço esquizo, que começa com o contraste entre espaço público e privado", disse, referindo-se ao contraste entre a habitabilidade das Superquadras e a "monumentalidade opressiva" da Esplanada dos Ministérios. "Brasília é o símbolo positivo da vida moderna", um fato que "obriga o Brasil a repensar a si mesmo", declarou.
O encontro dos dois foi quente e acendeu uma reflexão sobre Brasília como há muito não se via, e que se estendeu até as dez da noite.
O debate segue hoje com mais um encontro imperdível, entre Adrian Gorelik e Lorenzo Mammi, dois outros grandes pensadores que vem, respectivamente, de São Paulo e de Buenos Aires, para compor a mesa "Brasília: Sol e Sombra".
Mammi falará sobre "A construção da sombra" - tomando uma foto de Marcel Gautherot como ponto de partida para pensar os elementos do imaginário brasileiro e internacional postos em jogo com Brasília. Já Gorelik discutirá o "caráter inoportuno" de Brasília, tomada como "ponto cego" do pensamento urbano latino-americano. O título da sua fala, aliás, já diz muito: "Sobre la impossibilidade de (pensar) Brasília".

9
Uma imagem de Brasília? O chão das Superquadras. É claro que a arquitetura de Niemeyer seduz, a Esplanada dos Ministérios impressiona, a Rodoviária tira o fôlego. Mas não há nenhuma outra cidade no mundo em que o chão vai assim, livre e indiviso, por uma extensão sem fim. E no entanto são poucos - pouquíssimos - os projetos recentes que mostram sensibilidade para essa característica fundamental do Plano Piloto de Lucio Costa. Foi isso, antes de tudo, que me encantou na nova sede do Sebrae. O projeto foi escolhido em concurso público em 2008 e a obra deve estar concluída em poucos meses. E como o seminário no IMS começa amanhã, fica aqui uma imagem produzida em minha deriva recente pelo canteiro de obras, enquanto os autores do projeto - Alvaro Puntoni e Luciano Margotto - se reuniam com engenheiros e consultores no barracão, longe do céu de Brasília.
8
Brasília: Imagem, Imaginário / Esta semana serei toda Brasília. O seminário começa na terça, com Paulo Mendes da Rocha e Ronaldo Brito. O auditório do IMS tem 130 lugares e as senhas serão distribuídas a partir das 18 horas. Mas haverá também transmissão simultânea por meio de telão.
7
Brasília: Imagem, Imaginário / Ao visitar o canteiro de obras de Brasília durante o Congresso Internacional Extraordinário de Críticos de Arte, em 1959, Tomás Maldonado declarou: “Brasília é uma grande possibilidade e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade. O fracasso de Brasília seria um dos maiores traumas da cultura de nossos tempos. Devemos fazer tudo para evitar que venha a falhar.”

A advertência do artista argentino indicava já uma preocupação com os rumos tomados por um viés de modernização que se cumpria e ganhava forma urbana na nova capital, mas também encontrava ali sua expressão-limite.

Ao completar meio século, Brasília se mantém, em grande medida, dentro desse campo de tensões, ao mesmo tempo em que se vê forçada a enfrentar uma série de problemas que ultrapassam em muito sua origem modernista e dizem respeito ao próprio estado crítico das cidades contemporâneas.

O seminário “Brasília: Imagem, Imaginário” tem como objetivo renovar a reflexão sobre essas tensões, explorando, sob diversos pontos de vista, o imaginário construído ao longo do tempo em torno dessa cidade singular e eminentemente simbólica, que se produz e reproduz incessantemente, desde seu momento inaugural, por meio de imagens de extraordinária potência plástica.

As sessões de debate e leitura foram definidas com o intuito de despertar novas possibilidades de ver e pensar a cidade, a partir da sua relação com a arquitetura, as artes plásticas, a fotografia, a história e a literatura.

Integra-se o seminário, assim, à exposição “As construções de Brasília”, também abrigada no Instituto Moreira Salles, como um convite à redescoberta da cidade planejada por Lucio Costa e reinventada cotidianamente no imaginário de todos nós.


6
Brasília: Imagem, Imaginário / Peguei um táxi e toquei pro setor hoteleiro. Amanhã a Casa de Lucio Costa completa 10 anos, e eu vou comemorar comme il faut: no Eixo Monumental.

Aproveito também para carregar minha bateria para o seminário "Brasília: imagem, imaginário", que acontece no Instituto Moreira Salles, no Rio, entre 25 e 28 de maio, no âmbito da exposição ora em curso ("As construções de Brasília").

Eis a programação completa do seminário:

25 de maio, terça-feira, 19 horas
"O espaço Brasília"
mesa-redonda com Paulo Mendes da Rocha e Ronaldo Brito / moderação: Ana Luiza Nobre

26 de maio, quarta-feira, 19 horas
"O instante Brasília"
mesa-redonda com Caio Reisewitz, Mauro Restiffe, Tadeu Chiarelli e Heloisa Espada / moderação: Sergio Burgi

27 de maio, quinta-feira, 19 horas
"Brasília, sol e sombra"
mesa-redonda com Adrián Gorelik e Lorenzo Mammi / moderação: João Masao Kamita

28 de maio, sexta-feira, 19 horas
"Dizendo Brasília"
leitura de textos literários sobre Brasília, com Renata Sorrah, Nicolas Behr e Eucanaã Ferraz

Todas as sessões serão gratuitas e realizadas no auditório do IMS, com distribuição de senha a partir das 18 horas. A mesa-redonda do dia 25 poderá também ser acompanhada por um telão, no espaço externo. Vai ser bonito...
5
Sigo hoje para Brasília. Levo Bense comigo. O que trarei de volta?


