Piscinão do Alemão / por Ana Altberg:
Durante a ocupação policial da Vila Cruzeiro, em 2010, pôde-se assistir ao vivo a forte cena de traficantes fugindo por uma estrada de terra em direção ao Complexo do Alemão. A visão aérea, registrada por um helicóptero da Rede Globo, mostrava alguns deles sendo atingidos pelos tiros da polícia. Essa estrada leva a um lago formado na cavidade de uma pedreira na Serra da Misericórdia, mais conhecido como Piscinão do Alemão.
Em janeiro deste ano, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria sobre o lago, que  é  uma atração local há anos.
A empresa francesa Lafarge, que tem concessão para explorar o terreno, afirma que o lago foi formado por acumulação de água de chuva, negando a hipótese de que seria um lençol freático exposto pelas dinamitações para extração mineral. Ainda em 2010, a Lafarge drenou o lago para seguir explorando o terreno, mas até hoje crianças recorrem às suas águas para se divertir, quando chove.

Poucos anos atrás, o Piscinão costumava ficar lotado nos fins de semana, crianças com pranchas de surf, bóias, tinas de cerveja, música alta. Dizem que traficantes até andavam de jet-ski ali. Mas o lugar é tão belo quanto perigoso: as lascas de pedra soltas e a instabilidade do terreno apresentam riscos graves aos usuários, assim como a contaminação química pelos produtos usados nas pedreiras.
O grande sucesso deste lago perigoso demonstra, no entanto, a enorme carência de áreas públicas de lazer de uma parcela significativa da população de uma cidade em que a geografia social se expressa por meio da distribuição desigual de espaços públicos (com praias e espaços verdes concentrados nas zonas Sul e Oeste, as mais ricas da cidade).              
Diante dos problemas decorrentes de um transporte público não integrado e deficitário – o teleférico do Alemão não é conectado ao metrô, apenas à Supervia – , do alto custo dos bilhetes, somado aos custos adicionais de um dia na praia, um mergulho no mar não chega a ser muito acessível para quem mora no Complexo do Alemão. O lago se torna então uma opção mais atraente. 






           Google Earth, 2012

          O maciço da Serra da Misericórdia, onde se localiza o Piscinão, é cercado pelos bairros Engenho da Rainha, Inhaúma, Penha, Complexo do Alemão, entre outros. Esta região- a AP3 - é a mais populosa do Rio de Janeiro, abriga 50% dos residentes em favelas e a menor área verde per capita do município. A Serra é a maior área verde desta região, mas sua vegetação se encontra em condições precárias, sempre ameaçada pela expansão das favelas e pela atividade mineradora, presente no local há mais de 40 anos.

    Vegetação em 2012

A Serra da Misericórdia vive uma grande contradição entre a realidade e seu estatuto oficial, a lei. No papel, desde 2001 se trata de uma  APARU (Área de Preservação Ambiental e Recuperação Urbana), e é considerada um parque público. Em 2010, o prefeito sancionou um novo decreto que o nomeia “Parque Municipal Urbano da Serra da Misericórdia” e indica que ali seriam construídos “Pólos de Atividade Social”.
De acordo com um abaixo-assinado publicado pela ONG Meu Rio no final de 2013, remoções tem sido feitas em nome do parque. No entanto, permanecem intactas e ativas as pedreiras que seguem arrasando o solo e causando danos à saúde dos moradores da região, onde há alto índice de doenças respiratórias. Seu entorno é de favelas ou bairros degradados, com esgoto a céu aberto, lixo nas ruas, e uma espessa camada de poeira sobre qualquer objeto num raio de 500 metros das pedreiras.
O projeto do parque, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Habitação em parceira com o escritório Arqhos, prevê instalações pontuais para o maciço, que é cercado por diferentes tipos de ocupação: favelas, áreas industriais em desuso e conjuntos habitacionais murados. Inserida num tecido urbano já periférico, a integração da Serra com a cidade é quase inexistente.
           Mas no momento o projeto do parque está paralisado, porque ao que tudo indica, Prefeitura e Governo do Estado têm ideias divergentes para o futuro da Serra da Misericórdia: enquanto a Secretaria de Habitação tentava implementar seu parque, o Governo do Estado projetou um parque de mountain bike, que de acordo com a ESPN, já está em construção.
           Esta situação expressa a dispersão do planejamento urbano do Rio de Janeiro: diferentes órgãos pensando a cidade separadamente, muitas vezes com projetos diferentes para o mesmo local. Enquanto isso, o futuro da Serra da Misericórdia permanece como uma incógnita, diante de indefinições políticas e falta de transparência nos processos de planejamento urbano. Por que não foi aberto um concurso público para o projeto do “Parque Municipal Urbano da Serra da Misericórdia”?
            O Piscinão do Alemão já apontou o forte potencial de uso coletivo dessa área. A integração do tecido urbano às pedreiras desativadas poderia gerar uma centralidade regional positiva, a partir da criação de um grande espaço público de lazer, a exemplo de parques criados em antigas pedreiras o Buttes Chaumont, em Paris, e o Parque Tanguá, em Curitiba.
           Entre as ruínas irregulares da extração mineral, poderiam existir orlas, jardins, ciclovias, atividades educacionais, culturais, administrativas... Um espaço capaz de suprir carências da população local e oferecer um respiro coletivo, tão necessário aos que vivem nos intermináveis vales de favelas do Complexo do Alemão, marcados por décadas de violência e abandono.




