Bienal / Nesta quinta, dia 2, às 19:30 hs, os curadores da X Bienal de Arquitetura de São Paulo (Guilherme Wisnik, Ligia Nobre e eu) estaremos na sede do IAB-RJ (R do Pinheiro, 10, Flamengo), para uma apresentação pública da proposta da Bienal, que será realizada entre 28 de setembro e 24 de novembro em São Paulo (e inclui duas exposições sobre o Rio). No encontro apresentaremos também a chamada de trabalhos para a Bienal, aberta a trabalhos, projetos, obras e ações (de profissionais, estudantes, arquitetos, designers, artistas, coletivos etc) ligadas ao tema "Cidade: Modos de fazer, modos de usar". O convite vale para todos.
Bienal / Nesta quinta, dia 2, às 19:30 hs, os curadores da X Bienal de Arquitetura de São Paulo (Guilherme Wisnik, Ligia Nobre e eu) estaremos na sede do IAB-RJ (R do Pinheiro, 10, Flamengo), para uma apresentação pública da proposta da Bienal, que será realizada entre 28 de setembro e 24 de novembro em São Paulo (e inclui duas exposições sobre o Rio). No encontro apresentaremos também a chamada de trabalhos para a Bienal, aberta a trabalhos, projetos, obras e ações (de profissionais, estudantes, arquitetos, designers, artistas, coletivos etc) ligadas ao tema "Cidade: Modos de fazer, modos de usar". O convite vale para todos.
2
Grandes eventos e transformações urbanas no Rio / A primeira mesa é quinta, às 19 hs, na PUC (edifício IMA), com foco nos projetos e estratégias públicas para os jogos olímpicos no Rio.
A mesa é composta por Bernardo Carvalho, representante da Empresa Olímpica Municipal, Gustavo Nascimento, do Comitê Olímpico Rio 2016, e pelo arquiteto inglês Adam Williams, que apresentará pela primeira vez na PUC o projeto do Parque Olímpico, que venceu o concurso organizado pelo IAB e está em andamento em ritmo acelerado, com obras já iniciadas na imensa área antes ocupada pelo Autódromo, na Barra da Tijuca.
A coordenação geral do ciclo é minha e da profa. Claudia Escarlate (CAU/PUC-Rio/Empresa Olímpica Municipal), e a organização de Ana Altberg (Empresa Olímpica), com apoio de Carolina Chataiginer e Mateus Rosa (CAU/PUC-Rio).
A programação se estenderá ao longo do semestre, sempre na PUC (R. Marques de São Vicente, 225, Gávea). Todas as mesas e palestras são abertas a todos, e serão divulgadas aqui.
Posto 4 / abr 13
MAR / É de Sérgio Bruno Martins a melhor crítica que li até agora do MAR/Museu de Arte do Rio, recém-inaugurado na Praça Mauá:
http://www.blogdoims.com.br/ims/o-mar-de-cima-a-baixo-%e2%80%93-por-sergio-martins/
Mas há algo ainda que me deixou particularmente atônita: o fechamento de vidro no térreo do prédio modernista, que cerca e abate o espaço do pilotis, cujo grau de liberdade e urbanidade é justamente um dos legados mais importantes da arquitetura moderna no Rio de Janeiro.
Mas há algo ainda que me deixou particularmente atônita: o fechamento de vidro no térreo do prédio modernista, que cerca e abate o espaço do pilotis, cujo grau de liberdade e urbanidade é justamente um dos legados mais importantes da arquitetura moderna no Rio de Janeiro.
3
Marina da Glória / Terça próxima, dia 02, às 10 da manhã, haverá Audiência Pública sobre o projeto da Marina da Glória na Câmara dos Vereadores. A mesa será composta por Carlos Alberto Muniz (Secretaria Municipal de Meio Ambiente), Alexandre Pinto da Silva (Secretaria Municipal de Obras), Maria Madalena San Martin de Astacio (Secretaria Municipal de Urbanismo), Carlos Roberto Osório (Secretaria Municipal de Transportes), Francis Bogossian (Clube de Engenharia), José Conde Caldas (Ademi), Sergio Magalhães (IAB), Maria Cristina Lodi (IPHAN), representates da Associação de Moradores do Flamengo, Catete e Glória e do grupo EBX, responsável pelo empreendimento. A audiência é pública, ou seja, aberta a todos. Basta apresentar um documento de identidade no acesso à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia (entrada pela lateral do Palácio Pedro Ernesto).