4
MUMA / O IAB-RJ divulgou agora à noite o resultado do concurso nacional de projetos para a expansão do Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico: o primeiro lugar ficou com Bruno Luiz Coutinho Santa Cecilia (MG), o segundo com Rochelle Rizzoto Castro (RS) e o terceiro com João Pedro Backheuser (RJ).

Foram atribuídas ainda menções honrosas aos projetos apresentados por José Augusto Fernandes Aly (SP), André Lompreta (RJ), Eliana Maria Soares Gomes (RJ), Marina Grinover (SP), Jaime Marcondes Cupertino (SP), Julio Beraudo Valente (SP), Luis Eduardo Liola de Menezes (SP) e Vinicius Hernandes de Andrade (SP).

A comissão julgadora foi composta por Paulo Bastos, Ruy Rezende, Hector Vigliecca, Pedro da Luz e Ricardo Villar.

Reproduzo aqui uma das pranchas do projeto de Backheuser e equipe, que acabo de receber do Alfredo Brito.

3
Plano Cidade / Aos poucos, nosso filme vai surgindo...e eu mesma não páro de me surpreender com o que vamos encontrando por aí. No último final de semana estivemos no Pavilhão de São Cristóvão, que Sergio Bernardes projetou na década de 1950 e hoje - sem cobertura e semi-destruído - abriga uma animada feira nordestina no seu interior.

Da ousadia do projeto original pouco restou, além da carcaça do pavilhão. Mas aqui e ali, entre cabeças de boi, caixas de som e bandeirinhas de São João, ainda encontramos vestígios da sofisticada rede de cabos de aço que um dia cobriu os 30.000 m2 do pavilhão. É um contraste impressionante, sobretudo porque solenemente ignorado pela multidão que frequenta a feira.

Para quem se interessa, vai valer a pena seguir o blog do filme, que colocamos no ar hoje:
planocidade.wordpress.com


2
Está aí o convite do Líquida Ação.

Posto 5 / mai 10


1
Águas pelo Rio / O coletivo "Líquida Ação" se organiza e convoca para suas próximas ações coletivas: desta vez, a proposta de levar água para chafarizes secos da cidade - que integra o Projeto "Mitolorgias Urbanas: águas férteis", premiado pela FUNARTE - terá como destino três Chafarizes do Mestre Valentim : Praça XV (Centro) / dia 13 de maio, Fonte dos Amores (Passeio Público) / dia 14 de maio e Saracuras (Ipanema) / dia 15 de maio.

O projeto visa ativar a memória da cidade por meio de intervenções efêmeras que guardam forte relação com as artes cênicas. As próximas ações serão precedidas de um encontro geral, aberto a todos, no dia 8 de maio (sábado), das 14 às 18 hs, no Chafariz Fonte do Amores (Passeio Público). Mais aqui: http://coletivoliquidaacao.blogspot.com/

18
As construções de Brasília / A exposição abre nesta quinta no Instituto Moreira Salles, na Gávea. A foto do convite é de Peter Scheier.

A mostra segue até final de julho, e o seminário que a complementa acontece entre 24 e 28 de maio.
17
Lendo "Braxília revisitada", de Nicolas Behr:

"ontem desabaram sobre mim
duas superquadras inteiras"
16
BSB / Meus olhos estão grudados na TV. As imagens da construção de Brasília estão por todo o lado, e me alucinam. Logo mais, às 17:30, o Canal Futura reprisa um programa que inclui um depoimento meu, gravado esta semana. Não sei o quanto gosto de Brasília, mas gosto de pensar Brasília.






15
Brasília, 50 / Acordei cedo e com vontade de celebrar. Então aí está Brasília, em duas imagens distantes quatro décadas entre si. O homem em ação é Jean-Paul Belmondo, num filme feito no ano em que nasci (L'homme de Rio, Philippe de Broca).

Eixo monumental

Tenho os olhos fartos
e tudo me falta
menos luz
e mais eu


[Bsb, out 09]
14
Sobre a Marina, apenas rumores / Um comentário anônimo recebido aqui merece ser destacado: segundo ele, além dos nomes já citados, participam do concurso de projetos para a Marina da Glória os escritórios de Norman Foster (com RAF Arquitetura), Paulo Casé, Elizabeth de Portzamparc, Architectonica, Jean-Michel Wilmotte, Henrique Mindlin Associados e Afonso Kuernerz. E "há rumores de que Renzo Piano estaria participando". Se é verdade eu não sei, mas o pior é saber que não tenho como saber.
13
Mais Marina / Como tudo que tem acontecido por aqui, as informações vão chegando aos poucos: agora fiquei sabendo que o concurso fechado para o projeto de reforma da Marina da Glória, organizado pelo empresário Eike Batista, envolve também os escritórios DDG, Índio da Costa e De Fournier, do Rio, e Rafael Viñoly, de NY (mais Pedro Paulo de Mello Saraiva e Edo Rocha, de São Paulo, e Julien de Smedt, de Copenhagen, já anunciados aqui).
A primeira fase do processo de seleção - da qual devem sair 5 finalistas - está em curso nestes dias, mas nem os concorrentes sabem quem está participando, quais os critérios do julgamento e qual o júri. E eu temo que o Eike Batista tenha tudo, menos uma assessoria em arquitetura.
12
Direto da Fábrica / O Jornal do Brasil publica em sua edição deste domingo (18 de abril) um texto meu ("Direto da Fábrica", caderno Internacional, p.32), sobre a relação entre arquitetura e indústria no Brasil dos anos 50. O texto foi publicado originalmente na revista Ciência Hoje, edição de abril, e republicado no jornal, em versão resumida, com a minha autorização. Costuma ser tão difícil publicar um texto sobre arquitetura num jornal de grande circulação que evidentemente a publicação me animou. Mas em nenhum momento as fotos e legendas passaram por mim, e agora, ao comprar o jornal, fui surpreendida com a inclusão de uma obra que jamais foi citada no texto e sequer tem qualquer relação com o período em análise (a Biblioteca Nacional de Brasília, projetada por Niemeyer). E o pior: a obra é mencionada - totalmente à minha revelia - como "um bom exemplo" de racionalidade. Fica aqui então o meu esclarecimento, junto com um protesto à maneira como o texto foi tratado no jornal.

