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Biblioteca Nacional / A Biblioteca Nacional, sediada em edifício eclético na av Rio Branco que há muito vem sofrendo uma série de problemas, vai ganhar expansão na área portuária. Mais precisamente na Via Binário, em edifício já existente, próximo ao novo aquário e ao pátio da Marítima (para o qual há um projeto de Norman Foster). As novas instalações serão objeto de um concurso público organizado pelo IAB, que será lançado amanhã (terça) à noite. 
Ver aqui: http://www.iab.org.br/noticias/concurso-selecionara-projeto-para-predio-anexo-da-biblioteca-nacional

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Limites Incertos / Recomeça nesta quarta, dia 20, o ciclo Limites Incertos, com a palestra do físico Mario Novello sobre o conceito de "Infinito". A palestra será no auditório do RDC, na PUC, às 18:30h. E o texto de referência do autor está disponível na pasta 22E do CA da Engenharia, na Vila dos Diretórios da PUC (R. Marques de São Vicente, 225).
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Fora de alcance / Que imagem é capaz de resumir o processo de transformação em curso na área portuária do Rio de Janeiro? Até que ponto estamos equipados - mentalmente, oticamente, tecnicamente - para abordar processos perturbadores  como esse? De que instrumentos e dispositivos dispomos para registrar a construção e destruição simultânea da cidade, nas infinitas articulações e acumulações que se produzem continuamente, de maneira tão vertiginosa quanto inapreensível? Como mapear situações críticas e territórios instáveis, de alta voltagem urbana e social? 
 
Essas foram algumas das perguntas que nos fizemos ao final do workshop de fotografia com Mauro Restiffe, realizado esta semana no Instituto Moreira Salles. A proposta foi tomar como base o trabalho realizado para a exposição "São Paulo, fora de alcance", em cartaz até final de setembro no IMS, para abordar fotograficamente - e criticamente - o Rio de Janeiro hoje, num desafio ao nosso regime de visualidade.
 
 

 

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+ Serra / O catálogo está no prelo, com texto de Sonia Salztein e fotos de Cristiano Mascaro do making of da exposição no IMS.
 
E os textos do próprio artista, que são fundamentais para a compreensão de suas obras, estão em seu livro de escritos e entrevistas, resenhado aqui por Martha Telles:
http://oglobo.globo.com/cultura/livros/a-arte-de-richard-serra-esculpida-em-palavras-13309976

Mas é no catálogo da exposição realizada nos anos 90 no Centro Hélio Oiticica que encontramos a leitura de Serra do Rio de Janeiro: "aqui, a grid é passé". Desde então passei a olhar com outros olhos para o que mais lhe interessou nesta cidade: as estruturas de contenção de encostas e o "Minhocão" de Reidy  - que me olha de volta todos os dias, felizmente.
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Começa semana que vem uma série intensa de eventos relacionados à exposição Richard Serra: desenhos na casa da Gávea, em cartaz no Instituto Moreira Salles, Rio de Janeiro:

Richard Serra: desenhos na casa da Gávea
IMS-RJ (Rua Marques de São Vicente, 476, Gávea)

14 de agosto, quinta-feira
visita guiada com Heloisa Espada, às 18h30
debate com Sônia Salzstein e Ronaldo Brito, às 20h
(evento gratuito, com retirada de senhas 30 minutos antes do início)

23 de agosto, sábado
Conversas na galeria com João Masao Kamita, às 17h
(evento gratuito, sem retirada de senhas - sujeito à lotação da sala)

26 a 28 de agosto, terça a quinta-feira
Seminário Richard Serra e os lugares da arte, às 19h30

26 de agosto
Ana Luiza Nobre
Guilherme Wisnik
Nelson Brissac Peixoto

27 de agosto
José Resende
Renata Lucas

28 de agosto
Nélson Felix
Sérgio Martins
(inscrições a partir de 1º de agosto na recepção do IMS: R$ 40 por dia, e R$ 120 para os três dias, com desconto de 50% para estudantes e direito a certificado)