(Ana Altberg é arquiteta e membro da equipe vencedora do concurso de ideias “Reperimetral”, cujo resultado, divulgado semana passada, pode ser visto aqui: http://reperimetral.com/2014/04/03/resultado/)




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Para não esquecer /

Vista aérea: a água e o cerrado invadiram a construção (Foto: Google / Divulgação)

Uma grande quantidade de matérias jornalísticas, textos, debates e exposições marca os 50 anos do golpe militar no Brasil. Os relatos cada vez mais chocantes do terror instalado no país a partir de março de 1964 somam-se a um esforço de mapeamento  da produção cultural do período e dos impactos da repressão na área do cinema, literatura, artes, música, educação. Sobre arquitetura, porém, pouco se fala. O que, por si só, já é bastante significativo. Até porque não podemos esquecer que em 1964 a arquitetura brasileira havia apenas conferido ao país seu registro de identidade, com a inauguração de Brasília. E a partir daí entraria num longo afastamento do debate teórico internacional, do qual até hoje nos ressentimos.
Ganha interesse ainda maior, por isso, o documentário sobre Sergio Bernardes (Gustavo Gama e Paulo Barros , 91 min, 2013), um dos 7 filmes que estão na competição brasileira de longas e médias-metragens do Festival "É Tudo Verdade", que começa amanhã no Rio (em duas sessões abertas para o público, no  Espaço Itaú de Cinema Botafogo: terça, dia 08, às, 21hs, e quarta, dia 09, às 15hs). 
O filme mostra não só a trajetória profissional de sucesso e a veia almodovariana de Bernardes, que muitos já conhecem, mas também os aspectos dolorosos da biografia e o lado trágico de um dos maiores nomes da arquitetura brasileira, cuja rica produção acabou sendo vítima da sua ambição, e sobretudo da sua opção por fazer arquitetura para o regime militar em plenos anos 70.
Uma opção que custou caro ao arquiteto e à arquitetura brasileira. Não só porque sua obra caiu numa espécie de limbo dentro da história da arquitetura brasileira e se tornou algo estranho - ora tabu, ora mito - nunca propriamente explicitado mas com o qual ainda hoje temos dificuldade de lidar, e que recoloca uma série de questões que pareciam superadas, como o papel social da arquitetura e a relação entre arquitetura e poder. 
Mas também porque foi a proximidade com os militares que desencadeou a falência do escritório de Sergio Bernardes - na época, um dos maiores escritórios de arquitetura do país -, em função de dívidas contraídas como capital de giro de projetos caros que acabaram cancelados. Como o projeto da Escola Superior de Guerra, em Brasília, encomendado pelo presidente Médici no auge do "Milagre" e cancelado com a obra já avançada, que resta hoje como uma ruína condenada ao esquecimento à beira do Lago Paranoá, a demandar nossa reflexão (ver aqui: http://vejabrasil.abril.com.br/brasilia/materia/os-segredos-dos-escombros-1403)
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Concurso BNDES / O Programa de Pós-graduação em Arquitetura e o Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio convidam a todos para o debate público sobre o CONCURSO PÚBLICO DE ARQUITETURA PARA O ANEXO DO BNDES, que será realizado no dia 31 de março, segunda-feira próxima, às 19 hs, na PUC-Rio (Rua Marques de São Vicente, 225, Gávea - edifício IMA).