O projeto, assinado pelo arquiteto Índio da Costa, vem provocando muita discussão, conforme se pode ver aqui: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/minhacidade/13.152/4686 e aqui: http://www.soniarabello.com.br/
O arquiteto estará na PUC no dia 8 de maio, apresentando o projeto, que pode ser visto aqui: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.147/4687
2
Mark Wigley sobre o Rio / Rio e São Paulo, uma cidade só? Soa um pouco simplista. Mas também achei Nova York meio envelhecida, ao andar por lá recentemente. A entrevista completa do diretor da Escola de Arquitetura da Universidade de Columbia está aqui:
http://oglobo.globo.com/cultura/para-arquiteto-mark-wigley-brasil-o-pais-do-futuro-das-transformacoes-urbanas-7912012
Posto 3 / mar 13
1
Mestrado em Arquitetura na PUC / O Programa de Pós-graduação em Arquitetura da PUC-Rio está abrindo inscrições para a primeira seleção de Mestrado.
Mestrado em Arquitetura na PUC / O Programa de Pós-graduação em Arquitetura da PUC-Rio está abrindo inscrições para a primeira seleção de Mestrado.
As informaçoes fundamentais (edital inclusive) já estão no site da PUC:
As inscrições poderão ser feitas on-line de segunda próxima, dia 25 de março, até 24 de maio, e as aulas começam em agosto.
Posto 2 / fev 13
1
Banco Imobiliário / Parece brincadeira:
http://odia.ig.com.br/portal/rio/obras-de-paes-viram-pe%C3%A7as-de-banco-imobili%C3%A1rio-distribu%C3%ADdo-em-escolas-1.551427
E brincadeira, nesta cidade, não falta:
Banco Imobiliário / Parece brincadeira:
http://odia.ig.com.br/portal/rio/obras-de-paes-viram-pe%C3%A7as-de-banco-imobili%C3%A1rio-distribu%C3%ADdo-em-escolas-1.551427
E brincadeira, nesta cidade, não falta:
3
+ Bienal / "Cidade: modos de fazer, modos de usar" é o tema da X Bienal de Arquitetura de São Paulo, que acontece em out/nov deste ano, organizada pelo IAB-SP. A proposta desta edição é discutir práticas urbanas contemporâneas, sem se limitar a projetos arquitetônicos-urbanísticos mas incluindo também práticas artísticas-culturais, experiências, obras e situações capazes de provocar um pensamento renovado sobre a cidade. Daí porque, em vez de se encerrar nos limites de um único edifício isolado num parque, esta Bienal se estrutura em rede, conectando pontos distintos da cidade de São Paulo através do metrô: Centro Cultural São Paulo, MASP, Maria Antonia, Teatro Oficina, Parque D. Pedro, Fábricas de Cultura... É um desafio e tanto. Mas ninguém tem dúvida da necessidade de combater o esgotamento do modelo de Bienal que veio se arrastando nos últimos tempos, com exposições exaustivas e desarticuladas e premiações sem critério que já não faziam mais que conferir prestígio ilusório a alguns arquitetos. Por outro lado, há um entendimento geral da premência de acionar e ao mesmo tempo encontrar o lugar da arquitetura numa discussão mais ampla sobre a cidade, num momento de crise da própria cidade e da disciplina do urbanismo e em face dos acelerados processos de transformação urbana em curso em várias cidades brasileiras.
No momento, estamos construindo uma boa discussão entre os curadores - Guilherme Wisnik, Ligia Nobre e eu - com o apoio incansável de José Armenio, presidente do IAB-SP, e vários interlocutores que tem se envolvido de uma maneira ou outra no processo. E entre tantas questões que nos fazemos, como não poderia deixar de ser, está como abordar o Rio hoje.