3 de setembro, quarta-feira
Conversas na galeria com Ronaldo Brito, às 17h
(evento gratuito, sem retirada de senhas - sujeito à lotação da sala)

Mais informações aqui:

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Celeuma / "Arquitetura sob suspeita", na última edição da revista do Centro Maria Antonia, da USP:
http://www.mariantonia.prceu.usp.br/celeuma/?q=revista/4/dossie/arquitetura-sob-suspeita
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Ronaldo Brito, Limites Incertos / Já está no Youtube a palestra completa do prof Ronaldo Brito (História, PUC-Rio) sobre "Topologia", que lotou recentemente o auditório do RDC, na PUC-Rio, dentro do ciclo "Limites Incertos".

O registro está dividido em 5 partes. Ronaldo fala sobre Sergio Camargo, Lygia Clark, Pollock, Matisse, Anselm Kieffer, Niemeyer, Alvaro Siza, Frank Gehry...

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Serra / A exposição de Richard Serra abre esta semana no Instituto Moreira Salles, na Gávea. O espaço da arquitetura está profundamente transformado pela presença dos seus desenhos (desenhos?), que envolvem questões e problemas discutidos pelo artista nesta entrevista a Charlie Rose, por ocasião da sua exposição no Metropolitan Museum, em Nova York, em 2011:

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Lelé, 1932-2014.
Que falta.
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Atenção: Limites Incertos / Em função da greve anunciada para amanhã, está suspensa a palestra do prof Pedro Duarte no seminário Limites Incertos. A palestra será reagendada para o segundo semestre. O calendário das demais palestras está mantido.
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Contemporâneo / Pedro Duarte (Filosofia, PUC-Rio) encerra o primeiro semestre do ciclo "Limites Incertos" (realizado pelo Programa de Pós-graduação em Arquitetura e o Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio) discutindo esta quarta, dia 21, o conceito de "Contemporaneidade".
 
A palestra será às 18:30, no auditório Anchieta (edifício Leme, PUC-Rio).
 
O texto recomendado para leitura  - "Giorgio Agamben, O contemporâneo extemporâneo" - está disponível na pasta 22 B do CA da Engenharia, na Vila dos Diretórios, no campus da PUC.
 
Recomenda-se também o texto de Giorgio Agamben, "O que é o contemporâneo?" (Argos, 2009), que está aqui: http://pt.scribd.com/doc/34498541/AGAMBEN-Giorgio-O-que-e-contemporaneo-e-outros-ensaios
    
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Arqfuturo / A programação está excelente: Richard Serra, Reinier de Graaf... Inscrições aqui: http://www.arqfuturo.com.br/

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Beatriz Sarlo vê Buenos Aires / Tem lançamento previsto para julho o próximo livro da coleção "Cidades" (WMF Martins Fontes): "Cidade vista", de Beatriz Sarlo.

O livro tem origem num arguto exercício de olhar construído ao longo de quatro anos no corpo-a-corpo da autora, e sua câmera fotográfica, com a cidade de Buenos Aires. O que se revela não é a cidade dos roteiros turísticos, portanto, mas uma cidade em grande parte desconhecida e para muitos invisível, marcada pela devastadora crise econômica vivida pela Argentina nos últimos anos.

Sarlo mantém a perspectiva crítica que a tornou uma das maiores referências intelectuais na Argentina, partindo da análise de fenômenos sócio-culturais locais para por em discussão temas que tratam de modernização e cultura urbana na América Latina.

Grande parte da beleza do livro está na maneira como a autora desenha seu itinerário pessoal a partir de fragmentos que vai recolhendo - ora nas ruas, ora nos jornais, ora na biblioteca infinita que é a própria literatura sobre Buenos Aires. Literatura, sociologia, estética, arquitetura e urbanismo cruzam-se, assim, num quadro surpreendente e fascinante desta cidade que Sarlo nos faz (re)ver criticamente, através da lente que nos oferece.