A mesa será composta por Carlos Haude (BNDES), Sidney Menezes (CAU-RJ) e Pedro da Luz (IAB-RJ), com o prof João Masao Kamita (PUC-Rio) como mediador. Todas as presenças estão confirmadas.

O evento é aberto ao público, e trata de assunto da maior relevância para a arquitetura e a cidade.
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Arquitetura e Limites / O Programa de Pós-graduação em Arquitetura e o Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio convidam para o ciclo de palestras "Limites Incertos", que começa em abril e se estende até outubro.
 
O objetivo é discutir os limites disciplinares da arquitetura e explorar conceitos que são centrais para a arquitetura contemporânea, a partir de questões colocadas por pensadores de áreas afins (Arte, História, Letras, Filosofia e Física).
 
A crítica literária Flora Sussekind abre o ciclo dia 14 de abril (segunda-feira), discutindo o conceito de Crítica. Depois tem Ronaldo Brito sobre Topologia (7 mai), Pedro Duarte sobre Contemporaneidade (21 mai), Mario Novello sobre Infinito (20 ago), Ricardo Basbaum sobre Diagrama (17 set) e Marcelo Jasmin sobre Futuro (22 out). Sempre às 18:30 hs, no auditório do RDC (Rua Marques de São Vicente, 225, Gávea).

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Bernardes / "Eu sou um homem maldito, e por ser maldito, eu fico em liberdades enormes para fazer o que quero" diz o arquiteto Sergio Bernardes. O depoimento está no documentário "Bernardes", realizado por Gustavo Gama Rodrigues e Paulo de Barros a partir de argumento de Thiago Bernardes (neto do arquiteto), que poderá ser visto em breve no festival "É Tudo verdade", que acontece no Rio e em São Paulo no começo de abril. O filme foca no ponto de fusão entre a trajetória pessoal e profissional de Sergio, com imagens documentais inéditas e tomadas atuais de várias de suas obras, depoimentos recentes, registros pessoais e de família. O trailer pode ser visto aqui: http://vimeo.com/66847310

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Vila da Mídia e dos Árbitros / Pequena nota na coluna de Ancelmo Gois, no jornal "O Globo", hoje:

"O Comitê organizador da Rio 2016 desistiu de instalar as Vilas de Mídia e dos Árbitros no Porto Maravilha. A construção de 1800 apartamentos na antiga Praia Formosa, atrás da Rodoviária Novo Rio, não deve ficar pronta a tempo para os Jogos. Mesmo assim, a obra prossegue: ali serão construídos apartamentos para serem vendidos após as Olimpíadas." 

E essa é a única informação tornada pública até agora sobre assunto da maior importância para a arquitetura e a cidade.
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Design / "Design in Brazil: which revolution?" é o título do trabalho que apresentei em congresso internacional do ICDHS/ International Committee for Design History and Design Studies,  realizado em São Paulo em 2012. O trabalho discute o contexto de criação da Esdi/Escola Superior de Desenho Industrial na década de 1960, no Rio, em especial no que diz respeito ao suporte dado por Carlos Lacerda, primeiro Governador do Estado da Guanabara.


O objetivo é reexaminar, sob novo enfoque, esse episódio que tanta atenção recebeu da historiografia do design até agora - tendo permanecido, por outro lado, completamente (e surpreendentemente) ignorado pelos estudos em arquitetura no Brasil.
 