Posto 1 / jan 13
1
Secretaria de Urbanismo / O engenheiro Sergio Dias, que esteve à frente da Secretaria Municipal de Urbanismo do Rio de Janeiro desde 2009 - e se manteve no cargo mesmo depois de ter sido flagrado com um guardanapo na cabeça, em estranha comemoração com o governador Sergio Cabral e empresários em Paris - foi substituído ontem pela arquiteta Maria Madalena Saint Martin de Astacio, sua subscretária na pasta.
A nova secretária é funcionária da Prefeitura há muitos anos e conhece a fundo a legislação urbana carioca. Já exerceu várias funções nas Secretarias de Obras e Urbanismo, como Diretora de Departamento de Licenciamento e Fiscalização, Superintendente de Parcelamento e Edificações e Subsecretária Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente.
Já em São Paulo, a pasta correspondente (Secretaria de Desenvolvimento Urbano) foi passada ao arquiteto Fernando de Mello Franco, do escritório MMBB.
Boa sorte a ambos, e a todos nós.
Já em São Paulo, a pasta correspondente (Secretaria de Desenvolvimento Urbano) foi passada ao arquiteto Fernando de Mello Franco, do escritório MMBB.
Boa sorte a ambos, e a todos nós.
9
Trump Towers 3 / O projeto executivo é do escritório de Aflalo & Gasperini, de São Paulo. Ver aqui: http://www.cte.com.br/site/noticias_ler.php?id_noticia=8748 e aqui: http://www.aflaloegasperini.com.br/projeto/trump-towers-rio-even-trump-e-mrp
O escritório integrou a equipe que ficou em segundo lugar no concurso do Porto Maravilha (sob a coordenação do arq. Flavio Ferreira), e tem vários projetos de edifícios altos para a área portuária. Como este:
fonte: O Globo
8
Mestrado em Arquitetura na PUC-Rio / Uma boa notícia às vésperas do Natal: depois de um longo processo, foi aprovada pela Capes a proposta de criação do Mestrado em Arquitetura da PUC-Rio, encaminhada pelo Departamento de Artes & Design.
Mestrado em Arquitetura na PUC-Rio / Uma boa notícia às vésperas do Natal: depois de um longo processo, foi aprovada pela Capes a proposta de criação do Mestrado em Arquitetura da PUC-Rio, encaminhada pelo Departamento de Artes & Design.
O Mestrado tem como área de concentração "Projeto de Arquitetura", e duas linhas de pesquisa: "Teoria e História do Projeto" e "Métodos e Processos de Projeto" (esta, com dois eixos temáticos fortes: "Modelagem e Representação" e "Sustentabilidade").
O corpo docente tem base interdisciplinar e é composto pelos professores Ana Luiza Nobre, Cecilia Cotrim, João Masao Kamita, Marcos Favero e Otavio Leonidio (Teoria e História do Projeto) e Alfredo Jefferson, Elisa Sotelino, Fernando Betim, Luiz Fernando Martha e Maria Fernanda Lemos (Métodos e Processos de Projeto).
O objetivo é acompanhar e ao mesmo tempo alimentar mudanças na prática projetual da arquitetura, com base na construção de uma relação orgânica entre as disciplinas da Arquitetura, Engenharia, História e Design, e ênfase numa perspectiva marcadamente contemporânea, ancorada em grande parte na reflexão crítica sobre o processo de transformações urbanas em curso na região metropolitana do Rio de Janeiro.
O processo de seleção será aberto em data a ser divulgada no primeiro semestre de 2013, e as aulas devem começar em agosto. Informações atualizadas estarão no site da PUC-Rio e também aqui, claro.
Trump Towers / Que Donald Trump seja bem-vindo, mas procure um arquiteto à altura do Rio.
.jpg)
Mais aqui: http://oglobo.globo.com/rio/grupo-de-donald-trump-anuncia-investimento-bilionario-no-rio-7085404
5
Forte / Depois de ser capa da última edição da revista Monolito, a bela estrutura instalada por Carla Juaçaba no Forte de Copacabana durante a Rio+20 recebeu o prêmio "Revelação" da APCA/Associação Paulista dos Críticos de Artes, que há dois anos vem premiando também projetos de arquitetura.