11
Brasília, 50 / Falando em Niemeyer, quarta-feira próxima comemora-se o cinquentenário de Brasília. No Rio, a data será celebrada com uma grande exposição no Instituto Moreira Salles, a partir do dia 29. A mostra inclui fotografias da inauguração e dos primeiros anos de Brasília por Marcel Gautherot, Thomaz Farkas, Peter Scheier e outros, além de publicações, cartazes e obras de arte relacionadas à cidade.

Na ocasião, serão também lançados dois livros: o catálogo da exposição (com textos de Lorenzo Mammì, Heloisa Espada, Anat Falbel e Sergio Burgi) e um livro sobre as fotos de Marcel Gautherot, com texto de Kenneth Frampton.

Em paralelo à exposição, também no IMS, será realizado, entre 25 e 29 de maio, o seminário "Brasília: Imagem, Imaginário" (cuja organização coube a mim) . Entre os participantes estarão Paulo Mendes da Rocha, Ronaldo Brito, Adrian Gorelik, Lorenzo Mammi, Eucanaã Ferraz, Nicolas Behr e João Masao Kamita. Um ciclo de cinema completará a programação, com filmes de Joaquim Pedro de Andrade, Vladimir Carvalho e Eugene Feldman.

Em São Paulo, o Museu da Casa Brasileira abre, no dia 20 de abril, uma exposição sobre os sete projetos finalistas do concurso vencido por Lucio Costa ("Outros Planos: Brasílias"), e organiza dois debates (em 27 de abril e 11 de maio) com depoimentos de alguns dos arquitetos que participaram do concurso.

E no dia 13 de maio, data em que a Casa de Lucio Costa completa 10 anos, inaugura-se no Museu da República, em Brasília, a exposição "Lucio Costa-arquiteto", organizada por sua filha Maria Elisa (http://luciocostaarquiteto.blogspot.com/)

No mais, o próximo mês ainda promete o lançamento de publicações bastante oportunas, como o estudo do arquiteto Milton Braga (prof. da FAU-USP e sócio do escritório paulistano MMBB) sobre os projetos participantes do concurso de Brasília (ed. Cosac Naify), e uma coletânea de entrevistas com Lucio Costa (que também tive o prazer de organizar, para a editora Azougue).


10
Pena, o Segre - professor da FAU-UFRJ - não autorizou a publicação do comentário que enviou para o meu email pessoal. Disse que já está "bastante queimado com Niemeyer" e não tem interesse em entrar no debate.
9
Sempre Niemeyer / Tive um problema qualquer aqui no gerenciamento do blog e só agora vi os últimos comentários postados! Pois agora eles estão aí. Em breve, também o do Roberto Segre (se ele me autorizar, claro).
8
Niemeyer e a Mediocridade / Não foi só o Vicente Del Rio que ficou indignado com o meu texto, que ele leu como uma "ode ao Niemeyer". Eis o comentário que acabo de receber do arquiteto Paulo Afonso Rheingatz, professor da FAU-UFRJ, que me autorizou a publicá-lo aqui:

"Sempre procuro acompanhar com interesse suas matérias e seu blog. Gosto do seu texto e de sua lucidez. Mas isto não se confirmou no artigo “Niemeyer e a modernidade sem crise”, publicado em O Globo de sábado. Ele se junta a outros artigos de elogios ou de desvios da crítica à obra de ON especialmente nas últimas 4 décadas, quando produziu um apreciável conjunto de aberrações arquitetônicas em nome da liberdade do gesto criador. A começar pelo MAC que, além de desproporcional, pode ser qualquer coisa mas não um museu. A menção sobre as críticas ao custo “e até da sua eficiência energética” sugere que você não considera esses aspectos importantes em obras públicas no Brasil. Ao mencionar que a obra é “indissociável da política carismática de Aécio Neves e de sua ambição política” ficaa dúvida se isto é, na sua opinião, um problema. Além de persisir um problema histórico na obra de ON: como se justifica um arquiteto assumidamente comunista aproveitar-se dos devaneios faraônicos com o dinheiro público praticado pelos governantes para plantar seus delírios formais pelos quatro cantos do mundo.Com relação ao “foco de atenção”, ele é o mesmo que se repete em toda sua obra: gratuidade da forma e exercício do ego. Mesmo nos trópicos, sua obra em concreto despreza o conforto e o bem estar dos cidadãos,ao plantar formas de concreto no vazio, sem a concorrência da vegetação, que impede que sua obra predomine sobre tudo o mais.Talvez a única coisa que mereça menção seja o alardeado vão livre de146 metros, embora fique a me perguntar qual seria a sua relevância,além de afirmar seu desprezo completo pelo custo de suas obras. Aqui,talvez, possamos concordar: ele representa “uma carga de juventude”,especialmente por sua irresponsabilidade.O reconhecimento à visibilidade ímpar de ON, responde sua menção à escassez de cultura arquitetônica. Com raras exceções, nossos arquitetos optaram pela condição de eternos discípulos ... seja de ON(poucos), seja de Lucio Costa, seja de Artigas. Nós arquitetos brasileiros somos discípulos de uma vanguarda obsoleta.Neste sentido, provavelmente, nosso azar foi termos mestres tão longevos ... bom para eles, ruim para a arquitetura brasileira.Seu parágrafo final é espantosamente assustador. Porque devemos tratar com cuidado uma obra sem qualquer qualidade, desprovida de qualquerrelação com o contexto, com os usuários e cidadãos que vão ser forçados a utilizá-lo e a bancar seus custos de manutenção tambémfaraônicos? Se os projetos recentes de ON são a prova cabal de que ele é “o último grande Mestre da arquitetura” ou o “grande imortal da arquitetura” você não deveria se espantar da “escassez de cultura arquitetônica no Brasil hoje”.Mas o mais espantoso de tudo é que, apear de cego, e sem poder ficar de pé, as pessoas ainda acreditem que é ele quem projeta estes absurdos que proliferam pelo Brasil enquanto a nossa população desaba morro abaixo.Ana, como é possível falar em boa arquitetura hoje, sem considerar osaspectos ambientais, o clima, a proteção contra a radiação direta do sol, as demandas e desejos dos cidadãos e dos usuários, os custos operacionais?No Brasil, a crise não é apenas da Modernidade, embora ela tenha contribuído em muito para a descaracterização da cidade e da vidatradicional, em que pese alguns poucos exemplos bem sucedidos, como a ABI, o Palácio Gustavo Capanema, o Santos Dumont, o MAM, o Banco Boavista, entre outros apenas para ficar aqui pelo Rio de Janeiro.Cada vez mais acredito que a salvação da arquitetura brasileira está no abandono da pretensão à genialidade e na construção de uma mediocridade mais responsiva e humilde, mais brasileira. Mas isto é pano para uma outra discussão, ou até mesmo para um futuro livro.

Saudações, Paulo Afonso Rheingantz"
7
"Ode a Niemeyer" ? / Meu texto sobre Niemeyer suscitou vários comentários. O melhor - e mais surpreendente - até agora foi o que recebi do arquiteto Vicente del Rio (professor da California Polytechnic State University em San Luis Obispo). Mas ele escreveu para o meu email pessoal. Então não sei se devo postá-lo aqui.
6
Modernidade sem crise / Há cerca de duas semanas recebi um convite do editor do caderno de literatura do jornal O Globo para escrever um artigo sobre a última obra inaugurada de Niemeyer (o Centro Administrativo Tancredo Neves, em Belo Horizonte). Reproduzo aqui o texto, conforme publicado no jornal de hoje (há também um link direto para o caderno Prosa & Verso, mas nesse caso é preciso ir à página 2: http://www1.oglobodigital.com.br/flip/?idEdicao=d17ea6ffc70e32be25f3368d8f201b08&idCaderno=1bfdbc1c4b3ea94312fe2d6c3109bd39&page2go=1&idMateria=4&origem )

"Niemeyer e a modernidade sem crise

Nenhum arquiteto viveu tanto. Mas quem diria que um arquiteto moderno, aos 102 anos, ainda fosse provocar polêmica com dois projetos inaugurados quase simultaneamente: o Auditório de Ravello, na Itália, e a Cidade Administrativa Tancredo Neves, em Belo Horizonte? O primeiro enfrentou oito ações judiciais ao inserir um descomunal olho de concreto numa cidade de pouco mais de 2 mil habitantes, onde “a última grande construção datava do século XI”, como frisou o sociólogo Domenico di Masi, maior entusiasta da obra. O segundo tem sido interpelado em função do custo, de suas motivações políticas e até da sua eficiência energética. Mas pouco tem sido dito a respeito da sua arquitetura.


A Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves localiza-se à beira da Linha Verde, na região norte de Belo Horizonte. A construção do complexo de 265 mil metros quadrados visou unificar a administração estadual e ao mesmo tempo induzir a expansão da cidade em direção ao norte. Mas o empreendimento tem também fortes motivações políticas. É uma obra indissociável da política carismática de Aécio Neves e de sua ambição política. Não deve surpreender a ninguém, então, que o neto de Tancredo Neves tenha buscado Oscar Niemeyer, o arquiteto que definiu simultaneamente a imagem de modernidade de Belo Horizonte e de Juscelino Kubitschek com a Pampulha e outras obras que marcam a paisagem urbana da capital mineira. E ainda tenha feito questão de inaugurar a obra no dia em que se completaram cem anos do nascimento do ex-presidente Tancredo.

Conjunto é um resumo da obra do arquiteto
O conjunto é composto de cinco edificações autônomas e pouco articuladas, do ponto de vista urbanístico, entre si e com o entorno. O que tampouco chega a ser motivo de surpresa, em se tratando de Niemeyer: mais uma vez, apostase na criação de um foco de atenção, antes que numa conexão mais estreita com o contexto. No caso, o edifício de maior apelo imagético abriga o gabinete do Governador e os demais destinam-se às secretarias, auditório e centro de convivência.

O Palácio do Governo filia-se a projetos anteriores de Niemeyer, em particular às sedes italianas da Mondadori e do grupo Fata, que por sua vez seguem, com alterações e ajustes, a solução da caixa de vidro envolvida por uma sequência de arcos, iniciada em Brasília. Já as secretarias se acomodam em dois edifícios em curva, com 15 pavimentos cada. De certo modo encontra-se aí, portanto, uma espécie de resumo da obra do arquiteto. Dois de seus traços fundamentais, pelo menos, estão presentes: a forma livre e o virtuosismo estrutural.