O texto em inglês saiu agora na Blucher Proceedings, excelente selo editorial on-line da editora Blucher, e está disponível aqui:
 
A publicação (organizada por Priscila Lena Farias, Anna Calvera, Marcos Braga e Zuleica Schincariol) reúne mais de uma centena de trabalhos apresentados na mesma ocasião, e é fonte de pesquisa preciosa para quem se interessa por História do Design:
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Vigliecca na PUC / O arquiteto Hector Vigliecca fará a Aula Inaugural este ano do Curso de Arquitetura e Urbanismo e do Programa de Pós-graduação em Arquitetura da PUC-Rio. A aula será conjunta para alunos e professores da graduação e pós-graduação, e é aberta a todos.

Dia 28 de março, sexta, às 18 hs.

Informações atualizadas estarão aqui: http://www.cau.puc-rio.br/home/ 
E aqui estão os principais projetos do arquiteto (que desenvolve atualmente projetos importantes no Rio, como o Parque Olímpico de Deodoro): http://www.vigliecca.com.br/

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Escolta armada / Começou a chover. E se chover muito, todo aquele lixo acumulado nas ruas durante o Carnaval vai rolar pela cidade, obstruir bueiros e provocar uma série de doenças. Mas o prefeito garantiu hoje de manhã que a coleta de lixo será feita com escolta armada até que a greve dos garis chegue ao fim. Então não tenho motivo pra me preocupar. Pode ser até que eu cruze por aí com o gari sorridente que encantou o mundo sambando lindamente com sua vassoura ao final de cada desfile na Sapucaí. Da última vez que o vi, ele dançava no palco da festa de encerramento dos jogos olímpicos de Londres. Mas apareceu hoje na porta da Comlurb, para dar apoio aos grevistas.

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Quarta-feira de Cinzas / É fantasia minha ou o carnaval termina com mais um incêndio na av Francisco Bicalho, bem ali onde está prestes a ser instalado o canteiro de obras das Trump Towers?
 
 
 
 
 

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Carnaval tenso na área portuária / Desde quarta-feira, um grupo de pessoas que morava há 5 ou 6 anos no "Quilombo das Guerreiras" (ocupação de um edifício abandonado, de propriedade federal), faz barricada na av Francisco Bicalho, uma das vias mais importantes de acesso à cidade. O protesto é contra a remoção forçada e sem perspectivas de um terreno privatizado onde serão construídas as torres de Donald Trump, um dos projetos mais assombrosos do "Porto Maravilha". A situação é tensa. Mas é Carnaval, e Carnaval é folia. Tudo o que importa são os blocos, os desfiles, e o nó no trânsito. 
 
Mesmo na Internet, não há muito informação sobre os motivos da manifestação, a não ser no facebook do Anonymous Brasil, de onde chego à única matéria jornalística que consegui localizar, por ora, sobre o conflito:
https://www.youtube.com/watch?v=zFkyb8Zc2Yk&feature=share
 
Que cidade teremos, quando o Carnaval passar?
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Anexo BNDES / Divulgado hoje o edital do concurso público de projetos para o edifício anexo do BNDES, a ser construído em área excepcional no centro do Rio: o que resta do Morro de Santo Antônio, entre a Rua da Carioca e a av Chile, bem atrás da igreja de São Francisco e do Convento de Santo Antonio.

O anexo se tornou viável a partir da mudança de gabarito da área, de 12,5 para 42 m, aprovada pela Câmara dos Vereadores em maio passado, numa negociação que tem como contrapartida o desembolso pelo BNDES de R$ 50 milhões, a serem pagos à Prefeitura e usados na requalificação urbana da área. O edifício, que deverá ter nove andares e cinco subsolos, não poderá ultrapassar a cimeira da Igreja de São Francisco da Penitência, tombada pelo IPHAN.
 
O júri é composto por 5 arquitetos: Aníbal Coutinho, Jaime Lerner e eu, como membros externos, e Georgia Espozel Pinheiro da Silva e Marisson Veiga Pereira, como representantes do BNDES.
 
No site, além do edital, estão disponíveis belas fotos da construção da torre do BNDES, que também foi objeto de concurso público na década de 1970, vencido por uma equipe de jovens arquitetos do Paraná (Alfred Willer, Ariel Stelle, Joel Ramalho Jr., José Hermeto Sanchotene, Leonardo Oba, Oscar Mueller e Rubens Sanchotene):
 




 
 

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Freixo, Caetano e O Globo / Você leu isso?, pergunta Guilherme Wisnik, de São Paulo.
 