Além do "Humanidades", foram premiados este ano: Homenagem
pelo conjunto da obra: Paulo Archias Mendes da Rocha; Fronteiras
da arquitetura: Montagem da 30ª Bienal de Arte de São Paulo / Metro; Obra de
arquitetura: Praça das Artes / Brasil Arquitetura e Marcos Cartum; Cliente/promotor: Carlos Augusto Calil / Secretaria de
Cultura da Prefeitura de São Paulo; Projeto
referencial: Hidroanel São Paulo / Alexandre Delijaicov, André Takiya e
Milton Braga; e Urbanidade: Héctor Vigliecca.
O júri foi composto por Abílio Guerra, Fernando Serapião, Guilherme Wisnik, Maria
Isabel Villac, Mônica Junqueira de Camargo, Nadia Somekh e Renato
Anelli.
Carla é professora de Projeto no Curso de Arquitetura da PUC-Rio, e é uma das entrevistadas que está no livro "Entre", lançado ontem na Livraria da Travessa.
4
Instalações no Parque Olímpico / Em meio à comoção geral pela morte de Niemeyer, uma notícia importante passou quase desapercebida: depois de um longo processo, a prefeitura divulgou o resultado da licitação pública destinada à seleção dos consórcios
responsáveis pela elaboração dos projetos básicos e executivos de três das principais instalações esportivas que ficarão dentro do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca.
Os consórcios envolvem novas parcerias entre escritórios brasileiros e estrangeiros instalados no Brasil. O Centro
de Tênis e o Centro de Esportes Aquáticos serão projetados pelo mesmo grupo: 2016 – Especialistas em Eventos Esportivos. O grupo é encabeçado pela GMP Design e Projetos do Brasil Ltda (escritório sediado na Alemanha, que tem em seu currículo projetos de grande porte como aeroportos, estádios esportivos e estações intermodais em várias cidades da Europa e da China, e no Brasil já desenvolve projetos de estádios de futebol para a Copa do Mundo de 2014: http://pt.gmp-architekten.de/). Também integram o consórcio as empresas SBP do
Brasil Projetos Ltda, LUMENS Engenharia Ltda, e Sustentech
Desenvolvimento Sustentável Ltda.
O Centro de Tênis terá três ginásios, sete quadras descobertas e seis quadras para treinamento e aquecimento, distribuídos em estruturas permanentes e temporárias. E o Centro de Esportes Aquáticos será uma arena temporária, com capacidade para 18 000 pessoas.
O Centro de Tênis terá três ginásios, sete quadras descobertas e seis quadras para treinamento e aquecimento, distribuídos em estruturas permanentes e temporárias. E o Centro de Esportes Aquáticos será uma arena temporária, com capacidade para 18 000 pessoas.
Já o Velódromo - que irá substituir a
pista de ciclismo criada para os Jogos Pan-Americanos de 2007, considerada inadequada para atender as exigências olímpicas - será uma instalação permanente, com capacidade para 5 000 espectadores e projeto desenvolvido pelo consórcio Rio Equipamentos Olímpicos, formado pelas empresas ARQHOS-Consultoria e Projetos Ltda; CONEN-Consultoria e Engenharia Ltda; JLA-Casagrande Serviços e Consultoria de Engenharia Ltda; M&T Mayerhofer e Toledo Arquitetura Planejamento e Consultoria Ltda (esta responsável, entre outros projetos, pelo Centro de Convenções da Sul-América, no Rio, e o Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília: http://mtarquitetura.com.br)
Como se sabe, o Parque Olímpico
é considerado o coração dos Jogos de 2016. Fica numa área de 1.180.000
m2 na Barra da Tijuca e será sede da disputa de 15 modalidades olímpicas
e 11 paralímpicas. O projeto do Parque foi objeto de concurso público vencido em 2011 pela firma inglesa Aecom, também responsável pelo projeto do Parque Olímpico de Londres, e as obras estão a cargo do consórcio formado pelas empreiteiras Andrade Gutierrez, Carvalho Hosken e Odebrecht.