A liberdade concedida à forma se manifesta nas curvas dos dois edifícios administrativos que se rebatem um sobre o outro. Já a exploração extremada da técnica moderna se mostra no Palácio do Governo, que, com seus 146 metros de vão livre (o dobro do vão do Museu de Arte de São Paulo), é alardeado como o maior vão suspenso do mundo. Contando, como sempre, com a solidariedade de um grande engenheiro (José Carlos Sussekind), Niemeyer realizou aí uma estrutura que só pode ser medida pela sua ousadia: 30 cabos de aço mantém em suspenso uma caixa de vidro de 4 pavimentos.

A solução não é uma novidade em si – embora distinta, a estrutura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, por exemplo, também foi resolvida, na década de 1950, com uma sofisticada solução atirantada que liberou o solo e os espaços expositivos. Mas nem por isso a última realização de Niemeyer deixa de impressionar por seu vigor. Há, afinal, uma carga de juventude nesse projeto que contribui para a sua visibilidade, embora também denuncie um dos problemas cruciais para a produção projetual contemporânea no Brasil: de um modo geral, a arquitetura brasileira não viveu a crise do moderno.

Na década de 1950, enquanto o pensamento arquitetônico e urbanístico mundial confrontava-se com a crise da modernidade, o Brasil construía Brasília. E no momento seguinte, quando a arquitetura começou a ser interrogada à luz da crítica pós-modernista, o Brasil vivia uma ditadura militar que bloqueava qualquer pensamento crítico. Esse quadro começaria a mudar com a abertura política, mas então o pós-modernismo acabaria se tornando uma espécie de chave mestra para a saída de um grande impasse: de um lado, a reverência à obra de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, de outro, a contestação própria de uma geração de arquitetos formados no período mais negro da ditadura militar (num processo protagonizado justamente por alguns arquitetos mineiros).

Criticar Niemeyer ainda é uma tarefa difícil
Pode-se então culpar Niemeyer por certo imobilismo da arquitetura no Brasil? Não. Se a arquitetura brasileira permaneceu alheia à crise do moderno, foi porque ficou entre uma prática capitalista predatória e uma reflexão teórica pobre na qual se expressou, desta vez pela via da esquerda, uma tônica populistae autoritária continuamente reeditada no Brasil.

Será um erro contratar Niemeyer hoje? Também não. Nenhum arquiteto brasileiro tem visibilidade sequer comparável à sua (basta lembrar a inauguração recente do hospital Sarah Kubitschek, no Rio, anunciada pela imprensa local sem qualquer menção à arquitetura e/ou ao responsável pelo projeto, arquiteto João Filgueiras Lima, dito Lelé). E compreendese facilmente porque os maiores arquitetos do mundo todo, quando vêm ao Rio, não só querem conhecer Niemeyer pessoalmente como mostram uma excitação quase infantil ao deixar seu escritório com um autógrafo, uma foto e se possível um croqui (cena que se repetiu, só nos últimos anos, com Zaha Hadid, Frank Gehry, Steven Holl, Christian de Portzamparc e Frei Otto). No fundo, então, o que impressiona mesmo é a escassez de cultura arquitetônica no Brasil hoje. E isso, não obstante as qualidades intrínsecas a certa produção contemporânea, dentro da qual podem ser incluídos tanto Lelé quanto Angelo Bucci.

Pelo jeito, não bastou a exemplaridade da produção das décadas de 1940 e 1950, que se irradiou a partir do Rio de Janeiro mas não tardou a brotar em Minas Gerais (além de Belo Horizonte, também em Cataguases, Diamantina, Ouro Preto). Tampouco foi suficiente a admirável longevidade dos grandes mestres da arquitetura moderna no Brasil (Lucio Costa, por exemplo, morreu perfeitamente lúcido aos 96 anos).

Na verdade, diferentemente da França, por exemplo, onde a arquitetura foi forçada a reorientar-se após a morte de Le Corbusier, no Brasil a presença atuante dos grandes mestres modernos em pleno final do século XX acabou se tornando, para muitos, uma ameaça a qualquer tentativa de emancipação. E ao contrário do que pode sugerir a quantidade de publicações e eventos suscitados pela comemoração recente do centenário de Niemeyer, ainda há uma grande dificuldade de abordar criticamente a sua obra.

Gramática niemeyeriana como marca comercializável
Chegamos a um ponto, no entanto, em que é difícil não se perguntar se alguns projetos que tem sido divulgados como sendo de Niemeyer são de fato seus. O próprio complexo mineiro já foi acusado de ter saído das suas gavetas. Não que, por princípio, isso seja condenável em arquitetura (considere-se, por exemplo, as semelhanças entre o Edifício Bacardi e a Galeria Nacional de Berlim, de Mies van der Rohe). Mas é difícil acreditar que, aos 102 anos, Niemeyer ainda esteja em condições de confiar a gênese da forma ao gestual pelo qual sua arquitetura se definiu, em seus melhores momentos.

Não raro, os traços que temos visto mostram características substancialmente distintas de seu procedimento projetual. E ainda que as maquetes possam ajudar, é difícil acreditar que a esta altura ele esteja disposto a rever sua concepção de arquitetura como criação individual, definida por meio de um risco fluente e decidido. O que em todo caso faz pensar na simplicidade da gramática niemeyeriana e sua exploração – já no limite da saturação – como uma marca facilmente identificável e comercializável.