A entrevista do deputado estadual Marcelo Freixo  (PSOL) de fato é excelente, e mostra um domínio muito maior dos problemas urbanos do Rio do que há pouco tempo atrás, quando disputou a prefeitura da cidade com Eduardo Paes. Em muitos aspectos, sua visão complementa a do prof. Carlos Vainer (IPPUR-UFRJ), publicada recentemente no mesmo site (ver link abaixo). Além de discutir a política de segurança pública vigente, Freixo chama atenção para a perigosa relação entre a rede Globo e o projeto de cidade que tem sido imposto ao Rio, muito mais baseado na lógica dos grandes negócios do que nas demandas e desejos de seus habitantes.
 
As palavras de Freixo merecem ampla divulgação e discussão. Mas foram abafadas pelas manchetes surgidas nos últimos dias na grande imprensa em torno de uma relação absolutamente inconvincente entre ele e a trágica morte do cinegrafista Santiago, na manifestação contra o aumento das passagens que ocorreu dias depois da entrevista.
 
Não faltou nem a indignação de Caetano Veloso, registrada hoje em sua coluna semanal no jornal O Globo (http://oglobo.globo.com/cultura/freixo-outra-vez-11616610). Caetano diz que se sentiu "mal ao ver a agressividade do jornal contra o deputado" , e detectou "uma sinistra euforia (do jornal) por poder atacar um político que ameaça interesses não explicitados". Imagino que o texto terá muita repercussão, como tudo que Caetano diz ou escreve, e entendo que a amplitude dessa repercussão está em grande parte garantida justamente por ter sido o texto publicado no mesmo jornal cuja postura o músico questiona. Mas enquanto Caetano continuar colaborando regularmente com o Globo, não sei se avançamos muito.
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Reperimetral / Últimos dias para inscrição no concurso internacional de ideias "Reperimetral", organizado pelo Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio e destinado a estudantes e recém-formados (até 5 anos) em qualquer área (arquitetura, design, engenharia, artes etc). O objetivo do concurso é propor novos usos para as vigas de aço corten que resultam da demolição em andamento do viaduto da Perimetral. As vigas são tão valiosas que algumas já desapareceram, num roubo inacreditável e até hoje não esclarecido. O destino das demais ainda é incerto. A não ser pela viga que o prefeito levou para casa, e expôs no seu jardim como uma "obra de arte".
 
Aqui, o site do concurso: http://reperimetral.com/

E aqui, o pedaço da viga no jardim da casa do prefeito: http://oglobo.globo.com/rio/um-pedaco-do-viaduto-para-prefeito-eduardo-paes-chamar-de-seu-10332244


 
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Deodoro / Dentre tudo o que foi e tem sido construído no Rio na última década, um dos projetos de maior qualidade arquitetônica é o Centro Nacional de Tiro Esportivo, situado dentro da Vila Militar, em Deodoro.

Construído para os Jogos Panamericanos de 2007, o CNT é projeto do escritório BCMF (Bruno Campos, Marcelo Fontes e Silvio Todeschini), de Belo Horizonte, e integra um complexo esportivo de aproximadamente 100.000 m2 de área construída que inclui instalações para a prática de Hipismo, Hóquei sobre Grama e Pentlato Moderno, em terreno de cerca de 1 milhão de m2.
Por situar-se em área militar, de acesso restrito, a obra permanece isolada da cidade e praticamente desconhecida da maioria dos cariocas, e mesmo dos arquitetos brasileiros. Desde que foi inaugurado, no entanto, o conjunto tem recebido amplo reconhecimento internacional: foi capa da prestigiosa revista espanhola “Arquitectura Viva”, publicado e exposto em vários países (Alemanha, Estados Unidos, Coreia do Sul, Londres, Espanha, Argentina, Portugal) e premiado mais de uma vez, inclusive em importante premiação mundial de arquitetura esportiva patrocinada pelo próprio Comitê Olímpico Internacional (Medalha de Ouro no 2010 IAKS LAC/International Association for Sports and Leisure Facilities / Seção América Latina e Caribe; Special Prize no IOC / IAKS Award 2011 em Colônia, na Alemanha, e finalista do prêmio da VI Bienal Ibero Americana de Arquitetura e Urbanismo de Lisboa (2008) na Categoria "Obra de Jovem Autor”).