A edição brasileira é enriquecida pela apresentação de Adrian Gorelik e se soma aos outros 3 títulos já publicados na coleção, cuja coordenacao editorial tenho o prazer de assinar: "Morte e vida de grandes cidades" (Jane Jacobs), "A imagem da cidade" (Kevin Lynch) e "Los Angeles, a arquitetura de quatro ecologias" (Reyner Banham).
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Dando continuidade ao seminário "Limites Incertos", o professor e crítico de arte Ronaldo Brito (História, PUC-Rio) fala sobre "Topologia" nesta quarta-feira, dia 7, às 18:30, na PUC-Rio. A palestra, aberta a todos, será realizada no auditório do RDC. 
 
A leitura prévia recomendada é a seção final do livro "Neoconcretismo: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro" (Funarte, 1985; Cosa Naify, 2000), ensaio decisivo de Ronaldo, que tem também alguns de seus principais textos críticos reunidos no livro "Experiência Crítica" (org. Sueli de Lima, Cosac Naify, 2005). 
 
Neste último, há também um bom resumo da sua trajetória profissional - construída à margem da formação acadêmica tradicional, no embate direto com as obras e por dentro da produção de arte contemporânea no Brasil.
 
O rigor analítico de Ronaldo, sua intransigência em relação ao senso comum e à precariedade das condições culturais do país, a dimensão poética e política do seu pensamento não só marcaram profundamente gerações de alunos e orientandos (dentre os quais, felizmente, me incluo) como abriram um espaço sem precedentes de reflexão para a arte - e por extensão, pode-se dizer, também para a arquitetura no Brasil. 
 
Imperdível, portanto, eu diria.
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Crítica / A crítica literária e professora da UniRio Flora Sussekind abre amanhã, segunda, o ciclo "Limites Incertos" na PUC-Rio, discutindo o conceito de Crítica.
O ciclo (organizado pelo Programa de Pós-graduação em Arquitetura e o Curso de Arquitetura e Urbanismo) estende-se de abril a outubro deste ano, sempre às 18:30.
Excepcionalmente, a palestra de amanhã será no auditório Anchieta (edifício Leme).
Recomenda-se a leitura prévia do texto "A crítica como papel de bala", em que a autora  define a crítica como forma dissentânea de percepção, e questiona o apequenamento da discussão crítica e o conservadorismo dominante no campo literário no Brasil hoje.
               

Piscinão do Alemão / por Ana Altberg:
Durante a ocupação policial da Vila Cruzeiro, em 2010, pôde-se assistir ao vivo a forte cena de traficantes fugindo por uma estrada de terra em direção ao Complexo do Alemão. A visão aérea, registrada por um helicóptero da Rede Globo, mostrava alguns deles sendo atingidos pelos tiros da polícia. Essa estrada leva a um lago formado na cavidade de uma pedreira na Serra da Misericórdia, mais conhecido como Piscinão do Alemão.
Em janeiro deste ano, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre o lago, que  é  uma atração local há anos.
A empresa francesa Lafarge, que tem concessão para explorar o terreno, afirma que o lago foi formado por acumulação de água de chuva, negando a hipótese de que seria um lençol freático exposto pelas dinamitações para extração mineral. Ainda em 2010, a Lafarge drenou o lago para seguir explorando o terreno, mas até hoje crianças recorrem às suas águas para se divertir, quando chove.

Poucos anos atrás, o Piscinão costumava ficar lotado nos fins de semana, crianças com pranchas de surf, bóias, tinas de cerveja, música alta. Dizem que traficantes até andavam de jet-ski ali. Mas o lugar é tão belo quanto perigoso: as lascas de pedra soltas e a instabilidade do terreno apresentam riscos graves aos usuários, assim como a contaminação química pelos produtos usados nas pedreiras.
O grande sucesso deste lago perigoso demonstra, no entanto, a enorme carência de áreas públicas de lazer de uma parcela significativa da população de uma cidade em que a geografia social se expressa por meio da distribuição desigual de espaços públicos (com praias e espaços verdes concentrados nas zonas Sul e Oeste, as mais ricas da cidade).              
Diante dos problemas decorrentes de um transporte público não integrado e deficitário – o teleférico do Alemão não é conectado ao metrô, apenas à Supervia – , do alto custo dos bilhetes, somado aos custos adicionais de um dia na praia, um mergulho no mar não chega a ser muito acessível para quem mora no Complexo do Alemão. O lago se torna então uma opção mais atraente. 