Todo cuidado é pouco, portanto, para tratar da Cidade Administrativa de Belo Horizonte. O projeto é a prova mais cabal de que Niemeyer não é só o último grande Mestre da arquitetura. Nem só o grande imortal da arquitetura brasileira. Niemeyer é a juventude espantosa, e às vezes assustadora, do Brasil."



5
O Rio e suas águas: para onde estamos nos levando?

4
Junto à grade do Jardim Botânico contei esta manhã pelo menos 8 pés solitários de sapatos. E senti um frio na espinha, ao pensar em tantos pares que se perderam para sempre na chuva.
3
32 /
Esse é (até agora) o número oficial de mortos pelas chuvas que castigam o Rio desde ontem.
2
Cessibilidade / Fui comprar uma calça jeans ontem e me lembrei do conselho da Camila: tem que ser justa, porque com o uso ela cede. Então fiquei pensando no que seria uma arquitetura assim: justa, mas pronta a ceder ao tempo e ao uso.

Posto 4 / 10

1
Bienal Iberoamericana / Um projeto no Rio, 5 em São Paulo, 2 em Minas Gerais e 2 no Rio Grande do Sul: eis o resultado da seleção brasileira para a VII Bienal Iberoamericana de Arquitetura e Design (BIAU), que acontece em Medellín, na Colômbia, em outubro próximo.

A Comissão de seleção foi composta por Abilio Guerra (delegado brasileiro da BIAU) e mais 8 membros regionais: Ana Luiza Nobre, Andrey Rosenthal Schlee, Carlos Eduardo Dias Comas, Fabio Duarte, Luciana Guimarães Teixeira, Maria Isabel Villac, Sonia Marques e Vanessa Borges Brasileiro. No processo de seleção, cada membro da Comissão avaliou individualmente o conjunto das obras e conferiu notas de 1 a 10 a cada um dos 90 projetos indicados pelos membros regionais.

Desse processo resultou a seleção das 10 obras que representarão o Brasil na Bienal:

Biblioteca São Paulo, Aflalo & Gasperini Arquitetos, São Paulo SP, 2009
Box House, Yuri Vital, São Paulo SP, 2008
Casa em Ubatuba, Ângelo Bucci, Ubatuba SP, 2009
Centro Educativo Burle Marx em Inhotim, Alexandre Brasil, Paula Zasnicoff Cardoso, Brumadinho MG, 2009
Edifício Aimberê, Andrade Morettin Arquitetos Associados, São Paulo SP, 2009
Hospital Sarah-Rio, João Filgueiras Lima, Rio de Janeiro RJ, 2009
Memorial da Imigração Japonesa, Gustavo de Araújo Penna, Mariza Machado Coelho, Paulo Pederneiras, Belo Horizonte MG, 2009
Museu do Pão, Brasil Arquitetura, Ilópolis RS, 2007
Praça Victor Civita, Adriana Blay Levisky e Anna Julia Dietzsc, São Paulo SP, 2008
Sede da Fundação Iberê Camargo, Álvaro Siza Vieira, Porto Alegre RS, 2008

Em tempo: as obras estão listadas em ordem alfabética, e a inclusão de projeto de autoria de arquiteto estrangeiro está prevista nas normas da Bienal.
20
Opinião / Em boa hora a seção "Opinião", do jornal O Globo, ganha um reforço na área de arquitetura: Luiz Fernando Janot e Sergio Magalhães foram incorporados ao time de colaboradores e passam a escrever regularmente no jornal carioca.

19
Pedregulho, Hoje / Ótima oportunidade para conhecer o Pedregulho - uma das obras-chave da arquitetura carioca - ou voltar a visitá-lo: hoje, domingo, dia 28, encerra-se o projeto Pedregulho Residência Artística, com lançamento do livro que registra a experiência. O evento acontece às 16h no ap.613 do Bloco A do conjunto projetado por Affonso Eduardo Reidy, que fica na Rua Marechal Jardim, 450, em São Cristóvão. Os organizadores prometem distribuição gratuita do livro, caldinho de feijão, vídeos e futebol. Chegar lá é fácil: com o ônibus 472 (saindo do Leme) ou 350 (saindo do Passeio), ou ainda de metrô (descer na estação São Cristovão e caminhar 15 min. até o prédio). Basta pegar a terceira rua depois da Cadeg, e depois a segunda à direita.

[A foto acima é de Marcel Gautherot, e pertence ao acervo do Instituto Moreira Salles]
18
Ainda a Bienal / Em resposta aos que perguntam: o Hospital-Sarah fica na Barra (bem perto do Rock in Rio); a Galeria Progetti na Travessa do Comércio, no Centro; a Casa Varanda no Itanhangá, na Barra; a Casa Pier em Paraty e o edifício Beta no campus da PUC, na Gávea.

17
Entre os eventos paralelos aos Fóruns Mundial e Social Urbano está a exposição de projetos do arquiteto Jorge Mário Jáuregui, inaugurada ontem no Instituto Cultural Brasil-Argentina (Praia de Botafogo, 228).

Alguns de seus trabalhos mais conhecidos são intervenções em favelas cariocas, como os Complexos do Alemão e de Manguinhos, dentro do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Esses trabalhos serão discutidos amanhã, quinta, às 19 horas, numa mesa-redonda composta pelo próprio Jaurégui, pelo psicanalista Paulo Becker (Letra Freudiana) e pelo prof. Pedro Cláudio Cunca Bocayuva (Instituto de Relações Internacionais, PUC-Rio).