Desde que visitei o CNT com um grupo de alunos e professores, há três anos, não canso de citar a obra como referencia em termos do que de melhor foi produzido no Rio nas últimas décadas, no que diz respeito à organização do programa, implantação, detalhamento, pensamento estrutural, qualidade espacial e construtiva. Considero a relação da edificação com o sítio e a paisagem montanhosa uma aula de arquitetura. E em alguns momentos – como ao me deslocar sob o grid suspenso do para-balas – senti aquele prazer raro que só a experiência da arquitetura oferece.







Pois bem, ao saber que parte das instalações olímpicas haviam sido deslocadas para Deodoro, logo me animei com o que se anunciava: a requalificação de uma área suburbana, a integração daquela região quase esquecida ao resto da cidade por meio do BRT Transolímpica (ligando Deodoro a Barra da Tijuca), além de um projeto de recuperação ambiental da área. Também não pude deixar de me perguntar que relação seria estabelecida com o CNT pelo novo projeto – objeto de licitação pública vencida pelo consórcio Vigliecca Marobal, integrado pelo escritório de Hector Vigliecca, arquiteto de origem uruguaia baseado em São Paulo, que respeito e admiro desde o projeto para o Sesc Nova Iguaçu.  
Vigliecca é um arquiteto com sólida formação teórica e uma prática projetual de alto nível, que inclui projetos em várias escalas, programas e cidades, muitos deles premiados e vencedores de concursos públicos. Tem também larga experiencia em projetos urbanísticos e esportivos: além de ter vencido o concurso de modernização do Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, é responsável pelo belo projeto do Arena Castelão, em Fortaleza, que passou por uma ampla reforma para se tornar um dos estádios da Copa de 2014. 
 
Em associação com a empresa portuguesa de engenharia Marobal, o escritório - recentemente instalado no Rio, onde trabalha também num dos projetos de urbanização de favelas do programa Morar Carioca - vem desenvolvendo há alguns meses o plano urbanístico do Complexo Esportivo de Deodoro, onde estão previstas competições em nove modalidades (hipismo, hóquei, tiro, cross country, esgrima, pentatlo moderno, mountain bike, BMX e canoagem slalom).
 
O silêncio sobre o andamento do projeto começa me preocupar, no entanto. Sei bem da pressão que arquitetos envolvidos nos projetos em curso tem sofrido com as exigências de organismos internacionais como o COI e a FIFA, cujas urgências e interesses costumam se alinhar muito mais com a lógica dos investimentos empresariais do que com os interesses públicos, o compromisso com a construção de uma cidade igualitária e a preservação do patrimônio arquitetônico da cidade  (basta ver o Maracanã, brutalmente desfigurado e convertido em mais um estádio padrão FIFA).
 
Seria preciso tornar público, logo, o que de fato está sendo pensado para toda aquela área de Deodoro, e que relação o projeto atualmente em andamento estabelece com as obras de qualidade já construídas ali. Por ora, o máximo que encontrei disponível publicamente, no site da Rio 2016, é um vago “projeto conceitual”, que fala em construção de novas estruturas (temporárias e permanentes) e “readequação” de instalações existentes, dentre elas o CNT.
 

 
Confio plenamente na equipe responsável pelo projeto atual e não tenho dúvida de que ela tem a experiência e a capacidade necessária para desenvolver um projeto de qualidade que cumpra com os compromissos definidos na licitação sem desrespeitar o projeto original do CNT. O que não sei é até que ponto isso será suficiente, diante das pressões de prazo e redução de custos que tem sido impostas aos projetos e obras em curso no Rio, e num quadro complexo disputado por um número particularmente elevado de agentes distintos (Prefeitura, Exercito, Governo do Estado, COI, Rio 2016, Empresa Olimpica, Federação Internacional de Tiro Esportivo e provavelmente outros que desconheço).
Temo, sinceramente, que os termos “projeto conceitual” e “readequação”, usados na divulgação do projeto, sejam vagos o suficiente para permitir qualquer coisa – inclusive a descaracterização do CNT, mesmo que à revelia dos arquitetos atualmente responsáveis pela área. Em todo caso, eu gostaria de ter a certeza de que uma das poucas obras relevantes de arquitetura contemporânea na cidade será preservada, e que não perderemos com as Olimpíadas o pouco que o Pan nos deixou como legado.