           Google Earth, 2012

          O maciço da Serra da Misericórdia, onde se localiza o Piscinão, é cercado pelos bairros Engenho da Rainha, Inhaúma, Penha, Complexo do Alemão, entre outros. Esta região- a AP3 - é a mais populosa do Rio de Janeiro, abriga 50% dos residentes em favelas e a menor área verde per capita do município. A Serra é a maior área verde desta região, mas sua vegetação se encontra em condições precárias, sempre ameaçada pela expansão das favelas e pela atividade mineradora, presente no local há mais de 40 anos.

    Vegetação em 2012

A Serra da Misericórdia vive uma grande contradição entre a realidade e seu estatuto oficial, a lei. No papel, desde 2001 se trata de uma  APARU (Área de Preservação Ambiental e Recuperação Urbana), e é considerada um parque público. Em 2010, o prefeito sancionou um novo decreto que o nomeia “Parque Municipal Urbano da Serra da Misericórdia” e indica que ali seriam construídos “Pólos de Atividade Social”.
De acordo com um abaixo-assinado publicado pela ONG Meu Rio no final de 2013, remoções tem sido feitas em nome do parque. No entanto, permanecem intactas e ativas as pedreiras que seguem arrasando o solo e causando danos à saúde dos moradores da região, onde há alto índice de doenças respiratórias. Seu entorno é de favelas ou bairros degradados, com esgoto a céu aberto, lixo nas ruas, e uma espessa camada de poeira sobre qualquer objeto num raio de 500 metros das pedreiras.
O projeto do parque, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Habitação em parceira com o escritório Arqhos, prevê instalações pontuais para o maciço, que é cercado por diferentes tipos de ocupação: favelas, áreas industriais em desuso e conjuntos habitacionais murados. Inserida num tecido urbano já periférico, a integração da Serra com a cidade é quase inexistente.
           Mas no momento o projeto do parque está paralisado, porque ao que tudo indica, Prefeitura e Governo do Estado têm ideias divergentes para o futuro da Serra da Misericórdia: enquanto a Secretaria de Habitação tentava implementar seu parque, o Governo do Estado projetou um parque de mountain bike, que de acordo com a ESPN, já está em construção.
           Esta situação expressa a dispersão do planejamento urbano do Rio de Janeiro: diferentes órgãos pensando a cidade separadamente, muitas vezes com projetos diferentes para o mesmo local. Enquanto isso, o futuro da Serra da Misericórdia permanece como uma incógnita, diante de indefinições políticas e falta de transparência nos processos de planejamento urbano. Por que não foi aberto um concurso público para o projeto do “Parque Municipal Urbano da Serra da Misericórdia”?
            O Piscinão do Alemão já apontou o forte potencial de uso coletivo dessa área. A integração do tecido urbano às pedreiras desativadas poderia gerar uma centralidade regional positiva, a partir da criação de um grande espaço público de lazer, a exemplo de parques criados em antigas pedreiras o Buttes Chaumont, em Paris, e o Parque Tanguá, em Curitiba.
           Entre as ruínas irregulares da extração mineral, poderiam existir orlas, jardins, ciclovias, atividades educacionais, culturais, administrativas... Um espaço capaz de suprir carências da população local e oferecer um respiro coletivo, tão necessário aos que vivem nos intermináveis vales de favelas do Complexo do Alemão, marcados por décadas de violência e abandono.




(Ana Altberg é arquiteta e membro da equipe vencedora do concurso de ideias “Reperimetral”, cujo resultado, divulgado semana passada, pode ser visto aqui: http://reperimetral.com/2014/04/03/resultado/)