Na foto ao lado (extraída do site do arquiteto: http://www.jauregui.arq.br/), vê-se o núcleo habitacional e de serviços do Complexo do Alemão, inaugurado no ano passado.
16
Marina / Quinze escritórios de arquitetura brasileiros foram convidados pelo empresário Eike Batista para participar de um concurso fechado de projetos visando a revitalização da Marina da Glória (controlada pela EBX desde 2009). Pedro Paulo de Mello Saraiva e Edo Rocha, ambos de São Paulo, estão entre eles. Por determinação do empresário, os arquitetos brasileiros trabalham em conjunto com escritórios estrangeiros. O belga Julien de Smedt, que esteve recentemente no Brasil, também participa do concurso.

Como tem sido amplamente anunciado, o grupo de Eike Batista investe maciçamente em vários projetos simultâneos para o Rio, em áreas que incluem meio ambiente (Projeto Lagoa Limpa), turismo (Pink Fleet), hotelaria (Hotel Glória), saúde e beleza (MD.X Medical Center e Beaux), esportes (Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016) e gastronomia (escola de gastronomia na Zona Portuária).

Sejam quais forem as motivações que estão por trás desses projetos, o que me pergunto é se pelo menos um deles não poderia ser objeto de concurso público. E não é que eu seja contra a realização de concursos fechados, sobretudo quando promovidos pela iniciativa privada.
15
"Não se embrenhem por lugares que vocês não conheçam." Foi isso mesmo que disse o presidente Lula, na abertura do Fórum Mundial Urbano???

14
Urbano: Mundial e Social / De amanhã a sexta o Rio discute os problemas urbanos contemporâneos em dois eventos paralelos: o Fórum Mundial Urbano e o Forum Social Urbano.

O Fórum Mundial - já mencionado aqui, por conta da infeliz imagem utilizada no site oficial do evento - é organizado pela Unesco e tem por tema "O Direito à Cidade – Unindo o Urbano Dividido". As reuniões e debates acontecerão em sua maior parte no Armazém 2 da área portuária, com acesso exclusivo para inscritos e convidados (http://wuf5.cidades.gov.br/pt-BR/Home.aspx).

Já o Fórum Social é uma iniciativa de movimentos e organizações sociais e começa com um ato público pelo direito à cidade (na Candelária, às 9 da manhã). Debates, exposições, oficinas e shows estarão abertos a todos, e foram organizados em torno de quatro eixos temáticos: criminalização da pobreza e violências urbanas; Megaeventos e globalização das cidades; justiça ambiental nas cidades; e Grandes Projetos Urbanos e Lutas em Áreas Centrais e Portuárias.

A mesa de abertura reúne David Harvey (City University of New York), Ermínia Maricato e Raquel Rolnik (Universidade de São Paulo) e Peter Marcuse (Columbia University), às 16h30, no Centro Cultural da Ação da Cidadania (rua Barão de Tefé, nº 75, Saúde). A programação está aqui: www.forumsocialurbano.wordpress.com

A propósito: o Centro Cultural da Ação da Cidadania foi o primeiro armazém da zona portuária (construído em 1871 por André Rebouças) e foi reformado recentemente pelo arquiteto Hélio Pellegrino.

13
Noz no MAM / Os editores da Noz convidam para a festa de lançamento do quarto número da revista: neste domingo, dia 21, no MAM, das 17 às 22 horas.
A publicação - cuja qualidade já foi reconhecida pelo IAB e pela CAPES - poderá ganhar periodicidade bimestral e distribuição gratuita em breve, se selecionada em edital do Ministério da Cultura.









12
Bienal Iberoamericana / Depois de visitar e analisar várias obras construídas no Estado do Rio de Janeiro nos últimos 2 anos, selecionei 7 projetos:












Casa em Santa Teresa, SPBR Arquitetos
Casa em Paraty, Marcio Kogan
Casa Pier, Gabriel Grinspun e Mariana Simas
Casa Varanda, Carla Juaçaba
Edifício Beta, Andres Passaro, Diego Portas e Marcos Fávero
Galeria Progetti, Pedro Rivera e Daniela Brasil
Hospital Sarah-Rio, João Filgueiras Lima

Dessa listagem, podem-se extrair vários indícios: dos 7 projetos, 4 são casas. 2 estão localizados fora da cidade do Rio de Janeiro. E apenas 3 são de arquitetos sediados no Rio.

Reproduzo aqui algumas das fotos que fazem parte do material encaminhado pelos autores, na ordem (alfabética) da listagem acima. Os projetos participarão agora, junto com projetos de todo o país, de uma seleção final, da qual sairão as 10 obras que vão representar o Brasil na Bienal.

11
Ibsen / Desde domingo, quem circula pela cidade tem encontrado grandes faixas com a inscrição “Contra a covardia, em defesa do Rio”. As faixas foram produzidas pelo Governo do Estado em protesto contra a "emenda Ibsen" (projeto de lei em tramitação no Senado, que propõe a redistribuição da receita dos royalties do petróleo e reduz em R$ 7 bilhões por ano a receita do governo estadual e dos municípios fluminenses).

No Cristo Redentor, há uma faixa de 25 x 37 metros. Outras foram instaladas nas fachadas dos teatros Municipal e João Caetano, na Câmara dos Vereadores e no estádio do Maracanã.

Ao mesmo tempo, o Comitê Olímpico Brasileiro divulgou comunicado alertando que "a redução da receita da exploração do petróleo deixará o Estado do Rio de Janeiro sem condições de fazer as obras necessárias para os Jogos Rio 2016. Qualquer decisão que afete a capacidade do Estado do Rio de Janeiro de cumprir várias obrigações tem impacto negativo na organização dos Jogos e, se não for remediada, representará uma quebra de contrato".

Mas a maior manifestação deve ocorrer amanhã, quarta: 150.000 pessoas estão sendo esperadas numa passeata que sai às 16 horas da Candelária em direção à Cinelândia.


10
Alguma coisa acontece / A festa dos 10 anos do Vitruvius, ontem, revelou também uma nova perspectiva da arquitetura carioca: de repente, lá estávamos no terraço-jardim de um edifício projetado pelos irmãos Roberto para o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI), em 1941. E isso, bem na esquina da Paulista com a Consolação. O que a mim pareceu levemente irreal, assim como São Paulo.


9
Olimpíadas / "As Olimpíadas e a Cidade – Conexão Rio-Barcelona": este é o título do seminário que se realiza na próxima semana, dias 18 (quinta) e 19 (sexta), no Palácio da Cidade e no IAB. Participarão do painel políticos e técnicos das duas cidades, como Manuel de Forn (coordenador do Plano Estratégico de Barcelona), Ignasi Armengol (Diretor da Empresa de Transporte de Barcelona) e os arquitetos Jordí Borja (Barcelona) e Flavio Ferreira (Brasil). As inscrições devem ser feitas antecipadamente por email: secretaria@iabrj.org.br ou conexaoriobarcelona@gmail.com. Também na sexta, será inaugurada a exposição "Exemplos Urbanísticos e Olimpíadas" na sede do IAB (Rua do Pinheiro, 10, Flamengo).

8
Maria Angélica, 678. Se eu estivesse no Rio neste sábado, provavelmente estaria lá.
7
X in Rio / No final do ano passado, o arquiteto Mark Wigley, diretor da Faculdade de Arquitetura da Columbia University, de Nova York, realizou uma série de encontros com arquitetos e artistas do Rio e São Paulo com o objetivo de sondar a possibilidade de instalar no Brasil um estúdio/laboratório de arquitetura, e assim alargar uma rede já existente entre Nova York, Beijing e brevemente Mumbai, Aman e Moscou. A proposta começa a se concretizar agora, com as primeiras ações do Studio-X no Rio - que ainda não tem endereço certo, mas provavelmente será instalado na área portuária. O primeiro evento será uma conversa sobre projetos de espaços para a arte no Parque Lage, às 19 horas, amanhã, quinta-feira, com Galia Solomoff (NY), Thiago Bernardes (Rio) e Rodrigo Cervinõ Lopez (SP). A mediação será feita por Pedro Rivera, que está à frente do Studio-X carioca. E no dia seguinte, às 15 horas, será aberta no MAM uma exposição de trabalhos de alunos da universidade, em torno da Praça Tiradentes.
6
A cidade e suas águas 2 / A tempestade do último sábado me pegou em Copacabana. Tive medo. Mas no Baixo Gávea, como sempre, não faltou bom humor, como mostra a produção do Grupo Sal: http://www.gruposal.com.br/blog/?p=3910&cpage=1#comment-3957










5
Eu não disse que eles voltavam?
4
Paulo Mendes da Rocha confirmou sua presença num seminário sobre Brasília, no Rio, em maio.

3
Casas casadas / Outro abaixo-assinado em defesa da arquitetura carioca foi lançado na Internet: este, pela reativação das "Casas Casadas", na Rua das Laranjeiras. Construídas no século XIX como habitação multifamilar, elas foram tombadas pelo INEPAC/ Instituto Estadual de Patrimônio Cultural há exatos 30 anos. Depois de anos de abandono, o conjunto foi restaurado pelo arquiteto Carlos Porto e transformado em centro cultural, com dois terços do seu espaço cedido à Riofilme. Dois anos depois, as Casas Casadas voltam a dar sinais de abandono: as atividades da Riofilme estão paralisadas, os espaços praticamente inertes, e as duas salas de cinema até hoje não receberam alvará de funcionamento. É por isso que os moradores de Laranjeiras se mobilizaram e criaram um abaixo-assinado, que pode ser endossado aqui:
http://www.PetitionOnline.com/ccasadas/petition.html
[A foto é do Beto Felício]



2
MAM Redivivo / Passei muitos sábados gloriosos da minha infância no MAM, entre os jardins de Burle Marx e as aulas do Ivan Serpa. Mas voltei lá numa tarde de sábado do ano passado, com meu sobrinho de quatro anos, e deparei com um deserto: não havia nem pipoqueiro. Pois neste sábado uma lufada de ar fresco chega ao MAM. Várias atividades estão programadas: uma oficina de parangolés às 14 horas, uma orquestra nos jardins às 15 horas, mais uma mesa-redonda em torno da exposição do Carlos Vergara às 16 horas. E os pipoqueiros hão de voltar, vocês vão ver.

Posto 3 / mar 10


1
O Ministério e as Olimpíadas / 473 pessoas já assinaram o abaixo-assinado, dirigido ao presidente Lula, em protesto contra o uso do Palácio Gustavo Capanema - ícone máximo da arquitetura moderna no Brasil - como sede do "QG" das Olimpíadas.


Diz o texto: "A ocupação do Palácio Gustavo Capanema pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de 2016 é um desrespeito com a história da cultura e da educação brasileira. Por isso, nós, cidadãos e cidadãs do Rio de Janeiro, abaixo-assinados, reivindicamos que a realização deste importante evento no Rio não seja usada para despejar a cultura e a educação do Palácio Gustavo Capanema."

Eu assinei. Para isso, basta colocar nome e email aqui: http://www.petitiononline.com/Capanema/petition.html