3
Entre / Quatro alunos alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio (Francesco Bosch, Gabriel Kozlowski, Mariana Meneguetti e Valmir Azevedo) se juntaram, há alguns anos, com o propósito de entrevistar arquitetos atuantes na prancheta e fora dela, pelo Brasil. Fizeram eles mesmos as entrevistas, as fotos e o site (www.entre.arq.br) onde disponibilizaram publicamente o material, que agora felizmente ganha reedição em livro. "Entre - entrevistas com arquitetos por estudantes de arquitetura" (Viana & Mosley, 2012), será lançado esta sexta, dia 14, às 19 hs na Livraria da Travessa, no Leblon. O livro contém 13 entrevistas com arquitetos como João Walter Toscano, João Filgueiras (Lelé) Lima, João Pedro Backheuser, Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco, Carlos Teixeira, Guilherme Wisnik e eu, e tem prefácio de João Masao Kamita. Num processo tão acelerado como o que estamos vivendo, muita coisa já mudou desde que as entrevistas foram feitas (3 dos organizadores já se formaram, inclusive). Mas os leitores encontrarão no livro uma boa contribuição para o mapeamento da situação contemporânea da arquitetura no Brasil, do ponto de vista de jovens inteligentes e inquietos que não ignoram nem as oportunidades nem os desafios que sua geração tem pela frente.
Entre / Quatro alunos alunos do Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio (Francesco Bosch, Gabriel Kozlowski, Mariana Meneguetti e Valmir Azevedo) se juntaram, há alguns anos, com o propósito de entrevistar arquitetos atuantes na prancheta e fora dela, pelo Brasil. Fizeram eles mesmos as entrevistas, as fotos e o site (www.entre.arq.br) onde disponibilizaram publicamente o material, que agora felizmente ganha reedição em livro. "Entre - entrevistas com arquitetos por estudantes de arquitetura" (Viana & Mosley, 2012), será lançado esta sexta, dia 14, às 19 hs na Livraria da Travessa, no Leblon. O livro contém 13 entrevistas com arquitetos como João Walter Toscano, João Filgueiras (Lelé) Lima, João Pedro Backheuser, Angelo Bucci, Fernando de Mello Franco, Carlos Teixeira, Guilherme Wisnik e eu, e tem prefácio de João Masao Kamita. Num processo tão acelerado como o que estamos vivendo, muita coisa já mudou desde que as entrevistas foram feitas (3 dos organizadores já se formaram, inclusive). Mas os leitores encontrarão no livro uma boa contribuição para o mapeamento da situação contemporânea da arquitetura no Brasil, do ponto de vista de jovens inteligentes e inquietos que não ignoram nem as oportunidades nem os desafios que sua geração tem pela frente.
Posto 12 / dez 12
"Niemeyer e a modernidade sem crise
Nenhum arquiteto viveu tanto. Mas quem diria que um arquiteto moderno, aos 102 anos, ainda fosse provocar polêmica com dois projetos inaugurados quase simultaneamente: o Auditório de Ravello, na Itália, e a Cidade Administrativa Tancredo Neves, em Belo Horizonte. O primeiro enfrentou oito ações judiciais ao introduzir um descomunal olho de concreto numa cidade de pouco mais de 2 mil habitantes, onde “a última grande construção datava do século XI”, como frisou o sociólogo Domenico di Masi, maior entusiasta da obra. O segundo tem sido interpelado em função do custo da obra, das motivações políticas da encomenda e até da sua eficiência energética. Mas para além disso, pouco tem sido dito a respeito da sua arquitetura.
Nenhum arquiteto viveu tanto. Mas quem diria que um arquiteto moderno, aos 102 anos, ainda fosse provocar polêmica com dois projetos inaugurados quase simultaneamente: o Auditório de Ravello, na Itália, e a Cidade Administrativa Tancredo Neves, em Belo Horizonte. O primeiro enfrentou oito ações judiciais ao introduzir um descomunal olho de concreto numa cidade de pouco mais de 2 mil habitantes, onde “a última grande construção datava do século XI”, como frisou o sociólogo Domenico di Masi, maior entusiasta da obra. O segundo tem sido interpelado em função do custo da obra, das motivações políticas da encomenda e até da sua eficiência energética. Mas para além disso, pouco tem sido dito a respeito da sua arquitetura.
A Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves localiza-se à beira da Linha Verde, na região norte de Belo Horizonte. A construção do complexo de 265 mil m2 de área construída visou unificar a administração do Estado de Minas e ao mesmo tempo induzir a expansão da cidade em direção ao norte. Mas o empreendimento tem também fortes motivações políticas, é claro. É uma obra indissociável da política carismática de Aécio Neves e de sua ambição política. Não deve surpreender a ninguém, então, que o neto de Tancredo Neves tenha buscado o arquiteto que definiu simultaneamente a imagem de modernidade de Belo Horizonte e de Juscelino Kubitschek com o conjunto da Pampulha e outras obras que marcam a paisagem urbana da capital mineira. E ainda tenha feito questão de inaugurar a obra no mesmo dia em que o ex-presidente Tancredo Neves completaria100 anos.
O conjunto é
composto de cinco edificações autônomas e pouco articuladas, do ponto de vista
urbanístico, entre si e com o entorno. O que tampouco chega a ser motivo de
surpresa, em se tratando de Niemeyer: à semelhança do Memorial da América
Latina, por exemplo, o projeto aposta na criação de um foco de atenção, antes
que numa conexão mais estreita com o contexto em que se situa. No caso, o
edifício de maior apelo imagético abriga o gabinete do Governador e os demais
destinam-se às secretarias, auditório e centro de convivência. O Palácio do
Governo revela clara filiação a projetos anteriores de Niemeyer, em particular
das sedes italianas da Mondadori e do grupo Fata, os quais por sua vez seguem,
com alterações e ajustes, a solução da caixa de vidro envolvida por uma
seqüência de arcos, iniciada com o Palácio do Itamaraty. Já as secretarias se
acomodam em dois edifícios em curva, com 15 pavimentos cada. De certo modo encontra-se
aí, portanto, uma espécie de resumo da obra do arquiteto. Dois de seus traços
fundamentais, pelo menos, estão presentes: a forma livre e o virtuosismo estrutural.
A liberdade concedida à forma se manifesta nas curvas dos dois edifícios
administrativos que se rebatem um sobre o outro. Já a exploração extremada da
técnica moderna se mostra mais claramente no Palácio do Governo, que, com seus 146
metros de vão livre (mais ou menos o dobro do vão do Museu de Arte de São
Paulo), é alardeado como o maior vão suspenso do mundo. Contando, como sempre,
com a solidariedade de um grande engenheiro (José Carlos Sussekind), Niemeyer
conseguiu realizar uma estrutura que só pode ser medida pela sua ousadia: 30
cabos de aço mantém em suspenso uma caixa de vidro de 4 pavimentos, que pende
das vigas superiores.
A solução não é
uma novidade em si – embora distinta, a estrutura do Museu de Arte Moderna do
Rio de Janeiro, por exemplo, também foi resolvida, na década de 1950, com uma
sofisticada solução atirantada que liberou de apoios o solo e os espaços
expositivos. Mas nem por isso a última realização de Niemeyer deixa de
impressionar por seu vigor. Há, afinal, uma carga de juventude nesse projeto
que decerto contribui para a visibilidade da obra, embora também denuncie um
dos problemas cruciais para a produção projetual contemporânea no Brasil: de um
modo geral, a arquitetura brasileira não viveu a crise do moderno. Na década de
1950, enquanto o pensamento arquitetônico e urbanístico mundial era forçado a
confrontar-se com a crise da modernidade, o Brasil construía Brasília. E no
momento seguinte, quando a arquitetura começou a ser interrogada à luz da
crítica pós-modernista, o Brasil vivia uma ditadura militar que bloqueava
qualquer pensamento crítico. Esse quadro começaria a mudar junto com a abertura
política, mas então o pós-modernismo acabaria se tornando aqui uma espécie de chave
mestra capaz de oferecer saída fácil para um grande impasse: de um lado, a
reverência à obra ímpar de Lucio Costa e Oscar Niemeyer, de outro, a
constestação própria de uma geração de arquitetos formados no período mais
negro da ditadura militar (num processo protagonizado justamente por alguns
arquitetos mineiros).
Pode-se então culpar
Niemeyer por certo imobilismo da arquitetura no Brasil? Definitivamente, não. Tudo
indica que se a arquitetura brasileira permaneceu
alheia à crise do moderno, foi porque ficou entre uma prática capitalista
predatória e uma reflexão teórica pobre e coercitiva na qual se expressou,
desta vez pela via da esquerda, uma tônica populista e autoritária
continuamente reeditada no Brasil.
Será um erro
contratar Niemeyer hoje? Longe disso. Nenhum arquiteto brasileiro tem
visibilidade sequer comparável a sua (basta lembrar a inauguração recente do
hospital Sarah Kubitschek, no Rio, largamente anunciada pela imprensa local sem
qualquer menção à arquitetura e/ou ao responsável pela excelência do projeto,
arquiteto João Filgueiras Lelé Lima).
E compreende-se facilmente porque dez entre dez dos maiores arquitetos do mundo
todo, quando vêm ao Rio, não só querem conhecer Niemeyer pessoalmente como
mostram uma excitação quase infantil ao sair de seu escritório com um
autógrafo, uma foto e se possível um croquis
(cena que se repetiu, só nos últimos anos, com Zaha Hadid, Frank Gehry, Steven
Holl, Christian de Portzamparc, Frei Otto e muitos outros).
No fundo, então,
o que impressiona mesmo é a escassez, se não ausência, de cultura arquitetônica
no Brasil hoje. E isso, não obstante as qualidades intrínsecas a certa produção
contemporânea, dentro da qual podem ser incluídos tanto Lelé quanto Angelo
Bucci. Pelo jeito, não bastou a exemplaridade da arquitetura produzida no país
nas décadas de 40 e 50, a qual se irradiou a partir do Rio de Janeiro mas não
tardou a brotar em Minas Gerais (e não só em Belo Horizonte mas também em
Cataguases, Diamantina, Ouro Preto). Tampouco foi suficiente a admirável longevidade
dos grandes mestres da arquitetura moderna no Brasil (Lucio Costa, por exemplo,
morreu perfeitamente lúcido aos 96 anos).
Longevidade essa
que, se confirma a singularidade da arquitetura brasileira, também expõe sua
face mais problemática. Diferentemente da França, por
exemplo, onde a arquitetura foi forçada a buscar uma nova orientação após o
luto pela morte de Le Corbusier, no Brasil a presença atuante dos grandes
arquitetos modernos em pleno final do século XX acabou se tornando, para
muitos, uma ameaça a qualquer tentativa de emancipação. E ao contrário do que
pode sugerir a quantidade de publicações e eventos suscitados pela comemoração
recente do centenário de Niemeyer, ainda há uma grande dificuldade de abordar
criticamente a sua obra.
Chegamos a um
ponto, no entanto, em que é difícil não se perguntar em que medida alguns
projetos que tem sido divulgados como sendo de Niemeyer, são de fato seus. No
caso do complexo mineiro, o projeto já foi acusado de ter saído das suas
gavetas. Não que, por princípio, isso seja condenável em arquitetura (considere-se,
por exemplo, as semelhanças entre o Edifício Bacardi e a Galeria Nacional de
Berlim, de Mies van der Rohe). Mas é difícil acreditar que, aos 102 anos, Oscar
Niemeyer ainda esteja em condições de confiar a gênese da forma ao gestual pelo
qual a sua arquitetura se definiu, em seus melhores momentos. Não raro, os
traços que temos visto mostram características substancialmente distintas de
seu procedimento projetual. E ainda que as maquetes possam ajudar, é difícil
acreditar que a esta altura ele esteja disposto a rever sua concepção de
arquitetura como atividade de criação individual, definida por meio de um risco
fluente e decidido. O que em todo caso faz pensar na simplicidade da gramática
niemeyeriana e sua exploração – no limite da saturação, nos últimos tempos -
como uma marca facilmente identificável e comercializável.
Todo cuidado é
pouco, portanto, para tratar da Cidade Administrativa de Belo Horizonte. O
projeto é a prova mais cabal de que Niemeyer não é só o último grande Mestre da
arquitetura. Nem só o grande Imortal da arquitetura brasileira. Niemeyer é a
juventude espantosa, e às vezes assustadora, do Brasil."
Ana
Luiza Nobre
Publicado no caderno “Prosa e Verso” do jornal “O Globo”, em 10.abril.2010
Assinar:
Postagens (Atom)