 
 



(Aqui, artigo publicado na revista inglesa Dezeen sobre o projeto do CNT:
E aqui, o projeto do Parque Olímpico de Deodoro, conforme publicado no site da Rio2016:
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O Rio das desigualdades e da limpeza urbana / As transformações urbanas em curso no Rio hoje, na visão crítica do prof. Carlos Vainer (IPPUR-UFRJ), em ótima entrevista para o site Viomundo:

http://www.viomundo.com.br/denuncias/carlos-vainer-com-pretexto-dos-megaeventos-rio-promove-limpeza-urbana-e-sera-cidade-mais-desigual-em-2016.html
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Despedida / O roteiro é enxuto: o taxista pega o carro, a câmera, e atravessa o viaduto em velocidade média e constante, indicando os edifícios e marcos urbanos que em sua perspectiva aérea e luminosa vai deixando pra trás, sobre o pano de fundo das transformações em curso na cidade, pelas quais não mostra nenhum entusiasmo.
 
O registro é amador e não dura mais que 6 minutos e meio. E além da voz em off do motorista - cuja identidade se mostra apenas por meio de seu registro profissional, levemente humanizado pela foto 3x4  de alguém que pode ser sua filha, mulher ou namorada - só o que se ouve é a batida seca do atrito das rodas sobre as juntas de dilatação do viaduto, que quem cruzou a Perimetral alguma vez há de reconhecer.
 
É quase um Banham às avessas, que registra em tom grave sua própria despedida de uma via expressa - "sem sinais" e "muito bonita" -, parte da cidade em vias de dar lugar a uma "modernidade" que  aparentemente se anuncia, mais uma vez. Uma despedida solitária e íntima, que encontro por acaso no espaço público da rede, dias depois do fechamento definitivo da Perimetral.

 
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Saneamento é o básico / Praia de Ipanema, sábado de manhã.










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Concurso BNDES / Desafio para abrir o ano: o BNDES está organizando concurso público para projeto de edifício anexo da sua sede, em terreno na Avenida República do Paraguai, no Centro do Rio, nas imediações do Largo da Carioca e do Convento de Santo Antonio.
O anexo compreenderá áreas de uso do BNDES e áreas abertas ao público: 
Centro de Informação e Conhecimento, incluindo a modernização e ampliação da Biblioteca Paulo Roberto de Souza Melo; Centro de Documentação do BNDES; Centro de Memória do BNDES; Centro de Estudos Rômulo Almeida; e Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento.
Prevê-se também a construção do Caminho de São Francisco, ligando a Av. República do Paraguai ao Morro de Santo Antônio e ao Largo da Carioca, e oferecendo novo acesso ao convento.
O projeto deverá seguir os parâmetros urbanísticos redefinidos recentemente pela prefeitura para a área, em particular no que se refere à sua proximidade em relação ao Convento de Santo Antônio e a igreja da Ordem Terceira de São Francisco, que constituem um dos mais preciosos conjuntos coloniais remanescentes no Rio, tombado pelo IPHAN.
Trata-se de um desafio também em função da relação com o edifício-sede, torre miesiana mergulhada em jardins de Burle Marx com projeto de clara influência paulista desenvolvido na década de 1970 por uma equipe de arquitetos paranaenses formada por Leonardo Oba, Alfred Willer, Oscar Mueller, Rubens e José Sanchotene, Ariel Stelle e Joel Ramalho Junior.
Já está marcada audiência pública no dia 27.01.2014, às 14h, no auditório do 8º andar do Edifício Ventura Corporate Towers (Av. República do Chile n.º 330, Torre Oeste). Mas convém inscrever-se antes no site do BNDES, onde também já está disponível o edital do concurso: